quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Lembranças do futebol e de um mundo em ruínas



Há dois anos voltei a São Borja, numa viagem épica, com meu pai. Estávamos indo levar as cinzas da minha mãe, que sempre sonhara descansar nas águas do seu amado rio Ibicuí. São Borja não estava nos planos, mas foi quase impossível não parar. Havia mais de 30 anos que saíra dali para nunca mais voltar. Paramos na velha cidade para almoçar e matar a saudade, tudo estava como sempre fora. A velha praça, a igreja, o relógio do sol, as estátuas em bronze de Getúlio e de Jango. Fomos render homenagens a Maria do Carmo, a santa do povo, e depois decidimos ir até o Paso, bairro que dá passagem para a Argentina, espaço de muitas doces lembranças. Na velha curva que inicia o caminho para o bairro paramos num posto de gasolina. Eu estava distraída, meio melancólica. Então, num levantar de cabeça eu vi. Eram as ruínas do velho estádio de futebol do Internacional de São Borja. Jamais poderia imaginar que ainda existia.

Fui acometida de uma profunda emoção e pude então racionalizar todo o amor que eu tenho pelo futebol. Num átimo, me vi, guriazinha, cabelo armado, magricela, “patitas chuecas”, entrando naquele lugar agarrada à mão do meu pai. Ele era radialista e ia cobrir os treinos do Inter. Eu ia junto e enquanto ele trabalhava, eu ficava sentadinha nas velhas cadeiras de lata vermelha, absorvendo toda a magia do balão de couro dançando no campo verde. E quando havia jogo, lá estávamos nós, bandeira em punho, torcendo pelo Internacional. Era coisa de paixão, algo irracional e tanto que quando os clubes locais decidiram unir-se num só: o São Borja Futebol Clube, levei um bom tempo até voltar ao estádio. Não parecia haver a mesma magia. Agora, quase 40 anos depois, ali estava o velho estádio, em ruínas, a me evocar lembranças tão memoráveis.

Veio dali, daquele lugar sagrado todo o amor que sempre senti pelo futebol, e tanto que na vida de repórter, nunca negligenciei essa espaço da vida. Em Caxias, vibrando amorosamente pelo time grená, o Caxias e, depois, em Florianópolis, escrevendo momentos incríveis do Figueirense, o furacão do estreito, o qual é o dono do meu coração.

Futebol sempre teve gosto de beleza, de paixão, de compromisso amoroso. E eu lembro a alegria profunda que me causava ver aquela correria louca no campo verde. Os dribles inauditos, as defesas fenomenais, os gols. Ah, os gols... Ainda guardo na memória as figuras do Cassiá, zagueiro dos bons, Paulo Taborda, Moisés. E a impressão que se tinha era de que cada um deles ali estava pela simples alegria de estar. Não havia ainda essa coisa do jogador-escravo, propriedade de empresas. Eles jogavam e se divertiam.

Todas essas lembranças me assomam ao ver o choro sentido do Ronaldo, ao se despedir do futebol. Esse garoto fenômeno que fazia loucuras com a bola, de chute potente, de dribles sensacionais. É triste ver o que fazem hoje com esses meninos. Descobertos ainda na infância, eles logo são vendidos a algum grande empresário e seguem na sua vida de escravos, fazendo só o que a empresa manda. Ultrapassam todos os limites corporais, usam todas as energias, arrebentam todos os tendões. São máquinas de fazer dinheiro. Alguns deles - como é caso do Ronaldo – ficam ricos. Mas são poucos. No geral quem enriquece são as empresas e os empresários. Mas, mesmo esses que ganham rios de dinheiro, ao final não podem fazer-se uma nova pessoa. Estão destruídos, e nem chegaram aos 40 anos.

Ali estava o Ronaldo chorando e eu a lembrar de mim, do Inter de São Borja, das ruínas do estádio. Uma espécie de metáfora da ruína das gentes, estas que são vencidas pela ganância, pelo desejo do lucro. Ali estava o Ronaldo chorando e nenhum dinheiro do mundo podia lhe ajudar. Enquanto isso, em algum campinho do Brasil, os olhos gordos de empresários gordos, certamente espreitavam algum outro molequinho... Um molequinho que daqui a 30 anos talvez venha chorar na TV porque tudo o que tinha lhe foi tirado. Então eu me agarro a estas lembranças antigas, de um tempo em que o futebol era só alegria, cabelos ao vento, gol na rede. Um tempo em que as torcidas não matavam ninguém, ao contrário, ofereciam o ombro na derrota e o calor do aconchego. Mas isso já vai bem longe... Longe demais... Esse é um tempo em ruínas, tal qual o velho estádio do Inter de São Borja.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Parem Belo Monte. Xingu livre da destruição!!

Povos originários e ribeirinhos estivem em Brasilia protestando contra a construção da Barragem de Belo Monte, no Pará. Levaram mais de 600 mil assinaturas de gente de todo o país. A obra, se levada adiante vai comprometer o modo de vida de milhares de pessoas, além de inundar quilômetros de terra indígena. As imagens são do companheiro Todd Southgate, o mesmo que está produzindo um vídeo sobre a derrubada do Bar do Chico no Campeche. As gentes defendem a Amazônia, mas o governo se mostra surdo e diz que "fará o que tem de fazer", ou seja, seguir com a destruição. É preciso parar Belo Monte. Essa é uma luta de todos nós.


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Voz da liberdade

Que ninguém defraude esses sonhos...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Novo jornal em Santo Antônio pelas mãos do lindo Celso Martins


DAQUI Jornal e DAQUI Web farão cobertura do distrito de Santo Antônio de Lisboa e arredores

Dois veículos de comunicação do distrito de Santo Antônio de Lisboa serão lançados neste sábado (12.2) no Engenho e Casarão dos Andrade, com a presença da banda Gente da Terra, os músicos australianos Carl Cleves e Parrisa Bouas, e o artista Valdir Agostinho, além de projeção de fotografias e exposição de artes. Tudo isso será regado com caldo de feijão, cachaça artesanal de Ratones, sucos e pirão d’água com lingüiça, incluídos no custo do convite (R$ 20,00).

O DAQUI Jornal começa com oito páginas em cores, tiragem de três mil exemplares e circulação no distrito de Santo Antônio de Lisboa (Sambaqui, Barra do Sambaqui, Santo Antônio, Barreira, Caminho dos Açores/Praia Comprida, Cacupé), chegando ao Saco Grande, Ratones, Daniela e Praia do Forte. O segundo veículo é o site DAQUI Web, noticioso, com atualização diária, apresentando uma extensa lista de serviços e links dos blogs e sites da região.

O projeto é de responsabilidade da empresa DAQUI Edições, criada para viabilizar a iniciativa pelo jornalista e historiador Celso Martins (coordenação editorial) e a cantora e acadêmica de jornalismo Joana Cabral (coordenação comercial). A artista visual Helena Rodrigues atua por enquanto como contato comercial, com o apoio direto de entidades comunitárias e lideranças locais.


Programa musical

20h – Gente da Terra.
21h – Ato de lançamento.
21h30 – Carl Cleves e Parrisa Bouas.
22h – Banda de músicos uruguaios.
22h30 – Valdir Agostinho

Local
Engenho e Casarão dos Andrade. Caminho dos Açores/Praia Comprida, 1180 (Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis-SC.

Início
20 horas

Atividades
Projeção de fotos de paisagens da região e exposição de obras dos artistas Cláudio Andrade e Neri Andrade.

Alimentos e bebidas
Caldo de feijão, cachaça artesanal de Ratones, sucos e pirão d´água com lingüiça (incluídos no convite), mais cerveja com venda à parte.

Mais informações
Celso Martins (3335 0200)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Na luta pela libertação, somos todos egípcios!

Florianópolis realiza Ato Público em solidariedade ao povo egípcio e pela autodeterminação dos Povos!

Dia: 15/02/2011 - terça-feira

Hora: 17 horas

Local: Esquina Democrática - rua Felipe Schmidt esquina rua Deodoro - Centro - Florianópolis

As revoluções dos povos Árabes
Furacões para a ditadura.... Brisas para a democracia e liberdade

Por Khader Othman - kaderothman@hotmail.com

Comitê Catarinense de Solidariedade ao Povo Palestino

Os ventos revolucionários que sopraram no mês passado na Tunísia fizeram seu ditador, Benali, fugir do país. Covardemente fugiu. O poder agora está com uma Frente Progressista que produziu, organizou e administrou o estado revolucionário na Tunísia, formação que se deu durante o ditadura de Benali. Foram ventos que atravessaram as turbulentas águas da Tunísia, chegando sãos e salvos na margem da democracia e liberdade.

Os mesmos ventos revolucionários assopram agora sobre Egito. Arrancaram a casca que escondia um ditador, brotando no lugar uma organizada e madura frente de libertação liderada por jovens que nasceram durante a ditadura. Viveram e sentiram, com experiência própria, que este modelo falido não leva a progresso nenhum. O regime está tão podre que não adiantam mais reformas ou emendas. Esta ditadura que perdura na contramão da história, leva o Egito ladeira abaixo. Nos últimos 30 anos o Egito ficou em primeiro lugar no mundo árabe no ranking da emigração de jovens. Milhares de jovens tiveram que sair do seu país por falta de emprego, perdendo assim energia e mentes lapidadas para servir em outros países.

Durante 30 anos este regime ditador deixou o Egito em um desfalque enorme de moradias populares, revelando que o regime não tinha nenhum interesse na solução de moradias para o seu povo. Os cemitérios mostraram a maior disputa no meio da população pobre, pois lá, vizinhos de cadáveres, não se paga aluguel e não tem ordem de despejo.

Enquanto esse cenário obscuro progredia, também progredia a situação financeira do chefe do regime, o ditador Hosni Mubarak e seus capangas, uma equação injusta... Sua fortuna subiu de zero em 1980 para 70 bilhões em 2011, ou seja, dentro dos 30 anos enquanto ele manipulava o poder.

Mas, por 15 dias a Praça TAHREER faz valer o significado de seu nome, traduzindo , significa LIBERTAÇÃO, são os ventos revolucionários embalando os rebelados egípcios!! Admiramos como esses revolucionários egípcios se manifestam e se organizam! São mais de três milhões de pessoas, cotidianamente, realizando protestos de forma ordeira e organizada. Utilizando a mídia, internet, comunicações alternativas, gente de todas as classes sociais unidas no grito e nas tarefas.

Há os responsáveis pela limpeza, outros pela distribuição da comida, têm o grupo de médicos cuidando dos feridos, têm aqueles responsáveis pela distribuição da medicação, enfim, todos realizam suas atividades e tarefas com a maior obediência e satisfação. Cabe aqui contar o que aconteceu na quinta feira, quando surgiu boato de que os tanques do exército iriam acabar com as manifestações. A reação foi à altura dos ventos revolucionários... Foram destinado vários homens para dormir embaixo da esteira do tanque paralisando assim sua movimentação!

A revolução da Tunísia tanto quanto a revolução Egípcia pegaram o ocidente de surpresa, pois ninguém imaginava algo nessa proporção, desconsiderando assim o potencial da mudança dos dois povos, resultando em declarações confusas sobre os acontecimentos. Alguns líderes ocidentais, com mentalidade colonialista, negam a condição de um árabe em praticar corretamente a democracia ....esquecem eles que a democracia é originária da Grécia antiga, não americana e nem européia.

Nós nos orgulhamos da diversidade do povo brasileiro! Imaginamos o dia em possamos nos orgulham da diversidade internacional! Quando houver uma real democracia que abrace a todos.

E difícil para ocidente, com sua política capitalista e imperialista, entender as mudanças no mundo árabe ou islâmico. É necessário modificar sua visão, para entender e aceitar o árabe como ele é, produto da sua cultura e sua civilização.

Duas grandes divergências azedaram as relações do Ocidente com o mundo árabe e islâmico. A primeira: a posição injusta de adotar dois pesos e duas medidas na questão palestina. Somente os Estados Unidos utilizou 37 vezes o direito de veto quando o Conselho da Segurança da ONU iria condenar Israel por seus crimes praticados contra os palestinos e árabes. A segunda: a demagogia praticada pelo ocidente. Com pregações de liberdade e democracia na mídia internacional, se comporta sustentando e apoiando politicamente as ditaduras do Oriente Médio.

Os ventos revolucionários significam furacões para as ditaduras, para o sionismo, para o capitalismo e o imperialismo.... Mas são brisas para a autodeterminação dos povos, para a democracia e para a liberdade!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Público decidirá quem deve ser investigado pelo WikiLeaks


Passados quase dois meses do lançamento dos documentos das embaixadas americanas, o WikiLeaks começa uma nova estratégia de divulgação aqui no Brasil.A partir de agora, é o público quem escolherá quais os temas que devem ser pesquisados no arquivo de documentos e publicados no agora famosos sitio.

O trabalho, coordenado pela jornalista Natália Viana, será efetuado na parceria com uma série de blogueiros, entre os quais me incluo. A coisa funcionará assim: o internauta precisa enviar uma mensagem definindo um tema, uma figura pública ou um evento que queira ver pesquisado. Os temas e figuras mais citados terão prioridade. Quem fará a seleção dos documentos é a jornalista Natália Viana.

A divulgação já está sendo feita em vários veículos independentes tais como: Carta Capital, Conversa Afiada, Luis Nassif Online, Blog do Mello, Escrevinhador, Viomundo, Nota de Rodapé, Maria Frô, Fazendo Média, Futepoca, Elaine Tavares, Gonzum, Blog do Rovai, Blog da Cidadania e Altamiro Borges.

É um experimento inédito. Até agora, Globo, Folha e WikiLeaks estavam usando seus critérios para julgar quais documentos seriam publicados por vez, algo “de cima pra baixo”. Dessa vez, o próprio público é quem vai decidir, invertendo a lógica da produção da notícia.

Então, mãos a obra. Vamos sugerir!!!! Podem mandar para esse blog ou enviar diretamente à Natália no: http://cartacapitalwikileaks.wordpress.com

Que tal o Dário Berguer e suas relações com as grandes empresas??? Vamos pressionar!!!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Folianópolis

O músico Alvaréz Dewizque fez um canção inspirado em todas as lutas que andamos travando por aqui. A solidariedade chega de todo canto. Isso é muito legal!!!

http://www.myspace.com/alvarezdewizqe/music/songs/Folian-polis-76091706#