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segunda-feira, 29 de abril de 2024

Palestina, uma dor pulsante

Getty Images


Todos os dias vejo os horrores de Israel contra o povo palestino. Milhares de mortos. Crianças feridas vagando, velhos perdidos na angústia, famílias revirando escombros, buscando comida. Centenas de pessoas andando pelos caminhos, sendo caçadas como num filme de roliúde. Os Jogos Vorazes impiedosos dos sionistas, assassinos confessos. Uma dor que pulsa como um vidro cravado no peito. Impossível dormir. Impossível seguir vivendo como se nada. Na impotência, vamos gritando para ver se os malditos governantes do mundo acabam com essa dor dilacerante que atravessa o corpo e alma dos palestinos. Mas, nada acontece. 

No meio de todo esse horror, com  mais de 30 mil mortos e cidades despedaçadas, também morrem os jornalistas. Nesses tempos tiktokers, de dancinhas e musiquinhas, onde o jornalismo agoniza, jornalistas tentam passar ao mundo a verdade do genocídio. Mas, estar com a identificação de “imprensa” do meio do inferno promovido por Israel não vale de nada. Como não valem nada as resoluções da ONU  ou coisas assim. Nenhuma regra vale para Israel. Nesses seis meses de massacre, o grupo Repórteres Sem Fronteira já contabilizou 103 profissionais assassinados. Deste número 91 são homens e 12 são mulheres. Vinte e dois morreram enquanto estavam com o microfone ou a câmera na mão, reportando. Assassinatos frios e calculados. Bastou estar reportando o genocídio no lado palestino e já vira alvo. Os únicos jornalistas respeitados e protegidos são o que atuam do lado das forças de Israel, contando mentiras ao mundo. 

A verdade não tem vez no território sob bombas. A verdade morre junto. A verdade é despedaçada junto com os corpos dos profissionais que insistem em reportar a realidade desde dentro de Gaza. Ali, são alvos, como qualquer um palestino. Porque o jornalismo que escancara a verdade tem de ser destruído. Basta a gente ver a agonia de Julian Assange, o primeiro a desvelar os horrores da guerra no Iraque. Preso, torturado, jurado de morte. Porque decidiu mostrar a barbárie. Os homens e mulheres que se arriscam hoje nas ruas de Gaza para mostrar a realidade são filhos dessa proposta tão bem defendida por Assange: revelar as entranhas dos monstros. Expor suas vísceras.

É fato que o jornalismo desapareceu dos meios comercias. Mas, pessoas há que ainda insistem, via outros espaços, sem a palavra “imprensa” escrita nas costas, reportando a vida e a morte. E por mais que as bombas atravessem os corpos, outros tomarão as câmeras e os microfones e seguirão narrando. E é por causa deles que o jornalismo ainda vive em Gaza, mesmo sob os escombros do genocídio. Na Palestina as vozes não se calam, por mais que os assassinos insistam. 

Como jornalista me envergonha um pouco que nem o Sindicato da categoria, nem a Federação realizem uma campanha sistemática de repasse de informação sobre Gaza. E que tampouco pranteiem esses colegas que tombaram sob as bombas israelenses, 103 jornalistas. Cá na minha insignificância eu  velo seus corpos e dignifico sua coragem, diariamente, repetindo com o imorrível Mahmoud Darwish:

"Sobre esta terra existe algo que merece viver

Sobre esta terra está a sua dona, a mãe dos começos, a mãe dos finais.

Chama-se Palestina.

E segue chamando-se Palestina. 

Palestina: eu mereço, porque tu és a minha dama, eu mereço viver."

Viverá. Palestina Livre

domingo, 25 de fevereiro de 2018

As dores dos jornalistas velhos

Redações: Mais modernas, mais enxutas e mais jovens

Um tema tem aparecido recorrente entre meus colegas: o triste destino dos jornalistas velhos. Muitos não conseguem compreender por que, ao chegarem a uma idade na qual estão muito mais experientes e acumulam tanto conhecimento, são demitidos dos seus locais de trabalho. Que lógica é essa que substitui um jornalista com anos de estrada por um novato inexperiente?  Por que tanta desconsideração com trabalhadores que, muitas vezes, deram sua vida pela empresa onde trabalham? 

A resposta é simples e deveria ser conhecida pelos jornalistas, visto que eles são os que mais se deparam com as notícias da vida, narrando-as. É o capitalismo. Simples assim. 

O dono da empresa fica rico a partir da exploração da força de trabalho do empregado. É o trabalhador o que gera valor. E como o capitalista lucra? Diminuindo cada vez mais os seus custos de produção. É por isso que o dono do jornal investe em inovação, em novas tecnologias. Para diminuir os custos. Assim, um trabalhador trabalhará oito horas, com máquinas que aceleram o trabalho, e produzirá mais para o dono do jornal. 

Esse tipo de coisa cria uma concorrência entre os próprios trabalhadores, porque a maior divisão do trabalho permite ao trabalhador fazer o trabalho de cinco, 10 ou 20 pessoas. Veja que hoje, no jornal, uma mesma pessoa dirige, fotografa, escreve, edita foto, filma, edita vídeo, posta na internet e compartilha. Uma pessoa fazendo o trabalho de oito. E quem não se adapta a isso está morto. É descartado por ineficiência. 

Marx mostra isso muito bem. Quanto mais aumenta a divisão do trabalho, mais simplificado fica o trabalho. Então, aquele jornalista velho, que tem muito conhecimento sobre seu fazer e sobre o mundo fica obsoleto. O sistema não quer alguém experiente e sabido. O sistema quer  alguém capaz de fazer muitas funções simplificadas, que não necessitam de muita experiência. E por quê? Porque aí pode pagar menos. E pagando menos, diminui seus custos de produção. 

Um bom jornalista, velho e experiente não se sujeitaria a trabalhar como “produtor de conteúdo”, com um salário de 600 ou 800 reais. Iria querer um salário que fosse compatível com todo o investimento que fez em si mesmo, já que tudo o que tem é sua força de trabalho para vender. Mas o sistema capitalista é cruel. Quanto mais tu investes em ti, mais caro tu ficas, então menos interessante para o patrão. O patrão quer sempre pagar o menor salário que, junto às inovações, vão aumentar seus lucros. E essa não é uma prática só de capitalistas não. Ela tem aparecido, amiúde, até nos sindicatos de trabalhadores, que se comportam como tais.

A equação, portanto, é de simples resolução. Na sociedade capitalista, o velho, o que tem experiência e conhecimento, o que investiu em si mesmo, deixa de ser lucrativo para o patrão. Porque exige mais e, muitas vezes, não aguenta o tranco da multifunção que é exigida agora. Então, ele é rifado. 

Atualmente, no mundo do jornalismo, pouca exigência de qualificação jornalística é necessária. O que se pratica nas redações é pura propaganda e qualquer novato, com um mínimo de conhecimento dos softwares, pode produzir um texto padrão. Não se exige mais o texto burilado, literário, bonito. Não se exige o repórter, aquele que vai ao local da notícia e ouve as pessoas, e vê o ambiente. O que, depois, monta uma complexa narrativa que é produção de conhecimento e que ajuda o leitor a entender toda a atmosfera na qual se deu o fato.  Jornalismo de verdade.  

Não, esse jornalista dinossáurico não é mais necessário. Pelo menos não para o dono do jornal ou da TV. E, como também explica Marx, quanto mais o capitalista da comunicação cresce e ganha dinheiro, os ganhos dos trabalhadores diminuem e a concorrência entre eles aumenta. A guerra mais mortífera se dá no campo dos trabalhadores. É perverso, mas é assim. 

Então, a luta por melhores salários nas redações acaba sendo aquela que, se vitoriosa, provocará mais desemprego. Uma armadilha de difícil desarme. Um problemão.

Diante disso, que fazer? Lutar pelo fim desse sistema de exploração. Derrotar o capitalismo. A única saída. Ah, mas é difícil. Sim, é difícil, mas não é impossível. E, para fazer isso há que estudar, conhecer, lutar e estar disposto a enfrentar a mudança. Pense no servo da gleba que, no interior do tempo das trevas, sonhava com liberdade. Quantos deles caíram para que chegasse o tempo do capital? E não foi para acabar armadilhado outra vez. O mundo burguês que assomou das brumas do feudo ainda não é o melhor dos mundos. É preciso transformá-lo. Para que se acaba a propriedade privada e o trabalho assalariado. E nesse novo mundo, os velhos terão lugar.

À luta, pois... 



quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Assassinato de Jornalistas


O México - que vive hoje praticamente dominado pelo narcotráfico - foi o país com maior número de assassinatos de jornalistas em 2017, contabilizando bem mais mortes do que países em guerra. A informação é da Federação Internacional de Jornalistas, que contabilizou 81 mortes em todo mundo, sendo que, destas, 13 foram no México. Oito mortes foram de mulheres. Todos os assassinatos foram de jornalistas exercendo sua função.  

No informe anual de assassinatos, a Federação denunciou que os jornalistas perderam a vida em homicídios seletivos, atentados com carros-bomba e no fogo cruzado. Além das mortes, mais de 250 jornalistas foram presos, também no exercício de seu trabalho. Só na Turquia, onde aconteceu o falido golpe de estado, existem 160 presos.

Na lista das mortes, o Afeganistão vem em segundo, com 11 mortes, Iraque também com 11, Síria com 10 e Índia com seis mortos. 


quarta-feira, 22 de março de 2017

A liberdade de expressão agora é só pra jornalista?



Durante muitos anos lutamos contra os donos da mídia para manter a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Sabíamos que o objetivo único dessa gente era poder extrair mais-valor dos trabalhadores, diminuindo direitos, estendendo a jornada e intensificando o trabalho. As novas tecnologias estavam chegando, permitindo que tudo fosse feito com mais velocidade e em maior quantidade. Não havia saída para os empresários da imprensa. Era preciso avançar sobre os direitos para garantir mais lucros. Nada de novo, portanto. Só a mesma velha técnica da acumulação capitalista.

Particularmente sempre fui favorável à manutenção do diploma como exigência, não porque acredite que só alguém formado possa ser jornalista. Até porque há muito que discutir e mudar na universidade, hoje, no geral, incapaz de formar jornalistas de verdade, desses que auscultam a vida mesma, gente crítica. Mas, bem sabia que essa exigência era talvez, a última fronteira - o dedo no buraco da represa – para garantir que os jornalistas dos grandes meios de comunicação não virassem escravos modernos. Com essa exigência, mantinham-se todos os direitos conquistados em duras batalhas, vigiados pelos sindicatos. Jornada de cinco horas, piso salarial, funções, código de ética, etc... Havia uma tábua onde se ancorar, frágil, é certo, mas ali estava.

Pois apesar de todas as lutas, perdemos a batalha. O Superior Tribunal Federal deu ganho de causa aos capitalistas. É claro. Tiraram a obrigatoriedade do diploma e o mundo das empresas de comunicação emergiu com seu pacote de maldades. Sem a exigência do diploma, qualquer pessoa podia ser contratada, sob nomes diversos: produtor de conteúdo, assistente de texto, subsecretário de redação, formulador de escritura, locutor, apresentador, e outras pataquadas. O salário passou a ser o mínimo possível, nada de piso de jornalista, nada de jornada de cinco horas, nada de proteção sindical. Se não tem profissão regulamentada, não tem sindicato. Está sozinho no mundo: o negociado sobre o legislado, maior alegria do patrão.

E assim fomos vendo as redações se encherem de gente que em vez de cumprir sua tarefa de jornalista, passou a cumprir cinco ou seis tarefas juntas: motorista, fotógrafo, redator, editor, editorador, produtor de conteúdo digital. Ou seja, um único jogador avança, dribla, cabeceia e defende. O que Ruy Mauro Marini conceitua como a superexploração, o trabalhador tendo sua jornada estendida e aumentando ainda mais a intensidade do trabalho. Com isso, o dono de um jornal podia enxugar o pessoal pela metade e ainda assim fazer o mesmo jornal, ou produzir o mesmo telejornal. Golpe de mestre.

Essa semana vimos o sistema e seus dirigentes darem outra mostra da capacidade de se utilizar da lei ao bel prazer. Prenderam um “blogueiro”, que atua como jornalista, ainda que não formado na área, e exigiram dele o nome da fonte que ele usou para dar, antecipadamente, a informação de que Lula seria levado coercitivamente à polícia. Pois vejam, o direito ao sigilo da fonte é um direito que têm os jornalistas, logo, o povo com formação. Mas o STF disse que qualquer um pode ser jornalista, então esse “qualquer um”, atuando como jornalista, deve ter seu direito ao sigilo respeitado. 

O STF aceitou a tese do fim do diploma alegando que todos tem o direito à livre expressão. Ah, mas agora isso não vale mais. O juiz que ordenou a prisão disse: ele não é jornalista. Mas como, se foi a mesma Justiça a qual ele serve que disse que qualquer um pode ser jornalista? Agora é só o jornalista que pode se expressar?

Ah, chegamos então onde eu queria chegar. No mundo do capital não há lei. A lei é a junção de algumas letras no papel que servem para garantir que os poderosos façam o que querem. Quando a lei complica a vida de alguém da parte de cima, muda-se a lei. Ou dá-se outra interpretação à lei. E quando um estado, ou os juízes que amparam a legalidade do estado, mudam a lei ou a ignoram? O que isso é? Não seria um estado de exceção?  Quando as vozes daqueles que tem por profissão narrar a realidade começam a ser cerceadas, o que isso significa? 

Vejam que são dois pesos e duas medidas. Jornalistas da Globo “vazando” gravações pessoais não é crime. Mas, um blogueiro informando que um ex-presidente vai ser levado coercitivamente à polícia, uma informação verdadeira e de interesse público, é.  Onde está a diferença? 

Simples. A Globo é aliada do grupo que hoje está governando o país. O blogueiro é aliado do presidente Lula.

Então, se é assim, podemos concluir que a lei não vale para os simples mortais. Seu único objetivo é pegar os inimigos do rei ou os que investem contra o sistema. Também serve para encarcerar um massa de gente pobre, no mais das vezes negra, que são as que vão garantir que outros amigos  - empresários, industriais, distribuidores  - possam lucrar. O sistema penitenciário brasileiro é uma fonte inesgotável de lucro para alguns.

E assim vamos, sabendo que a qualquer momento a lava-jato pode nos pegar. Porque ele pode pegar qualquer um, desde que não esteja no círculo do poder. Aos amigos, tudo. Aos inimigos, a lei. Não é sem razão que isso é um dito popular. No fundo, todos sabem que é assim. Logo, não há motivo algum para confiar no judiciário. Na justiça, sim.  E, essa, quem deve fazer valer são os trabalhadores, unidos e organizados.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sindicato dos Jornalistas faz 60 anos



















Os jornalistas de Santa Catarina começaram a se organizar em associação de classe no ano de 1953, com a criação da Associação dos Jornalistas Profissionais. Dois anos depois já tinham a carta sindical que foi publicada em 13 de maio. Foi quando a associação virou Sindicato e desde então muitas foram as batalhas travadas em nome de melhores condições de trabalho, salário digno, registro profissional, respeito pela profissão. Grandes campanhas de valorização da profissão foram feitas por importantes jornalistas locais como Antunes Severo e Adolfo Zigueli.

No final dos anos 60 é o SJSC que começa uma campanha para a criação do Curso de Jornalismo na recém-criada Universidade Federal de Santa Catarina. Essa é uma mobilização que só vai dar fruto em 1979, quando, finalmente, é criado o curso na UFSC. Esse foi um período difícil e turbulento, por conta do regime militar, mas muitos profissionais jornalistas se destacaram na luta pelas liberdades civis. Por outro lado, as direções que se sucediam atuavam de modo conservador, silenciadas diante da ditadura.

O ano de 1987 foi um marco para os jornalistas, pois a direção da entidade é finalmente conquistada pelo grupo de oposição, o MOS (Movimento de Oposição Sindical), formado por uma nova geração de profissionais que dá outra direção às lutas da categoria, bem mais ligadas às demandas reais dos trabalhadores e com um perfil político de esquerda. Foi um período histórico para os jornalistas, com grandes lutas, grandes mobilizações e debates. Como em todo o país, também os jornalistas participavam da rica ascensão da cultura democrática. 

Com o passar dos anos, a comunicação em Santa Catarina foi se transformando. O grupo RBS chegou e foi esticando seus tentáculos na construção de um oligopólio. E, aí, também a vida dos jornalistas mudou. O poder da empresa gaúcha foi mexendo na vida, transformando o mercado de trabalho num espaço único. Com o fim do jornal O Estado, e a compra do Jornal de Santa Catarina (Blumenau) e do A Notícia (Joinville), a RBS abocanhou os mais importantes locais de produção do jornalismo. No começo as lutas foram grandes, mas com o tempo amainaram. A categoria, sufocada entre o medo e a indiferença, perdeu força.

Hoje, outra geração vai assumindo o leme do sindicato. Diante dos novos tempos, de domesticação de boa parte do movimento sindical, o SJSC também participa da corrente. Com a apatia da base – esgotada pela multifunção e a superexploração do trabalho – o sindicato luta para manter viva a chama da luta. Muita coisa há para fazer. Reorganizar os jornalistas, inspirar consciência de classe, lutar contra o oligopólio, batalhas pelas demandas maiores como a regulação da mídia. Um universo de lutas que precisam também da ação dos jornalistas. 

O sindicato ainda é um importante instrumento de luta. Com ele pode ser difícil, às vezes, mas sem ele seria muito pior. A organização dos trabalhadores é a única forma que se tem para enfrentar a voracidade dos patrões. E um sindicato é mais que a direção. Ele precisa ser força viva, com participação real dos filiados. Sem isso, pouco se pode fazer.

Nosso SJSC fez 60 anos, tem uma linda história e ainda novas páginas em branco para preencher. Parabéns a todos que contribuíram na construção dessa ferramenta de luta. Foi bonito de ver, os colegas do passado – mesmo os conservadores que ainda hoje servem à classe dominante – e os do presente, buscando encontrar formas de melhorar a vida dos trabalhadores jornalistas. Há, na categoria, os que sabem que a luta não é apenas corporativa, ela passa também pela construção de outro modo de organizar a vida, não só para os jornalistas, mas para toda a gente. E é com esses que a gente procura caminhar.

De qualquer sorte, a homenagem da Assembleia juntou todo mundo, adversários, divergentes, amigos, enfim. O SJSC bem maior que todos nós. Longa vida e próspera. Que venha cheia de luta e de beleza. 


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Encontro de Jornalistas, mais uma vez, amordaçado


Por Mario Sousa  - Diretor do SJRJ

A atual direção da  Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), com a realização do XIX  Encontro Nacional de Jornalistas em Assessoria de Imprensa, no Rio,   mais uma vez,  perdeu a  oportunidade de fazer um encontro para debater com seriedade os problemas que afetam os jornalistas em Assessoria de Imprensa no País,  como a precarização da profissão,  a pluralidade das questões regionais e a diversidade do pensamento na Comunicação.

Dessa vez, a Fenaj se superou. Além de acabar com os grupos temáticos de debate, organizou mesas meramente expositivas, e, como em todos os últimos encontros, predominou a imposição das teses guias  e o controle imperativo do presidente da Fenaj. 

O encontro foi burocrático, engessado, sem o calor do debate, sem diálogo, sem o contraditório, sem a manifestação livre e democrática das idéias. E, pasmem, o presidente da Fenaj, Celso Scroder, agrediu grosseiramente o jornalista Cláudio Monteiro, chamando-o de moleque, pelo simples fato dele cobrar os 50% de abatimento para os aposentados nas inscrições do Enjai, proposta aprovada no Congresso do Acre. 

Na plenária das apresentações das teses, prevaleceu a decisão ditatorial e qualquer tentativa de questionamento, era desqualificado pelo   grupo da Fenaj.

Teses sobre Meio Ambiente, Violência contra os jornalistas, Fim das teses guias assim, apresentadas pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, assim  como uma tese sobre a precarização das condições de trabalho, apresentada pelo Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais,  foram consideradas fora do contexto e transferidas para o Congresso Nacional de Jornalistas, em Alagoas.

O  mais lamentável é a submissão  da maioria dos delegados dos sindicatos regionais de todo o Brasil. Ser aliado não pressupõe a perda total de identidade e do pensamento discordante.

 Como este modelo de Encontro, é melhor a Fenaj transformá-lo apenas num  passeio turístico e repassar para os delegados e observadores suas propostas e teses já aprovadas.

É mais honesto, mas nem por isso, também, repudiável!

Mário Sousa é Diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro e Delegado Junto a Fenaj. Participou do Encontro como delegado do Sindicato do Estado do Rio.