Mostrando postagens com marcador Pesca. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pesca. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Mulher no mar

Vinda da cidade de Campinas, São Paulo, Juliana Regazoli, ao chegar em Florianópolis, logo se apaixonou pelo mar. Na vivência com as gentes da praia do Campeche viu a possibilidade de compreender o espetacular universo da pesca de canoa à remo, até então absolutamente masculino. Nunca qualquer mulher entrou no barco para remar. Ela enfrentou o desafio, o medo, o preconceito e se foi ao mar. Conheça essa bonita história de amor de Juliana com o mar e a ancestral profissão da pesca.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Primeiro de maio no Campeche


Quando chega maio, o Campeche se prepara. Friozinho, vento suli, é chegada a hora da tainha. Nessa comunidade do sul do Miembipe, o peixe é, mais do que alimento, cultura. Por ali assomam as canoas que saem para o mar em busca do sustento e o tempo da tainha vira tempo de festa. Os peixes chegam aos milhares, e a praia se enche de gente e bicho numa alegre algaravia.

Assim, como também é uma comunidade de fé, o Campeche instituiu, bem no dia do trabalhador, primeiro de maio, o dia de rezar pela boa pesca. Então, no feriado, cedinho, as gentes se reúnem na praia para pedir proteção e peixe aos montões. Todo ano é assim. Um altar é montado na praia, onde acontece a missa.

Nessa hora a comunidade consegue, de alguma forma, juntar todas as forças, ainda que antagônicas, numa mesma vibração. Ali estão os lutadores sociais, os indiferentes, os bajuladores e os crentes. Não é hora de divergir, mas de vibrar numa única onda para que venha o peixe e a praia se encha de vida.

Ainda assim, durante a missa, não faltam os desconfortos. No mesmo espaço está o prefeito Dário, que tem ajudado a destruir a comunidade, com as vistas grossas aos empreendimentos ilegais e imorais, e com suas propostas de emissário na praia. Ou ainda a insólita oferenda de um oficial da polícia militar, que colocou diante do altar o cassetete, o mesmo que nos dias de luta cai sobre a cabeça do trabalhador. Mas, apesar dos olhares indignados, ninguém se manifestou. Aquele era um momento de união, coisa rara nas comunidades. “Talvez ele esteja querendo entregar a arma, pedindo que ela não seja usada”, dizia a turma do deixa-disso.

Depois, os pescadores inauguraram, dentro do rancho da canoa, um pequeno altar, onde colocaram, no centro, a figura de São Sebastião, o padroeiro do bairro. E, junto a ele, outros santos de devoção do povo. Afinal, reza e caldo de calinha não faz mal para ninguém.

Depois das bênçãos e desejos de boa pesca foi a vez da banda e Amor à Arte tocar e animar a galera. Música, bolo de fubá, café forte, alegria, pé na areia, cheiro de mar. O primeiro de maio no Campeche, apesar de alguns pesares, é só prazer...