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quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Helena

Foto: Helena, com Brenda Piazza. Aqui, de novo, no apoio concreto às novas lideranças, durante uma das campanhas eleitorais.


Hoje vou falar de uma pessoa muito especial que é uma referência para mim: Helena Dalri. A conheci quando cheguei à UFSC em 1994. Funcionária nova, na primeira assembleia da categoria tratei de ir para saber a quantas ia a luta dos trabalhadores públicos, categoria a qual eu me integrava. Naqueles dias as assembleias eram realizada no Restaurante Universitário, porque eram sempre gigantescas. Já nas primeiras falas, de análise da conjuntura e nas proposições, vi que a direção não era de esquerda e que havia um grupo bem articulado fazendo oposição. A Helena era uma das pessoas que faziam parte do grupo. Alta, forte, firme na fala, ela logo chamou minha atenção. Ali estava uma liderança, pensei. E era.

Poucas assembleias depois eu já decidira me integrar ao Movimento Alternativa Independente, grupo do qual Helena fazia parte, junto com outras figuras importantes da luta na UFSC tais como Silva, Maneca, Valcionir, Moisés, Ângela, Aldo, Silvana. Em pouco tempo já estávamos articulando chapa e em 1997 vencemos as eleições para o Sindicato. Pegamos uma bucha. Havia uma dívida de 500 mil reais. Helena era a presidente. Poucas vezes na vida pude trabalhar junto com uma pessoa tão íntegra e tão firme nas suas convicções. Aparentemente dura no trato, ela é de uma doçura e generosidade incomensuráveis. Os reitores a temiam e ela era mesmo implacável na defesa dos direitos dos trabalhadores. Sob a sua batuta entramos no Sintufs e, em um ano, já tínhamos quitado todas as dívidas deixadas pela gestão anterior. Trabalho sério, honesto, comprometido.

Durante todo o tempo em que atuamos juntas no sindicato e mesmo depois que ela saiu da direção, todos nós que chegamos nos anos 1990 pudemos aprender sobre como atuar na luta sindical e como administrar um sindicato sem perder a noção de que aquilo ali é um espaço de toda a categoria, coletivo, único. E que, cuidá-lo, é como cuidar de cada um e cada uma. Com ela enfrentamos as feras cotidianas da UFSC, as batalhas na Fasubra, as negociações com a Fapeu, as quedas de braço com os reitores. A liderança que Helena exercia sobre os trabalhadores era tão forte que a uma palavra dela as gentes seguiam sem pestanejar. Quantas ocupações da reitoria fizemos a partir de seu sinal. Um braço levantado, seu corpo gigante na frente, e lá íamos todos nós, na certeza de que ela nos conduziria bem.

Quando veio o governo Lula ela já não estava mais no sindicato. Tinha deixado o espaço aberto para as novas lideranças que surgiram durante a década dos 90. Mas, não faltava uma assembleia sequer, sempre de olho e pronta a puxar as orelhas de quem não atuava como tinha de ser. Muitas batalhas travamos também, inúmeras vezes na divergência. Só que Helena nunca permitiu que a política interferisse nas relações pessoais. Podíamos bater boca nas assembleias , mas não faltava o abraço, o sorriso e o companheirismo. E mesmo quando muitos companheiros nos abandonaram por conta da nossa crítica ao Lula, ela continuou nos acolhendo no seu abraço caloroso. Nunca se perdeu de nós, seus aprendizes. E eu sempre serei grata por isso. Afinal, esse foi mais um ensinamento.

Hoje a Helena está aposentada e já não atua mais diretamente nas lutas sindicais da UFSC. Mas, isso não significa que ela está fora do mundo. Não. Segue atenta, apoiando sempre as lutas que são travadas. E continua igualmente atenta às novas lideranças que vão surgindo, no suporte, e ensinando.

Sempre que eu penso em sindicato e em como viver essa passagem de atuação coletiva, a imagem que me vem é definitivamente a da Helena. Seu exemplo, seu cuidado, sua vontade férrea, sua capacidade de trabalho. Não consigo imaginar a vida dos trabalhadores da UFSC sem sua figura altaneira. Com ela nasceu o sindicato, com ela realizamos as mudanças mais significativas da entidade, com ela aprendemos sobre companheirismo, dignidade, força e humildade.

Eu a reverencio como uma das mais importantes pessoas que já passaram pela UFSC, deixando sua marca indelével. E eu a amo profundamente. Gracias Helena, por tudo que és e representas! Inesquecível. Eterna!


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Amanhã, será um novo dia



Nesse dia 20 de setembro o Sindicato dos Trabalhadores da UFSC dará início a um novo ciclo. Assume a direção da entidade uma geração totalmente nova. Ficam para trás os bons e velhos tempos do Movimento Alternativa Independente, grupo de esquerda que conseguiu justamente dar vida ao Sintufsc, tirando-o da atmosfera de associação esportiva e recreativa, colocando-o no caminho da luta. E ficam para trás também as velhas e insuportáveis práticas do grupo da direita, sempre tão sem graça, sem alegria, sem respeito pela diferença. 

A nova geração que dirigirá a entidade traz um sopro de juventude, vem com garra para a luta num tempo em que lutar parece ser impossível. Não será fácil recuperar a confiança daqueles que abandonaram o sindicato por conta da inércia e não será fácil organizar a luta em momentos tão sombrios. Ainda assim vibro na esperança. Sei que enfrentar as divergências internas cobrará esforço, que se deparar com o medo e a imobilidade implicará em cansaço. Mas sei também que essa é uma hora dos novos lutadores. 

Eles cometerão seus próprios erros, apontarão novos caminhos, táticas, estratégias, coisas bem diferentes do que já fizemos. Porque são outros tempos. Teremos então que estar presentes, no apoio. Tanto nos acertos quanto nos equívocos. Essa nova geração não é o MAI, mas acaba reverberando esse histórico movimento, na medida em que incorpora os nossos princípios, definidos lá nos anos 80 pela geração anterior a minha: Maneca, Silva, Moisés, Helena. Defesa intransigente da universidade pública, independência de governos e de reitores, vinculação direta com os trabalhadores. 

Meu coração canta de esperança e de alegria pois não teremos mais as assembleias tensas, desrespeitosas, autoritárias. Vamos caminhar por outras veredas, de calmaria, de liberdade, de vozes mansas, buscando construir em vez de gerar o caos. Vamos avançar na formação e na organização interna. 

Há muita coisa fazer e muito trabalho nos espera. Mas, não há o que temer. Se estivermos unidos e soubermos encarar com maturidade as diferentes formas de pensar a luta poderemos avançar bastante no processo de preparação dos trabalhadores para as lutas necessárias que virão. 

Nesse dia 20, às 14 horas, a Chapa TAEs Unidos. Juntos Somos Mais Fortes toma posse para um mandato de três anos. Que seja bonito, que seja sólido, que seja leve e que seja de luta.


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Por um sindicato de luta, outra vez!


Essa foto mostra um momento de grande alegria. Foi em 1997, na posse como diretora do Sintufsc. Nosso sindicato andava mal das pernas e o grupo do Movimento Alternativa Independente (MAI) se mobilizou para recuperá-lo. Foi um trabalho bonito de visitas nos setores, discussão e construção de propostas. Eu tinha chegado à UFSC em 1994, tinha apenas três anos de casa, mas logo já fui percebendo quem realmente queria lutar pelos trabalhadores, sem outros interesses por trás. E, já nas primeiras assembleias vi que o caminho era o MAI.

Fui acolhida com muito carinho pelo grupo que contava com figuras importantes no processo de construção do sindicato dos trabalhadores desde os anos 1980: Silva, Maneca, Helena, Ângela, Moisés, Valcionir, Parú, Silvana, Aldo, Sebastião, enfim, um grupo de gente guerreira, capaz de comandar as lutas que precisavam ser feitas naqueles tempos do privatista e neoliberal Fernando Henrique Cardoso. Tivemos uma eleição bem disputada, contra toda a máquina da reitoria, que sabe muito bem como “atrair” os eleitores. Vencemos.

Pegamos o sindicato com uma dívida de 500 mil reais e, em um ano, com muito trabalho e criatividade, zeramos a dívida, conduzindo o sindicato para o caminho da luta. Foram lindos anos. Lembro-me desses momentos sempre com muita ternura, porque ali, no Sintufsc, encontrei aqueles e aquelas que iriam tornar-se grandes amigos, amigos da vida, para sempre. E aprendi preciosas lições sobre solidariedade, humildade, justiça e capacidade de luta.

Depois de alguns anos, e já no governo petista, perdemos o sindicato. Foi um período muito turbulento, pois a esquerda dividiu-se entre os que apoiavam incondicionalmente o governo e os que acreditavam que precisavam seguir independentes e em luta. Nesse processo, nos dividimos. Foi ruim porque o grupo que assumiu o sindicato iria seguir o caminho da acomodação, como a maioria. E nesses anos todos, poucas lutas reais foram encaminhadas. Chegamos ao cúmulo de ver uma greve histórica, a greve interna das 30 horas, ser derrubada pelo próprio sindicato numa assembleia dramática, na qual os colegas aposentados foram recrutados e terminaram a greve por nós. Impossível esquecer isso.

Agora, estamos de novo com um bom grupo de trabalhadores querendo trabalhar e lutar. Gente nova misturada com gente mais experiente nas lutas. Todos querendo um sindicato de luta, outra vez. A sorte está lançada. Disputarão duas chapas: a Chapa 1, que é a nossa, chama-se TAEs Unidos – Juntos somos mais fortes. E a chapa 2, que é a que representa o continuísmo.

Os trabalhadores sabem muito bem que esse é um tempo de grandes batalhas. Tudo está ameaçado, inclusive a universidade. Por isso não é hora de vacilar. Peço a todos o voto na Chapa 1, a qual tenho a honra de integrar. Porque eu acredito nessa rapaziada, nessa gente cheia de vida e de vontade de construir um sindicato capaz de encaminhar as peleias que virão.

É hora de mudar. Chapa 1 – TAEs Unidos.







quinta-feira, 11 de agosto de 2016

SINTUFSC – segue o coronelismo



A chapa 2, que representa a situação, venceu as eleições no Sindicato dos Trabalhadores da UFSC:  592 a 441. Serão mais três anos de conservadorismo e esvaziamento das lutas. Muitas festas, prêmios, brindes e viagens com diárias gordas. A velha prática coronelista.

Mas, apesar do resultado que determina a vitória do continuísmo, a campanha eleitoral apresentou uma novidade. A juventude da UFSC despertou e está de pé. Essa nova geração de trabalhadores que chegou nos últimos cinco anos compreendeu que a vida de todos passa pela ação coletiva e colocou o pé na realidade da UFSC.

Durante a campanha, quando percorreram cada cantinho da universidade, puderam perceber o quanto os trabalhadores estão desmotivados, descontentes e sem esperanças na luta sindical. Tanto que a maioria dos novos colegas não está filiada e tampouco quer estar filiada num sindicato que não os representa.

Ou seja, a UFSC não está descolada da realidade brasileira. De fato, nos últimos 15 anos, o sindicalismo passou por fases bem demarcadas:  domesticação, cooptação e guinada para a direita.

Como já ensinou o velho Marx, qualquer análise dos fatos precisa ser precedida com uma mirada firme na vida concreta, na realidade. E o que nos diz a realidade na UFSC?

A categoria dos técnico-administrativos configura a chamada classe-média, este estamento da classe trabalhadora que sempre funciona como um fiel de balança, ora pendendo para a esquerda,   ora para a direita, sempre levando em conta seus interesses particulares.

A universidade passou muito tempo sem concurso público, então a categoria envelheceu sem vivenciar a oxigenação necessária do trabalho conjunto com uma nova geração.

Os concursos só voltaram na era Lula e num contexto de crescimento econômico. A maioria dos novos concursados entraram na UFSC apenas como um degrau para novos concursos, em categorias mais rentáveis. Então, boa parte dos trabalhadores não se identificava com a universidade ou as lutas coletivas corporativas. Estavam de olho em outros mundos. Sindicalizar-se não fazia parte dos planos porque a qualquer momento o trabalhador ou a trabalhadora estaria saindo para novos lugares.

No segundo governo Dilma, o espetáculo do crescimento acabou. A crise econômica mundial alcançou o Brasil e, com ela, também a possibilidade dos voos para novas funções. Os concursos públicos escassearam e, com o novo governo golpista, a tendência é acabar com tudo isso.

Então, quem conseguiu seu emprego público terá que se conformar com ele. Haverá pouca margem de manobra para migrar para outras categorias, mais bem remuneradas. Logo, a nova geração que agora vive sua vida laboral na UFSC terá de assentar a cabeça e vivenciar a dor e a delícia de ser um trabalhador da universidade. Não haverá saída.

Talvez por isso mesmo a oposição tenha avançado tanto. Nas últimas eleições para o SINTUFSC, quando o grupo de oposição ainda era formado pela velha geração - na maioria – a disputa foi menos acirrada. Os trabalhadores técnico-administrativos da UFSC eram os mesmos de sempre e não houve engajamento da nova geração, que preferiu trilhar o caminho da ação administrativa no conhecido Grupo Reorganiza, esperançosos de que a nova reitora – recém eleita e do campo da esquerda – haveria de encaminhar as resoluções que visavam a implantação das 30 horas.

A história mostrou que os avanços dos trabalhadores nunca aconteceram na paz. Sempre foi preciso muita luta e sacrifício para que as demandas fossem atendidas e as vitórias só são garantidas com batalhas duras, por vezes cruéis.

Os novos tempos da política e o mergulho na realidade mostrou a essa nova geração que o caminho coletivo tinha de se dar pelo sindicato, ainda um instrumento importante na luta dos trabalhadores.

Mas, como vencer as eleições do sindicato se a maioria dos novos trabalhadores não está sindicalizada? Ou seja, os votos potenciais não poderiam ser dados. Então, começou o trabalho de organização interna. Um trabalho de formiguinha, que precisa de tempo. Recuperar  o sentido do sindicato não é coisa fácil num tempo em que as pessoas estão tão distraídas caçando pokemons e postando no facebook.

Só que, como diz Marx, a realidade é o único elemento que suleia a ação humana. E essa realidade vem e pega todo mundo pelo pé. Ainda que sejam caçados milhares de pokemons, hora virá que os trabalhadores terão de enfrentar o achatamento salarial, a perda de direitos históricos, a superexploração, a dificuldade para encerrar o mês. Então, não haverá outra coisa a fazer senão lutar.

O caminho trilhado por essa nova geração de lutadores da base do Sintufsc é um caminho sem volta. 

Quem acompanhou a energia e a força de pessoas como a Brenda, o Luiz Artur, a Marina, a Dalânea, o Hélio, o Bruno, o Rodrigo, a Carla, a Selma, a Camila, o Jorge, o João Henrique, o Renato, a Simone, o Luciano, a Marilene, a Marina, o Fernando, a Cristina e o Eduardo, sabe: essa é uma gente que não vai mais ficar quieta, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar. Não! Esse é um pessoal que vai seguir lutando, construindo a base para um novo sindicalismo.

A chapa vencedora – que representa o conservadorismo, o autoritarismo, o coronelismo, as práticas nefastas da direita –  recebeu 592 votos dos mais de três mil trabalhadores. Há um universo imenso de colegas para ser navegado, para além dos 441 que já confiaram e acreditaram nesse grupo novo, de TAEs LIVRES. Há sim o bonde dos descontentes que ficarão ainda mais descontentes com o passar do tempo. Porque a realidade virá cobrar pedágio e será essa mesma realidade a que empurrará esse povo todo na direção da luta, porque não haverá outra saída. Então, a ação coletiva será diferente.

Claro, há que ter paciência histórica. Como teve Marx, indo para a biblioteca de Londres. Nossos companheiros e companheiras que tão lindamente percorreram as veredas da UFSC para anunciar seus desejos de luta sabem que é o trabalho cotidiano que muda o mundo. E não ficarão parados.

Todos nós, velhos e novos, que temos consciência de classe sabemos que é a luta renhida que faz avançar os direitos e as conquistas dos trabalhadores. E estaremos de pé. Juntos, unidos. Com risos, com estudo, com debates, com lágrimas, com esperanças, fazendo o bom combate.

Nesse dia 10 de agosto nós oferecemos aos trabalhadores da UFSC uma alternativa: guerreira, alegre, consciente. E seguiremos, porque somos assim, forjados na certeza de que a luta coletiva é o único caminho para a emancipação dos trabalhadores.

Agradecemos a todos os que confiram na Chapa 1 e reafirmamos o compromisso de não esmorecer. Porque a luta não se esgota numa eleição.




sábado, 16 de julho de 2016

Eleições para o Sintufsc - é hora de mudar













A campanha já está viva no campus. 






Dia 10 de agosto os trabalhadores da UFSC decidirão qual tipo de sindicato eles querem ter. Pode ser o que está aí: que dá prêmios para alguns, que faz festas, que destrói a luta – como na greve das 30 horas – que esvazia a política. Ou pode ser um sindicato que faz a luta acontecer, que é criativo, que enfrenta os desafios, que buscar formar os trabalhadores, que discute no campo da grande política e que também festeja.

Estou com o sindicato que se expressa agora nesse alaranjado do amanhecer. Uma proposta que bebe nas profundas águas do passado, respeitando as velhas lideranças, aqueles e aquelas que nos distantes anos 80 também se vestiram de laranja para propor uma “Alternativa Independente”.  E que, naqueles dias, garantiram a mudança na vida da UFSC e a criação desse sindicato que hora disputamos. Estou com essa gurizada que chegou nos piores tempos da UFSC – de apatia e silêncios – e, de cara, provocou a movimentação com suas vozes claras, com seus risos de cristal, com sua força de luta.

Como não estar lado a lado com essa gente – novos e velhos - que ousou fazer uma das  greves mais bonitas da UFSC: a  que colocou a universidade de portas abertas, mostrando o quanto era possível implantar o turno das seis horas. E quanta beleza se fez naqueles dias de balões, cores, tambores e palavras de ordem.

Agora será hora de decidir o caminho dos próximos anos, anos de recessão, de arrocho, de conservadorismo explícito. Um caminho que só poderá ser trilhado junto com aqueles e aquelas que se dispõem à luta concreta, verdadeira. A companheirada da Chapa 1  - TAES LIVRES é essa estrada. Porque eles e elas, acertadamente, não colocaram de lado toda uma história de luta que foi travada dentro desse espaço que é a nossa casa, a UFSC. No reconhecimento do passado e de toda a vida que se constituiu a cada greve, cada movimento, cada conquista, esse grupo se fez e se fortaleceu, recolhendo as boas experiências e inventando novos rumos.

A CHAPA 1 – TAES LIVRES  é barro pisado de muitos pés, muito suor, muitas lutas, muita história. Tem fortaleza, tem doçura, tem alegria, tem garra, tem história, tem sonhos, tem esperanças e tem fé. Essa coisa meio sem sentido que a gente sente diante do impossível, mas que é o que move o mundo.
Nossa chapa TAES LIVRES tem fé em cada trabalhador e cada trabalhadora da UFSC. Acredita firmemente que os que querem uma universidade melhor para trabalhar e para criar conhecimento para toda a sociedade colocarão seu voto na urna como uma voto na CHAPA 1. Nós temos fé e esperança em ti colega, que conhece a batalha que vem sendo travada para reviver o sindicato de luta, o nosso sindicato.


Assim, quando o dia 10 de agosto amanhecer, alaranjado e bonito, nós estaremos todos construindo um tempo novo na UFSC. Acredite nisso também e venha conosco. Vote 1 e junte-se a nós, TAEs Livres. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Congresso do Sintufsc - um retrocesso histórico


A direção do Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal de Santa Catarina (Sintufsc), hegemonizada pela política do PCdoB e PT, conseguiu um feito histórico durante o XI Congresso da Categoria. Terminou o principal fórum dos trabalhadores sem uma tese guia para dar direção política ao sindicato, sem um plano de lutas e protagonizou um golpe sem precedentes na história da entidade. Sem que qualquer discussão tivesse sido feita nas reuniões que elegeram delegados foi apresentada a proposta de reeleição ilimitada e aumento do tempo de mandato, numa ação casuística e oportunista, legislando em causa própria, uma vez que os atuais diretores, por conta de uma cláusula de barreira (agora derrubada), não poderiam disputar novo mandato. Praticando a velha política de cabresteio de delegados, a força que controla o sindicato (PCdoB e PT) protagonizou o que há de mais miserável na prática política, além de, numa ação arrogante e antissindical, mudar o nome do sindicato visando abocanhar trabalhadores de outras bases.  Agora, o Sintufsc passa a se chamar Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Públicas Federais do Ensino Superior do Estado de Santa Catarina. 

O Congresso começou bonito, com um amplo debate sobre a conjuntura, no qual os delegados puderam analisar a realidade e os desafios colocados para os trabalhadores diante do governo de Dilma Roussef. É que o Congresso tem por finalidade discutir qual o rumo político que a luta dos trabalhadores vai tomar nos próximos dois anos. Na mesa estavam duas forças políticas. Uma representando o apoio ao governo de Dilma e outra que teceu críticas sobre como o governo vem conduzindo o trato com os trabalhadores. Na plenária, as forças em debate também já se configuravam muito claramente. No lado direito da sala, os delegados da situação e no lado esquerdo, a oposição. 

Na parte da tarde, a discussão foi sobre a EBSERH, a empresa criada pelo governo para privatizar os hospitais universitários. A fala da professora Sara Grenemann, da UNB, desvelou toda a sorte de problemas que advirão caso as universidades aceitem ter os HUs geridos por essa empresa. Mostrou claramente como  a fundação vai roendo por dentro o sistema público, a criação das duas portas de entrada (para os particulares e para o SUS), a divisão dos trabalhadores entre celetistas e estatutários, e o desastre que isso vai representar para o ensino da medicina, uma vez que desde a formação, o aluno já estará sendo moldado para o mercenarismo médico. Aí também os discursos foram inflamados e mesmo  a força da situação do sindicato derramou críticas contra a empresa e contra o governo. Tudo parecia se encaminhar para uma boa análise política da situação e lutas acirradas contra os ataques governistas.

O reinado do assistencial e coronelismo

Mas, no segundo dia de Congresso, o véu caiu. A direção do sindicato mostrou o quando o discurso que faz está descolado da prática, deixando claro que tudo não passa de um jogo de cena visando encobrir os verdadeiros interesses. O primeiro ponto do dia foi a prestação de contas da direção. Ali, estampado no balancete, já era possível perceber o caráter assistencialista e coronelista da prática sindical da atual direção. Absolutamente nenhum centavo foi gasto em formação ou discussão dos problemas nacionais, estaduais e locais que tem interferência direta na vida dos trabalhadores. Nenhum debate sobre a previdência privada, nenhuma discussão sobre as eleições municipais, nada sobre os projetos do governo que atacam a classe trabalhadora. A única ação política puxada pelo sindicato em dois anos de gestão foi uma frágil luta contra a EBSERH e isso porque teve de cumprir as decisões de assembleia que sempre exigiu essa luta. Ainda assim, a ação limitou-se a realização de atos rituais, com um simples chamamento pela página do sindicato, sem visitas aos setores para informar dos riscos e sensibilizar para a participação.

Em compensação, o sindicato gastou 271 mil reais em festas, e 59 mil reais em prêmios, consolidando uma prática nefasta de cooptação a partir de concessão de pequenos privilégios. Foram nove grandes festas, com distribuição de televisão, micro-ondas e notebooks, tudo  financiado com dinheiro da categoria. A direção argumentou que as festas servem para chamar os filiados para dentro do sindicato, o que é fato, mas, na prática, não significa que eles venham para as lutas, até porque elas nem aconteceram, excetuando a greve, é claro. A verdade é que esse tipo de ação recupera práticas anacrônicas de domínio que, ao longo dos anos foram derrubadas pela ideia de que sindicato existe é para lutar. Mas, toda essa concepção sindical foi sendo esgarçada pelo grupo que atualmente dirige o sindicato e, hoje, a face assistencialista reassume com força total.   

A  segunda parte da manhã esteve reservada para a apresentação e discussão das teses que definem a direção política do sindicato para os próximos dois anos de gestão. A atual diretoria, segura do controle dos delegados, simplesmente não apresentou qualquer tese, acreditando que poderia neutralizar qualquer crítica ao governo e a si mesmo. E foi aí que se deu a morte da política. Apenas duas teses foram apresentadas, todas duas de oposição. Nelas, os filiados faziam avaliação da conjuntura internacional e nacional, avaliavam a ação do governo e a relação com os trabalhadores, teciam críticas a política da atual direção do sindicato e apontavam um plano de luta. No debate, a direção e seus aliados fizeram seus comentários e ao final ficou definido que as duas teses iriam compor uma única tese, uma vez que não havia contradição nem divergência entre elas. 

Mas, no final do congresso, o inusitado aconteceu. Como as atividades tiveram de ser suspensas para a realização da assembleia estatutária, os dirigentes do sindicado tiveram tempo de avaliar melhor a tese apresentada. Na hora da votação, o diretor Antônio Lopes, disse que a direção aceitava a análise de conjuntura, mas queria retirar a parte do texto que tecia críticas ação do sindicato. Foi aberto o debate. Só que outro filiado, Dilton Rufino, decidiu apresentar a proposta de recusa total da tese porque não admitia a crítica ao PT nem a menção do "mensalão". Segundo ele, a tese assumia a opinião da revista Veja e ele queria derrubá-la por completo. A mesa então colocou em votação essa proposta, sem mais discussão. E a plenária votou por não aceitar a tese. Com isso, a direção protagonizou um fato inédito. Pela primeira vez na história do sindicato, o Congresso não delibera por qualquer política para os próximos dois anos. Isso porque a direção não teve a capacidade de escrever sequer dois parágrafos, pelo menos, para respaldar a sua política. Tinha o controle dos votantes e preferiu omitir-se. Ou seja, não verbalizou nem deixou registrado a proposta que existe na prática: apoio ao governo e sindicato assistencial.  Política de coronel, antidemocrática.

Fraude intelectual

Mas, para tristeza dos trabalhadores da UFSC o Congresso ainda protagonizaria outra aberração. Como a tese apresentada foi derrubada na íntegra, não era possível recuperar o plano de lutas que vinha nela embutida. Então, a direção do sindicato decidiu colocar em discussão e votação o plano de lutas construído no Congresso passado. Ou seja, não havia pensado uma política para o sindicato e muito menos um plano de lutas. Os delegados da oposição preferiram se abster dessa discussão entendendo que o plano de lutas apresentado pela direção não refletia o debate desse congresso. Era um documento produzido numa outra conjuntura, com outras concepções de sindicato (de luta, solidário, generoso), e se configuraria numa fraude intelectual apresentar aos trabalhadores um plano de lutas que não representava a verdadeira concepção sindical que havia se fortalecido nesse congresso específico. E assim, sem qualquer vexação, os delegados do campo da situação aprovaram a fraude. O plano de lutas para os próximos anos em nada tem a ver com a concepção sindical que saiu vencedora do congresso.

Mudanças estatuárias: a miséria continua

A concepção coronelista e assistencial também apareceu com clareza na Assembleia Estatutária, que se fez em meio ao congresso. Os principais debates se colocaram no campo do assistencialismo e do privilégio com filiados se esganiçando pelo direito de ganhar gordas diárias nas viagens de "luta" e exigindo aumento no valor do auxílio-funeral e auxílio-natalidade. Patético. A discussão política sobre essa prática sindical atrasada e cooptadora era rejeitada, muitas vezes  de forma violenta, com alguns delegados sendo intimidados durante a fala, inclusive com ameaça de processo caso seguissem fazendo críticas. Um circo dos horrores. 

O único debate que desvelou o caráter real da atual direção do sindicato foi o realizado em cima do artigo primeiro do estatuto. A proposta apresentada pela diretoria era de mudar o nome e o caráter do sindicato. A diretora Terezinha Cecatto foi a porta-voz da proposta e, durante todo o debate, foi deixada sozinha na defesa, sem que qualquer outro diretor tivesse a coragem de se pronunciar, talvez para não deixar registrado na história o que estavam planejando. Eles se ocupavam de ficar em pé, na porta, cuidando para que nenhum delegado saísse. Pois, trazendo como argumento o desejo de alguns trabalhadores dos antigos Colégios Agrícolas que não aceitam passar para o sindicato que representa agora os Institutos Federais, e querem permanecer filiados no Sintufsc, a direção apresentou a seguinte proposta. O sindicato deixaria de ser Sindicato dos Trabalhadores da UFSC e passaria a se chamar SINDICATO DOS TRABALHADORES-TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS DAS INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA e teria a seguinte redação: 

Art. 1º - O SINDICATO DE TRABALHADORES TÉCNICO-ADMINSITRATIVOS DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA - SINTUFSC, fundado pela Assembléia Geral realizada em 8 de abril de 1992, por transformação da Associação dos Servidores da Universidade Federal de Santa Catarina - ASUFSC, com sede e foro no município de Florianópolis - SC, é constituído para a defesa e representação legal dos trabalhadores, abrangendo os trabalhadores e empregados de instituições públicas federal de ensino superior, sejam estas integrantes da administração indireta, autárquica ou fundacional, além das empresas públicas ou pessoas jurídicas de direito privado contratadas ou fundações apensas conveniadas da administração pública que desenvolvam atividades dentro das IFES do Estado da Santa Catarina, cujo desempenho profissional contribua de forma direta ou indireta para a consecução e desenvolvimento dos princípios indissociáveis do ensino, da pesquisa, da extensão e assistência do órgão público de ensino. (grifo meu - aí está a EBSERH).

No debate, foi lembrado à direção que o artigo primeiro do estatuto já contemplava a possibilidade de filiação desses trabalhadores e também o pronunciamento do advogado do sindicato que já havia dito que esses trabalhadores poderiam seguir filiados. Também se alertou que o Sintufsc não era um sindicato só de técnicos, que historicamente se colocava na vanguarda da proposta de unificação das categorias no âmbito da educação superior, mantendo no seu quadro também os colegas professores. Que a proposta apresentada era redutora, excludente e, principalmente, antissindical, uma vez que abria também para a filiação específica de trabalhadores de outras instituições (espaço do SINASEF, Sindicato dos Trabalhadores em Fundações etc..). O artigo ainda desvelava o completo apoio dessa direção à EBSERH, uma vez que também já previa a filiação dos futuros trabalhadores da fundação. 

A proposta de oposição era a de que se mantivesse o artigo tal como estava porque ele era muito mais abrangente sem, contudo, entrar no perigoso terreno das práticas antissindicais tais como a tentativa de captura de base de outras entidades. Foi lembrado também que o SINTUFSC jamais se absteve de apoiar política/financeira e estruturalmente as lutas das demais categorias que atuam dentro das universidades. Isso  é decisão política e concepção de sindicato de luta. Basta lembrar a ação do Sintufsc em outros tempos, com outra direção, no apoio concreto à luta dos trabalhadores terceirizados.  

Mais uma vez o debate foi inflexível. A única mudança aceita pela direção foi a de não exclusão dos professores, até porque, no caso do Sintufsc, eles fazem parte desde a criação da associação, quando não era ainda permitida a sindicalização. Assim, a direção acatou a retirada do termo "técnico-administrativos" e trocou por "trabalhadores em educação".  A votação foi apertada, mas venceu a proposta da direção. Com novo nome, ao que parece, agora o sindicato dos trabalhadores da UFSC vai começar a disputar base de outros sindicatos.  

E a sucessão de golpes ainda estava longe do fim. Pela mão de um ex-diretor, membro do grupo da direção, vieram as duas propostas que definiram o oportunismo e o casuísmo da atual gestão. Retirar a cláusula de barreira que define rotatividade nos cargos da direção e aumentar o tempo de mandato. De novo, o debate foi marcado pela falta de qualquer argumentação política. As falas se limitavam a ataques pessoais ou emocionais. Não havia qualquer argumento plausível além da legislação em causa própria. Assim, a partir desse congresso, os dirigentes atuais - que não poderiam concorrer na próxima eleição - estão de novo no páreo e o mandato fica estendido para três anos porque, segundo Otávio Pereira, o autor da proposta, em dois anos não dá para fazer um bom trabalho. 

A presença dos novos

O final do XI Congresso do agora SINDICATO DE TRABALHADORES  EM EDUCAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA, foi patético. Nenhuma direção política, um plano de lutas artificial e fraudulento, a aceitação da EBSERH e a explícita prática antissindical. A única preocupação da atual administração foi garantir que as festas continuem, os prêmios sejam distribuídos entre os amigos, que o auxílio-funeral tivesse um aumento substancial, que possam se reeleger e ficar no mandato por mais tempo. Esse é resultado final de dois dias de discussão. A morte da política. O ressurgimento explícito de um sindicato coronelista.

A única coisa boa que ficou dessa miséria intelectual e política foi a presença dos novos trabalhadores, os que entraram nos concursos mais recentes. Estavam lá em um bom número, trouxeram argumentos sólidos, políticos, e perceberam muito bem o que estava em jogo ali. Conseguiram observar claramente as práticas descoladas dos discursos e se posicionaram por uma concepção de sindicato de luta, de classe, solidário e generoso. Assim, apesar do resultado conjuntural, foi possível sair do congresso com a profunda sensação de que uma nova página começará a ser escrita na UFSC por uma nova geração ainda não contaminada pela velhas práticas coronelistas tão comuns na universidade. Uma geração que não se rende à servidão voluntária e não se move por interesses apenas pessoais. 

Um ar fresco começa a soprar nos caminhos da UFSC, e outros congressos virão. A mudança está a caminho, assim como a primavera!