domingo, 22 de abril de 2018

Crônica de um fracasso


Fracasso de uma gestão que, eleita para melhorar a vida da cidade, entrega os serviços públicos ao setor privado. 

Ação da polícia no final da votação
Gás foi jogado dentro da câmara, sufocando as pessoas 


A Câmara de Vereadores aprovou nesse feriado de Tiradentes, por 16 votos contra seis, o projeto do prefeito Gean Loureiro que entrega para as Organizações Sociais - na prática empresas privadas -  a administração dos serviços públicos da cidade. O argumento é que com as OSs será bem mais fácil contratar pessoal e garantir o atendimento na saúde e na educação. Pelo menos essa foi a propaganda divulgada nos meios massivos de comunicação. Mas, quem conhece a história das OSs e acompanha como elas tem se comportado no trato da coisa pública sabe muito bem o que irá acontecer. Maus serviços, corrupção, malversação de recursos e a população entregue a si mesma. Quem tem dinheiro para contratar serviço particular está tranquilo, que não tem vai se lascar. É uma crônica anunciada.  

Durante os dias que seguiram a apresentação da proposta e o pedido de urgência na votação da mesma, os trabalhadores públicos iniciaram uma greve. A lógica do prefeito, de pedir urgência, é o mecanismo que garante a não discussão do tema com a sociedade. Fosse um projeto normal, seguiria o rito de ser debatido nas comissões, poderia haver audiências públicas para que a sociedade soubesse em detalhes o que está em jogo. Mas, não. Urgência urgentíssima define votação imediata, sem qualquer debate. E foi o que sucedeu. Não adiantou os trabalhadores pararem os serviços e encherem o largo do prédio da Câmara exigindo discussão. Mais de seis mil pessoas alçadas em protesto. Foram ignoradas.

A tática dos vereadores foi jogar a votação para o feriado, apostando na desmobilização. Mas, não funcionou. Mesmo com os ônibus em horário de domingo – o que é praticamente imobilidade – e com o feriado bonito de sol, que poderia levar as gentes à praia, o largo da Câmara se encheu outra vez. Milhares de pessoas se manifestando, exigindo discussão, debate, conhecimento do processo. Os poucos vereadores de oposição fizeram o possível para informar às gentes. Vinham no caminhão de som, traziam notícias, mas, o que todos ali sabiam era que a maioria dos vereadores já estava com o voto pronto. Não importaria qualquer argumento que viesse dos vereadores de oposição. Para os aliados do prefeito,  o embate travado dentro da câmara não tinha nada a ver com a cidade, com as pessoas, com a saúde ou a educação. Estavam ali para apoiar o projeto, fosse ele qual fosse. O compromisso dessa gente nunca foi nem nunca será com seus eleitores. Logo, a crônica da votação também estava anunciada. Todos ali em frente a câmara sabiam que, tendo votação, o projeto passava.

Ainda assim, as milhares de pessoas em frente à Câmara seguiram com a manifestação pacífica, cantando, dizendo palavras de ordem, ouvindo discursos sobre o mal que vai se abater sobre a cidade com a entrada das OSs. Os vereadores chegaram pela porta dos fundos do prédio, escoltados pela Polícia Militar. Não houve qualquer tentativa de barrar a entrada, pois a repressão estava com todas as suas ferramentas, prontas para intervir. “Aqui temos crianças, pessoas de idade, não estamos para o confronto”. A população em protesto na frente do prédio apostava na capacidade de mudar o voto dos vereadores apenas com a pressão da presença e do grito. Não foi suficiente.

Com os vereadores lá dentro, o processo seguiu. Reuniões-relâmpago das comissões, com os vereadores impacientes e entediados. Queriam votar logo e voltar para seus churrascos de feriado. Para a maioria ali dentro, pouco importavam aquelas pessoas lá fora. Seus gritos eram irrelevantes. No processo de venda da cidade, tudo o que importa são os bolsos cheios ou as graças futuras que alcançarão. O jogo político todos conhecem. É o toma-lá-dá-cá. Pelo menos na nossa democracia liberal, ou ditadura do capital, melhor dizendo.

A sessão iniciada às 16 horas foi como sempre é. Discursos raivosos contra sindicalistas, trabalhadores e povo em luta. Tentativas de convencimento dos vereadores da oposição. O jogo conhecido e com resultado já antecipado. Não passariam dos seis votos aqueles que seriam contrários ao projeto. O jogo já estava ganho pelo prefeito antes mesmo de começar.

Ainda assim, lá fora, a multidão seguia na esperança de que os vereadores seriam convencidos pelo discurso. Quando a votação começou já era noite, passava das seis. E os votos a favor foram saltando, um a um. Na impotência completa, visto que a tática era a do pacifismo, as pessoas começaram a gritar, dentro e fora do prédio. A polícia então fez sua entrada triunfal, já esperada. Dentro da Câmara tratou de acalmar os ânimos com gás de pimenta, e aí sobrou pra todo mundo, manifestantes e jornalistas. Foi o caos. Pessoas sem ar, trancadas na sala. Lá fora, também premidos pela impotência, apesar de estarem em maior número, os manifestantes tentaram uma reação, mas igualmente foram impedidos pela polícia. E a velha receita de sempre funcionou. Polícia batendo, chutando, jogando gás, “tudo normal”.

A votação continuou, impávida, e os vereadores votaram, aprovando o projeto. A cidade agora terá sua saúde e educação administrada pela iniciativa privada. Começará na UPA do Continente, depois em algumas creches, e, com o tempo, irá se imiscuindo em tudo. O Brasil do golpe se consolidando, em todas as instâncias. Viveremos o tempo do cidadão-cliente, ou seja, só poderá usufruir da cidade e dos serviços públicos aquele e aquela que tiver dinheiro para pagar. A acumulação capitalista seguindo seu curso, se fazendo sobre a vida das gentes.

Os vereadores de oposição buscarão na justiça alguma brecha para anular a votação, visto que foi num feriado e depois das seis da tarde, o que seria ilegal. Mas, quem afinal crê na justiça? Temos visto, depois do golpe, todos os dias, os exemplos de que nada se pode esperar do poder judiciário, marcadamente dominado pela classe dominante e decidindo sempre a favor dela. Esse vai e vem no judiciário é só um ritual patético, cujo resultado final todos já conhecemos.

Na semana que inicia os trabalhadores públicos definirão seu movimento, decidirão se continuam a greve ou não, visto que ela começou para garantir a luta contra o projeto que, na prática, também vai eliminando a figura do servidor público. E a proposta é essa mesmo. Garantir que os serviços públicos sejam administrados pelo setor privado, com trabalhadores precarizados, geridos pela nova lei do trabalho, que não garante mais nenhum direito.

Agora, com o projeto aprovado, quais serão os rumos do movimento grevista? É uma difícil decisão. Mas, os municipários têm força, são milhares. Talvez possam empreender novo ritmo à greve e garantir algum ganho nesse processo. Tudo é uma incógnita visto que a tática é a da manifestação dentro da ordem.

Já a população iniciará a semana como sempre. Completamente alheia ao que acontece na vida da cidade até o dia em que precisar de um atendimento de saúde e tiver de pagar, até a hora em que aconteça algo com seu filho na creche, então despertando do torpor, atrasada e impotente. Mas, todo esse povo apático não é o “vilão”. Até porque faz muito tempo que os partidos políticos, os sindicatos e os movimentos sociais abandonaram a prática de manter o povo informado. Hoje, publica-se no facebook e acha-se que todo mundo está sabendo das coisas. Mas, não. O facebook informa só o que o sistema quer. A maioria ainda recebe a “verdade” pela televisão, e a televisão mente. A comunicação dos movimentos sociais é débil e ineficiente. E os partidos e sindicatos que deveriam inovar nas práticas comunicacionais, enfrentando a mentira e a desinformação, não o fazem. São tempos sombrios.

Os poucos que saíram às ruas lamberão as feridas e se prepararão para novas batalhas, porque sabem que a resistência é necessária. Mas, talvez fosse hora de as gentes que lutam começarem a pensar que só resistir não basta. O tempo no qual vivemos, de ataque total do capital, exige novos caminhos, novas táticas, novos métodos.  É preciso constituir uma proposta eficaz de ataque também do nosso lado. Ou isso, ou sucumbimos.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Só os moradores de Florianópolis podem barrar as OSs

Foto: Rubens Lopes


Os vereadores de Florianópolis, por maioria, votaram contra a realização de uma audiência pública e aprovaram urgência urgentíssima para a votação do projeto do prefeito Gean Loureiro que propõe a contratação de Organizações Sociais para administrar a UPA do Continente e mais 10 creches. Não adiantou o clamor que vinha das ruas em frente à Câmara, afinal, a maioria dos vereadores está ali apenas para legislar conforme os interesses dos empresários ou do governo municipal.

Muita gente tem se manifestado nas redes sociais a favor desse projeto, atirando pedras nos trabalhadores que estão em greve. No geral, os argumentos são auto referenciados e dizem respeito as dificuldades que passam a ter com a paralisação, como não ter onde deixar os filhos, ou não ter a consulta agendada cumprida. É natural, então, a raiva. Mas, essa raiva deveria se voltar contra a prefeitura e não contra os trabalhadores que, além de estarem defendendo o serviço público, estão tentando preservar esses direitos a todos.

O fato é que a propaganda enganosa veiculada nas mídias comerciais induz ao erro. Ela chantageia a população dizendo que ou se contrata as OSs ou não haverá atendimento.  É uma ameaça. Não é uma informação. 

As OSs tem um nome bastante sugestivo, são organizações “sociais”. Isso também induz ao erro, pois pode parecer que estão preocupadas com o social. Mas, não. Elas atuam como empresas comuns, ou seja, estão na busca do lucro. E o que pode ser lucro na saúde ou na educação? Pensem!

Conforme explica o presidente do Sintrasem, Renê Munaro, a experiência de vários estados do Brasil com o uso de OS para administrar serviços públicos têm sido um desastre. E o que mais se vê é corrupção e desperdício de recursos públicos. Conforme Renê, o Tribunal de Contas de São Paulo, investigando OSs que administram hospitais, chegou à conclusão de que a taxa de mortalidade nos hospitais geridos por OSs é maior do que nos públicos  e tem apontado ao governo para que atente para esse dado. No estado do Rio de Janeiro, das 10 OSs que atuam no serviço público, oito estão sob investigação. Em Goiás, foi constatado que uma OSs que atendia o serviço de saúde obrigava os trabalhadores a reutilizarem seringas, para “economizar”. São exemplos escabrosos e que se repetem. Fraudes, superfaturamento, malversação de recursos. Vamos aceitar isso?

O projeto que está na Câmara e que vai ser votado – e provavelmente aprovado – sem qualquer discussão com a cidade, não prevê OS só para a UPA e as 10 creches. Não. Ele abre para qualquer outro serviço público. Deixa escancarada a porteira. E onde passa um boi passa a boiada. Além disso, as OSs  que forem escolhidas pela prefeitura para administrar os serviços receberão todo o patrimônio, que é público, por 10 anos. “São creches novinhas e uma unidade de saúde novinha entregues sem qualquer custo para a empresas”. Não bastasse isso, elas ainda receberão dinheiro público e se não cumprirem com suas obrigações, quem arca com a dívida é a prefeitura. “Ou seja, nós vamos pagar três vezes: no patrimônio, no subsídio e no pagamento das dívidas”, denuncia Renê.

O argumento de que a contratação de trabalhadores públicos é muito demorada e burocrática não se sustenta. E a contratação de trabalhadores via CLT não garante nem bom atendimento, nem qualificação. Até porque os salários são baixos e os trabalhadores asism que têm uma oportunidade melhor, saem. 
A melhor forma de garantir um atendimento de qualidade no serviço público ainda é com trabalhadores públicos. Não há como negar. A lógica de jogar para os trabalhadores as “culpas” do mau serviço só serve aos maus administradores, principalmente aqueles que não querem garantir o direito das gentes e se preocupam mais em servir aos seus apoiadores de campanha. 

É impressionante que nos últimos dois anos tenha-se visto a população sair às ruas com camisas amarelas, gritando contra os corruptos, e agora tenha-se que observar essas mesmas pessoas criminalizando os trabalhadores em apoio a um projeto que só virá contra elas e contra toda a população. Pode ser que a classe média tenha condições de pagar por serviços de saúde e de educação, mas isso não vai durar muito tempo. Então, seria bom ter essas pessoas na luta contra essa ideia de gestão via OS. Não precisa acreditar no sindicato. Mas, seria bom que procurassem saber sobre decisões de Tribunais de Contas e Ministérios Públicos de estados como São Paulo e Rio e já poderia ver a armadilha que é essa proposta.   

Quanto aos vereadores de Florianópolis, não há muito que esperar. Ontem, Lino Peres, Afrânio Tadeu Boppré, Marquito - Marcos José de Abreu e Lela fizeram uma transmissão ao vivo discutindo isso com seus eleitores, contando sobre o projeto, apontando os riscos. Mas, eles são minoria. É só a população que pode mudar o rumo das coisas, impedindo a votação. 

Uma coisa é certa, se passarem as OSs, logo, logo, mais dinheiro vai ter de sair dos bolsos dos trabalhadores para ter saúde e educação. Isso não é conversa de sindicalista. É fato.


sexta-feira, 13 de abril de 2018

Jornalismo XXX



Por um descuido de alguém, foi divulgada no sítio de notícias de uma grande rede local, a NSC (Nossa Santa Catarina), ex-RBS, a notícia pré-redigida para informar sobre as eleições que definiriam o novo reitor da UFSC. O texto clássico da notícia normótica, sem contexto ou impressão, foi terminado deixando alguns espaços com XXX que equivaleriam às informações ainda não obtidas pelo redator e que deveriam ser completadas por quem fosse subir a notícia no sítio. Porcentagem, número de votos, nome do vencedor, etc... Nada muito escabroso, visto que obviamente o repórter não poderia ficar até às dez horas da noite esperando para terminar a notícia. Ainda assim virou piada nas redes.

O descuido do editor, ou de quem quer que seja, circulou pelos meios internéticos e entre os jornalistas, que têm se manifestado, entre risos de deboche e preocupação com o jornalismo. Mas, ao final, o que há de escabroso nisso? Nada. Essa é uma prática comum no jornalismo conhecido como “manual de geladeira”, que é esse do lead clássico, sem maiores informações além das seis famosas perguntas: o que, quem, como, quando, por que, onde.

Por que o espanto se é o que se aprende na faculdade? Respondendo a essas questões temos tudo o que pode interessar ao leitor, dizem os “mestres”. É o jornalismo normótico, hegemônico e, ao contrário do que se alardeia, totalmente parcial. Aquele que é praticado por quem acredita ser o leitor um tolo, um Homer Simpson, um bobão. Por isso não vejo motivo de riso na postagem da NSC. Vejo motivo de debate, isso sim. Pois esse é o jornalismo vigente e, inclusive, segundo se sabe, um texto assim já pode até ser produzido por um programa de computador. Para que precisam de nós, jornalistas, então? Esse é o tema.

Teóricos do jornalismo como Armand Mattelard já havia discutido esse famoso lead (os das seis perguntas) insistindo em incluir uma sétima pergunta nele, aquela que faria toda a diferença, porque mostraria que ali havia mesmo um repórter, alguém vendo, sentindo e analisando. A pergunta chave seria: e daí? Com esse questionamento o repórter teria de ter conhecimento sobre as causas e apontar os cenários de consequências. Fazendo isso, estaria produzindo conhecimento, como também apontou Adelmo Genro Filho. Trazendo na singularidade de determinado fato as determinações que dariam conta da totalidade da atmosfera na qual o fato foi gerado. Ah, o jornalismo, essa coisa bela!

A imagem da notícia XXX, divulgada pela NSC, é a imagem do jornalismo atual. Esse é o drama. O jornalismo que já tem pronta todas as questões, faltando apenas completar os pontinhos. No geral, esse jornalismo, dito “imparcial”, é esgrimido contra os trabalhadores, contra a esquerda, contra a beleza, contra o conhecimento, contra a criticidade. Não há vida nele, não há análise, não há olhos, não há coração, não há nada além da ideologia de um estado de coisas. Aceitar esse jornalismo não é ser imparcial e objetivo, ao contrário. É ser parcial ao extremo, contra a possibilidade de um leitor crítico, de um leitor que se aproprie do conhecimento e defina suas certezas a partir das informações contextualizadas que recebe.

O jornalismo XXX é igual ao direito XXX, como se viu no documento assinado por Sérgio Moro autorizando a prisão de Lula, poucos minutos depois do julgamento. Ou as notícias sobre a judicialização do Sintrasem ( o sindicato dos municipários que está sendo investigado pelos vereadores), em Florianópolis. Tudo já está pronto, não apenas na forma, mas também no conteúdo. O XXX é o nome do sindicato, do morto, do sindicalista, do militante social. A notícia já está redigida, sempre dentro daquilo que interessa ao patrão ou ao sistema.

Mas, isso não significa que temos de apontar o dedo “culpando” o jornalista. Ele ou ela, em si, estão premidos pela dura realidade de ter de vender sua força de trabalho. No geral, são obrigados a fazer isso até para sobreviver num espaço de multifunção e de superexploração do trabalho. Claro, podemos discutir que esse jornalista têm opções. Ele pode resistir, pode lutar, pode denunciar, pode se recusar, pode pedir demissão. Tudo isso é fato. Mas, os tempos são difíceis, há filhos para criar, garantir a comida para por na mesa.

Todas essas variáveis devem ser pensadas. Mas, nenhuma delas impede o pensamento crítico sobre esse tipo de jornalismo. Ainda que se tenha de praticá-lo, deve-se pensar sobre isso e sobre formas de transcender. Há que matar esse jornalismo XXX, mas numa morte que não seja fruto de um assassinato individual, tem de ser uma derrubada coletiva e classista.

Sim, porque o jornalista também tem classe. Existem aqueles que nascem na classe dominante e a partir dessa sua posição praticam o jornalismo, buscando sustentar os privilégios de sua classe. Existem aqueles que vêm das camadas populares, mas assumem a posição da classe dominante, achando que por estarem trabalhando em uma grande meio ou ganhando um salário alto, já pertencem ao “clubinho”. Não pertencem. Bastam que envelheçam ou percam a mão e estão jogados fora, sem dó nem piedade. Existem os que nascem na classe dominante, mas na caminhada vão descobrindo os caminhos da injustiça, da miséria, da destruição que o sistema impõe e mudam sua postura, defendendo os interesses dos trabalhadores e dos oprimidos. E há uma grande parte, quiçá a maioria, que é filha da classe trabalhadora, que pode até ser da classe média, mas vai ter de vender sua força de trabalho por todo o sempre. Nunca será dona de jornal. Nunca será capitalista.

Então é esse debate que precisa ser travado na vida e na faculdade. Saber que vivemos numa sociedade de classe e que uma é dominante, impondo assim suas ideias e suas práticas. No jornal a luta de classes está explícita. No jornal, na TV, no rádio, na internet. E esse é o campo de batalha do jornalista. Há que se posicionar, saber quem se é. O jornalismo XXX é o que representa justamente a classe dominante, feito para alienar, desinformar, estabelecer um consenso sobre a realidade, cuja verdade não aparece no jornal. A realidade do jorna, da notícia XXX é inventada, conforme os interesses de quem domina.

Então, companheirada. A notícia XXX não estava ali por acaso. Ela é o cotidiano. Há que acabar com ela. E essa é uma luta que extrapola o próprio espaço do jornalismo. Ela avança para o mundo da política, a grande política, na disputa por um modo de produção, um modo de organizar a vida.  

Um novo jornalismo virá, fatalmente, quando conquistarmos e construirmos a nova sociedade. À luta, pois!



quinta-feira, 12 de abril de 2018

O menino e as pedras




Vai longe o tempo, mas a memória lembra. Ele era menino ainda, uns sete anos, e vivia em Rio Turvo, Minas Gerais, cidade onde nasceu. Pequeninho e mirrado era alvo sistemático de Zé Bodão, um garoto da mesma idade, mas grandote, que dava umas três vezes o seu tamanho. Zé Bodão batia em todo mundo, era o valentão da escola. E não havia jogo de bolita ou de semente de cinamomo que ele não estragasse. Chegava, pegava as bolinhas e ainda metia o cucuruto em todo mundo.

Danilo era pequeno, mas valente. E fervia de raiva pela impotência de ver, todos os dias, o valentão bater nele e nos seus amigos. Ninguém podia com Zé Bodão. O gurizinho então decidiu dar ouvidos aos conselhos da mãe, que desde sempre vaticinara: “Virem-se na vida, deem jeito, não choraminguem”.  

Ele avaliou todas as possibilidades. Na mão não ganharia, o cara era grande demais. E mesmo que os amigos se juntassem talvez o Zé Bodão ainda vencesse todos eles. O caso não era de força. Tinha de ser de esperteza. Foi aí que decidiu ser um exímio atirador de pedras.

Os dias se passaram e, na escola, a gurizada seguia apanhando e tendo as bolinhas de gude roubadas. Mas, no silêncio dos entardeceres, Danilo treinava pontaria com as pedras. Dias, meses se passaram. Então, ele viu que estava pronto. Seus dedinhos pequenos eram bazucas explosivas e as pedras chegavam ao alvo, certeiras. Chegara a hora.

Zé Bodão tinha a tarefa de, depois da escola, levar a tropa do pai para o pasto. Ia sozinho. Danilo sabia. Então, subiu num pequeno elevado que dava para o descampado e posicionou-se. Os bolsos cheios de pedra. Num segundo elas voavam na direção do Bodão. Bingo. Ele tomara uma saraivada.

E assim foram os dias. Os mísseis certeiros causando danos. Bodão descobriu quem era o atirador. Mas, no colégio, quando Danilo chegava, com os bolsos cheios de pedra, ele retraia. O pequenininho fizera o que mãe mandara: vire-se! Pois se virou. E desde então ninguém mais mexeu com ele na escola. Era o guri das pedras, e elas machucavam.

Foi esse mesmo guri que, depois, já moço, se internou nas matas de Goiás, na Guerrilha do Araguaia. Não tinha como ser diferente. Ele aprendera que quando a força é bruta, há que enfrentá-la, na coragem.

Danilo Carneiro, um mestre. Todos os dias dando lições aqui no IELA.



terça-feira, 10 de abril de 2018

Florianópolis e os oportunistas

Hospital Florianópolis sabe o terror que são as OS


O atual prefeito de Florianópolis encaminhou na última sexta-feira para a Câmara de Vereadores um projeto que estabelece a criação de organizações sociais para gestão de espaços públicos. Na linha de ataque para a privatização estão a Saúde, Educação, Assistência Social e Obras. É a cidade cada vez mais na mão da rapinagem. Quem conhece a experiência do Hospital Florianópolis, há anos nas mãos das ditas organizações sociais, sabe muito bem o que pode vir por aí. Menos serviço, menos qualidade e mais sofrimento para a população que fica entregue à lógica do lucro. 

A capital catarinense tem uma característica da qual não consegue se livrar: é uma cidade conservadora. E isso acarreta diversos problemas, pois, no campo da política, ser conservador é estar a serviço do status quo, o que, em última instância significa estar sempre de braços dados com as propostas do capital. E o que quer o capital? Lucro para uns poucos. Com isso, a maioria das gentes padece. Projetos mirabolantes surgem travestidos de “progresso para todos”, mas, ao final, o que se consolida é o desastre ambiental, a impossibilidade da vida, e o drama para a maioria dos trabalhadores.

Ao longo da história política do município poucos foram os respiros progressistas. No passado recente podemos lembrar a eleição de Sérgio Grando para prefeito, um momento fugaz, uma brisa, mas ainda assim capaz de deixar marcas profundas na organização popular, determinando um processo de resistência que ainda perdura. Experiências como o orçamento participativo, a inversão de prioridades nos investimentos e a então revolucionária ação de criação das linhas de ônibus nos morros da cidade uniram as comunidades e mostraram que as coisas podem ser diferentes.

Ainda assim Grando não fez sucessor. Naqueles dias, era a conservadora Angela Amin quem pedia passagem, prometendo loas e a cidade votou nela, embalada por um xenofobismo odioso contra gaúchos e paulistas, além do velho ódio ao PT. Seu opositor era Afrânio Boppré, então, do PT, e que tinha sido vice do Grando. A cidade disse não à Frente Popular, e como resultado daquela gestão vencedora (Angela) se fortaleceu a lógica do paternalismo e amargamos ainda hoje o inominável transporte “desintegrado”, só para lembrar algo com o qual ainda nos debatemos. 

Passadas duas gestões da Angela, veio o Dario Berger, também de triste lembrança. O processo de especulação das terras na cidade foi às alturas e a mobilização popular no longo processo do Plano Diretor foi fraudada. Dois mandatos se passaram e as alterações de zoneamento mudaram a cara da cidade, tudo feito para garantir os interesses dos empresários imobiliários. Um desastre.

Ainda assim, a população decidiu eleger um jovem político, Cesar Souza Filho, rebento de uma velha raposa da direita tradicional. Ou seja, nada de novo. Era certo de que o processo de entrega da cidade para a rapinagem continuaria. E assim foi. Longas e violentas lutas foram travadas por conta do Plano Diretor. E mais uma vez a população organizada foi derrotada pela força do dinheiro. Um outro plano, desconhecido das gentes, foi votado ao final de uma ano, no apagar da luzes, com direito a polícia e sangue. Mais do mesmo. 

Então veio Gean Loureiro, outro jovem político, com juventude apenas na idade, pois o projeto de cidade defendido por ele sempre esteve atrelado ao mais profundo conservadorismo – velho, portanto - de manutenção da lógica paternal, mesclado com a “vitalidade” do empreendedorismo empresarial. 

Agora estamos com mais essa batata quente nas mãos. A privatização, na prática, dos serviços públicos. As tais organizações sociais são entidades de direito privado que assumem a administração das instituições públicas. A requentada parceria público/privada, que de parceria com o público não tem nada. A parceria real é com a grana. As organizações recebem verba pública pra administrar o público, mas podem auferir lucros. Hum... Palavra mágica.

Então, a saúde, a educação e a assistência social viram mercadoria. O prefeito investe na propaganda: ”vamos poder contratar, vai aumentar o atendimento, vamos melhor as coisas”. Não é verdade. As contratações serão precárias, o atendimento não será melhorado e o serviço cairá de qualidade. Essa é a verdade.

Lá vêm os arautos da desgraça, dirão alguns. Sempre prevendo o pior. Não. Não é previsão. É análise sobre a realidade. Vivenciamos junto aos trabalhadores da saúde o horror da administração por organização social do Hospital Florianópolis. Puxem pela memória. Comida podre, roupas mal lavadas, precaridade no atendimento, fechamentos. Batalhas e mais batalhas para garantir o hospital funcionando. Batalhas dos trabalhadores, bem dito. Porque para o governo tudo estava bem.

Agora Gean quer reproduzir essa realidade de terror no nosso município. E o que podemos esperar da Câmara de Vereadores? Muito pouco. Já sabemos que tirando uns três ou quatro, os demais estão lá para defender os interesses que não são os da maioria. Não são os da gente. São os interesses do capital, das empresas, do lucro. 

Por isso não dá para vacilar. Os lutadores de sempre estão alertas. Mas isso não é suficiente. É que preciso que as pessoas se inteirem do que isso significa. Que discutam o tema, que ultrapassem as propagandas enganosas. A experiência da terceirização de serviços no campo público já fracassou em todo o país. Existem pesquisas sérias que comprovam isso. Como então vamos permitir que entreguem os serviços municipais para a iniciativa privada? Isso é a morte para nós que somos os moradores comuns. Os que precisam do serviço público, os que não têm dinheiro para pagar serviços privados de saúde ou de educação.

Na próxima quarta-feira, os trabalhadores da prefeitura realizam uma assembleia para discutir o tema, afinal eles sabem muito bem o que significa para eles e para os usuários essa intromissão privada nos serviços públicos. Acaba sendo ruim para todo mundo. Só fica bom para os empresários de ONGs, no geral os mesmos de sempre. 

Vamos então fazer nossa parte. Falar com os vereadores nos quais votamos. Exigir que esse projeto não seja aprovado. O prefeito de uma cidade é eleito para administrar a cidade. Não tem cabimento entregar para empresários a administração dos serviços públicos. Isso é irresponsabilidade e incompetência. Não podemos compactuar com isso. 

Alerta povo. Isso é ruim. Vamos lutar. 


sábado, 7 de abril de 2018

O último Jedi



Vi, um ano atrasada, o episódio VIII do Guerra nas Estrelas, mais um da série de filmes que marcou profundamente minha vida, apaixonada que sou por ficção científica desde bem pequena.  Fiquei totalmente tocada com a presença de Luke e Leia, que são assim, como parentes... 

A cena de Leia vencendo o espaço gelado, Mestre Yoda e sua adorável ironia, Cheewba, Luke e sua partida tão bonita. Um lindo encerramento para uma geração que, como eu, encantou-se com esses personagens. A Força, em toda sua expressão.. Lindo demais. Certamente ficarei pelo menos uma semana em estado de melancolia...

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Sobre a conjuntura, fascismos e golpes



Não pretendo falar do julgamento do STF sobre o Habeas Corpus de Lula. Não é isso que interessa. Julgo que todo o processo que envolve as denúncias contra o ex-presidente tem vício de origem, logo não deveria ter chegado até esse ponto no qual chegou, com duas condenações absurdas, de nove e depois expandida para 12 anos. No campo do direito, não são poucos os juristas que apontam a inconsistência nas provas contra Lula. E, se um dos princípios basilares da lei burguesa é a presunção de inocência, não teria motivo de ser diferente só porque o acusado é um ex-presidente. Logo, o julgamento é político. Não faltará quem jogue na cara: então tu apoias a corrupção do Lula? Não, não apoio. Nem do Lula, nem de ninguém. Os que comandam a máquina capitalista todos têm as mãos sujas de alguma forma. Mas, se formos nos ater a letra fria da lei penso que provas concretas são necessárias, contra quem quer que seja: amigo ou inimigo meu.

Vejo claramente algumas coisas que gostaria de dividir para o debate:

Primeiro: Sim, foi golpe o que aconteceu em 2016. De um jeito novo, mas foi golpe. E estamos vendo esse golpe se desdobrar vertiginosamente. “Primeiro a gente tira a Dilma”, disseram, e é assim mesmo. O que vem depois vai pegando primeiro os petistas e no desenrolar pode pegar qualquer um. Isso é fato. Uma hora vai chegar ao cidadão comum. Alguém pode dizer que o cidadão comum sempre esteve vivendo num estado de exceção e de certa forma é verdade. Os empobrecidos sempre estão com a lei sob suas cabeças, como uma faca afiada, coisa que não ocorre com os do topo da pirâmide. Exemplos não faltam, de um e de outro lado. Vejam os números de mortes impunes nas favelas, nas periferias. Vejam a situação dos aprisionados, grande parte sem julgamento. Vejam os ricos que matam e traficam e saem impunes. Tudo isso é verdade. Mas num tempo de golpe, a ação contra os inimigos do “estado de coisas” se potencializa, cresce e deixa a vida confusa. A mão da lei, que é a mão do poder, pode pegar qualquer um, sem precisar usar a lei. O contrato social representado pelas leis, ainda que frágil na democracia burguesa se rompe definitivamente. Tudo passa a valer. Inclusive convicções pessoais viram provas. Isso não pode ser aceitável.

Segundo: a direita brasileira conseguiu colar no Lula e no PT a imagem de “comunista”. Todos os que temos compreensão da realidade e conhecemos a fundo o que é o capitalismo, o socialismo e o comunismo, sabemos que o PT e o Lula não são comunistas. O máximo que podemos conceder é que eles sejam de um liberalismo de esquerda, com certa pegada social e uma preocupação com os empobrecidos, ainda que insuficiente. Mas, não adianta dizer isso a essas gentes que já estão inoculadas com essa “verdade” do petista/comunista. É por isso que esse povo vai para as ruas com suas camisas da seleção – que representam a pátria -  gritar contra Lula e o PT. Porque pensam que eles são comunistas, e acreditam que o comunismo é o mal. Veem o comunismo com os olhos da direita, sequer sabem bem o que isso significa. Precisaríamos de muito tempo para desconstruir isso. Muito trabalho de base. Não se consegue com discursos nem com postagens no facebook. Ainda mais que o próprio facebook trabalha para consolidar essa mentira que virou verdade. O tal do face é uma usina de mentiras, tal qual os grandes meios de comunicação.

Terceiro: sim, há fascismo nessa conjuntura brasileira e isso não é banalizar o termo. Teothonio dos Santos, no seu livro “Socialismo ou Fascismo” ajuda a gente a compreender esse movimento. Ele avalia que existem atitudes fascistas, movimentos fascistas e fascismo. Cada caso é bem diferente um do outro Ele faz sua análise nos anos 70 do século passado e é claro que não podemos transplantá-la para hoje. Mas ajuda a pensar. Segundo Teothonio,  o fascismo surge quando há uma ameaça à nação e um movimento de unidade nacional que aparece para salvá-la. Não é o caso no Brasil. Mas, acontece que foi criado um consenso que diz o contrário. Nesse consenso liga-se o PT ao comunismo e isso aparece como uma ameaça. É o que dizem os comentários raivosos de um bom número de pessoas. Nesse caldo, figuras como Bolsonaro, militares ou políticos da direita de todas as cores, aparecem como lideranças capazes de colocar ordem na casa. A casa bagunçada pelo capitalismo aparece como uma casa bagunçada apenas pelo PT. “No tempo dos milicos não tinha violência”, dizem, e não analisam o tempo de um Brasil ainda rural, sem os males das grandes metrópoles. A violência não é coisa do PT, ela é estrutural do capitalismo.

O fascismo, diz Teothonio, aparece quando as lideranças populares estão desorientadas ou chegam ao poder e não conseguem dar respostas às lutas do povo. Temos essa realidade com o governo do PT que, de certa forma, não conseguiu avançar nas demandas populares e domesticou sindicatos e movimentos. Hoje temos essa desorientação. Também, para que o fascismo se expresse para além de ações isoladas é necessário que existam grupos marginais e decadentes que se organizem contra o socialismo, o comunismo ou as demandas populares. Temos isso hoje no Brasil de maneira muito clara.

Teothonio diz ainda que para que o fascismo se instale como projeto de governo é necessário que haja uma crescente luta popular que ameace a burguesia, então, ela, com a ajuda do grande capital, trava a luta. Bom, não temos grandes levantes populares, mas não estamos adormecidos, e a burguesia local impõe via meios de comunicação essa “verdade”: os comunistas querem voltar. Isso é forte. Talvez não tenhamos mesmo as condições materiais e históricas para um regime fascista no Brasil. Mas isso não significa que não tenhamos de conviver com movimentos pontuais e atitudes fascistas. Coisas que já observamos claramente hoje. Isso tem de ser combatido, sob pena de avançar.

Nesse contexto todo, misturando os ingredientes, a situação é de fato dramática para esquerda, porque é necessário apontar cenários e saídas a essa camada da população que hoje se mobiliza na campanha de “eleição sem Lula é fraude”. Esse é, na verdade, um projeto muito reduzido para nossa esquerda nacional. Posso entender os partidos se juntando em atos públicos para rechaçar atitudes e movimentos fascistas, mas isso não toca na essência do problema. Não há verdadeiramente um projeto nacional que sirva de rede para nossos desejos. Não há. O projeto que boa parte das gentes em movimento hoje tem é o projeto petista, que já mostrou suas fragilidades e suas insuficiências.

Como acreditar que as coisas possam ser diferentes?  Que a política econômica não será comandada por gerentes do capital? Que os meios de comunicação comerciais de massa não seguirão realizando a mais-valia ideológica sem freio? Que a auditoria da dívida será feita e o que for ilegal não será pago? Esses pontos não estão no horizonte petista hoje. Nesse sentido, antes de pensar em uma frente com essa força seria necessário avançar muito mais, para além da proposta esquerdo/liberal.  

É fato que no mundo real só podemos trabalhar com a realidade real, como diz o economista José Martins. E sabemos que os caminhos da mudança são tortuosos e difíceis, necessitando de construção coletiva massiva. Mas, não podemos rebaixar os horizontes. Como dizia Galeano a utopia foi feita para a gente caminhar, e a utopia não é um lá-na-frente impossível. Ela é um lá-na-frente que ainda não chegou, mas que pode chegar. Então, nossas propostas e bandeira precisam se erguer além do possível. Claro, sem deixar de observar o que é possível no agora. Mas esse é um caminho dianalético ( sim, dianalético, como em Dussel), ou seja, no confronto entre tese e antítese, assoma a voz da comunidade das vítimas, os que estão fora do horizonte do sistema ( e não fora do sistema). É com esses, que clamam desde a exterioridade, que temos de caminhar. E a esses não basta serem incluídos na máquina de moer carne. O que se quer é outra forma de organizar a vida, na qual as maiorias não fiquem de fora – seja das riquezas, seja da possibilidade de decisão.

Resumindo: nesses dias de estupor diante do papel da Justiça, das vozes da caserna que assomam pela TV, dos movimentos fascistas, posso me solidarizar com os partidários de Lula na compreensão de que está sendo travada uma cruzada contra o PT e não contra a corrupção. Mas, ao mesmo tempo conclamo aos companheiros e companheiras de tantas lutas que ampliem o olhar, aumentem o horizonte das lutas, e fortaleçam a utopia. O lá-na-frente não pode ser um pouco mais de justiça, um pouco mais de salário, um pouco mais de democracia. O lá-na-frente tem de ser nosso sonho maior, de trabalhadores livres, solidários, com o fim da propriedade privada, as riquezas repartidas, o poder popular. O comunismo.

Talvez não cheguemos lá agora, mas chegaremos, se para lá dirigirmos, de verdade, nossos pés e nosso coração.