sexta-feira, 6 de maio de 2016

Protesto em frente a RBS

Levante da Juventude protesta em frente a sede da Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS). Contra o golpe midiático.


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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Carlos... Feliz aniversário...




Quem poderia supor que da fria Alemanha sairia um pensamento que incendiaria o mundo? Um pensar que, aparentemente, não era nada demais. Apenas fruto do trabalho de um homem que decidiu olhar as coisas para além da aparência. Um homem que ousou tirar o véu que cobria toda a “sujeira” produzida pelo capitalismo nascente.

De profissão jornalista, ele aprendeu a narrar a vida das gentes com a profundidade que só se consegue quando se contextualiza os fatos. E, ao desvelar o martírio dos trabalhadores e dos camponeses diante do avanço das forças que produziam o capitalismo, acabou abrindo um caminho até então não trilhado. Enquanto os filósofos buscavam compreender o mundo, ele tratou de oferecer as ferramentas para que toda aquela dor fosse transformada em beleza.

Seu nome: Karl Marx, ou Carlos, se fosse possível traduzir, aproximando-o um pouco mais de nosso mundo. Nasceu num 05 de maio, do ano de 1818, em Tréveris, na antiga Prússia, terceiro filho de uma família judaica abastada, num dia claro e cálido. Hoje somam 198 anos desde aquela especial manhã.

Sua grande obra filosófica, econômica, política e cultural vive e reverbera até nossos dias, configurando foice e martelo, ferramentas de trabalhador – do campo e da cidade – que, consubstanciadas em palavras, mudam o mundo. Há quem não goste desse apaixonante Carlos, mas, é talvez porque sabem que ele conseguiu a proeza de revelar o segredo que os graúdos, donos do capital, insistem em manter fechado a sete chaves. Ele mostrou de que é feito esse barco furado do capitalismo. Ele conheceu a estrutura, as vísceras, a musculatura, o todo. Poderia ter ficado só nisso, mas não. Ele aliou suas descobertas intelectuais com a luta dos trabalhadores, ele mesmo um de nós.

Depois de Carlos já não era mais possível viver como antes. Descortinadas todas as maldades que gestaram e mantém o sistema capitalista, aos trabalhadores só restou a opção de romper os grilhões. Uma luta que ainda caminha, lenta, mas inexorável. Como diz o velho provérbio japonês: devagar, devagar, o caramujo sobe o Monte Fuji.

Chegaremos!!! Para isso basta que cada trabalhador tire um tempinho na vida para ler o penúltimo texto do Capital, o XXIV, que trata da acumulação primitiva. Depois dessa leitura ninguém mais permanece o mesmo.

Feliz aniversário, Karl Marx. Feliz aniversário, Carlos. 


Secundaristas inventam uma nova escola


Assembleia Legislativa de São Paulo ocupada pelos estudantes.











Matheus forjando uma nova escola















Sem luz, mas firmes na luta.








Pouca coisa tem sido divulgada dessa encantadora revolução educacional que vem se verificando em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, onde estudantes estão ocupando as escolas em luta contra as propostas de fechamento, roubos de merenda e por condições melhores de funcionamento. Como sempre acontece, o que é uma batalha particular, acaba crescendo e escapando dos objetivos primeiros. Hoje, os secundaristas desses estados – experimentados no embate com o governo – começam a perceber que há algo muito errado na forma como a educação é apresentada e oferecida.

Outro dia, numa rede social, li o depoimento de um professor sobre um garoto chamado Matheus. Ele dizia que Matheus era um “problema” na escola e que todos os seus colegas falavam dele como uma espécie de caso perdido. Não estudava, não se comportava, não queria saber das aulas. Pois com a ocupação, eles passaram a conhecer um outro guri, que participava, que vinha para a escola fora do horário, que limpava, que cozinhava, que encontrava naquele espaço ocupado uma razão para viver. Ou seja, a escola de antes não podia ser amada. Essa, ocupada, em luta, sim. Matheus mostra uma verdade radical: a escola é ruim. O jeito como ela se estrutura não fomenta desejos e amores.
Mas, uma escola ocupada, conduzida pelos estudantes, ela suscita paixão. Há debates, polêmicas, cantoria, risos, trabalho, alegria, discussão, embates. Uma escola assim a gurizada defende, ama e abraça. Uma escola na qual as relações são afetivas, humanas, e o conhecimento não é fragmentado, as possibilidades do conhecimento são infinitas, apaixonantes. Os jovens querem mudar a escola, e o estão fazendo.

Em São Paulo, por exemplo, onde ocorreu o roubo da merenda escolar, o processo vai se radicalizando ainda mais. Nessa semana os estudantes ocuparam a Assembleia Legislativa de São Paulo exigindo investigação e punição dos ladrões da merenda. Há uma CPI em andamento, mas tudo segue muito lento e o governador de São Paulo, Geraldo Alkimin, se faz de mosca morta, sendo ele um dos principais acusados. No Rio de Janeiro já são mais de 60 escolas ocupadas, com os estudantes exigindo melhorias na estrutura e no formato da educação.

Todo o aparato repressivo tem sido utilizado pelos governos para quebrar a força dos secundaristas. Tudo em vão. A cada ação da polícia, mais cresce o movimento. É como uma onda que vai tomando corpo, disposta a formar um tsunami. Na mídia comercial pouco se fala dessa transformação radical que está sendo feita cotidianamente pelos estudantes. Uma ou outra matéria fragmentada, obviamente mostrando a gurizada como baderneira e irresponsável. Cria um consenso no qual a luta aparece como bravata de uns poucos “desocupados”.

Mas, enquanto os cães de guarda do poder vomitam discursos de ódio, esses jovens secundaristas estão amalgamando uma nova forma de viver a educação. Se o governo corta a luz, eles acendem velas, se o governo corta a água, os parentes e amigos levam os baldes cheios, se o governo manda a polícia eles enfrentam e resistem. É uma coisa linda o que está acontecendo. Um movimento de amor, de ternura, de compromisso, construído por uma juventude frequentemente acusada de “alienada”, “fútil”, “vazia”. Acampados, entrincheirados, acomunados, eles vão abrindo caminhos que haverão de se descortinar em maravilhas.

É preciso que o Brasil olhe com muito cuidado para essas carinhas sorridentes que aparecem do outro lado das grades dos portões escolares. Porque eles estão escrevendo a história. Nenhuma dessas escolas ocupadas pelos estudantes sairá ilesa desse processo. As coisas irão mudar radicalmente. Pode até ser que não agora, mas fatalmente acontecerá. Porque é assim que se produz a caminhada humana. Ações singulares ou particulares que, num repente, tomam a dimensão universal. As escolas terão de mudar, porque a gurizada quer estudar, quer conhecer, quer compreender o mundo. E a luta que hoje estão fazendo fatalmente terá frutos.

Essa batalha bonita vai também mudar as pessoas. E não só os estudantes. Mudará os pais, os tios, os avós, os parentes todos, os amigos. Cada guri, cada guria que tenha vivido essa experiência saberá que as coisas na escola podem ser bonitas, instigantes, surpreendentes, apaixonantes, e isso vai transformar o cotidiano. Talvez a mudança não aconteça, assim, de inopino, hoje, na semana que vem. Mas, a história nos mostra: ela virá.

A pedagogia das ocupações está forjando uma nova escola, uma nova educação. Dá para sentir as paredes ruindo. E esses meninos e meninas que resistem nas escolas são os artífices de tudo isso. Que a história dê a eles o lugar que merecem! Ao abraçarem suas escolas com tamanha paixão, eles fazem uma declaração de amor universal e mudam o mundo inteiro. Com eles, caminhamos!




quarta-feira, 4 de maio de 2016

Campeche forma novos remeiros


A pesca artesanal é uma tradição no Campeche e a comunidade luta sistematicamente para manter esse fazer vivo nas novas gerações. Agora, uma escola de remeiros já começa a dar seus primeiros frutos. Onze novos remadores se formaram no dia primeiro de maio, dia que se celebra a abertura da pesca da Tainha. A iniciativa foi de Getúlio Inácio.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Por que precisamos nos afirmar belos?



Ali estão, no meio da Biblioteca Central. Impossível passar incólume. Penduradas, rodando, estaqueadas. As imagens dos negros da UFSC. Um povo que até bem pouco tempo só aparecia na universidade configurando casos bem específicos. Raros, a maioria, africanos. Mas, agora, com o advento das cotas, eles estão por todo lugar, em todos os cursos, expondo suas demandas e sua cultura, rompendo o preconceito, enfrentando o racismo de cada dia.

Não tem sido uma caminhada fácil. O racismo é parte orgânica da sociedade brasileira, que nada tem de cordial e, desde os primeiros passos das cotas para negros, índios e gente da escola pública, que esses estudantes precisam enfrentar a fúria, o escárnio, a discriminação.

Mas, ainda assim, eles avançam, afirmando suas identidades étnicas e encarando as dificuldades como sempre fizeram em todos os espaços da vida. Guerreiros e guerreiras, desde a ancestralidade do grande continente do leste.

O trabalho com as fotos é uma produção do Coletivo Kurima, dos estudantes negros e negras da UFSC, que acabou se expressando na exposição “A beleza de nossos corpos negros”. Um espaço de encanto, formosura, perfeição. 

O trabalho coordenado por Roberta Lira é como uma brisa dentro da BU, um respiro de vento fresco, mostrando que a beleza é algo que está no olho de quem vê. Caminhar por entre os retratos dos corpos negros, do riso, da cor, é trilhar a vereda do verdadeiro encontro humano. Porque somos nada mais que isso - negros, brancos, vermelhos e azuis – “apenas um pequeno gênero humano” como dizia Bolívar. 

Vale a pena visitar esse espaço de afirmação e de maravilhas. Sentar, fruir, sentir, se envolver e, finalmente, responder com profunda honestidade a pergunta inicial e provocativa: por que precisamos nos afirmar belos? Por quê? 

A exposição fica na BU até o dia 15 de maio. 

Concepção e coordenação geral: Roberta Lira
Fotografia: Diana Souza
Realização: Coletivo Kurima (Kurima Bantu)



domingo, 1 de maio de 2016

Festa na Rádio Campeche






































Ali estávamos, deitados no chão da Rádio Campeche. Sobre nós, o céu estrelado de uma noite fria. Nove graus no termômetro. Mas, naquele pequeno pedaço de terra, encravado no sul do mundo, no sul da ilha de Santa Catarina, uma comunidade inteira vibrava em ternura e emoção, aquecida ao pé da fogueira que serpenteava fagulhas. A formação de estrelas que leva o nome de Cruzeiro do Sul luzia forte, apontando o caminho escolhido, sempre o sul. E na parede do muro a luz do projetor fazia passar em cenas coloridas a história mais linda do mundo: a nossa.

Embalados pela voz de Todd Southgate, que narra o filme "Desculpe pelo transtorno: a história do Bar do Chico", fomos relembrando toda a saga da comunidade do Campeche na luta pelo Plano Diretor, pelo direito de viver num bairro-jardim, num espaço de comunhão e de benquerenças. E em cada fotograma que passava, projetando o rosto e a voz dos nossos bravos companheiros de luta, passava também nossa própria vida. Esse delicado e precioso tramado de sangue, suor, lágrimas e risos. A história do Campeche.

Nossa Rádio Comunitária celebrava dez anos de programação ao vivo e o dia fora de festa. Já tínhamos abraçado os amigos, já tínhamos acompanhado o esquete da atriz Vânia Schwenke, a música do Pedra do Urubu. Tudo isso regado a muito quentão, pizza e toda a sorte de comidas e frutas que, como mágica, foram aparecendo na grande mesa comunitária que se formou no pátio. Nada pode ser mais divino que o pão repartido de forma amorosa e fraterna. Esse gesto poético que concretiza em corpo essa ideia abstrata do que chamam "comunidade". A rádio se fazia passarela de pessoas, vindas de todo lugar, para o abraço e para o encontro.

Um fogueira se acendeu para fazer sumir a friagem da noite invernal. Crianças corriam pelo pátio, em brincadeiras e cantorias. Rodinhas se formavam, conversas, risadas. Uma mão ajudando outra e costurando essa rede de solidariedade e realidades construídas em comunhão.

Então veio o bolo, com velas de 10 anos. Uma delícia morena, de chocolate amargo, coberta de puro glacê, que foi lambuzando caras e bocas. Chimarrão, chá quente, vinho, água pura. Tudo repartido como cabe ao Campeche.

E quando a noite se firmou no horizonte, rodeamos a fogueira, entrincheirados e cobertos de lã, para ver o filme que falava de nós. Essa batalha de viver no Campeche, sempre cientes de que somos parte da cidade e que estamos todos ligados por um fio invisível de comunhão. E, na tela, saltavam as caras e as vozes da Tereza Barbosa, a Janice Tirelli, o Ataíde, o Glauco, o Lázaro, a Débora, o Seu Chico, o Fernando, e tantas outras pessoas especiais que ao longo de décadas vêm entregando seus dias pelo nosso Campeche. A luta de um bairro, de uma gente, de uma comunidade viva. Nossas vitórias, nossas derrotas, nossas lições aprendidas na dura batalha contra o poder.

E quando o filme acabou, triste, evocando a morte do Seu Chico, por um minuto só se ouviu o espocar das fagulhas  do fogo que ardia na fogueira. Um silêncio reverente que, num átimo, se fez palmas, seguidas de risos e falas alegres. Essa comunidade guerreira não se entrega para a dor. E quando a luz acendeu e a gente se olhou, ali estavam as mesmas pessoas que há poucos minutos estavam na tela do filme. Todas elas: Tereza, Janice, Glauco, Ataíde, Dauro, Lázaro, Débora, Fernando... o Campeche que luta, o Campeche que é comunidade viva, o Campeche que aprendeu, na caminhada, que é a comunhão, a partilha e união que nos faz fortes. E a gente se abraçou, forte, apertado. A coisa mais linda que pode haver no mundo. Ser, juntos!

Quando, enfim, todos foram embora, e só restaram alguns poucos, da diretoria da rádio, juntando as cadeiras e tralhas espalhadas pelo chão, respirava-se um ar de bendições. Pairava na noite uma alegria doce, um sentimento bom, uma quentura amorosa de quem se sabe amado.

A festa da Rádio Campeche foi como o Campeche é: simples, terna, solidária, bonita e trovejante.

Obrigada a todas as pessoas lindas que vieram para esse momento de celebração. Foi bonito demais. Quando acontecem momentos assim é que a gente percebe, na pele, que tudo o que fazemos vale a pena.