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sábado, 7 de fevereiro de 2026

Quem poderá nos salvar?


 

Li há pouco uma análise sobre a Venezuela na qual o autor do texto encerrava dizendo que não devíamos esperar a ajuda de China ou Rússia porque, na verdade, a Venezuela deveria salvar-se a si mesma. Refleti sobre isso e me permito discordar. Ninguém, no mundo humano, se salva sozinho. Somos seres sociais, de cooperação. Por mais fortes que sejamos precisamos de parcerias. O que acontece é que as grandes potências geralmente pouco se importam com os destinos das gentes dos países menores. No frigir dos ovos, tudo o que defendem são os seus interesses. Se eles estiverem ameaçados, talvez, possam intervir. Se não, que se salvem sozinhos. 


Vejam aí o caso da Palestina. Estamos assistindo há mais de dois anos um povo inteiro ser destruído. Bombardeios em escolas, hospitais, creches. Os maiores horrores já impostos. E o que fazem as grandes potências? Notas de repúdio. Quem sai às ruas em protestos são as pessoas, na sua impotência. Nada, absolutamente nada tem sido feito pelo povo palestino.  Todos os dias explode um lugar, morrem pessoas, crianças vagam sem rumo pelos escombros. E os grandes seguem disputando poder no tabuleiro geopolítico. Somália, Sudão e tantos outros lugares do mundo, onde as populações estão sendo dizimadas, nada acontece. E os governantes quietos. Esperam! Esperam silentes ver o território arrasado e vazio para depois, aí, ver o que sobrou de riqueza para abocanhar. Nessa hora talvez enfrentem os seus iguais.


Tem sido assim na América Latina. Só nos últimos anos, o que presenciamos? O Haiti foi invadido em nome da paz e da democracia. Está destruído, com seu povo passando pelos piores sofrimentos. Nada é feito. Ajudas humanitárias chegam e são desviadas. "Eles que se salvem”. Parece muito difícil que isso aconteça quando são acossados pelo império estadunidense. Não precisam de caridade, precisam de amigos fortes. 

Nem vou falar de outros momentos históricos porque o texto não teria fim. 


Agora estamos vendo a Venezuela ser destruída. O presidente sequestrado, a população e o governo ameaçados, obrigados a ceder aos desmandos estadunidenses. E por quê? Porque estão sozinhos. E com os navios nucleares do comando sul na sua porta que podem fazer senão ceder, esperando que o tempo lhes aponte caminhos. Esperam que os crimes de Donald Trump o derrubem. Mas, sabemos, isso tem pouca chance de acontecer. Assim como Bolsonaro não era um louco, Trump também não é. Ele é o típico representante da classe dominante estadunidense, imperialista. Se, aparentando loucura, ele bombardear a Venezuela e destruir tudo para pegar o petróleo, ninguém vai pará-lo por isso. Quando tudo tiver arrasado, pode até ser. Serviu. Valeu!


O mesmo se dá com Cuba. Trump está decidido a acabar com a vida na ilha. O bloqueio ao petróleo é a pá de cal na sua tática de "espera paciente”, a qual usam desde que começaram a expandir seu território depois da independência. Vão minando, estrangulando economicamente, fomentando rebeliões até que, pimba, tomam para si. Como se salvarão os cubanos de um ataque armado, ou químico ou tecnológico? Sozinhos? Não. Tampouco com as “ajudas humanitárias”. Precisam de parceiros na luta. Parceiros fortes, graúdos, com poder. Mas, ao que parece, os grandes farão o que sempre fazem. Uma dose de caridade, uma ajudinha com arroz, enquanto o cavaleiro da desgraça vai varrendo o território.


Não há espaço para ingenuidades. No capitalismo, a cooperação e a solidariedade não virão das grandes potências, porque é da sua natureza buscar sempre lucros e mais lucros, riquezas e mais riquezas. Não estão interessados em soberania dos pequenos. O que nos resta, então? O caminho já foi apontado por Bolívar: consolidar a Pátria Grande. Unidas, as pátrias chicas de Nuestra América teriam alguma chance nesse mundo de perversidades do capital. Separadas, são terreno fértil para a invasão, a dominação. Infelizmente o que temos visto no caso da Venezuela e de Cuba é a omissão reverente. Um saco de arroz, tudo bem, mas uma posição mais firme contra os ataques, aí já é pedir demais. Restam as notas de repúdio, inócuas e cínicas.


O fato é que, sim, estamos sozinhos e precisamos salvar-nos a nós mesmos. Difícil tarefa, mas, que outra saída? Quem sabe um dia, algo mude… É o que nos mantém na luta, mesmo que, como Martí e Camilo Torres, possamos vir a cair no primeiro combate. Indefectivelmente temos de seguir em frente, fiéis a nossos sonhos de vida boa e bonita para todos. 


Na verdade, somos assim como o herói mexicano, Chapolin Colorado,  que, mesmo apavorado e sem poder, avança sobre o inimigo munido apenas de seu profundo amor pela vida. Assim nós. P'alante!



sábado, 19 de dezembro de 2020

Homenagem aos vivos - Pedro Martínez Pírez



 Conheci o Pedro numa das Jornadas Bolivarianas no Iela, em 2006. Jornalista da velha cepa, daqueles que sabem farejar uma boa pauta, seja onde for que estiver. Lembro-me dele, numa das mesas, dando conferência bem compenetrado, mas quando o outro convidado começou a falar coisas sobre Cuba ele imediatamente sacou do bolso o gravador – extensão do seu corpo - e registrou a fala. Aquilo era notícia. Óbvio que me tomei de amores. Desde aí ele tem sido nossos olhos e nosso coração em Cuba.

Nascido num fevereiro de 1937, na bela Santa Clara, ele é filho de poeta, o mesmo que lhe apontou o amor pelo jornalismo, pelo rádio e por Cuba. De família pobre, começou a sua vida de trabalhador muito cedo. Aos 12 anos já tinha emprego, bem como os outros quatro irmãos, ajudando no sustento da casa. Com 16 anos já estava na escola do Comércio, seguia trabalhando, e ainda encontrava tempo para a militância anti-Batista editando jornais mimeografados contra o ditador. Não demorou muito e lá estava ele no Movimento 26 de Julho.

Quando a revolução se fez vitoriosa ele estava na Universidade e já no primeiro ano largou tudo para ajudar o novo governo, indo trabalhar no Ministério de Relações Exteriores como diplomata, exercendo funções no Equador e no Chile onde também continuou fazendo jornalismo, sua paixão. De volta à Cuba em 1964 ele funda a revista OCLAE, ligada a organização dos estudantes, atua nos órgãos da Juventude Rebelde e na Prensa Latina. Desde aí não larga mais a caneta nem o microfone. Seu destino seria o de narrar a vida.

Em 1973 chega à Rádio Havana, onde está até os dias de hoje, incansável, na sua missão de informar. Ali já cumpriu praticamente todas as funções, além das coberturas jornalísticas nacionais e internacionais. Não bastasse isso ainda seguiu para Angola nos anos 80, quando ajudou na luta sendo formador de jornalistas em Luanda. De volta a Cuba seguiu sua saga de formador, como professor titular da Universidade de Habana, mas sem nunca largar o microfone.

O Pedro é um desses seres gigantes que, na sua humildade de revolucionário cubano, atua silenciosamente e sem parada. Hoje, com mais de 80 anos, segue sua rotina de “reportero” e dirigente da Rádio Habana. Já recebeu todos os Prêmios possíveis, e segue com seu riso fácil e sua absurda capacidade de doação à revolução cubana e à revolução mundial.

Alto, magro, elegante, ele é uma mistura adorável de ternura, alegria e capacidade de trabalho. Ele é repórter com letras maiúsculas. Ele é jornalista, narrador. Mas, mais que tudo, ele é um cubano repleto de amor pela sua gente e pela sua revolução. A ele faço reverência e registro meu mais profundo amor. Ficará marcado para sempre na minha memória nossas alegres caminhadas no Centro de Florianópolis, com o equatoriano Fernando Sarango, nos encantando com as bugigangas do Mercado Público, do mesmo jeito que nos encantamos nos mercados de rua de Quito. Compartilhamos, cúmplices, desse mesmo amor pelas coisas simples, populares.

Amo-te Pedro Martínez e agradeço aos deuses por esse encontro. Viga longa, meu amigo querido, a ti e a Cuba revolucionária.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

O mito do fracasso do socialismo em Cuba.



Algumas informações sobre Cuba que nos permitem observar o quanto a proposta socialista de vida daquele país não é algo a se temer, e sim algo a se almejar:

Cuba é o primeiro país do mundo a eliminar a transmissão do HIV de mãe para filho.

Cuba é o primeiro país do mundo a criar uma vacina contra o câncer de pulmão.

Cuba é o país com mais médicos, professores, atletas, artistas per capita no mundo. Entenda-se bem: Do mundo!

Cuba treinou mais de 20.000 médicos de vários países pobres do mundo gratuitamente em sua Escola Latino-Americana de Medicina; apesar de suas limitações econômicas.

Cuba tem o dobro de médicos que a Inglaterra, apesar de ter uma população quatro vezes menor.

Cuba é uma fábrica de médicos, engenheiros, atletas, poetas.

Cuba é um dos países com as menores taxas de mortalidade infantil do mundo.

Cuba é o único país latino-americano sem trabalho infantil, sem crianças dormindo nas ruas ou se prostituindo.

Cuba é o país com o maior índice de desenvolvimento humano da América Latina.

Cuba é um dos poucos países do mundo sem desnutrição infantil.

Cuba é um dos poucos países do mundo sem problemas com drogas e drogados.

Cuba foi o primeiro país latino-americano a erradicar o analfabetismo.

Todas essas conquistas foram alcançadas, apesar do bloqueio criminoso e do assédio de todos os tipos aos quais o pequeno, mas heroico país do Caribe, foi brutalmente sujeito.

Então: qual país capitalista da América Latina ou do mundo conseguiu alcançar todas essas conquistas sociais?

Que país latino-americano ou mundial tem níveis tão baixos de criminalidade ou insegurança que Cuba tem?

Fala-se da miséria de Cuba, quando nas cidades dos países latino-americanos ainda faltam os serviços básicos para a grande maioria da população.

Nega-se a grandeza do socialismo, alegando que é um fracasso. Mas veja o que o capitalismo produz: 

Um bilhão de famintos, um bilhão de analfabetos, bilhões de escravos no século XXI, que mal sobrevivem com menos de um dólar por dia, exploração, guerras, invasões, prostituição, tráfico de armas, tráfico de drogas, morte, poluição dos oceanos, rios, desmatamento, aquecimento global, milhares de armas nucleares, capazes de acabar com toda a vida no planeta, terrorismo, doenças. 
Então, quem fracassou?

(Texto: MML) 

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Onde estás, humanidade?

Uma das brigadas médicas cubanas no Haiti

Sempre que tomo conhecimento das maldades humanas, como essas de jovens negros amarrados e chicoteados, preciso loucamente encontrar um lugar de humanidade e sanidade para seguir vivendo. “Isso é herança da escravidão”, dizem alguns. Pode ser. Mas, como se termina com isso? E por que em outros países onde também teve escravidão, isso não acontece? Não creio que seja só culpa do presidente eleito. Afinal, ele apenas plasma aquilo que seus eleitores e apoiadores são. Ou seja, essa maldade, essa vilania, já estava aí. Agora encontrou uma boca para se expressar e conseguiu dar poder a isso. Afinal, quando um presidente fala, isso tem um peso. 

O ódio aos negros, o amor à tortura, o ódio aos empobrecidos, aos lutadores sociais que tentam sobreviver nesse mundo de misérias, são ideias que agora passeiam livres, arrogantes e seguras de impunidade. É um tempo anômico, ou seja, sem lei. Todos os contratos sociais de civilidade foram rasgados. Salve-se quem puder.  Arme-se, defenda-se por si só. Essa é a parada. Então o guri tentou pegar um chocolate? Matem-no. Mas deixem livres os que fazem apologia ao assassinato, à tortura. Deixem livres os que matam milhares com políticas econômicas de arrocho. Deixem livres os que tiram a possibilidade dos jovens estudar. Matem os negros, matem os sem-terra, os sem-teto. Mas, deixem livres os fazendeiros que matam com agrotóxicos. E os que põem fogo na floresta. Essa é a nova ordem!

Desesperada por encontrar algo de humano fiz o que sempre faço nessas “horas noas” (tempo de angústia): fui ler sítios cubanos. No geral, eles me salvam. E não deu outra. Encontrei esse texto da jornalista cubana Leticia Martínez Hernández, que compartilho com vocês: 

“Uma mensagem aparece no meu bate-papo: ´Leti, estou a caminho de Havana para partir para as Bahamas´. Como é isso? Onde você está? Quando é a coisa?, pergunto em sequência. Eu respiro e penso. Certamente não deveria me surpreender. Primeiro, é Cuba e sua "mania" bonita para ajudar; então, é a Dra. Ana Maris Machado, um ser de outro mundo que me deu o Haiti quando lá era o inferno na terra, depois do terremoto de 2010, que extinguiu em segundos a vida de mais de 250 mil pessoas.

´Eu estava em Havana; Eles me ligaram por volta das três da tarde para pedir minha disposição; Eu fui para Cienfuegos; Peguei minhas coisas e agora estou voltando para Havana´. Ela diz rápido porque vem pela estrada, às vezes a conexão não é boa e os dados móveis devem ser salvos.

Eu conheci Ana em uma sala de cirurgia "inventada". Com uma força sobre-humana, ela tentou colocar um osso em seu lugar. Era a única mulher ortopedista da brigada médica cubana que foi curar em Porto Príncipe. Lembro que foi seu terceiro terremoto. Ela, que havia sido a fundadora da Brigada Henry Reeve, sabia que toda vez que acontecia um desastre, a campainha do telefone tocava.

Naqueles dias, no Haiti, ela comentara: Quando cheguei ao anexo, 24 horas após a catástrofe, me dediquei às crianças. Montamos mais três mesas cirúrgicas e, em uma delas, priorizamos os pequenos. É muito difícil ver uma criança que perde uma perna e muitas chegavam mutiladas. Em Cuba, é raro ver uma amputação de uma criança, as mais frequentes são por tumores, mas, traumáticas, quase nunca vemos. Isso a deixava mais sensível, mas ali não havia tempo para sensibilidades porque a vida da criança estava em risco. 

Hoje ela começa seu caminho para Bahamas, em sua quinta missão com a brigada Henry Reeve. Essa é a única ajuda que Cuba pode dar a seus irmãos no Caribe. Mas sei que nas mãos de Ana eles vão muito mais do que soluções médicas. 

Antes de desconectar, lhe pedi: Você vai me escrever de lá para me contar? - Assim será, ela diz. Cuide-se, digo-lhe, e fico com a sensação de que esta minha ilha possui muitos tesouros. Ana é uma delas e em poucas horas estará curando nas Bahamas”.

É isso gente! Humanidade é possível... "Pátria es humanidad", dizia José Martí. Mas, sempre depois da revolução! 

Viva Cuba! Viva a gente cubana!


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Sobre os médicos cubanos

médico cubano no Haiti

Escrevo, porque é tudo que sei fazer. Mas, nesses tempos de surdez, sei que é um grito no vazio. Quem eu gostaria que lesse, não lerá. Minhas palavras morrerão na cova das mentiras fabricadas e distribuídas por bispos, robôs ou gente sem qualquer visão crítica. Ainda assim, escrevo. Quem sabe algumas das palavras consigam chegar a algum recôndito coração aberto para conhecer o que ainda não sabe.

Falo sobre os médicos cubanos, ofendidos e vilipendiados pelo presidente eleito. Sei que é difícil para a maioria das pessoas entender a lógica de um governo que não é capitalista. O que vale aqui no Brasil não vale em Cuba. São sistemas radicalmente diferentes. O que o recém-eleito presidente quer é estabelecer com os médicos cubanos uma relação capitalista, coisa que não tem sentido para eles, ou pelo menos para a maioria.

Em Cuba a faculdade de medicina é gratuita e o médico formado não sai dali correndo para abrir um consultório onde vai cobrar para atender as pessoas. Não. Isso não acontece em Cuba. É inconcebível para um cubano pagar para ter atendimento médico. Não há lógica nisso. Os médicos cubanos são trabalhadores do estado. Atendem nas clínicas do estado, nos postos de saúde. Ninguém lá ganha dinheiro com a medicina. É possível compreender isso?

Então, o convênio entre Brasil e Cuba é um convênio com o estado cubano. E Cuba manda para cá seus trabalhadores públicos, assim como manda para outras dezenas de países com os quais tem convênio ou os que vai ajudar por conta própria, como é o caso do Haiti, na sua permanente tragédia. O recurso do convênio vai para o estado e o trabalhador/médico recebe o seu salário. O estado cubano é socialista e todos os recursos que recebe são usados para o bem comum, um comum do qual o médico também faz parte. Assim, o dinheiro do Mais Médicos que não vai para o bolso do médico, vai para todo o povo cubano. Logo, a família desse médico cubano lá em Cuba poderá ter médico também, e moradia, e educação e cultura e segurança. Num estado socialista todos trabalham para o bem comum e não para uma oligarquia ou para meia dúzia de empresários.

“Ah, mas tem cubano reclamando e querendo fugir de Cuba”. Sim, tem. Porque são apanhados pela mosca azul da propaganda capitalista de que podem ter mais e melhor. Uma ilusão que muitos pagam para ver. Alguns se dão bem, a maioria não. Basta ver as comunidades cubanas nos Estados Unidos. Quantos conseguem “chegar lá”?

Num estado socialista não há ricos. As pessoas dividem o que tem entre todos. Há garantias fundamentais: saúde, educação, moradia, segurança. Por isso os salários são baixos em Cuba. Porque os salários são quase desnecessários.

“Ah, mas é um horror não poder ter tudo o que temos”. E o que temos? Quem “temos”? Somos um país no qual um quarto da população vive abaixo da linha da pobreza, ou seja, mais de 52 milhões de pessoas. E o que é viver abaixo da linha da pobreza? É viver com 300 reais por mês. Viver? E quantos são os que vivem com um salário mínimo? Mais uns cem milhões. Então quem pode ter tudo o que temos? Quem?

O presidente eleito, ao oferecer aos cubanos uma relação capitalista, pessoa-a-pessoa, atacou um estado soberano, que tem resistido por 60 anos a força de um império que o bloqueia e o mina. Fez de caso pensado, para atacar Cuba, que é socialista, não comunista. E fez sem pensar um segundo sequer nesses 150 milhões de brasileiros empobrecidos, muitos dos quais votaram nele com profunda esperança. Uma gente que nunca teve a possibilidade de ser atendida com carinho, com cuidado, com atenção e com uma qualidade técnica que é reconhecida no mundo todo. Os médicos cubanos são os melhores do mundo. Pois essa gente agora ficará sem médico, sem atenção.

Espero que os médicos brasileiros se disponham a ir aos cantões do Brasil, como fizeram os cubanos. E que essa gente toda possa continuar tendo atenção. Espero, mas não sei...

O que sim, sei, é que seria bem bom se as pessoas pudessem também compreender que a realidade cubana é bem diferente da brasileira. Pessoas há que acham um horror um povo ter saúde, educação, segurança e moradia. Pessoas há que acham que isso é escravidão. Outras entendem que isso é a conquista de um povo inteiro que lutou e morreu por isso. Há que respeitar.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Che: um homem movido pelo amor



Sempre que se fala em Che Guevara a primeira coisa que vem a mente é a imagem do soldado, do revolucionário. Essa era uma das facetas do Che. Mas não a única. Desde bem garoto ele inventou de andar pela América Latina, gostava de conhecer as gentes e, com elas, estabelecia vínculos de amor. Formou-se em medicina e ainda estudante voltou a percorrer os caminhos da América do Sul. Seu coração de jovem médico era apaixonado por essa América profunda, pelos trabalhadores, pelos empobrecidos.  Ele não queria que a realidade fosse assim, tão dura, com os trabalhadores.  E foi esse amor pela sua gente latino-americana que o levou a ser um soldado da revolução cubana. Com seus companheiros cubanos ele empunhou o fuzil para derrubar uma ditadura, mas também cuidou dos caídos, dos doentes, dos feridos. Médico e soldado, coração e razão, sempre andando junto. 

Quando a revolução foi vitoriosa ele acabou sendo Ministro da Indústria e Comércio. Mas, seu trabalho nunca foi só de gabinete. Ele andava pela ilha, vendo as coisas com os próprios olhos, trabalhando junto com os trabalhadores no corte da cana, no carregamento dos grãos. Vivia como pensava. Ele acreditava que um homem e uma mulher revolucionários precisavam  ser perfeitos, éticos, pautados pelo bem comum. Ele dizia: “temos de ser o melhor marido, o melhor filho, o melhor pai, o melhor estudante, o melhor trabalhador, o melhor tudo. Temos de ser perfeitos, para ser exemplo. Tudo aquilo que formulamos como moral para o outro, temos de ser”.  A palavra para ele não era coisa vã. Era a escritura de uma ação concreta na vida. 

Tanto que não conseguiu aquietar-se num cargo de ministro da recém liberta nação cubana. Aquela gente sofrida da América que ele conhecera nas suas andanças continuava amargando dores, misérias e exploração. Então, para ele não podia haver acomodação na vitória. Seu desejo era voltar e iniciar uma revolução na parte sul do continente. Mas, naqueles dias, outros povos clamavam por libertação. Eram as gentes do continente africano que começavam suas lutas de independência das colônias europeias e do racismo fomentado por elas. Che não pensou duas vezes. Largou a pasta de ministro e foi se fazer soldado de novo. Ele era movido por profundos sentimentos de amor. “Enquanto houver um irmão injustiçado, somos companheiros”, era seu lema.  Como poderia descansar se outros companheiros e companheiras estavam em luta. E lá se foi para o Congo e Angola, batalhando contra o apartheid e o colonialismo. 

Na volta da África, de novo, seu coração decidiu por fazer valer a ética que o caracterizava: o amor pelo outro, pelo caído, pela vítima do sistema capitalista, pelo que se levantava em rebelião. E, mais uma vez recusou cargos ou honrarias. Não haveria de descansar enquanto toda a América Latina não avançasse para um tempo de justiça. Foi quando viajou para a Bolívia, onde iria combater outra ditadura. Lá, por conta das diferentes condições históricas e erros de estratégia, foi capturado. Um dia depois, assassinado friamente por um soldado boliviano, mas a mando de agentes estadunidenses que foram chamados para documentar a morte do revolucionário. Não contentes em executar o então prisioneiro, desarmado e indefeso, os agentes lhe cortaram as mãos. Um toque de sadismo. Era preciso tripudiar do homem que ousara sair do comodismo de uma boa vida de médico burguês, e abraçara a causa dos trabalhadores, dos oprimidos. 

A última imagem que temos do Che é a de um homem morto, deitado numa mesa fria, com os olhos bem abertos, mirando o infinito. Nem na morte os seus carrascos conseguiram apagar a luz que emanava do seu ser. 

Obedecendo aos preceitos éticos que pregava, el Che foi o homem perfeito. Amou as mulheres, amou seus filhos, amou Cuba, amou o conhecimento, amou os cubanos, amou os africanos, amou os latino-americanos, e por conta desse amor incondicional entregou sua vida.  Ele curou vidas, produziu teoria, dirigiu uma revolução, comandou um ministério, morreu por seus ideais.

Esse é seu maior legado. Viveu o tempo todo, na prática, aquilo que apontava como teoria, como moral e como ética. Morreu de pé, olhando o inimigo no olho. Seu exemplo de ser humano é sua maior herança.

E hoje, quando lembramos os 50 anos do seu assassinato, é isso que nos conforta. Che Guevara ainda é um caminho. 


domingo, 8 de outubro de 2017

Perfecto Romero, o fotógrafo da revolução cubana


Ernesto Guevara, médico argentino e guerrilheiro cubano, é considerado o homem mais importante do século XX. Sua capacidade de amor pela América Latina, seu comprometimento com a luta dos povos oprimidos o levou a lutar na Guatemala, em Cuba, no Congo, em Angola e na Bolívia. À libertação das gentes ele dedicou sua vida. Capturado na Bolívia em 8 de outubro, foi executado na manhã do dia 9, entrando para a história. Sua morte, ao contrário do que pensavam seus algozes, não fez desaparecer suas ideias. Elas voaram e seguem pairando por todos os lugares onde há povo em luta contra a opressão. 

Nesses dias em que lembramos dos 50 anos de sua semeadura apresentamos uma pessoa que foi parte da vida de Ernesto, durante a revolução e no tempo em que ele atuou como ministro na Cuba já libertada: o fotógrafo Perfecto Romero. Ele registrou um número expressivo de imagens do revolucionário cubano, já que partilhou com ele o cotidiano da luta.

Um número muito grande das fotos que hoje conhecemos sobre a revolução e sobre Che são obra de Perfecto. Ele ainda vive em Havana e lembra com respeito o homem que ajudou Fidel e Raul a garantir a liberdade para e com o povo cubano. 

Perfecto foi encontrado pela fotógrafa argentina Laura Lavergne nas ruas de Havana. Ela fazia registros em Cuba quando foi abordada por um senhor, querendo saber o que ela buscava para registrar. Ele conversou com ela sobre fotografia, disse que era fotógrafo também e a convidou para ir até sua casa ver seu trabalho. Deu o telefone, o endereço, como é comum aos cubanos, sempre hospitaleiros. Laura não sabia quem ele era, nem do incrível arquivo que ele possuía. Dias depois ela resolveu ir até a casa do fotógrafo, curiosa que sempre foi com as coisas de Cuba. Seu pai, Néstor Lavergne, havia sido o único argentino que trabalhara com Ernesto Guevara no Ministério da Indústria e Comércio, e Cuba sempre fora sua segunda pátria. Estava ali justamente para isso, levantando imagens e informações sobre o tempo em que seu pai passara ali e o trabalho que fizera. Vai fazer um video documentário sobre esse período da vida de Néstor.

Chegando à casa do homem que encontrara na rua, ele abriu seus arquivos para que ela visse o trabalho feito ao longo de décadas. Pois, ali, na mesa da cozinha, foram estendidas praticamente todas as fotos conhecidas de Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Raul Castro e outros. Perfecto Romero tinha sido o fotógrafo que acompanhara as lutas, ele mesmo um combatente, e, depois, a caminhada dos principais líderes da revolução. 

Foi um encontro emocionante, com a memória da revolução, com Che e com Perfecto Romero. 

Ele contou que nasceu em Cabaiguán, no dia 25 de janeiro de 1936 e ali começou sua carreira como fotógrafo em 1955. Filho de uma família de camponeses, bastante numerosa, ele também trabalhou vendendo pão e lustrando sapatos. Ainda bem jovem, durante a ditadura de Batista, começou a participar do Movimento 26 de julho, liderado por Fidel Castro. Quando veio a revolução ele foi para as montanhas do Escambray para atuar como combatente e como correspondente de guerra. Era um soldado da Coluna 8 Ciro Redondo, então comandada por Ernesto Guevara.  

Assim, foi na lida cotidiana da guerra que ele conheceu Che e participou como uma testemunha privilegiada das campanhas de Las Villas e da tomada de Santa Clara. Foi Che Guevara quem lhe pediu pessoalmente para que fosse o fotógrafo oficial dos combates finais que levaram ao triunfo da revolução. 

Naqueles dias ele era um jovem de 20 anos e com Che aprendeu muito mais do que guerrear e fotografar. Ele foi um dos fundadores e o primeiro fotógrafo da revista Verde Olivo, criada em 1959, por iniciativa de Che, Raul e Camilo.

A partir daí foi registrando a vida do país que se erguia com as próprias pernas, tornando-se hoje o guardião de imagens históricas inesquecíveis. Hoje, com 81 anos de idade, segue trabalhando, sendo parte da equipe da revista Palante. Na sua casa, mantém viva a memória da revolução, uma memória colhida por suas próprias retinas, plasmada na fotografia.

O encontro com Perfecto fez com que Laura ampliasse seu foco para além do vídeo que está produzindo sobre seu pai, Néstor Lavergne. Agora ela também está trabalhando no projeto de um livro-ensaio sobre a obra desse incrível fotógrafo cubano, Perfecto Romero, que também será constituído por entrevistas gravadas. O vídeo que apresentamos é uma parte do trabalho e da pesquisa que vem sendo feita junto com Vera Bandeira (fotógrafa brasileira ) e com assessoria do também fotógrafo Pepe Pereira dos Santos. 

O IELA pode participar da finalização do trabalho, com a jornalista Elaine Tavares e o fotógrafo Rubens Lopes ajudando na edição. 

Aqui, disponibilizamos parte desse trabalho de Laura Lavergne  que é também uma homenagem a Che Guevara.

Perfecto Romero tornou-se o fotógrafo que é por conta do incentivo e da confiança que Che depositou nele naqueles duros tempos de guerra. Hoje, passado tanto tempo daqueles dias de profunda alegria na grande revolução que mudou a cara do mundo, o velho fotógrafo, através de sua própria história, mostra mais uma face desse homem incrível que foi Ernesto de la Serna, el Che. 

Com Perfecto, el Che. Perfeito! 


sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Precisamos dos cubanos?


médico cubano: está onde ninguém quer ir

Eu aprendi com Enrique Dussel que talvez o único imperativo ético universal seja a vida. Mas, não uma vida qualquer. A vida daquele que é vítima do sistema que o oprime e o envilece. É esse ser que temos de defender com unhas e dentes, para o que vier. Todos os dias, nos deparamos com ele, na televisão, na rua de casa, no mercado, ao virar a esquina. O caído, o desgraçado, o fugitivo, o assustado. A maioria das pessoas faz como naquela linda parábola de Jesus: olha, e passa adiante. Poucos são os que se curvam e acolhem o que está no chão. E é bom que se diga que os empobrecidos da terra não o são por sua culpa. A maioria está nessa condição porque alguém está lhe sugando a vida. Alguém está enriquecendo a custa do outro. É a máxima do capitalismo. Só que é mais fácil permanecer com o véu da alienação. Conhecer dói.
Noite após noite a televisão – esse olho insone  - joga na nossa cara a dor do mundo. Mas, de maneira espetacular, consegue virar o jogo. Os meninos negros, que são assassinados como moscas nas periferias das grandes cidades, não aparecem como vítimas. Eles são os “monstros” que andam por aí a fazer maldade. Ninguém diz o porquê deles ficaram assim, se é que ficaram mesmo. E os bons cristãos fazem o “pelo sinal” e agradecem pela polícia nos livrar dessa “corja”.  Também vemos os “terroristas”, que podem ser os palestinos, os sírios, os iraquianos, os afegãos, sempre serão aqueles que estarão vinculados a algum plano do império estadunidense para vivenciar a “plena democracia”. Não importa se para isso for necessário promover farsas macabras como a do 11 de setembro ou o assassinato de crianças inocentes com armas químicas. Tudo vale a pena porque a “democracia” não é pequena. E a classe média, aquecida em seus cobertores, esfrega as mãos e agradece pelo império fazer a defesa de seu castelo de sonhos, “o mundo livre”.

Esses mesmos falsos burgueses, que pensam estar seguros com seus planos de saúde, agora se levantam contra a vinda dos médicos cubanos. Acreditam na revista Veja. Creem firmemente que essa gente solidária nada mais é do que um povo escravizado que teme desobedecer a Fidel.   Não sabem nada de Cuba, de sua história, da coragem de seu povo em estar há mais de 60 anos enfrentando o maior império da terra, e vencendo. Não sabem que na ilha socialista qualquer pessoa que queira, pode ser médico, engenheiro ou padeiro. Depende apenas de sua vontade. Não sabem que são esses profissionais que se formam na solidariedade ao caído, ao oprimido, que se deslocam para os mais terríveis lugares da terra unicamente para salvar e acolher. São esses jovens médicos cubanos os que estão no Haiti, curando feridas, enquanto os nossos jovens vão para lá de arma em punho, servir de cão de guarda ao império.

Agora vem essa polêmica por conta da vinda dos cubanos. De novo o véu da alienação. Ninguém se pergunta por que um país como o nosso, tão rico, tão cheio de bênçãos, precisa desses abnegados cidadãos? Se os médicos cubanos são aqueles que partem para os confins do mundo, onde a dor do outro é tão intensa que mais ninguém quer ver, por que precisariam vir para o Brasil? Que porcaria de país é esse que arrota caviar, mas precisa dos médicos cubanos, esses que vão aonde ninguém quer ir?  

Pois esse é um país no qual boa parte dos médicos sente nojo dos pobres, sente medo, sente asco. E por conta disso os deixam morrer nas ruas, sem ajuda. Ou olham, sem sequer levantar da cadeira, uma pessoa ter um ataque do coração. Ou são aqueles que sequer levantam os olhos para o doente à sua frente num posto de saúde.  Os que não apertam a mão, os que não tocam, não examinam, não reconhecem o enfermo como ser humano precisando de consolo.

Esse é um país aonde os jovens recém-formados se recusam a ir para o interior, para os lugares longínquos, para as selvas, para as favelas, os bairros de periferia. Nem mesmo altos salários os comovem. Deve ser, portanto, um problema de origem. Talvez um problema de classe. Quem é que nesse país pode se formar em medicina? Como pode um jovem da periferia ser médico se o curso exige tempo integral e custa os olhos da cara, mesmo numa escola pública? Pois esse é um país que forma médicos, dentistas, engenheiros, na sua maioria de classe alta. É, portanto, bem diferente de Cuba, que incentiva e garante o ensino dessas profissões, e por ter tantos profissionais pode mandá-los pelo mundo para que ajudem quem nada tem.   
Assim que a vinda dos queridos irmãos cubanos para o Brasil, em vez de causar tanta indignação, deveria suscitar um alerta. Se temos tantos médicos como ficou parecendo nas passeatas dos “de branco”, por que não os encontramos onde eles têm de estar? Por que precisamos da ajuda dos cubanos, se eles estão acostumados a atuarem em lugares perdidos de toda a esperança, como os confins do continente africano, ou as aldeias andinas, ou os empobrecidos países do Caribe, como é o caso do Haiti? Em que medida o país do pré-sal, a quinta economia do mundo, se compara a esses tristes lugares onde só a solidariedade cubana é capaz de chegar?

Essas perguntas é que deveriam ser feitas por nós. O que é a medicina num país capitalista? Ela existe para salvar a vida, para dar conforto ou apenas para fazer girar a roda do lucro das farmacêuticas e dos mercadores da saúde? Por que não temos uma medicina preventiva? Por que não há médicos nos postos de saúde? Por que não estão eles nos hospitais, nas emergências, nas pequenas cidades do interior, no campo?  Onde se esconde toda essa gente que agora anda a vociferar nas ruas?

Sim, nós não deveríamos precisar dos médicos cubanos. Nossa juventude deveria ter acesso às escolas de medicina, de odontologia, de veterinária. Deveríamos formar milhares e milhares de profissionais da saúde, para que cuidassem das gentes de todo o país. Deveríamos ter universidades de massa, nas quais os filhos do povo pudessem se formar com qualidade. E qualquer guri, mesmo aquele que vive lá no interior do Acre, deveria poder fazer realidade o sonho de ser “doutor”. Mas, não é assim. Os médicos que temos são esses que vemos na televisão dizendo que se vierem os cubanos eles não vão ajudar quando eles errarem. Ou seja, que morra o vivente, apenas para provar que estão certos.

É certo que temos também muitos profissionais médicos que se assemelham aos cubanos, que dedicam suas vidas ao juramento que fizeram de cuidar, acolher, curar. Esses, sabemos reconhecer de apenas uma mirada. Mas, ainda são minoria. Para nossa desgraça, o que aparece são esses que vemos na TV a bradar contra os cubanos, mas não contra o estado de abandono que está a população. E é isso que torna tudo ainda mais sórdido. Porque pessoas há que lhes dão razão, e não são poucas. Essas mesmas pessoas que, portando um plano privado de saúde, acreditam estar a salvo. Não estão. Mas, ainda assim, compactuam dos preconceitos, dos absurdos, da alienação e da mentira.

Eu realmente não queria que os médicos cubanos viessem para cá. Queria ter um país que não precisasse dessa ajuda solidária. Mas, ocorre que, em alguma medida, e em tantos lugares, somos tão desprotegidos como os irmãos do Haiti ou de alguma longínqua aldeia africana. É certo que os médicos cubanos são só pessoas, não fazem milagres. Mas, não há dúvidas de que a medicina que se ensina e pratica na ilha caribenha se difere em muito da nossa. Ela pensa o ser como uma vida integral, alguém que tem nome, sobrenome, sonhos, esperanças. Não é um dado na ficha, um inoportuno, um zé ninguém. E é por conta disso que quero receber essa gente única com todo o amor que há nessa vida. Eles saem de suas casas para fazer o que nossos profissionais deveriam fazer. Rogo a todos os deuses que eles tragam, mais do que essa solidariedade abissal, também o germe da rebeldia, para que nosso povo possa compreender que já é chegada a hora de fazermos a transformação. E que a gente avance para um país que não precise dos cubanos, um país que possa ser ocupado por nós mesmos. Mas, para isso, haveremos de mudar a universidade, mudar o país, e sair desse sistema que mercadeja com a saúde e a vida.

Os cubanos podem até não salvar todas as vidas, mas, não duvido, eles serão capazes de segurar a mão do que padece e dizer: “não tema, eu estou aqui”. Porque são feitos de outro barro. Socialista.


segunda-feira, 15 de abril de 2013

15 de abril de 1961 – primeira derrota do imperialismo em América Latina


Cuba havia vencido a ditadura de Fulgêncio Batista em 1959 e começava sua caminhada rumo a outra forma de organizar a vida. Fidel Castro dava sinais de que se acercava do socialismo. Assim, poucos meses depois da posse de John F. Kennedy, o governo estadunidense, apoiado na estratégia da CIA e aliado a exilados cubanos que queriam depor o governo revolucionário da ilha, decidiu invadir Cuba através da Baia dos Porcos. Treinados pelo exército estadunidense cerca de 1.200 exilados cubanos acabaram vivendo um fragoroso fracasso.

A operação, montada nos Estados Unidos, era chamada de “operação Mangusto” e tinha por objetivo assassinar o líder Fidel Castro. Ocorre que uma ação dessa natureza já era esperada pelos revolucionários, sobretudo por Che Guevara, que já tinha vivido situação semelhante quando estava na Guatemala e viu a ação da CIA contra o governo de Jacobo Arbenz.  


A batalha que ficou conhecida como “A batalha de Girón”, durou três dias e terminou com a maior parte dos agressores capturados  pelo exército revolucionário cubano. É que John Kennedy acabou não enviando  seus marines para ajudar na batalha, temendo envolver o seu governo de forma muito visível. Depois dessa descarada agressão, Fidel Castro anunciou no dia 16 de abril, num discurso histórico, a vitória sobre o imperialismo e o caráter socialista da revolução.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Liberdade de expressão - um falso problema




A passagem de uma opositora do regime cubano pelo Brasil tem deixado um rastro de manifestações sobre a questão da liberdade de expressão. Reconhecidamente paga por instituições ligadas ao mercado capitalista, que insiste em recuperar a ilha para sua órbita, a jovem cubana faz as vezes de embaixadora da "liberdade e da democracia", contando ao mundo sobre os problemas do regime cubano e do que chama de "completa falta de liberdade de expressão" no país. Isso, por si só já coloca uma questão: se ela pode falar ao mundo sobre o que considera ruim em Cuba e se pode manter um blog na rede mundial de computadores, como a liberdade estaria sendo negada?  Contraditório.

Mas, outros elementos podem ser apontados nessa "batalha" da cubana por liberdade que inclui, inclusive, a defesa do bloqueio comercial ao seu país, o que, em última instância significa o uso da censura, nesse caso econômica. Ou seja. Para os opositores do socialismo ela pede liberdade, para os que acreditam no regime, censura. Nada de novo nesse pantanoso campo da chamada "liberdade". Ao que parece, a liberdade só vale para quem compartilha do mesmo pensar.

Isso pode ser comprovado com a observação da vida real. Ao longo da história humana, a expressão sempre foi livre. O que tinha entraves era a publicidade que se poderia dar a essa expressão. Quando não havia escrita, o alcance das ideias era muito restrito. No máximo, uma pessoa poderia subir num monte e falar à multidão. Assim o fizeram os profetas, os líderes rebeldes, os filósofos. Mas, como sempre, essas expressões estavam subjugadas ao poder de plantão. A pessoa podia falar, mas tinha de arcar com as consequências. E se o que a pessoa falasse fosse contra o poder instituído, haveria de provar o gosto amargo da punição. A história está repleta da história de grandes oradores que tiveram sua cabeça cortada por dizerem o que o poder não queria que fosse dito. O que parece regra geral é que o sistema político ou de poder em vigor sempre se protege. E, a opinião pública é um espaço importante de batalha. Assim, é nesse campo que muitas vezes se travam as lutas mais ferozes.

Como dizia Gerge Orwell, no seu prefácio da Revolução dos Bichos, nada pode ser mais perigoso do que uma opinião pública bem informada. Assim, não é novidade que qualquer sistema busque controlar a informação. Quem não se lembra da famosa frase do então ministro Rubens Ricúpero, chamado de sacerdote do Plano Real, durante o governo FHC, para quem era lícito informar ao público apenas o que interessava ao governo. Falando com um repórter, sem perceber que  estava sendo transmitido ele afirmou: "Eu não tenho escrúpulos. Eu acho que é isso mesmo: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde".

Aquilo que o ministro singelamente revelou parece ser uma verdade que muitos pretendem seja universal. A crítica e autocrítica surgem como práticas de "anormais", de poucos, e sempre vêm acompanhada de represálias, punições, censuras. Nesse sentido, exercer a tão propalada liberdade de expressão, sendo crítico, é sempre um risco, seja onde for.

A China

Visitei no início desse ano a China, um país que agora está frequentemente na mídia por seu acelerado crescimento econômico.  Em 2010 o PIB chinês cresceu 10,4% e, em 2011, embora tenha caído, ficou entre as maiores taxas do mundo, 9,4%. Há um desaquecimento agora em 2013 por conta da crise europeia, mas, ainda assim, há quem diga que as coisas voltam a crescer ainda esse ano. O PIB do ano passado ficou em 8,28 trilhões de dólares. É a segunda economia do mundo, perdendo apenas para a dos Estados Unidos e representa 15% de toda a economia mundial. Ali é um bom espaço para observar esse fenômeno chamado "liberdade de expressão" que todo mundo já deveria saber é coisa bem diferente de "liberdade de imprensa". A primeira é o direito de dizer, e a segunda é o de publicar.

O que pude observar na China é que houve um tempo em que não se podia sequer dizer, se isso significasse dizer contra o regime. Isso vale para a época em que mandavam os imperadores, no curto período da República e também para o período comunista iniciado em 1949. Mas, ainda assim, havia aqueles que expressavam sua opinião, sempre pagando o preço que o poder instituído impunha. A rebeldia é coisa atávica, recorrentemente aparece naquele que não aceita aquilo que é.  Hoje, na nova China, que se abre para o mundo capitalista e cresce como fermento, a liberdade de imprensa é totalmente restrita. As publicações comerciais estão proibidas de fazer crítica. Mas, ainda assim há as que criticam. Das 10 mil publicações periódicas que circulam no país, poucas são as que tecem alguns comentários críticos acerca do epidêmico processo de corrupção que vive o país. Essas notícias são razoavelmente aceitas porque há o interesse do Estado em mostrar que está combatendo a corrupção. Mas, se as críticas forem mais profundas, "o bicho pega", como foi o caso do jornal cantonês  Southern Weekly que, em janeiro desse ano, ao publicar um editorial que denunciava a censura praticada pelo governo junto a imprensa, imediatamente sofreu intervenção, sendo alguns de seus redatores presos. O assunto correu pela cidade e chegou a juntar mais de 300 manifestantes em frente ao semanário em apoio ao jornal. Também eles foram reprimidos e 12 pessoas acabaram presas acusadas de subversão.  

Na televisão, que chega a oferecer 100 canais, as notícias seguem o diapasão daquilo que interessa ao governo. O que fervilha por debaixo do tapete está fora do foco. Durante 15 dias observei uma única reportagem acerca da criminalidade. Nada é veiculado sobre as máfias, o trabalho infantil, a prostituição. O que não significa que as pessoas na rua não falem e não saibam o que se passa. Ainda que com certos cuidados os chineses com quem conversei falaram sobre esses temas e fizeram suas críticas. "Aqui não temos acesso ao facebook, nem ao twitter e há páginas que não são liberadas para nós. Assuntos como a rebelião dos estudantes na Praça Tiananmen em 1989 e a chamada revolução dos jasmins, que aconteceu agora há pouco, não podem ser acessados. Só vocês, lá fora, podem saber. Mas as informações saem, de alguma forma saem e circulam aqui". Ao mesmo tempo em que dá a informação, a jovem trabalhadora justifica: "É forma que o governo tem de manter a ordem". Dentro do país funciona um sistema semelhante ao facebook, chamado de "kuku". Por ali, grande parte dos chineses que tem acesso às novas tecnologia se comunicam de forma quase frenética. Mesmo andando pode-se ver as pessoas clicando nos seus celulares de última geração. "A gente sabe que não pode falar certas coisas pelo kuku, mas de alguma maneira as notícias se espalham", conta uma trabalhadora do comércio.

Cuba

Em Cuba o sistema de imprensa atua da mesma forma que nos países capitalistas. O que é de domínio do governo repassa a visão do governo. O espaço para críticas é bastante reduzido. Por outro lado, o cerceamento da informação não é, em absoluto, igual ao da China. O que ocorre é que, por conta do bloqueio imposto pelos Estados Unidos, o sistema de informação não tem a agilidade nem a velocidade que se vê no mundo capitalista. O acesso à internet ainda é lento porque os provedores que dominam as infoestradas são de empresas estadunidenses, logo, não atuam na ilha. Ainda assim as pessoas tem acesso e, hoje, podem entrar em qualquer página, mesmo as que fazem crítica ao governo, como é o caso da página da cubana que circulou pelo Brasil.

A centralidade do controle sobre a mídia impressa também se dá em função da própria situação de país bloqueado. A falta de papel, de tinta e de renovação nos parques gráficos foi reduzindo o número de jornais em circulação. Hoje, o Gramna é o único de circulação nacional, embora existam outros menores, nas províncias. O rádio ainda é o meio mais importante de comunicação, e desde o início da revolução o governo incentivou a população a participar, a ajudar na construção do novo país. Assim que, em Cuba, não há quem não reclame o tempo todo de tudo. A crítica parece ser um elemento constitutivo da população, logo a liberdade de expressão é fato consumado. Mas, ao contrário da China, os problemas do país são discutidos abertamente por todos, nas assembleias de bairro e inclusive na mídia. O que não significa que não haja represálias contra o que o sistema considere "perigoso" ao regime. De qualquer sorte, hoje, na ilha, alguns movimentos de oposição já se expressam publicamente sem censura, como é o caso do movimento das "mulheres de branco" ou pessoas que, individualmente, teçam críticas ao governo, como a blogueira que visitou o Brasil.

Com a abertura econômica iniciada na década de 90, as coisas vêm mudando no que diz respeito à modernização das comunicações. A entrada de divisas permite algumas melhorias mas, como todo o sistema, o cubano também se protege, daí algumas restrições que as autoridades consideram necessárias para proteger a revolução  da influência da sedução capitalista. Ainda assim, os cubanos têm acesso não só à sedução como à defesa do sistema capitalista, todos os dias, através do meio que é mais democrático na ilha: o rádio. Para se ter uma ideia, conforme o jornalista cubano Tubal Paez, existem mais de 35 emissoras emitindo sinais desde a Flórida, com conteúdo contrário ao governo e ao socialismo, desde o triunfo da revolução. E, como vimos, o governo já não impede o périplo propagandista de críticos do sistema pelo mundo afora. Aos cubanos, em maior ou menor medida - por sua proximidade com os Estados Unidos e o ataque implacável do sistema capitalista para que a ilha volte a ser "o quintal" dos EUA - sempre esteve aberto o canal com a promessa capitalista de "democracia". Até agora, a população decidiu pelo seu modelo de democracia e pela manutenção das conquistas da revolução.

Brasil

E já que andamos circulando por vários espaços, vamos falar da nossa aldeia. Poderíamos dizer que aqui temos completa liberdade de expressão? E a liberdade de imprensa? Os meios de comunicação privados - dominados por quatro famílias e uma igreja - só publicam o que lhes interessa. Exatamente como acontece no chamado "mundo livre", os Estados Unidos. Qualquer outra voz que destoe do discurso definido pelo sistema capitalista é varrida do jornal ou da tela da TV. Não há espaço para a voz crítica. Quando ela aparece é unicamente ritual, para dar uma aparência de democracia. Um bom exemplo local é o caso dos ataques aos ônibus em Santa Catarina. Como apareceram as vozes críticas da ação governamental? Em frases soltas, desconectadas, em entrevistas editadas e manipuladas, sendo chamados de terroristas, baderneiros, aproveitadores. A "democracia" da mídia capitalista é pura ilusão, como já muito bem demonstrou Noam Chomsky num clássico estudo sobre os meios de comunicação dos Estados Unidos.   Ou seja, o sistema capitalista também se protege. Repetindo Orwell, a opinião pública bem informada é perigosa. O que resta então de liberdade de expressão? Os blogs, as páginas na internet, as conversas pessoais, as reuniões nos sindicatos, nas associações. Qualquer crítico do sistema capitalista sabe que pode sofrer represálias, sanções, censura. Desde Jeremias (na antiga Judéia) que gritar do alto das montanhas contra o poder é coisa arriscada. E, no "mundo livre" essas represálias se concretizam na falta de emprego nos meios convencionais, no estrangulamento econômico, na inclusão em listas "vermelhas", nas ameaças e até no assassinato. Vejam o exemplo do jornalista Lúcio Flávio, perseguido e ameaçado constantemente por suas denúncias sobre desmandos, corrupção e violências praticadas pelos poderosos da Amazônia. Foi processado, condenado e sobre ele pesam multas altíssimas, visando destruí-lo economicamente. Ou Chico Mendes, assassinado por criticar a exploração da floresta. Ou Irmã Doroty, assassinada por defender a reforma agrária. E tantos outros, milhares, que todos os dias são censurados no seu direito de fazer a crítica. Alguém poderia dizer que não é o Estado quem promove essas mortes e essa censura. Sim, é. O poder que domina o Estado faz cumprir, o Estado aceita. Tudo é um conluio.

É certo que esse é um tema complexo, sobre o qual muitas outras coisas poderiam ser aportadas, mas essas breves linhas são apenas para trazer à tona a reflexão de que existe a aparência das coisas e as coisas mesmas. A mídia comercial brasileira tem mostrado a blogueira cubana como a paladina da democracia. O que é uma meia verdade. Fragmentos da aparência. Ela é uma propagandística de um modo de vida que o sistema capitalista quer que seja universal: liberdade para o capital. Não importa se isso for trazer miséria, fome, abismo social, criminalidade, violência, medo. Ela é só mais uma num universo de tantos que nos chegam diariamente na tela da TV ou no jornal. A diferença, que a torna tão especial, é que ela faz isso desde Cuba, a pequena ilha que resiste há 60 anos, inventando novas formas de organizar a vida. Com seus erros e acertos, mas autônoma, sem se render ao modo homogêneo e excludente imposto pelo capitalismo. Tem ela direito de fazer isso? Tem! Ela não deve gostar de viver num país onde o supérfluo não é garantido porque, antes, é preciso garantir o básico a todos e não só para alguns. Ela deve ter sonhos que o capitalismo lhe acena como possíveis, como vamos saber? Disse numa entrevista que quer ser dona de um jornal em Cuba. Vaya.. é um bom sonho, parecido com o meu. Haverá de encontrar financiadores. Seria até bom que tivesse para vermos como funcionaria lá a "liberdade de expressão".

A nós cabe refletir sobre nossa realidade, sobre nossa liberdade, antes de ficarmos a apontar para as travas nos outros lugares. Onde podemos nos expressar publicamente, sem cortes, manipulações, desvios e alterações? Na Globo? Na Record? Na Band? Na Folha de São Paulo?

A Venezuela e um possível caminho

 O que me ocorre pensando sobre os problemas de cada sistema de governo e poder é que essa linha entre a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa é sempre muito tênue e de difícil manobra. Cada sistema tem seus argumentos para defender a censura, a punição aos críticos, a manipulação das informações. Fica então a pergunta: o que fazer? Como agir de forma a permitir que a liberdade de expressão encontre espaço na livre publicação. A Venezuela de hoje é a que me parece estar mais próxima da solução desse imbróglio. Lá, houve uma revolução, chamada bolivariana, muitas coisas forma mexidas desde a estrutura. Lá, discutiu-se e aprovou-se uma lei das comunicações que garante aos movimentos sociais espaços reais de expressão, através não só dos meios públicos que foram criados, como também na exigência de que esses conteúdos sejam veiculados nos meios privados. O que isso significa? Que lá, apesar de ainda existirem meios privados de comunicação que são poderosos e que travam uma batalha feroz contra o governo Chávez, eles são obrigados por lei a divulgar conteúdo produzido pelos movimentos organizados. Ainda não o fazem, mas chegarão a isso. E o governo, pelo seu lado, aceita a presença e a crítica dos opositores. Não é algo que aconteça sem conflito. Pelo contrário. A luta de classes que se expressa real e concreta na revolução bolivariana aparece no campo da comunicação também. É uma batalha cotidiana.

A diferença é que a população venezuelana tem acesso as várias visões da realidade. Pode ligar a televisão e ver a posição dos opositores do governo, pode ver novelas, programas imbecis como os que temos na TV brasileira, enlatados. Mas, também pode ver, através de canais abertos, a visão do governo, via meios estatais, e a visão dos movimentos comunitários organizados, através dos meios públicos. Ou seja, a pessoa tem acesso a vários ângulos dos fatos. Pode, nesse recorrer entre as versões, formular livremente a sua opinião.

É um caminho em construção. Nada está dado. A revolução bolivariana avança e retrocede, e isso ocorre justamente porque estão em disputa na sociedade diversas visões sobre como organizar a vida. É um revolver cotidiano nas certezas. Isso pode ser ruim para quem quer ficar no poder, mas também pode ser bom. Significa que tanto povo como governantes precisam ficar atentos, vigilantes. É a chamada "democracia participativa", coisa que dá trabalho, é difícil, exige muito compromisso, mas parece ser o melhor caminho nesse tão fechado jeito de fazer comunicação que tem sido modelo no mundo.   

As opções da China, de Cuba, do Brasil, dos Estados Unidos, da Venezuela são as opções que foram possíveis num determinado momento histórico, com determinadas forças sociais e econômicas. Cada país precisa encontrar as melhores formas de garantir a liberdade de expressão e de publicação das ideias. Essa é uma tarefa gigantesca, passível de erros, o que não significa que não deva ser empreendida. Nós, no Brasil, ainda temos muito que andar nessa estrada de liberdade. Muito que andar...  

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A democracia em Cuba



Quem já não ouviu através dos meios de comunicação o mesmo repetido mantra de que em Cuba não há democracia? Pois o Núcleo de Estudos em Práticas Emancipatórias, do curso de Direito da UFSC, em parceria com o IELA, promove a conferência da professora Mylai Burgos Matamoros, da Universidade Nacional Autônoma do México, sobre o sistema jurídico político revolucionário cubano. Uma boa oportunidade para conhecer esse sistema que não tem como ser comparado com a democracia neoliberal burguesa, através da qual se costuma olhar a Cuba revolucionária.

Mylai é licenciada em Direito pela Universidade de Havana, com mestrado na Universidade Nacional Autônoma do México. Atualmente finaliza seu doutorado na mesma universidade mexicana onde também dá aula.

A conferência acontece no dia 15 de outubro, no Auditório do CCJ/UFSC, às 10h.

Mais informações: 37216483  ou 37216742


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Solidariedade a Cuba.

Quinta Convenção Estadual de Solidariedade a Cuba. Veja o vídeo com entrevistas de Robson Ceron (Associação José Martí) e Fábio Simeon (ICAP).