quarta-feira, 8 de maio de 2013

Quando morre um amor



O CESB, tão igual como antes... num tempo de purezas!

Hoje de manhã, em meio a um grande turbilhão que envolve meu cotidiano, chega a notícia. Assim, de chofre, em três linhas: "O Paulo morreu ontem". Por um breve instante tudo em mim congela. A morte tem esse dom, de nos suspender, de nos capturar para um não-sei-onde. A morte é o nunca mais.

Paulo foi meu primeiro amor. Era o rei do colégio. Menino ainda e já era um gigante de 1,90m. Jogava no time de vôlei, num tempo em que a escola tinha profunda ligação com o esporte.  A turma do Colégio Estadual de São Borja, o CESB, era imbatível naqueles anos 70, porque lá estava ele, com suas cortadas infernais. Creio que todas as gurias o amavam, pois era uma espécie de herói da escola.

Eu, feiinha  minúscula e tímida, nunca tive qualquer chance. Como ele era o mais popular dos jogadores podia namorar quem quisesse, inclusive as garotas mais bonitas. Por isso, esse imenso amor que eu nutria por ele nunca se fez concreto. O típico "platônico", mirando desde longe, assistindo a todas as partidas, vibrando com suas vitórias. No final da tardes são-borjenses, obrigava minha irmã a passar comigo em frente ao Clube Comercial, só para olhar para ele, de longe, brilhando em meio aos amigos.

Mas, como é comum às meninas tímidas, eu segui pela vida adentro amando aquele guri. Fui embora de São Borja, viver outras vidas, em outros lugares, e ele seguia em mim. Só fui desligar da ideia de um dia me casar com ele quando já tinha 23 anos e a notícia de seu casamento me chegou, assim também, de chofre: "o Paulo casou com a Escobar". Só então, romanticamente, joguei todo aquele amor não vivido nas águas profundas do Rio São Francisco, em Pirapora (MG), num lindo ritual mágico, desses dos quais sou afeita. E o Paulo se foi, descendo a corredeira, sonho desfeito embalado pelas lágrimas.

E hoje, nesse maio de cores tão lindas, ele retorna, assim, de inopino, na notícia tão triste. Nunca mais. Morreu. Nunca soube o que foi feito dele, como viveu, que coisas amou, se teve filhos, se foi feliz. Tudo que restou de sua imensa presença foi uma fotografia amarelada que ao longo desses anos todos, volta e meia, eu olhava, com os olhos cheios de saudade. Saudade do não vivido, do que poderia ter sido.

Agora, o garoto do CESB se foi... Virou poeira cósmica, encantou. E, em mim, fica esse imenso vazio, uma tristeza imensa, pelo não sabido, pelo nunca mais...Um amor de menina, aquela que fui, de olhos graúdos e sonhos imensos...

2 comentários:

Amilcar disse...

Lindo, Elaine. Mas o amor é para sempre, não é? Como todas as coisas, a não ser as que se apagam da memória dos homens e mulheres. E o teu relato acaba de fazer com esse amor tenha sido compartilhado. Ou seja, tornou-se mais duradouro. Beijo. Amilcar

juliana aline Lehmen disse...

caramba...

"por que a gente é assim?"