quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Santos Dumont



Terminei de ler o livro de Gondin da Fonseca sobre Santos Dumont, escrito em 1956. Uma preciosidade. O texto é primoroso e vai tecendo a vida daquele que é o pai da aviação, com o contexto e o cenário das épocas. Desde sua infância, passando pelo período em que ficou em Paris, onde, na verdade, conseguiu as condições reais para construir seus balões, dirigíveis e, depois, os aeroplanos. Uma história incrível, obviamente só possível porque a família de Santos Dumont tinha condições de bancar. De qualquer sorte, é fabuloso saber o quanto esse brasileiro era engenhoso. Ele não tinha o conhecimento teórico, universitário, mas tinha o saber prático de quem está em permanente combate com os engenhos mecânicos. Montava os motores peça por peça e foi assim que conseguiu fazer voar o 14 Bis, sem que nenhum outro mecanismo a não ser o motor, fosse necessário. Fez 14 tentativas e foi na 14+um (o 14 Bis) que conseguiu dar a volta na Torre Eiffel, elevando-se apenas com o esforço das hélices. Era o dia 23 de outubro de 1906. E a partir daí, a indústria da aviação cresceria sem parar. O texto de Gondin narra também o triste fim do herói brasileiro, conquistador do ar, que, premido pela solidão e por seus dramas internos, acabou enforcando-se em casa, em 23 de julho de 1931. Santos Dumont acreditava que ele era o responsável pelos acidentes de avião que se registraram na época, bem como pelo uso do avião nas guerras. Nunca se casou, não teve filhos, não viveu nenhum grande amor. Sua vida sempre foi o embate com o ar e, mesmo vencendo, não foi o suficiente. Um personagem verdadeiramente apaixonante. 

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