terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sem âncora

O lindo poema de Rosângela Bion de Assis diz tanto nestes dias turbulentos...
Um dia ninguém me encontrará
onde eu seja esperada.
Vou seguir reto pela avenida confusa
até encontrar o mar vaidoso
com seu terno reluzente.
Desligarei meu velho localizador,
mas é provável que não notem minha revoada.
Meu lanche será servido sob uma laje úmida
com vista para andorinhas animadas.
Minha tarefa será não pensar nos ponteiros em marcha atlética
e não prever algum desencontro.
Vou iniciar uma leitura fresquinha,
especialmente guardada para esse dia,
que poderá ser uma tarde primavera
ou algumas horas no inverno.
Buscarei uma flor improvável,
um animal perdido,
uma pipa animada, sem âncora.
Só minhas botas gastas
saberão do meu paradeiro.
este dia ainda não chegou,
mas está sendo estudado como uma tese,
que precisa comprovar
que uma criatura que reza todos os dias
também é capaz de sair dos trilhos.
Nem que seja por um instante
no meio da tempestade.

Um comentário:

Revista Pobres & Nojentas disse...

A nossa diagramadora disse tudo!
Mimi