Santa Catarina, outro exemplo, é pintada como o estado mais seguro do país, o lugar das maravilhas. Mas, por aqui tivemos no ano passado mais de 50 feminicídios e 225 tentativas. É realmente uma epidemia. Todos os dias, os jornais mostram uma mulher sendo assassinada ou escapando por uma triz. Matar virou coisa natural, como se vivêssemos num mundo anômico, sem lei. A polícia, que deveria existir para proteger, tem sido a que mais mata. Cem pessoas foram mortas pela PM e uma em cada quatro sem qualquer antecedente criminal. Nos últimos dias, vimos policiais atacando mulheres de maneira brutal, sem qualquer propósito. E mesmo com todos estes dados e informações, acompanhamos as boca-alugadas da mídia afirmando que aqui é o melhor lugar para viver, por conta da segurança. Segurança para quem?
Não que o respeito à cidade também seja incontável às violências. Dia após dia a administração municipal vai destruindo a vida, a memória, a cultura. E a população - salvo raras opiniões - seguindo a vidinha, apreciando os videozinhos do prefeito no Tik Topk. O cimento tomando conta das praias, o crescimento desordenado e sem estrutura, o esgoto jorrando no mar. E a turma curtindo o verão. A última agora é o anúncio da tal marina da Beira-Mar, mais um empreendimento que nos roubamos a cidade. Obra para os ricos, aplaudida pelos que nada têm. Enquanto isso, os trabalhadores vão sendo empurrados para fora da cidade, com as vidas inviabilizadas pela voracidade do capital.
Nem vou falar do martírio do cãozinho Orelha protagonizado por jovens "bem-nascidos".
Ontem vi a notícia de que pretendíamos destruir os bonecos do Berbigão. Um baque atrás do outro. Ainda não se sabe quem atou fogo nos bonecos que, por conta da ação rápida da segurança, não queimou na totalidade, apenas dois foram destruídos, mas eu torço para que tenha sido uma fatalidade, um ato tresloucado de alguma pessoa alcoolizada, sei lá. Não sei se suportarei saber que foi um ato intencional, para realmente apagar os gigantes da alegria, bonecos de pessoas que são significados da nossa cultura.
Assusta-me ver nossa cidade se transformando desta forma tão violenta. Parece que não há parada... Seguiremos rolando a tela do celular? Inertes?
De minha parte, escrevo, na minha impotência...

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