terça-feira, 7 de abril de 2015

Greve dos professores cada vez mais forte




















Professores não esmoreceram no dia de hoje e fizeram uma vigília durante a sessão ordinária da Assembleia Legislativa. Casa cheia nas galerias e no saguão de entrada.  Havia a possibilidade de ir à votação uma contraproposta do governo para a questão dos professores temporários.  Mas, nada disso aconteceu. O governo decidiu chamar os líderes das bancadas para uma reunião amanhã de manhã, na qual será apresentado o ante projeto que pode contemplar algumas das propostas dos professores em greve, como a manutenção da equivalência salarial para os temporários e da licenciatura curta. Por outro lado os professores mesmos não sabem o teor do anteprojeto. Tudo está em aberto.

O que botou fogo na sessão dos deputados catarinenses foi o vídeo de uma fala do secretário de Educação, Eduardo Deschamps, que, durante uma vídeo conferência com diretores de escola exige "fidelidade" à moda dos antigos coronéis e ainda ameaça os professores. Segundo ele, os que fizerem greve e estiverem em estágio probatório serão demitidos - o que é uma ilegalidade. A greve é um direito do trabalhador. Ele também diz que os diretores devem servir ao governo, mesmo tendo sido eleitos pela comunidade.

Vários deputados se remeteram à fala do secretário e alguns chegaram a pedir a exoneração de Deschamps, com o entusiasmado aplauso dos professores que acompanharam a sessão. "O governo nega que estejamos em greve, mas manda o secretário ameaçar os diretores para que ameacem os professores. É uma vergonha!".

Amanha nova batalha será travada pois o governo vai tentar passar seu anteprojeto. E novamente os professores prometem uma vigília, contando ainda com a parceria dos estudantes que, a cada dia, engrossam o coro de apoio ao movimento.  Afinal, a discussão sobre os direitos dos contratados temporários é só uma parte da pauta da greve. Ainda há outros temas para serem tratados no campo das negociações do movimento. De qualquer forma, uma vitória com a pauta dos ACTs pode dar fôlego à luta dos educadores catarinenses que estão há quatro anos esperando que o governo seja consequente com suas promessas.

Hoje, enquanto acompanhavam a fala dos deputados, os professores que não puderam entrar no plenário se espalhavam pelo saguão onde também estavam expostas telas com representação de rostos humanos. Nada poderia ser tão ajustado. Nas telas, a imagem da amargura, da dor, do desassossego, expressões muito parecidas com as das pessoas que - a duras penas - fazem a educação pública caminhar. Mas, no rosto dos professores, além da amargura por precisar parar as aulas para garantir direitos, também podia se ver a garra que os torna tão especiais. Se ainda há educação para os filhos das famílias desse estado é porque esses homens e mulheres tiram leite de pedra. Uma categoria valente e de qualidade. 

Que venha a vitória.

2 comentários:

Alexandra Boaroli disse...

Ótimas colocações. Em todos esses dias de greve, este é um dos únicos textos digno de nós professores...

Alexandra Boaroli disse...

Ótimas colocações. Em todos esses dias de greve, este é um dos únicos textos digno de nós professores...