quinta-feira, 12 de maio de 2016

O dia depois do golpe


O Senado, como a Câmara, votou pelo afastamento da presidenta, sem que houvesse qualquer indício de crime por parte dela. Isso é golpe. Rompimento das regras da própria democracia burguesa. Estamos, a partir de agora, sob um governo que não tem legitimidade. Independentemente dos erros e da decisão de conciliação de classe por parte do PT - coisa que sempre criticamos - o que acontece, concretamente é um golpe. Negar isso seria desonestidade com aqueles que nos leem desde há tempos. 
Assim como Zelaya foi deposto em Honduras, acusado de querer ouvir o povo e Lugo foi deposto no Paraguai, acusado de responsabilidade sobre um massacre de camponeses, aqui também se concretiza o golpe, com acusações pífias. Mas, a luta segue. Com Dilma, sem Dilma, com Temer ou qualquer outro, a classe trabalhadora sabe que ainda tem longa jornada até um tempo de libertação.

A vida é assim: esquenta e esfria
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem!

Guimarães Rosa 

Um comentário:

Catarina Gewehr disse...

Oi Elaine, estive agora de noite vendo isso que dizes da continuidade da luta dos trabalhadores independente de quem nos seja o presidente. Fiz isso na emergência do Hospital Santo Antônio, aqui em Blumenau. Meus alunos foram lá aprender os rudimentos técnicos de que se faz uma observação. Mesmo para eles - olhos tão meninos - grita forte o abandono do povo pobre que depende da emergência de um hospital público. Como bem disse um aluno: "nesse lugar todo mundo é vítima". Todos doem o mundo que descompassado não lhes dá lugar.
Obrigada por tuas palavras.
Esse golpe pouco me surpreende e muito menos me assusta. Porque exatamente como dizes, nossa luta continua!
Abraço o obrigada pelo rumo de tuas palavras!