terça-feira, 3 de maio de 2011

A barbárie e a estupidez jornalística


Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria? O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente Cuba seria retaliada e com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.

Mas, como foi os Estados Unidos que entrou no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo.

Agora imagine mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o “demônio”. Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do “demônio”. Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar. Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.

E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser.

O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.

Olha, eu sei lá, mas o que vi ontem na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que imperam o tal do “estado de direito”. Não há mais limites para o império. Definitivamente são tempos sombrios. E pelo que se vê, voltamos ao tempo do farwest, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!

14 comentários:

Grafiki disse...

O Pakistão só foi comunicado depois que as naves deixaram o território paquistanês. Mas consultando os meus botões estes me disseram que esta é a mentira do século.

Led disse...

é muito ingenuidade acreditar naquela conversa da CIA e da imprensa submissa ... há muitas dúvidas e suspeitas nessa história

AF Sturt Silva disse...

No meu vocubulário não encontra palavras para descrever a aitutude dos EUA e reproduzação por parte da insdústria da cultural.E isso só começo.

"Como mataram Osama",reconstituição da morte de Bi Laden na FOX.Os últimos passos de Osama antes de nossos heróis matarem o demônio" nas melhores livrarias."Como os EUA venceram o terrror" nos cinemas em 2012.etc...

Jean Feijó disse...

Muito bem colocadas suas palavras...

Dete disse...

Gostaria de poder expresser minha indignação contra esse teatro que se transformou a morte do Bin Laden no meu blog, como você fez no seu. Mas, moro nos EUA e escrevo também para os americanos. Não ouso escrever o que penso em relação a esse assunto num país onde se comemora nas ruas a vitória da insensatez. Que bom que você escreveu o que escreveu.

Luciano Carioca disse...

Maravilhoso comentário, nada para acrescentar!!!

Tah de parabéns.

jaime teixeira mendes disse...

parabens pelo seu comentario vou ver se consigo partilhar. Posso

Alvarêz Dewïzqe disse...

Bin Laden deve estar morto, sim. E acredito tenha sido nessa operação. Agora, a forma como eles contam a história, isso sim é um grande teatro do absurdo, cercado de mentiras e atos grotescos.

Glécio Rodrigues disse...

Esses são os senhores do bem, os senhores que só querem fazer boas ações para a humanidade, temos vários exemplos de bem; tratado de Kyoto, Estado Palestino, base de Guantánamo em Cuba, Invasão do Iraque atrás da "mentira" das armas nucleares, invasão do Afeganistão e agora o Paquistão. Esses homens do bem. Ou será que o bem não é mais bem assim? Deve ser o "Bem" Laden que os deixou pensando assim em 1979. Ou será que eles esqueceram a história?

Glécio Rodrigues disse...

A propósito, já estou seguindo teu excelente blog e estou postando teu comentário no meu blOG. Saudações.

Apelido indisponível disse...

O que se percebe é que foi um ato simbólico, para obter algum dividendo (prestígio político interno para Obama, ou apoio à insurgência 'democratizante' e ocidentalizante nos países árabes, ao eliminar simbolicamente um lider radical). Como em todo ato simbólico, vale mais o imaginário que o concreto. Não se terá toda certeza de que de fato mataram Bin Laden até que sejam mostradas fotografias ou vídeos (na era da pós-modernidade, imagens valem mais) do evento. Até lá, continua a circular a internet uma foto falsa de Bin Laden morto. E como a Elaine bem diz, as normas de Direito Internacional foram para o espaço: se fosse Cuba a agir assim, daria uma guerra - mesmo que só matasse 'simbolicamente'. Não se acende uma candeia para colocá-la sob o alqueire ...

aquiperto disse...

Perante os fatos, tem toda a lógica o seu raciocinio e concordo plenamente com a sua opinião... no entanto, eu considero que esta noticia não passa de "mais poeira que nos estão atirando para os olhos"... desde o 9/11 que o "império" está fazendo isso...
eu apenas acho que o Obama quis pôr um fim nesse "fantasma" criado por Bush junior, chamado "Bin Laden" - o "inimigo conveniente" para galvanizar a nação para a guerra, e assim servir os interesses do seu "lobby" (petroleo, armas, segurança e construção)
Será que "Bin Laden" ainda estaria vivo? Serão fiáveis aquelas imagens video (de tão má qualidade) exibidas há uns anos atrás, e uma prova cabal da sua existência?
Muitas coisas ficaram mal contadas, desde o 9/11, da forma como caíram as torres às armas de destruição massiva do Saddam, do ataque ao pentágono às guerras do Afeganistan, de como os muhajidin (que lutaram ao lado do Rambo contra os soviéticos) viraram talibans terriveis que obrigavam as mulheres a andar de burka e proibiram as plantações de papoilas e extração de ópio...
Para mim, este "assassinato de Bin Laden" não passou de mais uma encenação da CIA reportando filmes de Hollywood... Acho que o Obama apenas quis enterrar o "machado de guerra" e acabar de vez com o "fantasma-lenda" em que Bin Laden se tornou...

Valério Alan disse...

Embora nada possa ser considerado como verdade por quem não participou efetivamente de determinado evento, vamos considerar que Bin Laden foi o responsável pelo 11 de setembro, da mesma forma que Posada Carriles foi considerado o responsável pelos atos terroristas em Cuba.

- Se Bin Laden optasse por lutar contra o "Império", sem matar inocentes, provavelmente não teria sido morto da forma como foi;

- Bin Laden, considerando as ações que tomou, foi menos sanguinário que os carrascos nazistas? na minha opinião não;

- Jornalistas noticiando fatos sem prova é uma situação comum, infelizmente;

- Sempre parecerá natural para alguns uma ação americana, da mesma forma que parecerá natural para alguns uma ação cubana ou iraniana, por exemplo;

- Infelizmente, o tal "Estado de Direito" não é a maravilha que deveria ser, pois quem tem o poder é muito beneficiado pelo "Estado de Direito", segundo o meu entendimento;

De qualquer forma, com as informações que disponho, ainda prefiro o modelo americano, com todos os seus defeitos, aos modelos iraniano, cubano, paquistanês, sírio, etc. Já imaginou se o "Império" significasse a Venezuela de Chaves ou a Líbia de Kadafi.

Valério Alan disse...

Embora nada possa ser considerado como verdade por quem não participou efetivamente de determinado evento, vamos considerar que Bin Laden foi o responsável pelo 11 de setembro, da mesma forma que Posada Carriles foi considerado o responsável pelos atos terroristas em Cuba.

- Se Bin Laden optasse por lutar contra o "Império", sem matar inocentes, provavelmente não teria sido morto da forma como foi;

- Bin Laden, considerando as ações que tomou, foi menos sanguinário que os carrascos nazistas? na minha opinião não;

- Jornalistas noticiando fatos sem prova é uma situação comum, infelizmente;

- Sempre parecerá natural para alguns uma ação americana, da mesma forma que parecerá natural para alguns uma ação cubana ou iraniana, por exemplo;

- Infelizmente, o tal "Estado de Direito" não é a maravilha que deveria ser, pois quem tem o poder é muito beneficiado pelo "Estado de Direito", segundo o meu entendimento;

De qualquer forma, com as informações que disponho, ainda prefiro o modelo americano, com todos os seus defeitos, aos modelos iraniano, cubano, paquistanês, sírio, etc. Já imaginou se o "Império" significasse a Venezuela de Chaves ou a Líbia de Kadafi.