terça-feira, 12 de abril de 2011

Histórias do Transporte Coletivo II

Vinha com todo o mau humor que se acumula na viagem do Centro até o Rio Tavares. Mais de 50 minutos, dois engarrafamentos monstros. Um no elevado e outro mais adiante, na SC-402. Merda de vida. Ruminava. Desci no Rio Tavares e corri para pegar o Castanheira. Pelo menos era via Gramal. Ufff! Em dez minutos estaria em casa. Então, uma moça entrou esbaforida, com o ônibus quase arrancando. Vinha cheia de sacolas. Entrou e sorriu. Um homem que estava encostado no lado direito, sorriu também. Ela vermelhou. Ele seguiu olhando pra ela, com o sorriso na cara.

-Lindo óculos!
- Obrigada...
- Fica bem em ti...
Ela sorriu, vermelha de novo.
- Me dá as sacolas...
- Não precisa.
- Precisa sim, moça bonita tem de descansar...
Ela riu, maneando a cabeça.
- Vou descer agora.
- Eu também
- Então tá...
E ficaram ali, em silêncio, até que o ônibus parou.
Saíram os dois, sorriso aberto, olhos nos olhos...

E eu fiquei pensando que a vida é mesmo surpreendente. De repente, num ônibus, o amor!

Um comentário:

Revista Pobres & Nojentas disse...

Coisa linda! E eu em casa, ouvindo All Out Of Love, do Air Supply... Tenho que pegar ônibus para o Campeche...