domingo, 15 de maio de 2011

O Nakba

Na Palestina é assim. Ninguém é dono de si. Qualquer garoto saído dos cueiros, se for israelense e tiver uma farda, pode tudo. Eles humilham mulheres, homens, jovens e aterrorizam crianças. É coisa cotidiana. Acontece todos os dias, desde o fatídico 15 de maio de 1948, quando o Estado de Israel foi criado à força. Naquele dia, milhares de famílias tiveram de abandonar suas casas, suas oliveiras, suas mais sagradas lembranças e sair, na direção de lugar nenhum, fugitivas em sua própria terra. Desde aí, as gentes palestinas são desalojadas, no meio da noite, pela força dos tanques e da armas.

São mais de sessenta anos e o povo resiste. Vez ou outra explode o desespero, em violência. Há quem diga que os palestinos deviam dar o primeiro passo para a paz, fazer um esforço, deter o terror. Mas, como dizia o grande poeta Mahmoude Darwich, “ainda goteja a fonte do crime”, e esta fonte não fica no lado palestino.


O que podem as gentes diante de tanques? Hoje, Israel mantém prisioneiros mais de oito mil palestinos, destes, 380 são crianças. E que crime cometeram estes meninos de olhos aterrorizados? Nasceram palestinos! Há ainda denúncias de que alguns têm seus órgãos retirados por conta do tráfico de órgãos humanos, outros são torturados da mais variadas formas, mulheres são estupradas. É o terror.

Por isso o 15 de maio ecoa na voz árabe: AL Nakba, o dia da catástrofe. Um dia para não se esquecer. Um dia para celebrar a resistência heróica de uma gente que não se rende e busca, por sobre todos os muros, a flor da liberdade. Haverá de achar... Haverá de achar! Viva a Palestina!


ESTRANGEIRO NUMA CIDADE DISTANTE

Quando eu era pequeno
E belo,
A rosa era a minha morada,
E as fontes eram os meus mares.
A rosa tornou-se ferida
E as fontes, sede.
- Mudaste muito?
- Não mudei muito.
Quando voltarmos à nossa casa
Como o vento,
Olha para a minha testa.
Verás que as rosas são agora palmeiras,
E as fontes, suor,
E voltarás a encontrar-me, como eu era,
Pequeno
E belo...

Mahmoud Darwich

sábado, 14 de maio de 2011

Aniversário...


Eis que faço hoje 51 anos. Surpreendentemente, essa frágil vida humana com a qual me presentearam Nelson e Helena, percorreu cinqüenta e uma voltas de órbita solar. Ultrapassei o limiar. Sinto-me pronta para algo que ainda não sei. Agora, no silêncio da casa quentinha, com os gatos a ronronar em língua felina, me chamou uma passagem do grande livro cristão que conta sobre os 40 dias de Yeshua no deserto. Por infindáveis horas ali ele esteve enfrentando as tentações, preparando-se para o que estava para vir.


Neste lindo final de tarde do Campeche eu me aproximo daquele homem. Parece-me que andei por horas a fio vencendo tentações. Mas, hoje, cruzado o portal dos cinqüenta, conforta-me a idéia de que atravessei o deserto que insistia viver em mim pelos último 40 dias. Tal qual Yeshua, tive diante de mim um daemon a sussurrar sibilinas idéias que me perturbaram a alma.


Conta São Mateus que ao final do recolhimento de Yeshua e do embate com a voz interior, vieram os anjos e o serviram. Assim me sinto. Da janela da sala vejo as corujas iniciando seu vôo, os passarinhos buscando um canto onde arranchar, um vento friozinho varrendo a areia da rua. Sorvendo devagar meu chimarrão, vejo-os como anjos, tocando-me com suas asas de beleza e esperança.


Saio do deserto. Agora, há outra longa jornada a cumprir. Vencerei...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Deu pra ti....

Baixo astral... vou pra Porto Alegre, tchau!!!!
Alô turma do Bomfim...
As gurias estão tri a fim....

Porto Alegre, assim, nestes dias de maio, quando o inverno ainda nem chegou é puro encantamento. As ruas com suas árvores frondosas, o sotaque, as alpargatas... bom lugar para recarregar baterias... Manhã inteira ouvindo sobre Manuel Bomfim... tudo tri... De tarde vendo São Bernardo e discutindo estética... É bom parar e ficar só estudando, pensando, longe do turbilhão.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

A barbárie e a estupidez jornalística


Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria? O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente Cuba seria retaliada e com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.

Mas, como foi os Estados Unidos que entrou no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo.

Agora imagine mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o “demônio”. Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do “demônio”. Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar. Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.

E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser.

O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.

Olha, eu sei lá, mas o que vi ontem na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que imperam o tal do “estado de direito”. Não há mais limites para o império. Definitivamente são tempos sombrios. E pelo que se vê, voltamos ao tempo do farwest, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!

domingo, 1 de maio de 2011

Um chope...

A delicada presença de Paulo Diniz

quinta-feira, 28 de abril de 2011

De mundos instrumentais

Esse é um mundo doente, de competições e uso instrumental das pessoas. Quantos daqueles que julgamos próximos não sugam toda energia possível quando estão mal, e quando felizes nos tiram de seus cadernos? Nunca há espaço para compartilhar alegrias. Só dores. Nestes dias sombrios, em que, como dizia Brecht, "aquele que ri não recebeu a terrível notícia", talvez seja hora de rever as atitudes. Ando tal e qual aquela música da Vanusa.. "Hoje eu vou mudar"... A entrega leal e solidária é burra... Há um filósofo que diz: num mundo de fugitivos, aqueles que ficam é que parecem estar fugindo... ai, ai...