terça-feira, 7 de abril de 2026

Sobre as mentiras e a UFSC


Irineu, a melhor pessoa


As eleições na UFSC sempre foram um embate entre a direita e a esquerda. Porque aí está embutido um projeto de universidade. A direita usa a universidade para seus propósitos particularistas, nas parcerias privadas, nos projetos ligados a empresas, numa visão privatista. A esquerda pensa a universidade como espaço do conhecimento que deve ser direito de todos, e busca incentivar a pesquisa de temas que tenham a ver com o desenvolvimento regional e nacional, sempre numa visão pública. 


Em cada eleição para a reitoria, essa dicotomia volta a aparecer. Por vezes, os grupos mais à esquerda se dividem, mas a direita nunca. Podem divergir no que for, mas quando chega a eleição, se junta. Historicamente são sempre batalhas duras. A direita, useira e vezeira de empunhar armas sujas, mas, de certa forma, ainda havia algum pejo. As coisas não eram muito claras, se escondiam, se camuflavam. Hoje, não. O pessoal da direita se orgulha do seu jogo sujo.


Nesta eleição em particular estamos vendo o reitor da UFSC, Irineu, candidato à reeleição, ser atacado moralmente por essa turba de gente desonesta. Sujam aquilo que lhe é mais caro: a sua genuína honestidade. Vendo postagens nas redes sociais a impressão que se tem é de que o irineu é um monstrinho com sede de poder e, que, usando de sua condição de reitor, está manipulando as regras da eleição.


Isso é uma mentira. Mas, esse é o jogo dos desonestos. Mentir e mentir e mentir, até que pareça verdade. Até mesmo jornalistas de nome têm reproduzido essas mentiras, sem fazer o que é o mínimo no jornalismo: checar. Também temos visto políticos menores, buscando tirar uma casquinha, reproduzindo comentários totalmente descabidos. Um festival de desonestidade e vigarice.


Nós, na universidade, temos lutado uma vida inteira contra esses grupos que não suportam a democracia, que sonham em tornar a universidade seu pequeno feudo. Pessoas que defendem a constituição de uma aristocracia docente, acreditando que apenas os professores têm capacidade de dirigir. São contra o voto universal e abominam o voto paritário, que equilibra as categorias. Essas pessoas olham para os trabalhadores não-docentes com absoluta indiferença e não aceitam um espaço igualitário, no qual todos têm o mesmo peso e valor. São esses os que estão alardeando que a UFSC está um caos e que o Irineu é um inepto. Um velho e conhecido jogo sujo, que só explicita o preconceito e o autoritarismo. Querem voltar ao tempo da fazendinha, onde mandavam e desmandavam.


O reitor não tem nada a ver com a Comissão Eleitoral. Não é ele quem escolhe. Os integrantes da comissão são escolhidos nas categorias, pelos integrantes de cada categoria. Já faz algum tempo que esse grupo que sonha com a eleição 70/30 (que significa 70% de peso para os professores), tenta melar o processo eleitoral. Não é de hoje. E quando não consegue impor a sua proposta, faz beicinho e sai do jogo, mostrando que não sabe mesmo viver em democracia. Querem de volta a fazendinha.


O reitor da UFSC não tem nada a ver com a Comissão. Ela é autônoma, não responde a ele, não tem ligação alguma com ele. Isso foi uma conquista nossa. Tirar o processo da mão do poder instituído. O erro com relação à lista de Blumenau, foi um erro da comissão. Não há nenhum complô armado para fazer o Irineu ganhar a eleição usando de jogo sujo. Essa não é a prática das entidades que historicamente vem bancando o voto paritário. Basta uma olhadinha na história. Mas, quem se importa com a história, né? O que vale é acreditar em sujeitos abjetos como um ex-deputado direitista que quer fazer palco para sua próxima campanha política. O que vale é cegamente acreditar no discurso que quem pouco se importa com os destinos da universidade. O jogo nós já conhecemos bem. O tristemente famoso gabinete do ódio bolsonarista fez isso desde 2018, defendendo a família ( a sua), a pátria (dos EUA) e a propriedade (a sua). Um jogo que vem criando monstros e destruindo pessoas. Hoje seguimos vendo essa mesma prática, inclusive entre alguns que se dizem de esquerda. É dramático.


O cenário está em plena vista. Há que ter olhos para ver. A direita não discute a universidade. Ela ataca a pessoa do reitor. Porque ele não é da turma dos aristocratas. É o combo bolsonarista. A direita diz que é preciso "mudar” para transformar a UFSC. Transformar no quê? No seu reduto privado? Querem a volta da fazendinha.


Olho vivo, trabalhador. Olho vivo, estudante. A "mudança” proposta pela chapa da direita é nada mais, nada menos do que o retorno da universidade à esfera do privado. E isso é que é o caos. 


A gestão do Irineu/Joana pegou a UFSC em escombros, depois de uma pandemia e de encolhimento orçamentário. Não fez milagres, mas avançou em coisas muito importantes. 


Agora é disso que se trata: seguir avançando ou caminhar para trás. 


Por vezes "mudar” é o pior. O mudar que está na boca dos verde-amarelo é a volta da fazendinha. Tu quésh?