Passeando por Paris fui dar uma espiada no túmulo de Napoleão. Não para lhe render homenagens, mas para refletir sobre o papel desse homem para nós aqui no Brasil e na América Latina. Foi no Haiti, entre 1801 e 1803, que as tropas do famoso general sofreram sua primeira grande derrota no nosso continente, sendo escorraçados pelos negros vitoriosos. Essa derrota acabou com a ilusão de Napoleão de avançar aqui pelas nossas terras e, ao final, quem acabou ganhando foram os Estados Unidos, que arrebanharam o estado da Louisiana. É sabido também que foi Napoleão quem empurrou Dom João VI para o Brasil quando invadiu Portugal em 1807. E assim, instalou-se aqui o império, com uma série de implicações. Foi justamente por conta da vinda da corte que o Brasil pode contar com algumas melhorias. Para o bem e para o mal.
Assim que fui lá, ver como os franceses deram a ele sua última morada. O túmulo, imenso, está no Palácio dos Inválidos, criado por Luís XIV, em 1670, para dar abrigo aos inválidos dos seus exércitos. Ali estão os restos do general, trazidos da ilha de Santa Helena, onde morreu no exílio. A obra, de autoria do arquiteto Louis Visconti mais os escultores James Pradier e Pierre-Charles Simart, começou a ser planejada em 1840, mas só foi inaugurada em 1861, por Napoleão III.
O sarcófago de Napoleão fica numa cripta aberta cheia de esculturas impressionantes que representam as vitórias do general francês. Tudo é muito monumental, como foi a sua vida. Diante dele a gente vê que por mais incrível que seja uma vida, e por mais conquistas que alguém possa ter no campo da guerra, vai acabar assim, como qualquer um de nós: feito pó, em um túmulo.