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segunda-feira, 18 de março de 2024

A batalha da graduação

Meu sobrinho Paulo Renato Venuto, desde que entrou no curso de Música tinha o desejo de reverenciar a maestrina Silvia Beraldo, compositora e saxofonista, misto de mineira com catarina. Ela foi sua professora na Compasso Aberto e teve papel importante na sua formação. Por fim, depois de muita batalha para terminar o curso - no meio dos cuidados com o avô - ele finalmente conseguiu. Seu trabalho discute a importância de se trabalhar a história de vida do/a músico/a local no processo de sensibilização musical. E a pessoa a qual escolheu para centrar seu tema foi a Sílvia. Aqui neste vídeo produzido pela Pobres e Nojentas, uma das entrevistas realizadas para o trabalho, que contou com a parceira de Rubens Lopes, sempre afiado na câmera. Sílvia Beraldo, na sua madurez, linda, singela, doce e absolutamente maravilhosa. Uma das nossas grandes da música local...


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Gente da Terra lança mais um CD - cultura viva da nossa terra

Temos aqui em Florianópolis uma maravilha cultural. É o grupo Gente da Terra, que faz música com temas locais, que conta da vida cotidiana, da cultura, das brincadeiras. Um trabalho emocionante, instigante e de grande qualidade. Ancorado em Nilo Conceição e Amaro Manoel reúne uma gente bamba, de primeira linha. O Quarto CD do grupo será lançado nessa sexta-feira, dia 20, lá no Engenho do Ataíde, na Rodovia João Gualberto Soares - Rio Vermelho, as nove da noite. Paga 20 pila, vê o show e ainda leva o disco. Tudo de bom. Aqui dá para vê-los, no primeiro de maio do Campeche. Alegraram a praia e a vida da gente. 


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Música no Rancho da Canoa

Trabalho desenvolvido no Rancho de canoa da Praia do Campeche, apoiado pela Associação de Pescadores do bairro. Iniciativa de Getúlio Inácio, pescador e maestro.


terça-feira, 30 de julho de 2013

Alma húngara

Eu era menina e vivia na cidade de São Borja. Estranha guria, amante da solidão. Envolta em livros e velhos discos. Nos dias de verão intenso, quando o mundo parecia derreter e todas as almas faziam a sesta no pós meio dia, eu pegava a vitrolinha e ia para a varanda ouvir os discos do meu pai. Antigas canções sertanejas, música caipira de raiz. Ângela Maria, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Vicente Celestino, Silvio Caldas, Miguel Aceves Mejía. Não me cabiam nem o rock, nem o iê-iê-iê. Eu era uma guria velha.

Mas havia um disco em particular que me tirava do mundo. Na capa, uma cena de acampamento cigano. Uma fogueira, uma mulher morena, bonita, com véus coloridos e pandeiro na mão. Ela dançava e, à sua volta, os demais a miravam com fervor. Dentro da capa, o disco, já surradinho, trazia toda a sorte de canções húngaras. Violino, acordeão, uma coisa que parecia penetrar peito adentro, como uma flecha fervente. Havia uma delas em particular que me amolecia as pernas e me tomava inteira de paixão. Czardas. Nunca em toda vida uma música me emocionou tanto. Quando ela tocava, meu corpo magrinho assomava e, com os olhos fechados, eu ficava a dançar. Primeiro, piano, só o balançar dolente. Depois, aquela explosão de beleza.

Nada podia ser mais inverossímil. No interior do Rio Grande, de frente para a campanha infinita, uma guriazinha meio-charrua se fazia cigana, de alma e coração. E quando eles chegavam, os ciganos de verdade, eu os espiava cheia de vontade de ser roubada, para poder viajar pelo mundo dançando ao pé da fogueira. Até hoje, quando o violino começa a tocar, volto àqueles dias de infância. E minha alma voa para os não lugares da Hungria que nunca conheci, mas que sempre amei.

terça-feira, 4 de junho de 2013

No olho da rua


Num tempo em que a música popular está reduzida ao ostracismo por conta da imposição comercial das gravadoras, a Escola de Música Compasso Aberto, de Florianópolis, abre espaço para a discussão da cultura das ruas, da criação popular, da música de qualidade. Para isso, realiza nessa quarta-feira, dia 05 de junho, uma conversa aberta com o pianista e professor Márcio da Costa Ferreira Pinto. Márcio, que é formado na UDESC, tem pautado a sua vida no estudo da música popular brasileira, das antigas canções tradicionais, do universo popular. Na palestra, que acontece na sede da Compasso, às 19h30min, ele vai falar sobre essa trajetória e sobre como a música e o lugar onde ela é produzida podem se articular, abrindo possibilidades para o trabalho independente.

Para quem gosta de música e de saber da história da música brasileira, aí está uma pedida imperdível. 

Compasso Aberto - Avenida Rio Branco, 223 - Centro.

19h30min - Dia 05/06/2013


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cultura mexicana

A maravilhosa cantora mexicana, de Oaxaca, Lila Downs


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Denise de Castro

A cantora, compositora e instrumentista Denise de Castro apresenta novo show nesse dia 12 de novembro de 2103, segunda-feira, no projeto Panorama Sesc de Música. Local: Sesc da Prainha. Horários: meio-dia e 19h. O evento é gratuito. Boa pedida para ouvir essa extraordinária artista da nossa terra. Conheça um pouco de seus pensares...

sábado, 6 de outubro de 2012

A música do Pará



Esse brasilsão é mesmo uma maravilha. Em cada cantinho se esconde a beleza de uma cultura multifacetada, misturada, mestiça. E a música é um dos espaços onde essa cara brasileira consegue se expressar com infinita claridade. No norte, na região do Pará, vive uma dessas coisas lindas, capazes de nos enternecer até as lágrimas: Nilson Chaves.


Apesar de já ter andado tanta estrada numa larga carreira, esse poeta dos rios e da vida marajoara, não toca nas rádios, não aparece na televisão e tampouco é o queridinho das gravadoras. O motivo não é outro senão a riqueza de sua poesia, a delicada mirada do seu espaço geográfico, esse norte tão desconhecido no sul. Através de sua voz, Nilson conta as histórias do boto dos rios da Amazônia, do povo ribeirinho, das gentes do Pará, do açaí, do tacacá, o cotidiano de Belém, da beira do Guajará.


Nilson vai nos guiando pelas veredas úmidas do norte, na ternura do toque do violão, na delicadeza da voz, com aqueles seus olhos de rio. Impossível ouvir suas canções e não sentir a vastidão do mundo amazônico, naquilo que ele tem de grandioso e de especial. A música desse gigante do Pará é para ser ouvida assim, no final da tarde, enterrado na rede, mirando o pôr-do-sol.


Aqui vai um pouquinho dessa beleza, com outro monstro da música do norte, Vital Lima. Para conhecer e nunca mais deixar de ouvir.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Me llaman calle

Mais uma maravilha do Mano Chao. Sensível, poética, dura, bela.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Pedra do Urubu canta o Campeche


Campeche, espaço da cultura ilhoa, lugar de luta e de tradição. Na beira do mar, as canoas são ventres de peixe, que chegam aos milhares, pelas mãos dos pescadores do lugar. Quem é do Campeche aprendeu a se guiar no mar olhando para o morro do Lampião. Bem no alto, a pedra do urubu é como um farol. E, dali, as gentes podem abarcar a cidade inteira, numa visão de deslumbramento.

A pedra do urubu é o ponto mais alto da comunidade e serviu de inspiração para que um grupo de músicos começasse a cantar as coisas do lugar. A vida do Campeche e as coisas que o conformam viraram canções, sons, acordes, poemas. Assim nasceu a banda Pedra do Urubu, com a missão de universalizar aquilo que é mais singular no tradicional bairro do sul. A praia, o Bar do Chico, o morro do Lampião, a Lagoa da Chica, as gentes. E a música que vai nascendo torna-se hino e luta. Porque o povo do Campeche está sempre alerta com a proteção da natureza, dos bichos, das águas, dos seres.

Então, para quem quer conhecer a vida que vive na comunidade mais aguerrida dessa ilha, é só aportar no “Parada Roots”, um bar que fica na estrada geral do Rio Tavares, perto da Pedrita. Ali, nesse dia 07 de julho, a Banda Pedra do Urubu vai cantar o Campeche e as coisas bonitas que esse lugar tem. Depois das dez da noite é só somzera, som de raiz, meio açoriano, meio mané, meio gringo, tudo junto misturado. Um toque único, vibrando em uníssono, pelas mãos daqueles que escolheram esse espaço para viver. Pedra do Urubu, dez da noite, no Parada Roots, dia 07 de julho. Vale a pena arribar!

domingo, 10 de junho de 2012

Insólito e lindo....

A deusa do Pará (Joelma) e o mago da Paraíba (Zé Ramalho)


terça-feira, 3 de abril de 2012

quinta-feira, 8 de março de 2012

A música das gentes


Tudo que fala do humano e da vida que vive me toca a alma. E não precisa ser nada rebuscado. Às vezes, as pessoas simples dizem coisas simples que são tão preciosas e intensas, muito mais do que poemas herméticos de intelectuais consagrados. Ao povo, lhe interessa entender. Por isso não gosto de quem fica jogando pedra nas canções populares. Claro, sei muito bem que existe uma indústria da música, que coisas idiotas são criadas para entorpecer e alienar. Mas existem canções, de poesia simples, que caem no coração das gentes como um beijo molhado, e perduram. Isso tem de ser respeitado. Afinal, quem pode se arvorar em juiz do gosto do outro?
Outro dia morreu o Wando – um ícone popular - e muita gente falou de seus sucessos. Outros criticaram e apontaram a mediocridade de suas letras, chamando de lixo o que produzia. Bem assim se fez quando o sucesso de verão de Michel Teló invadiu até a Europa. E é o que sempre dizem quando uma música “brega” estoura e torna-se uma epidemia popular. Parece que o gosto da maioria não carece de respeito algum. A mídia inventa sim, mas nada perdura se não tiver sido plantado no mais profundo das gentes.
Ocorre que as pessoas carregam uma sabedoria dentro delas, que está para além das academias, das salas de arte e dos cafés intelectuais. Então, assim como um poema do Chico, uma letra do Michel Sulivam pode dizer a mesma coisa, só que de um jeito diferente, entendível por qualquer um. O Chico fala do amor com a sua bagagem de conhecimento e cultura formal, adquirida nos melhores colégios, no convívio com os intelectuais e tudo mais. Os compositores populares, sem a poética do Chico, falam desde uma poética própria, da vida mesma, do que lhes brota da alma, de um jeito muito intuitivo, e que penetra nas gentes que igualmente experimentam os mesmos sentimentos. O amor, a separação, a traição, a dor, a alegria, essas coisas abstratas, que hora ou outra se concretizam no cotidiano.
Eu cresci ouvindo música sertaneja, canções de Ângela Maria, Agnaldo Timóteo, Miguel Aceves Mejia e nunca pude perceber ali nada além da vida se expressando. Cresci, estudei, consigo entender o hermetismo da poesia “cabeça”, mas, vez em quando assoma em mim essa vontade de Jane e Herondi, José Augusto, Marcio Greyck, Liu e Leo, Tonico e Tinoco, Nilton César, Fernando Mendes, Os Fevers, Sérgio Reis, esses poetas populares cantados à exaustão nas serenatas mineiras que embalaram minha juventude. Eu sou essa simplicidade brega, concreta, imanente.
Com todo o respeito, que se fodam os guardiões da poesia e da música rebuscada. Há lugar para todas. Posso me deliciar com uma canção do Milton Nascimento, uma sonata de Bach, e me emocionar com a dor do que foi abandonado no breguíssimo clássico do Reginaldo Rossi, chorando junto ao garçom. Assim também são as gentes. Gostar do Ovelha não quer dizer que não se pode curtir Maria Rita. Basta lembrar que até o Caetano cantar uma música dele, o Peninha era brega. Então, não há uma hipocrisia e um esnobismo aí?