Este é um ano eleitoral na UFSC. Encerra-se o mandato do reitor e novas eleições acontecerão no dia primeiro de abril. E, como é de praxe, as forças políticas vão se mostrar e se acomodar. No geral tudo acontece num cenário de tranquilidade, mas sempre há eventos mirabolantes. Neste ano, foi a renúncia da vice-reitora aos 44 minutos do segundo tempo. Não podemos dizer que foi uma surpresa, pois o grupo que ela liderava na gestão já tinha pulado fora em outubro do ano passado. Na época o grupo apresentou uma carta fazendo críticas à gestão, como se ela não fizesse parte, mas apontava que gostaria de continuar nas cargas. O que obviamente não foi aceito. Se você estava tão ruim, por que seguir? E ainda sem se comprometer com a gestão?
Encerrado esse capítulo, a UFSC avançou. Agora, a poucos dias da eleição a vice-reitora entrega uma carta de renúncia acusando violência de gênero e ações antidemocráticas. Paradoxalmente, aponta, na mesma carta, uma série de ações que ela e seu grupo relataram e que foram acatadas pela gestão. Onde está a falta de democracia e a violência? Onde o desrespeito? Carta estranha!
Diz ainda que o reitor tem sido passivo diante da crise orçamentária, como se não tivesse acontecido ao longo deste mandato reuniões, encontros em Brasília e todo o ritual de pressão junto ao governo federal. Ser ativo e buscar novas conexões seria o quê? Buscar dinheiro privado com empresas em parcerias nas quais as pesquisas públicas seriam privadas? Ou quem sabe recursos via Embaixada dos Estados Unidos? Vale lembrar que o governo Lula reduziu significativamente os orçamentos das IFES e mesmo a recomposição do Congresso veio todas para as universidades. Sendo a vice ligada ao partido do presidente cabe perguntar: o que fez ela para iniciar o governo e garantir verbalmente? Pois é!
Para quem vive na UFSC e aqui milita desde 1994 cabe dizer que poucas gestões conseguiram garantir um nível de participação nas instâncias como esta comandada pelo professor Irineu. Essa é uma marca da sua ação, desde que era a direção técnico-administrativa do departamento pessoal. Uma marca indelével. No CSE, onde foi diretor, instituiu um regimento que ampliou e garantiu instâncias de participação como jamais se tinha visto. Sua competência se revela justamente na capacidade de não fazer alarde das dificuldades e enfrentá-las de frente, com seu jeitinho de garoto do interior. Silencioso e diligente, mas nunca choramingas. Humilde e firme.
Humanidade? No que diz respeito ao Irineu posso atestar que nas últimas três décadas nenhuma gestão foi tão amorosa e cuidadosa com os trabalhadores docentes e técnicos, bem como com os estudantes. O Irineu é um líder que não se impõe pelo grito. É pelo trabalho. Sendo o primeiro a chegar e o último a sair, atento a tudo que diz respeito à UFSC. Não é dado a arroubos, nem discursos eloquentes, mas pode ser um ouvido atento, como poucos. E sendo atento, avançamos para a resolução dos problemas.
Entendeu-se a saída da vice-reitora, mas se a discordância era tão grande, parece que demorou demais. Estaria ela esperando a primeira notificação do convite para uma carga no governo Lula, conforme ofício enviado ao reitor pelo Ministério das Mulheres datado de dia 13 de fevereiro? Definido o cargo no governo em Brasília, decidiu renunciar. Posição confortável, e não muito leal. Tudo bem. Faz parte do jogo político, ainda que no campo da pequena política.
Encerrada essa fase, cabe a nós seguirmos a batalha na UFSC e no dia primeiro de abril votar por mais um mandato encabeçado por Irineu porque ele mostrou, sim, que é possível avançar, mesmo na dificuldade. Não sem tropeços, mas sempre buscando o melhor.
Esperamos que, desta vez, os aliados sejam aliados e estejam juntos pelo bem da UFSC e não por interesses particularistas.
Vamu que vamu... Irineu, melhor pessoa...
