sábado, 16 de julho de 2016

Eleições para o Sintufsc - é hora de mudar













A campanha já está viva no campus. 






Dia 10 de agosto os trabalhadores da UFSC decidirão qual tipo de sindicato eles querem ter. Pode ser o que está aí: que dá prêmios para alguns, que faz festas, que destrói a luta – como na greve das 30 horas – que esvazia a política. Ou pode ser um sindicato que faz a luta acontecer, que é criativo, que enfrenta os desafios, que buscar formar os trabalhadores, que discute no campo da grande política e que também festeja.

Estou com o sindicato que se expressa agora nesse alaranjado do amanhecer. Uma proposta que bebe nas profundas águas do passado, respeitando as velhas lideranças, aqueles e aquelas que nos distantes anos 80 também se vestiram de laranja para propor uma “Alternativa Independente”.  E que, naqueles dias, garantiram a mudança na vida da UFSC e a criação desse sindicato que hora disputamos. Estou com essa gurizada que chegou nos piores tempos da UFSC – de apatia e silêncios – e, de cara, provocou a movimentação com suas vozes claras, com seus risos de cristal, com sua força de luta.

Como não estar lado a lado com essa gente – novos e velhos - que ousou fazer uma das  greves mais bonitas da UFSC: a  que colocou a universidade de portas abertas, mostrando o quanto era possível implantar o turno das seis horas. E quanta beleza se fez naqueles dias de balões, cores, tambores e palavras de ordem.

Agora será hora de decidir o caminho dos próximos anos, anos de recessão, de arrocho, de conservadorismo explícito. Um caminho que só poderá ser trilhado junto com aqueles e aquelas que se dispõem à luta concreta, verdadeira. A companheirada da Chapa 1  - TAES LIVRES é essa estrada. Porque eles e elas, acertadamente, não colocaram de lado toda uma história de luta que foi travada dentro desse espaço que é a nossa casa, a UFSC. No reconhecimento do passado e de toda a vida que se constituiu a cada greve, cada movimento, cada conquista, esse grupo se fez e se fortaleceu, recolhendo as boas experiências e inventando novos rumos.

A CHAPA 1 – TAES LIVRES  é barro pisado de muitos pés, muito suor, muitas lutas, muita história. Tem fortaleza, tem doçura, tem alegria, tem garra, tem história, tem sonhos, tem esperanças e tem fé. Essa coisa meio sem sentido que a gente sente diante do impossível, mas que é o que move o mundo.
Nossa chapa TAES LIVRES tem fé em cada trabalhador e cada trabalhadora da UFSC. Acredita firmemente que os que querem uma universidade melhor para trabalhar e para criar conhecimento para toda a sociedade colocarão seu voto na urna como uma voto na CHAPA 1. Nós temos fé e esperança em ti colega, que conhece a batalha que vem sendo travada para reviver o sindicato de luta, o nosso sindicato.


Assim, quando o dia 10 de agosto amanhecer, alaranjado e bonito, nós estaremos todos construindo um tempo novo na UFSC. Acredite nisso também e venha conosco. Vote 1 e junte-se a nós, TAEs Livres. 

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Quero de volta a família
















Sim, a sociedade moderna matou a família. E essa não é uma constatação moral. Mas uma observação prática. Quando a vida da família era permeada de tias, primos, primas, avós, não havia abandonos. Agora não, nas famílias mononucleares, não há espaço para o cuidado. Se há um filho, quem vai cuidar? A babá, a TV, a creche. Nos tempos das grandes famílias essa não era uma preocupação. As crianças viviam livres e soltas porque havia sempre alguém de olho: uma mãe, uma tia, uma parenta distante, uma avó. E elas cuidavam de todos, sem distinção.

Na minha infância, toda reca de crianças que havia na rua  estava aparentemente livre, mas sempre sob a vigilância de alguém. Nenhum menino ou menina saia do entorno da rua sem que alguma vizinha já não colocasse freio. E todos os mais velhos tinham completa ascendência sobre a turma. Nosso limite era dona Noêmia, na ponta da rua ou então o seu Ciro, que tinha uma espécie de oficina, sempre com as portas escancaradas, vigiando a gurizada.

No alto da esquina, em frente o bar da Dona Zezé ficava o Newton, Que era considerado o “louco” da rua, mas ao qual todos obedeciam. Os filhos eram filhos de todos e se algum se machucava nas correrias, sempre haveria alguém para resolver o problema.

A mesma coisa acontecia com os velhos.  Nenhum dele ficava abandonado ou ia para um asilo. Nos dias de sol, eles ficavam na calçada, sempre vigiado pela gurizada ou por algum adolescente. Qualquer movimento em falta, e lá já estava alguém ajudando. Se ficassem muito agitados, havia quem os acalmasse, e se precisasse de ajuda para um banho ou um passeio a comunidade estava a postos.

Hoje não, estamos sozinhos. Na rua poucos se conhecem e também estão se lixando para a vida do outro. Cada um que cuide do seu. As crianças, ou tomam Rivotril, ou são encarceradas pelas babás. E os velhos, ah, os velhos. Esses viram prisioneiros, seja nos asilos ou nas casas sem afeto. E não é porque as famílias sejam ruins. Como trabalhar? Como ganhar dinheiro para sustentar a família e ainda oferecer todo o cuidado – que é de 24 horas  - a uma pessoa idosa? E como pagar por um cuidador, quando a vida já tá tão dura? Sobra o asilo, decisão tão dura.

Eu mesma tenho uma penca de velhos muito amados vivendo seu momento de ocaso. Tios, tias, amigas, pai, todos eles precisando daquela atenção redobrada, do cuidado, do carinho, da paciência, da vigilância 24 horas. E como fazer? Cada um num lugar, cada um tão sozinho, entregue à solidão, em lugares distantes.

E tudo o que eu queria era poder reuni-los numa dessas ruas do passado, nas quais ninguém ficava em solidão e tudo era solidariedade.


Mas, o passado não volta mais. Restam-nos as soluções individuais, nem sempre fáceis. Por isso fico a pensar que a família era mesmo a coisa mais importante do mundo, porque a família era comunidade. Hoje não temos mais nenhuma delas. Nem família, nem comunidade. Estamos sós, mirando o abismo! 


terça-feira, 12 de julho de 2016

Sindicatos e trabalhadores: um mundo de contradições


 Colegas em luta
Janice Miranda 










Dirigentes no contra-ato


Sempre foi conflituosa a relação entre direções e trabalhadores de sindicatos. No mais das vezes a tendência é contratar pessoas que estão mais afinadas com o posicionamento político das direções de plantão. O que é ruim para o trabalhador, porque ele sempre estará na corda bamba, esperando que a direção se perpetue para não perder o emprego. E também é ruim para os dirigentes que, sendo de outras tendências políticas, se deparam com pessoas da confiança da chapa anterior no coração da entidade. Esse é um conflito vivido cotidianamente por dirigentes e trabalhadores.

Alguns sindicatos maiores, que têm estrutura grande e empregam mais pessoas, encontram saídas para esse problema realizando concursos, o que parece mais democrático. Mas, mesmo assim, como o trabalho de sindicato é diferenciado, é comum que os trabalhadores se afinem com uma ou outra direção. Logo, é preciso muita habilidade para lidar com todos os problemas que surgem. Não é fácil. Mas, também não é difícil. Ainda assim, não é raro acontecer denúncias de assédio moral, assédio sexual e violências contra trabalhadores de sindicatos por parte de sindicalistas. Em Santa Catarina muitos casos com esse teor foram denunciados e é sempre muito doloroso, porque é como cortar a própria carne, já que todos fazem parte da classe trabalhadora e acusar um dirigente sindical gera sempre um drama na cabeça do trabalhador, que ultrapassa o próprio drama vivido.

Essa semana a cidade de Florianópolis viveu um caso que se enquadra dentro desse contexto. O Sindicato dos Bancários demitiu uma jornalista, com 12 anos de casa, sem estabelecer uma justa causa. Considerando que a jornalista, Janice Miranda, é uma trabalhadora lesionada com diagnóstico de LER/DORT já há alguns anos, e que sua demissão não se enquadra em nenhuma das justificativas acordadas na cláusula 35 do acordo vigente entre os sindicatos e o Sindicato dos Trabalhadores em Entidades Sindicais (SINDES), a entidade que a representa decidiu dialogar com o Sindicato dos Bancários, sem sucesso. Na falta de diálogo, e não concordando com a demissão fora do acordado, o SINDES decidiu chamar um ato de protesto para o dia que foi proposto para homologar a demissão.

O ato aconteceu nessa segunda-feira, dia 11 de julho, com a participação de trabalhadores em sindicatos e jornalistas que foram se solidarizar com a colega. Para surpresa de todos, o Sindicato dos Bancários promoveu um contra-ato. Com uma Combi de som, a diretoria buscava abafar o discurso que se fazia em uma pequena caixinha de som, pelo SINDES, em defesa de Janice. A cena era surreal. De um lado da calçada, os trabalhadores de sindicatos, bem como a jornalista demitida. Do outro lado, os dirigentes do Sindicato dos Bancários falando sobre o fora Temer e discursando contra as terceirizações no setor bancário. De costas para os manifestantes, os dirigentes dos bancários falavam para eles mesmos fazendo alusões de que os que estavam do outro lado da rua estavam tentando desestabilizar a luta da classe trabalhadora. Uma cena triste e patética.

Num determinado momento, duas viaturas da Polícia Militar passaram pela rua e pararam. Não se sabe se foram chamadas pelos bancários ou não. O fato é que os policiais vieram e ordenaram que não se usasse mais a caixa de som. Os trabalhadores que se manifestavam disseram que desligariam desde que os dirigentes bancários também deixassem de usar a Combi de som. E assim foi.

Ainda assim o protesto dos trabalhadores não esmoreceu e todos se dirigiram para a outra rua, na segunda entrada do Sindicato dos Bancários, e ali ficariam até às três horas da tarde, horário marcado para a homologação da demissão. E, de novo, enfrentaram a Combi dos dirigentes, falando em “defesa do trabalhador”.  O SINDES emitiu um documento, o qual foi entregue ao Sindicato dos Bancários, recusando-se a participar da homologação. Segundo o SINDES, o sindicato reconhecia a doença de Janice desde 2006, uma LER/DORT, e deliberadamente se omitiu de registrar a reabertura de uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), depois que a jornalista voltou de mais uma licença médica.

Para os colegas que participaram do ato em defesa da jornalista Janice Miranda, a posição do Sindicato dos Bancários foi autoritária e imoral, já que se trata de uma trabalhadora adoecida pelo trabalho que desenvolve. “O sindicato pode demitir, é lógico. Mas, precisa ter uma prática diferenciada, já que também defende trabalhadores. Tinha que ter discutido com a trabalhadora, ter conversado com o SINDES, estabelecido um diálogo franco”.

Mas, não foi o que aconteceu, daí a proposta de ato que foi acolhida por grande número de trabalhadores em sindicato.

A direção do Sindicato dos Bancários emitiu uma nota, na qual argumenta que a demissão da jornalista foi um ato administrativo da direção visando o “aprimoramento das relações de trabalho e atendimento à necessidade de adequação do quadro funcional”. Também diz que foi feita a avaliação médica e que essa garante ser a doença da jornalista uma “doença comum”.  Também informa a nota que o sindicato pode demitir sem justa causa, conforme o artigo 32 do acordo coletivo de trabalho. A nota fala sobre os investimentos feitos pelo sindicato na saúde do trabalhador e repudia a ação do SINDES, e considera “as declarações inverídicas, oportunistas e desmedidas”, por parte do SINDES.

O fato é que a trabalhadora em questão tem LER/DORT reconhecida e diagnosticada desde 2006. Para quem não sabe, essa é uma lesão por esforço repetitivo, adquirida por conta do tipo de trabalho, no caso do jornalista, a digitação. E é fato também que o sistema capitalista de produção não está nem aí para as doenças que provoca no trabalhador. Quando ele não serve mais, joga-se fora e contrata-se outro. Esperava-se que num sindicato de trabalhadores as relações de trabalho fossem menos impessoais e vorazes. Afinal, todos estão submetidos ao mesmo chicote da produção. Mas, essa é uma relação que precisa de muito diálogo, de superação de divergências pessoais e de maturidade política.

A luta dos trabalhadores – como classe explorada – não é coisa fácil, ainda mais quando tem de travar lutas intra-classe, fragilizando e fragmentando ainda mais uma luta que deveria ser coletiva e unificada. 

Nesse caso, quem se delicia é o capital.


Já a dor da Janice só pode ser narrada por nós, trabalhadores, e no, abraço fraterno, encontrar solidariedade. A perplexidade que fica não esmorece a luta por um sindicalismo generoso com seus trabalhadores e diferenciado no trato da demissão. 

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Quando adoecer é um pecado













Janice Miranda, estamos contigo.


Janice Miranda é jornalista e trabalha no Sindicato dos Bancários de Florianópolis. Janice adquiriu uma doença por conta do trabalho, uma doença muito comum entre jornalistas ou pessoas que precisam repetir movimentos: a LER/DORT. Por conta dessa doença, Janice precisava ficar em repouso por períodos sistemáticos. E, nesses dias, Janice não podia trabalhar. Nesses dias de repouso, Janice não produzia. Não dava. Tinha muita dor.

Janice passou a ser vista pelos “patrões” como alguém que dava muita despesa e produzia pouco. Janice sofria com isso, mas calava, afinal, precisava vender sua força de trabalho, ainda que lesionada. Janice resistiu por muito tempo, trabalhando mesmo quando o corpo inteiro pedia para que parasse.

Janice foi demitida há alguns dias pelo Sindicato dos Bancários. Janice dava despesa e não produzia. Dane-se a dor da Janice. Dane-se que ela tenha dado seu sangue por mais de uma década a um sindicato de trabalhadores. Dane-se que agora ela estava “estragada”. Janice foi mandada embora. Já não eram mais necessários seus serviços.

Tudo bem. A gente sabe que no capitalismo é assim. Não precisa motivo para um patrão mandar embora. Patrão tem prerrogativa sobre o que quer ou não para si. E ao trabalhador resta aceitar e seguir em frente, vendendo sua força de trabalho a outro. Mas esse não era um “patrão” qualquer. Era um sindicato, que tem como premissa defender o trabalhador. Paradoxalmente, os bancários são parte de uma categoria que sofre muito com essa lesão por esforço repetitivo. Mas, para Janice não teve defesa. Ela dava despesa e não produzia o suficiente.

Ocorre que Janice não está sozinha. Ela tem um sindicato. O sindicato dos trabalhadores em sindicato. Pode até parecer loucura, mas não é. Sindicatos também se comportam como patrões e os trabalhadores de sindicato precisam de um sindicato que os defenda. E o SINDES está defendendo a Janice.

O SINDES realiza hoje um ato de protesto em frente ao Sindicato dos Bancários. Das 11h  às 15h. Considera a demissão ilegal por se tratar de uma trabalhadora lesionada, portando com estabilidade. O SINDES vai lutar e nós também. Porque hoje é a Janice, amanhã pode ser qualquer um de nós.
No sistema capitalista é assim. O trabalhador trabalha até esgotar e quando ele fica doente é jogado no lixo. Mas, o sistema capitalista precisa saber que os trabalhadores se organizam e lutam, juntos, contra o terror. E quando os trabalhadores se junta, eles vencem.

Venha para o protesto. Traga seu apoio. 11h, em frente ao Sindicato dos bancários, na Rua dos Ilhéus. Janice precisa de nossos braços e abraços. E nós estaremos lá!




quarta-feira, 6 de julho de 2016

Como sobreviver aos terminais urbanos depois das seis horas

































Voltar para casa depois de um dia inteiro na loucura do trabalho deveria ser uma bênção. Em Florianópolis, não é. Não para quem mora no interior da ilha, na região mais empobrecida. Enquanto moradores dos bairros mais próximos como Estreito, Coqueiros e Itaguaçu têm ônibus saindo de cinco em cinco minutos, quem vive no sul, por exemplo, amarga longa espera que pode variar de 20 até 50 minutos. Tempo demais para quem perde mais de duas horas num percurso de 23 quilômetros. Nessa hora vale falar mal do capitalismo, o estado, a classe dominante e todo o processo de produção que consome o trabalhador, extrai sua mais-valia e ainda o expulsa para as periferias das cidades. Mas, afinal, há que enfrentar o terrível cotidiano.

Nessa hora de angústia também nos assalta o terrível desejo de entrar no “confortável” mundo das drogas que, de certo, nos alienaria, permitindo que fizéssemos a travessia do inferno em relativa calma. Mas, essa é uma péssima opção, porque pode nos levar a outros infernos, ainda mais quentes. Então. Ao longo desse interminável calvário desenvolvi algumas técnicas que me permitem adentrar à loucura do Terminal Urbano depois das seis horas e chegar, intacta, em casa, sem nenhum surto de violência ou colapso mental.

Dez dicas infalíveis:

1  - Como o  Terminal Urbano Central é a primeira parada  - vindo da UFSC – e a passagem integrada tem validade de uma hora, a melhor coisa a fazer é sair do terminal e dar uma volta rápida pelo centro. Espairecer. Cinco minutos de pernada pela Conselheiro, Felipe e a gente já se anima.

2  - Uma paradinha no quiosque amarelo em frente ao camelódromo para uma cerveja, enquanto observamos a massa de gente fluir para o terminal. É bom ver aquele movimento todo, as pessoas, a correria. Aí, com a breja, tu já fica tontinho e pode atravessar o terminal no meio da multidão. Ants era no Mercado Público, mas agora, lá, virou ponto da burguesia e o bolso não alcança.

3 – Desenvolver técnicas ninja de ultrapassagem de pessoas, evitando amassamentos, cotoveladas e empurrões. Não é bolinho chegar até a fila do Rio Tavares. É preciso muito treinamento Jedi, mas isso pode ser conseguido nos finais de semana.

4 - Ter sempre à mão um mp3, com pelo menos mil músicas da sua preferência, todas em português ou espanhol, para que possas cantar bem alto, enquanto espera na fila pelo ônibus no qual irás sentado. O que significa que passarão quatro ou cinco carros até que chegue a tua vez. Cantar espanta os demônios. Nessa hora também vale balançar o esqueleto.

5 – Ter sempre na bolsa um bom livro para ler porque a jornada é longa. Com os engarrafamentos no elevado e na SC 405, muito tempo passará e certamente um “Crime e Castigo” vai todinho. Tem que ser um bom trabalho de descrição que é para agitar o cérebro. Há quem prefira ficar olhando o celular, mas isso não é legal, perturba demais a mente. Melhor um livro, melhor um livro.

6 – Carregar sempre um casaco na bolsa, mesmo no verão, porque a ventania no Terminal Rio Tavares é pura pankeira e não dá para enfrentar o vento suli de cara.

7 – Já no terminal Rio Tavares comprar um chá de mate para sorver enquanto espera mais trinta minutos pelo terceiro ônibus. Nesse momento, pode-se misturar o chá ao ponto 4, ouvindo música, e cantando enquanto não sorve o líquido energético.

8  - Depois que entrar no Castanheira, último carro da odisseia, basta esperar que chegue, enfim, o ponto perto de casa. No trajeto – de 30 minutos -  vá olhando as casas, os condomínios em construção, as pessoas com suas caras tristes, afinal, é sempre bom manter-se firme na realidade.

9 - Por fim, em casa, abrace os gatos e brinque com os cachorros. Eles te darão a energia necessária para enfrentar as tarefas domésticas que te aguardam e a certeza de que no dia seguinte tudo será como sempre.


10 – Antes de dormir faça um escalda-pés. Ainda é o melhor remédio para o corpo e alma. E claro, se tiver um vinho na reta, tome um pouquinho. Dizem que vale uma vida. Já na cama, abra o velho livro de cabeceira e leia algumas páginas. É tiro e queda para tornar a vida melhor. O capital: Karl Marx.

A Polônia e o totalitarismo




















Fascistas estão nas ruas da polônia e mostram sua força

Um dos elementos do avanço neo-fascista no mundo é a violência contra todo aquele que pensa diferente. O totalitarismo, a censura, o amordaçamento das vozes dissonantes passam a ser regra. Isso é algo que se verifica com bastante clareza na Polônia, país que viveu e ainda tem vivido um grave conflito por conta da ascensão da ultra direita ao poder.

Quem tem sofrido mais ataques naquela região, hoje dominada por forças totalitárias, são os comunistas. A perseguição aos militantes tem sido sistemática. O Partido Comunista da Polônia divulgou recentemente nota sobre uma decisão tomada pelo Tribunal Regional de Dabrowa Górnicza, a qual condena quatro pessoas ligadas ao partido, a nove meses de liberdade vigiada, multa e obrigação de serviços comunitários. A decisão foi tomada com base no artigo 256.1 do Código Penal polaco, que prevê até dois anos de prisão a quem “publicamente promova o fascismo ou outro sistema estatal totalitário”.  Segundo os juízes, essas pessoas estavam ferindo essa lei ao propagaram propaganda ideológica comunista no jornal Brzask  e na página oficial do PCP.

O pedido de prisão dessas nove pessoas foi efetuado ainda em 2013, pelo deputado de direita, pertencente ao partido Lei e Justiça (PiS), Bartosz Kownacki. Na peça de acusação a denuncia era de que os militantes comunistas estavam promovendo o totalitarismo ao escreverem seus artigos no jornal e na página do partido, fazendo referências ao marxismo-leninismo.

Todo o trabalho de defesa foi feito, com a alegação de que o Partido, por ser Comunista, tinha todo o direito de informar às pessoas sobre suas propostas e deixar claro qual a filiação filosófica a qual estava ligado. E que tentar calar a voz dos militantes era o mesmo que colocar em questão a legalidade do próprio PCP. Mas, com a vitória do Partido Lei e Justiça nas eleições do ano passado, o processo de totalitarismo tem se aprofundado na Polônia, com a perseguição sistemática de qualquer um que pense diferente. Ou seja, os totalitários acusam os comunistas de pregarem o totalitarismo. Um paradoxo, mas bastante compreensível a se ter em conta o que acontece no país, onde a onda conservadora chegou com a força das armas.

É importante lembrar que enquanto os militantes comunistas estão sendo julgados e condenados por defenderem essa forma de organizar o mundo, os grupos fascistas seguem se manifestando livremente nas ruas. Um exemplo é a organização ONR (Campo Nacional Radical), de extrema direita, que na comemoração de seus 82 anos de existência realizou passeata com a exposição de seus símbolos, tochas e fazendo ameaças de eliminação de todos os inimigos, tudo isso publicamente, sem qualquer ação por parte da polícia ou do governo.

Pelo contrario, conforme informações de Ástor García, do Partido Comunista do Povo Espanhol, o governo polonês e os legisladores estão discutindo uma proposta do Ministério da Defesa que é a de entregar armas aos fascistas dentro do que eles chamam de “plano de defesa ampliada”. A meta é acabar com o comunismo e com as pessoas que defendem essa forma de organização da sociedade. Assim, não bastasse a violência declarada dos grupos fascistas,  o parlamento também já aprovou uma lei que proíbe qualquer referência a socialismo ou comunismo, e que obriga as autoridades locais a mudar nomes de ruas e locais públicos que sejam associados ao período que a Polônia viveu sob essa bandeira.

Segundo os trabalhadores que denunciam a onda violenta do fascismo na Polônia, esse tipo de campanha, bem como a condenação dos militantes poloneses, faz parte de uma orquestrada campanha anticomunista que já se desencadeou em todo leste europeu, apoiada pelas lideranças políticas da União Europeia. Em documentos que são divulgados pela internet, os trabalhadores pedem a solidariedade mundial no que diz respeito ao direito de expressão. Se há algum totalitarismo se expressando hoje na Polônia é o fascismo redivivo. Pode-se criticar o socialismo real e pode-se também recusar a ideia do comunismo, mas, num mundo dito democrático, o mínimo que se espera é que as ideias possam ser debatidas livremente.

Pelo que se vê, na Polônia, com a ascensão dos fascistas, numa fratricida guerra promovida pelas forças dos EUA e aliados para enfraquecer o bloco russo, o dito totalitarismo comunista está sendo aplastado pelo totalitarismo ocidental. Triste destino dos poloneses. E, nesse embate, quem morre é a liberdade de expressão daqueles que pensam diferente, quando não as pessoas mesmas.

Sem comparar as realidades históricas, que são radicalmente diferentes, podemos pensar sobre o avanço das ideias totalitárias aqui no Brasil, onde pessoas de uma religião se arvoram melhores que as de outra, onde pessoas atacam casas de umbanda, onde pessoas agridem outras por estas estarem de vermelho, onde um deputado pode dizer em plenário que estupraria uma colega e pode pregar a violência explícita contra os que considera inimigos, sem que nada lhes aconteça. Esses pequenos sinais proto-fascistas devem ser combatidos sob pena de também vermos desaparecer o tão incensado “direito de livre expressão” e liberdade de sermos quem quisermos ser.

Toda solidariedade aos trabalhadores poloneses. E olho atento sobre a nossa realidade local.



sexta-feira, 1 de julho de 2016

Programa Pensamento Crítico

Trabalho de análise da conjuntura latino-americana produzido pelo Instituto de estudos latino-Americanos. Imagens e edição: Rubens Lopes. Apresentação: Elaine Tavares. O tema do número 07 é o trabalho.