segunda-feira, 9 de maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

A barbárie e a estupidez jornalística


Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria? O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente Cuba seria retaliada e com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.

Mas, como foi os Estados Unidos que entrou no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo.

Agora imagine mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o “demônio”. Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do “demônio”. Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar. Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.

E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser.

O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.

Olha, eu sei lá, mas o que vi ontem na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que imperam o tal do “estado de direito”. Não há mais limites para o império. Definitivamente são tempos sombrios. E pelo que se vê, voltamos ao tempo do farwest, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!

domingo, 1 de maio de 2011

Um chope...

A delicada presença de Paulo Diniz

quinta-feira, 28 de abril de 2011

De mundos instrumentais

Esse é um mundo doente, de competições e uso instrumental das pessoas. Quantos daqueles que julgamos próximos não sugam toda energia possível quando estão mal, e quando felizes nos tiram de seus cadernos? Nunca há espaço para compartilhar alegrias. Só dores. Nestes dias sombrios, em que, como dizia Brecht, "aquele que ri não recebeu a terrível notícia", talvez seja hora de rever as atitudes. Ando tal e qual aquela música da Vanusa.. "Hoje eu vou mudar"... A entrega leal e solidária é burra... Há um filósofo que diz: num mundo de fugitivos, aqueles que ficam é que parecem estar fugindo... ai, ai...

sábado, 23 de abril de 2011

Dário aumentou, estudante gritou

Veja o vídeo da primeira manifestação do ano em Florianópolis, contra as altas tarifas, pela Tarifa Zero.


Uma cidade para se estar



A cidade deveria existir para as pessoas. Ser lugar de encontro, de contemplação, espaço de partilha generosa e cooperativa. Mas, o que se vê, hoje, é que a cidade é só um lugar onde se passa. Não há tempo para se deixar ficar. É a cidade capitalista, sem qualquer humanidade. Florianópolis é assim. Lugar de carros, de gente que cruza apressada em direção a algum centro de compras. Nas duas principais ruas do centro, que viraram calçadão, a vida se mostra, em riqueza. Mas quase não se pode ver. Porque ali é o espaço da pressa, da ligeireza, da azáfama da compra, do grande afã pelo nada a ver.


Até há alguns anos ainda havia a possibilidade de a gente ficar sentada no Ponto Chic, quando existiam aquelas mesinhas de lata vermelha. Tomava-se uma cerveja, lia-se um livro e ficava-se a observar a correria desenfreada dos “consumidores”. Hoje não há nem isso. Nas ruas do centro há dois bancos em frente ao insuportável Mc Donalds, umas poucas mesas em frente ao Bobs, e pronto. E são lugares para o consumo, alienígenas. Nenhum espaço para descansar ou simplesmente ficar a olhar o movimento. Pois eu reivindico bancos nas ruas.


Outro dia estive em Montevidéu e o que vi me deixou pasmada. Por todas as principais ruas do centro abundam os bancos. Estão em toda a extensão da via. E, as pessoas podem ficar por ali, sentadas, sentindo a brisa, tomando sol, sorvendo o chimarrão, ou apenas olhando a vida passar. No final da tarde vêem-se famílias inteiras sentadas nos bancos enquanto a cidade segue o seu ritmo. As pessoas compram coisas, mas também se deixam ficar. É uma outra cadência. A vida não é um frenético comprar. E isso transparece também nas bancas da Praça da Matriz, nas quais pessoas mais velhas vendem coisas antigas. Colheres de prata, baixelas da década de 30, coisas sem nenhuma serventia, objetos de arte.


E aquilo ali é um adorável e tranqüilo mercado, no qual os que vendem e os que compram se conhecem. As pessoas se demoram vasculhando bugigangas em meio a uma imensidão de coisinhas, bibelôs, tralhas e belezas. A vida é lenta sob a fresca das árvores. Um sorvete, um descanso no banco. A cidade de Montevidéu é uma cidade para se viver.


De volta a minha amada Florianópolis era isso que eu queria ver. De novo os artesãos lá na Praça XV, como antes, tocando suas flautas, com seus badulaques e a gente rodando a praça mil vezes, olhando, tocando, sentindo, cheirando. Queria que pudessem existir bancos por toda a extensão da Felipe e da Conselheiro. Para que a gente pudesse ficar, a larga, observando a vida passar no corre-corre do dia. Lugares para simplesmente estar, sem a obrigação de consumir. Espaços de vivência, de esperas, de lentidão.


Eu reivindico uma cidade que tenha bancos esparramados pelas ruas, e árvores frutíferas, e sombras, e música. Uma cidade para as pessoas!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Nossa ilha na telona

Estreia no dia 29, em todos os cinemas de Florianópolis, o filme do Zeca Pires, A Antropóloga. Mostra um pouco da cultura local com as bruxas, as benzederias, o canal, os pescadores. Imperdível... No elenco o querido amigo e grande ator, Eduardo Bolina. Vale a pena ver...Olha o gostinho bom deste "pedacinho"....