domingo, 16 de maio de 2010

Eu vi o final da novela


A novela Viver a Vida terminou neste sábado e, como sempre, uma novela da Globo, por ser uma usina reprodutora de mais-valia ideológica, repercute em vários outros momentos da telinha. Este folhetim em especial suscitou muito debate sobre o que ficou configurado como “a possibilidade de superação”, uma vez que a personagem principal, Luciana, era uma garota linda, de profissão modelo, que sofre um acidente e fica paraplégica. A novela então se move neste universo de superação da personagem que, ao longo da trama, em meio à dor, vai encontrando caminhos e formas de viver que transcendem a sua condição de prisioneira de uma cadeira de rodas.

Assim, por meses, enquanto durou a novela, esse tema da superação foi assunto dos programas de entrevista, dos programas de entretenimento, dos noticiários, enfim, permaneceu como pauta, sempre reforçando que as pessoas podem superar suas desgraças físicas e pessoais. E é assim que se expressa a mais-valia ideológica como bem já demonstrou o venezuelano Ludovico Silva. A pessoa que assiste à televisão, na verdade, não está “descansando” ou “fruindo”, mas segue absolutamente conectada aos ideais e às idéias da classe dominante, que ali reforça suas verdades. E foi por assim entender que se me ficou, neste sábado de último capítulo, a seguinte questão: afinal, que pessoas, neste país, tem verdadeiramente a condição de “superar”, de transcender?

Pois vamos ver o destino dos personagens do enredo da novela das oito global.

A menina Luciana, que era uma chatinha mimada, amadurece, enfrenta com galhardia seu destino de paraplégica, encontra um amor (que também é médico), casa, passa a lua de mel em Paris e termina dando a luz a gêmeos. Ora, isso é mesmo de chorar. Luciana é rica, tem um motorista que a leva a todos lugares, vai aos melhores fisioterapeutas, não tem que ficar nas filas do SUS, teve uma enfermeira particular ao longo da recuperação e seguirá tendo. Seus filhos correrão pela casa enquanto duas ou três babás estarão a postos aos menores desejos. Que vida sem névoas! Luciana superou tudo apoiada na família, sempre presente. O pai chegou a reformar a mansão para atender a todas as novas necessidades. Tudo correu bem. Ela foi mesmo um exemplo de superação, chegando a manter um blog para contar isso a toda gente. Certo, mas na verdade, a única coisa que a personagem de fato superou foi aceitar a condição de prisioneira da cadeira de rodas, porque o demais sempre lhe garantido.

A mãe da Luciana foi a sofredora da trama. Enfrentou a separação de um marido canalha, e teve de passar por toda uma via-crúcis com a filha acidentada, ainda atendendo as demandas de uma outra filha mau caráter, que acaba com um texano rico (presente ou castigo?). Nesse processo foi muito apoiada pela terceira filha, boazinha e virgem. Ela conseguiu passar por todos os tropeços com muita valentia. Cuidou da filha, dedicando-se integralmente. O que foi possível porque a linda mulher não trabalhava, era fartamente sustentada por uma pensão do rico marido calhorda. Então, ali também não havia névoas. Era só superação emocional. No final da trama, depois de ver a filha feliz, ela finalmente encontra um novo amor, com quem vai passar a lua de mel em Paris. Incrível como Paris parece estar sempre na rota dos sofredores endinheirados.

Há ainda outra personagem que é um lindo exemplo de superação. Não lembro seu nome, mas é a garota alcoólatra. Durante toda a novela o público vibrou com as desventuras da mocinha, que desprezada pelo namorado, não conseguia superar o vício que já tinha. Então, ela encontra um novo amor, recebe o apoio dos amigos, encontra um emprego incrível, de modelo fotográfico, e vai superando, entre uma recaída e outra, o seu problema. Nos últimos capítulos ela ainda recai mais uma vez, mas tudo lhe é perdoado. Ela é linda, o namorado é uma ameba compreensiva e vai terminar morando com ela, com o projeto de andarem perambulando pela Europa. Bonito demais.

A personagem Dora, que durante toda a trama foi uma desonesta, ladra de marido e tudo mais, também encontra redenção. Ela deixa de ser uma chinelona que vive de favor na casa dos outros e encontra um homem mais velho, de classe média alta, dono de restaurante, que lhe acolhe, reconhece a filha mais velha e, de quebra, descobre que o garotinho que poderia ser filho de outro, é mesmo seu filho. A família termina feliz, entre tangos e festa. Toda a tentativa de se dar bem na vida, buscada de maneira torta pela personagem, acaba dando certo e tudo lhe é perdoado.

A linda Helena, moça negra, mas não pobre, que enfrenta a traição de um marido vagabundo, perde um filho e sofre por sentir-se responsável pela desgraça da amiga Luciana, termina a novela com um fotógrafo de moda, lindo, embora meio burrinho, que lhe dá um filho. Ela também acaba vivendo sua possibilidade de redenção, superando as culpas. No final do capítulo, Helena e Luciana terminam na passarela, em um desfile de alta moda, no qual a paraplégica aparece maravilhosa, mostrando que chegou a cume da superação. Nem mesmo o trabalho de modelo ela perdeu.

A Sandrinha, irmã mais moça de Helena, que ao longo da novela comete o pecado de se apaixonar por um favelado e ter um filho dele, igualmente vive seu momento de redenção. Depois da morte do marido, que era um bandidinho rampeiro, ela volta para a linda pousada da mãe e encontra o “perdão” para sua falta de filha rebelde, indo trabalhar em instituições de caridade. Ela não encontrará entraves porque a rica mãe lhe ajudará a criar o filho do bandido morto.

E assim seguem os finais dos personagens, todos da parte rica da novela. Gente bonita, lindos casamentos, superações, viagens a Paris. E até na parte pobre também há alguns bons exemplos de “ir adiante”, que parece ter sido o mote da trama. O garoto bonzinho, primo da Dora, termina a novela cantando no bar do argentino, tendo sua chance de iniciar a vida de artista. É o prêmio que lhe é dado por ser sempre um garoto amável, cumpridor das tarefas, que nunca reclamou do patrão, que sempre foi submisso. Ele sabia que ter aquele trabalho de garçom no bar do argentino era uma bênção e que não poderia abrir mão disso nunca. Sua irmã, ambiciosa, mas não tanto a ponto de ser má, também consegue que o dono do novo bar olhe para ela como se ela fosse um objeto sexual e lhe ofereça emprego. Sim, emprego, porque não lhe ocorre um casamento. Mulher pobre e bonita é pra curtir. Ela aceita maravilhada.

Já o garoto bandido, Benê, esse não tem chance de superação. A ele não lhe é permitida a redenção, embora ele sempre tenha se mostrado um bom garoto, premido pela vida cruel da favela, enrolado com o tráfico e o crime apenas porque não tinha muita saída. Mas, não, esse não teve chance de “superar”. Alguém na novela tinha de pagar por seus crimes ou quedas morais. Alguém tinha de ser punido, não dava para acabar tudo bem. Então, a escolha lógica era Benê. Ele era negro, pobre, favelado, bandido. A ele não podia ser dada qualquer oportunidade. Foi-se, morreu! É que o menino Benê não queria ser garçom na pousada da sogra, não queria ser caixa de supermercado, ele sonhava mais. Ele era rebelde, inconformado, e na sua revolta singular deixava antever um desejo coletivo de vida boa para todos os seus companheiros da favela. Ele queria dar ao filho as belezas anunciadas pelo sistema, antevistas nas casas ricas dos amigos da mulher. Ele queria viagens a Paris, talvez... Ele queria tudo que aos outros era dado. Mas não teve chance. Alguém na novela tinha de morrer. Não podia ser o Marco, empresário mau caráter, mulherengo, corrupto. Não podia ser a alcoólatra linda e aventureira, que só queria perambular pela Europa, não podia ser a Dora, traíra e ambiciosa, não podia ser a Helena, nem mais ninguém do mundo certinho e viável do núcleo dos ricos. Não, haveria de ser o guri rebelde, o insurgente. Estes não podem chegar à redenção. Estes não superam. Eles sucumbem e ponto. É assim.

O fato é que não se poderia esperar outra coisa de um folhetim do Manoel Carlos na Globo. É a visão de uma classe. E na classe dominante as coisas são assim mesmo. Tudo pode ser superado, porque não há julgamentos morais. Tampouco há empecilhos materiais. Agora, imagine a vida de uma mãe, sem marido, com a filha paraplégica, lá no Morro do Céu? Imagine uma trabalhadora qualquer, do comércio, por exemplo, que sofra um acidente e não possa mais trabalhar? Bom, mas isso não daria novela. Seria muito baixo astral. O bom mesmo é mostrar a realidade assim, na perspectiva de uma classe que pode, sim, tudo superar e transcender. Uma gente que pode ter fisioterapeutas particulares e ir para Paris quando está muito triste.

O bom das novelas é que elas nos permitem esse olhar, o nosso, desde a outra classe. E nos possibilitam ver que para os lindos, ricos e bem nascidos, o destino dos pobres é absolutamente claro. Os que não se queixam, os que não se rebelam, terminam nos empreguinhos mais ou menos, explorados e bem felizes. Já os que se insurgem, os que enxergam o mundo para além do conforto permitido pelos ricos, estes tem de morrer, sumir, escafeder-se.

Bueno, e ao final do folhetim cabe a nós dizer onde estão os nossos espaços reais de “redenção”. Na nossa “novela” de vida real, há um elemento que pode alavancar nossa verdadeira superação. A solidariedade concreta, a cooperação comunitária e compreensão de que o nosso mundo pode ser bonito, pleno e rico. Não por conta da exploração de uns pelos outros, mas porque saberemos distribuir a riqueza e construir o mundo novo. Neste nosso mundo, que construiremos, o Benê teria chance. Coletivamente, com a comunidade em luta, ele teria superado. E, no fundo, em muitos lugares deste brazilzão, é assim que já é. Só que a rede Globo jamais mostraria. Cabe a nós fazê-lo! É o que buscamos fazer na Pobres e Nojentas, revista de reportagem que conta a vida real. E assim, avançamos, para além da telinha aliciadora e alienante.

sábado, 15 de maio de 2010

Porque ainda é dia da catástrofe!...


Na Palestina é assim. Ninguém é dono de si. Qualquer garoto saído dos cueiros, se for israelense e tiver uma farda, pode tudo. Eles humilham mulheres, homens, jovens e aterrorizam crianças. É coisa cotidiana. Acontece todos os dias, desde o fatídico 15 de maio de 1948, quando o Estado de Israel foi criado à força. Naquele dia, milhares de famílias tiveram de abandonar suas casas, suas oliveiras, suas mais sagradas lembranças e sair, na direção de lugar nenhum, fugitivas em sua própria terra. Desde aí, as gentes palestinas são desalojadas, no meio da noite, pela força dos tanques e da armas. São 62 anos e o povo resiste.

Vez ou outra explode o desespero, em violência. Há quem diga que os palestinos deviam dar o primeiro passo para a paz, fazer um esforço, deter o terror. Mas, como dizia o grande poeta Mahmoude Darwich, “ainda goteja a fonte do crime”, e esta fonte não fica no lado palestino. O que podem as gentes diante de tanques? Hoje, Israel mantém prisioneiros mais de oito mil palestinos, destes, 380 são crianças. E que crime cometeram estes meninos de olhos aterrorizados? Nasceram palestinos! Há ainda denúncias de que alguns têm seus órgãos retirados por conta do tráfico de órgãos humanos, outros são torturados da mais variadas formas, mulheres são estupradas. É o terror.

Por isso o 15 de maio ecoa na voz árabe: AL Nakba, o dia da catástrofe. Um dia para não se esquecer. Um dia para celebrar a resistência heróica de uma gente que não se rende e busca, por sobre todos os muros, a flor da liberdade. Haverá de achar... Haverá de achar! Viva a Palestina!

ESTRANGEIRO NUMA CIDADE DISTANTE
Quando eu era pequeno
E belo,
A rosa era a minha morada,
E as fontes eram os meus mares.
A rosa tornou-se ferida
E as fontes, sede.
- Mudaste muito?
- Não mudei muito.
Quando voltarmos à nossa casa
Como o vento,
Olha para a minha testa.
Verás que as rosas são agora palmeiras,
E as fontes, suor,
E voltarás a encontrar-me, como eu era,
Pequeno
E belo...

Mahmoud Darwich

terça-feira, 11 de maio de 2010

Estudantes querem direito de ir e vir


Na última sexta-feira, dia 7, os estudantes e populares que realizaram manifestação em frente ao Terminal Central de Florianópolis não deixaram dúvidas. Caso a prefeitura aumentasse o valor das passagens no domingo, eles voltariam para exigir a revogação. E não deu outra! Não é de hoje que o governo de Dário Berguer (PMDB) se faz surdo aos desejos da população. Nos últimos meses tem enfrentado a ira das comunidades de todo o município, que querem ver reconhecidas as decisões que tomaram em três anos de debates sobre o Plano Diretor. Pois o governo, surdo, decidiu contratar uma empresa de fora para refazer o plano, completamente alheio ao que foi decidido pelo povo em Audiências Públicas.

Agora faz o mesmo com as tarifas de ônibus. Jogando a culpa para cima dos trabalhadores do transporte, alegando que pelo fato de eles terem tido aumento salarial, é necessário o reajuste tarifário, Dário joga o povo contra os trabalhadores. Típica trapaça. A passagem dos coletivos de Florianópolis é uma das mais caras do Brasil e a proposta era de elevá-la para R$ 3,10. As mobilizações de sexta-feira colocaram o gabinete municipal com as barbas de molho e o aumento que veio domingo carregou a passagem de 2,80 para 2,95, ainda assim um aumento significativo para grande parte da população que amarga anos de arrocho salarial.

A propaganda que insensa a ilha como “ilha da magia”, fala em tarifa única, mas, na verdade são quatro. Quem paga antecipado, enchendo os bolsos dos empresários, bem antes de usar o benefício, marcha com 2,38. Quem paga direto ao cobrador, em dinheiro, desembolsa 2,95, e os que usam as linhas de tarifa social, no cartão pagam 1,60 e no dinheiro vivo pagam 1,95.

Na segunda-feira, dia 10, os estudantes voltaram à rua, desta vez em maior número. Mais de 1.500 pessoas saíram em passeata pelas ruas até o gabinete do prefeito. Na pressão, entraram porta adentro, decididos a conversar com Dário Berger. Ele não estava. O povo ocupou o gabinete. Mas não foi por muito tempo. Na maior correria chegou a tropa de choque e sobrou pancadaria para todo o lado. Também não faltaram as armas de eletrochoque que acertaram até a deputada Angela Albino. E aí, é bom que se diga, até a ONU já discutiu sobre o perigo destas armas, aparentemente “inofensivas”. Uma pessoa que use marca-passo, por exemplo, pode morrer com um choque destes, e outros problemas relacionados ao coração podem ocasionar uma morte. Mas, ao poder, que importa?

O mais grave é ver a tropa de choque, com toda a truculência, investir sobre garotos e garotas secundaristas, que nada mais querem que garantir o famosos direito de ir e vir. Afinal, com uma tarifa tão alta, esse sagrado direito fica limitado àqueles que Bresser Pereira cunhou como “cidadãos-clientes”, ou seja, só são cidadãos da polis aqueles que podem pagar, consumir.

As manifestações de segunda terminaram em frente à Câmara de Vereadores onde os estudantes e populares foram denunciar a brutalidade governamental. Para quinta-feira, dia 12, está sendo chamado mais um grande ato no centro. Se a polícia é chamada para garantir o “ir e vir” dos graúdos, então os estudantes querem que o governo reconheça o seu direito de ir e vir com uma tarifa zero. “O trabalhador usa o ônibus para vir trabalhar, para entregar sua força de trabalho ao patrão. É justo que o patrão pague por isso. Queremos tarifa zero para o usuário”, insistem os estudantes.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Aniversário


Nesta semana chego a um momento mágico. Completarei 600 luas de existência, 50 giros pelo sol. Um número cabalístico, cheio de feitiços. É uma coisa assim como a abertura de um portal. Desde a noite tempestuosa na qual abri meus olhos para o mundo, passaram uma ditadura, a bossa nova, Che, a revolução sexual, Tonico e Tinoco, o tropicalismo, a pílula, a anistia, as diretas, as eleições “livres”, Chávez, os movimentos originários. Tanta coisa, tanta história, se revolvendo em cada mudança de lua.

Eu fui criança, mocinha, guerreira, militante. Amei, fui amada, chorei, sofri, dei gargalhadas, brinquei de roda, pintei, toquei violão, tomei banho de mar, corri nos descampados, lavrei terra, enfrentei as tempestades, cai, levantei, estudei, escrevi.

Nas luas novas, criei. Nas luas cheias, arrebanhei, Nas crescentes, vinguei e agora, é hora de minguar. Ir desaparecendo até que volte outra vez a nova, com seu fio de luz. E assim é mesmo esta coisa doida de viver. Como a lua. Como as estações.

No verão, vicejei. Na primavera, gerei, No inverno, guardei. Agora começo a outonar. Essa é a grande verdade das gentes originárias. Não há passado ou futuro. O tempo é curvo. A gente vai e volta, na incansável “samsara”, no rodízio das estações. Em cada uma, um celebrar. Em cada uma, uma beleza a germinar.

Seiscentas luas passaram pelas minhas retinas, 600 luas... E neste pedaço de universo a terra segue seu contínuo girar. Outras luas passarão neste meu lento outonar... e a linha curva da história, do tempo e do espaço seguirá com suas surpreendentes visões. Cá no meu Campeche eu honro aos deuses pagãos, estes que embalaram a humanidade desde os tempos imemoriais.
Neste 14 de maio, debaixo de uma lua cheia, vou dançar com Kuaray. Agradecer, celebrar, silente. Sem barulho de festas ou tilintar de copos. Só o grito dos grilos, a luminosidade mágica dos vaga-lumes, o miado dos meus gatos, o carinho do cachorro e amor dos meus. Sob o céu do Campeche, esperando outras luas... Na solidão (não no vazio), grávida ainda, de tantos novos sonhos...!

Semana de protestos contra o aumento das tarifas do transporte público em Florianópolis


A Frente de Luta pelo Transporte Público convoca toda população de Florianópolis a se manifestar contra esse aumento abusivo nas passagens de ônibus decretado pela prefeitura. Atendendo mais uma vez aos interesses dos donos das empresas de transporte, em detrimento dos interesses da população, que sofre todos os dias com um serviço caro e de péssima qualidade, a prefeitura nos mostra mais uma vez que somente através da organização e dos protestos de rua poderemos vencer e conquistar melhorias significativas no transporte.

Após duas grandes reuniões e um vitorioso ato realizado na sexta-feira, antecipando ao aumento, chegou a hora de mais uma vez ocuparmos as ruas da cidade com grandes manifestações e muita criatividade.

Durante a semana, dois grandes atos centrais irão marcar a luta: na segunda, com encenação da abertura da “caixa preta” do transporte; e na quinta, com o enterro do atual sistema de transporte coletivo. Ambos os atos se concentrarão a partir das 17h em frente ao Ticen.

Além dessas duas grandes manifestações, atos descentralizados em diversas regiões da cidade ocorrerão ao longo da semana, em especial na segunda e na terça. Na quarta, a partir das 11h30 em frente ao Ticen um ato de chamada para a grande manifestação de quinta-feira irá ser realizado, com assembléia de rua e intervenções artísticas.

Chamamos toda população a participar das manifestações e integrar ativamente esta luta, organizando atividades e protestos nos bairros, escolas e locais de trabalho. Seguiremos firmes nas ruas de Florianópolis, até a tarifa baixar!

Contra o aumento das tarifas do transporte!

Por um transporte público, gratuito e de qualidade para o conjunto da população!

Resistir até a tarifa cair!

Florianópolis, 07 de maio de 2010.

Frente de Luta pelo Transporte Público


http://twitter. com/lataofloripa / amanhavaisermaior@ gmail.com

COMITÊ DE LUTA PELO TRANSPORTE PÚBLICO



sexta-feira, 7 de maio de 2010

Protestos no Ticen

Estudantes puxam a luta contra o aumento da tarifa. Novo preço vigora a partir de domingo.

Prefeitura anuncia aumento de tarifas do transporte coletivo


Quem vive em Florianópolis, sabe. Andar de transporte coletivo é uma odisséia. Inúmeros horários foram cortados e as pessoas se aglomeram em ônibus lotados até a boca. Os períodos de espera no terminal central para tomar o rumo do sul ou norte, lugares mais distantes do centro, nos horários de pico, chegam a mais de 30 minutos, porque a fila é gigante e os ônibus são poucos. Depois de um dia de trabalho, as gentes ainda tem de amargar todo esse atropelo que estressa e desespero. Quem circula pelo terminal logo depois das seis horas pode observar o desânimo que toma conta das pessoas.

Não bastasse tudo isso, a prefeitura agora está anunciando para este domingo mais um aumento na passagem, que aos R$ 2,80, é uma das mais caras do Brasil. Pois a partir deste dia nove de maio, mês do trabalhador, a prefeitura oferece este “presente”: a passagem vai custar R$ 3,12, ou algo aproximado, arrochando ainda mais o bolso dos trabalhadores, que não tem outras opções para se locomover na cidade. O transporte urbano é uma bem montada rede de “parceiros” que não abrem espaço para mais nenhuma concorrência, paradoxalmente, muito distante daquilo que os empresários mesmo pregam que é o sistema capitalista competitivo.

Foi por conta de um aumento assim, desproporcionado, que em 2004 a cidade viveu a famosa Revolta da Catraca, quando a população se levantou em rebelião durante uma semana inteira de protestos. Pois agora as gentes já começam a preparar manifestações. Hoje, dia 07 de maio, ao meio dia, já está marcada uma atividade em frente ao Ticen. A cidade vai ferver.