segunda-feira, 10 de julho de 2023

A UPA Sul fica ou não?


O prefeito disse hoje na televisão: não há qualquer possibilidade de manter a UPA Sul ao lado do terminal urbano. Segundo ele, não há recursos para realizar as obras de melhoramento e por isso mesmo vai entregar para uma empresa privada, que é administradora do Aeroporto, a tarefa de construir o tal complexo de saúde nas dependências do velho aeroporto, o qual abrigará também a UPA. 

Essa proposta do Topázio faz parte do plano iniciado com Gean de entregar tudo o que é público para a mão privada. Tanto que a própria administração da nova UPA será dada a uma Organização Social – que é nome fantasia de empresa privada. A proposta é ir gradativamente se livrando do compromisso público. Segundo a economista Tamara Siemann, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE-SC), em entrevista ao Sintrasem, a administração municipal gastou de junho de 2022 a junho de 2023, um total de 45 milhões de reais com despesas de terceirização, com um aumento de 28%. E, explica Tamara, cada vez que a prefeitura aumenta o gasto com as empresas privadas, vai diminuindo a margem para investir em pessoal próprio. 

Ora, para a prefeitura é bem melhor. Vendo a cidade como uma empresa isso significa que cada vez haverá menos trabalhador público e muito mais trabalhadores terceirizados cuidando do que é público. Qual é o ponto: trabalhador terceirizado ganha muito menos e não tem as garantias que o trabalhador público tem. É ruim para o trabalhador e é ruim para o usuário. Ou seja, o prefeito não quer nem saber do bem-estar da população. Está mais preocupado em garantir recursos para os parceiros privados. 

A mesma saída foi dada para o Plano Diretor, visto que com as mudanças, quem vai desenhar a cidade é o empresariado. As construtoras decidirão quantos andares colocarão nos prédios e trocarão os excessos por alguma pracinha ou algo do gênero, nos lugares que eles quiserem. Pequenas migalhas em troca da destruição da cidade.

A comunidade do Sul da ilha não quer que a UPA saia de onde está. Ali o ponto é estratégico. Está do lado do terminal e do Corpo de Bombeiros. Para chegar a UPA hoje basta um ônibus. Se for para o Aeroporto a coisa complica. Do jeito que é a mobilidade na cidade, o doente terá de pegar dois ou três ônibus para chegar ao destino. Ah, mas quem se importa né? O povo que pegue um Uber. É o que devem pensar os tais “administradores” da cidade. 

Já faz bastante tempo que o público deixou de ser a medida da ação da prefeitura. Tempo demais. Ainda assim, a comunidade grita. Sábado fez protesto, abraçou a UPA e informou sobre a proposta ladina. E se perguntar para qualquer um que está na UPA esperando atendimento, a resposta certamente será a mesma: a UPA tem de ficar ali mesmo. Mas, ao que parece, o prefeito está mais preocupado com os likes no TikTok e ouvir os usuários nem lhe passa pela cabeça. Afinal, quem disse que na cidade manda é o povo? No geral não é, mas tempos há, em que as gente se levantam e aí é o bicho...

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Mais um crime de Israel





Fotos: do Twitter de Palestina Internacional Broadcast

Israel é um estado criminoso, sistematicamente violando os direitos humanos, matando jovens, prendendo crianças, derrubando casas, expulsando pessoas. Faz isso há décadas sem sofrer qualquer retaliação, pelo contrário: é amigo e parceiro do império, então só recebe benesses e saudações simpáticas. Não há um dia sequer que não se tenha alguma notícia sobre o massacre cotidiano e sistemático ao povo palestino, do qual vem roubando território com violência e terror. Obviamente poucos são os meios que reproduzem esse permanente extermínio e, no geral, quando divulgam algo, tratam de colocar a culpa nos palestinos. Para a mídia comercial eles é que são os terroristas, quando na verdade apenas reagem ao terror. 

Nos últimos dias, temos visto cenas bárbaras do ataque de Israel ao campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia. Já não basta que toda essa gente esteja desterrada, perdida de suas casas, de seus familiares, de sua terra. Há que destruir também a possibilidade de seguir vivendo. São imagens terríveis de corpos nas ruas, famílias correndo sem rumo, casas sendo destruídas e até câmeras de vídeo sendo fuziladas desde tanques. A covardia dos poderosos. 

Já em 2002, durante a segunda intifada palestina, as forças israelenses também promoveram um massacre em Jenin, onde, segundo os sionistas, está sendo criada uma nova geração de “terroristas”. Naquele ano mais de 52 palestinos foram assassinados e grande parte do campo de refugiados foi destruída. Agora as notícias são de que mais de 10 pessoas foram mortas e 100 estão feridas. Mas, o s ataques não param. 

O campo de Jenin foi criado nos anos 1950 justamente para abrigar as famílias que foram expulsas de suas terras em 1948, após a criação do Estado israelita. O que por si só mostra que a “terra sem gente” apregoada pela ONU nunca esteve vazia. Atualmente o campo abriga perto de 18 mil pessoas e é considerado um refúgio para os que são expulsos seguidamente por Israel. Agora, por conta dos ataques milhares delas estão em fuga. Israel realiza ataques aéreos e também terrestres e não está permitindo a entrada de ajuda médica nem humanitária. 

Nem a ONU nem qualquer outro estado condena os atos criminosos de Israel. Os palestinos seguem resistindo da forma como podem. Desde 1948, quando o estado de Israel foi criado de maneira artificial pela ONU, o território palestino vem sendo tomado pela força e os palestinos confinados em campos de concentração em sua própria terra. 

O que acontece naquela região do mundo não é uma guerra. É um genocídio. Mas, se quem o produz é amigo dos Estados Unidos está tudo bem. Nenhum programa especial, nem chamadas emocionadas nos jornais das grandes redes, nem contextualização história para que as gentes continuem desinformadas. Como sempre acontece, quem luta contra o poder do império é chamado de terrorista, quando de fato quem gera e provoca o terror é Israel. 

A Palestina segue em luta e haverá de ser livre!


quarta-feira, 28 de junho de 2023

O estudo e o pai

Estudar e cuidar do pai é sempre uma coisa bem difícil porque se fico concentrada ele cobra atenção. Por outro lado ficamos muito tempo juntos durante a tarde e eu sempre tento encontrar uma forma de dar a atenção que ele exige, mas também aproveitar um pouco. Então decidi estudar como eu fazia antes, quando eu era menina. Naqueles dias a minha vó costumava ficar costurando na sala e eu ia ler os meus livros para ela. Eu lia e explicava para a vó qual era o lance do livro. Eu aprendia ensinando e ela se divertia com minha algaravia. Então, passei a fazer o mesmo. Pego o livro que estou estudando e vou lendo e explicando a parada para o pai. Conseguimos passar um bom tempo assim. Ele me olha com atenção e eu fico falando, colocando ele no centro da conversa. É legal, porque essa técnica de ensinar para aprender sempre funcionou comigo e ele se sente envolvido na situação. É assim que vamos passando as tardes, avançando algumas páginas de leituras fundamentais. Provavelmente ele não entende patavina do que estou falando, mas seu eu pergunto: e aí, sacou? Ele prontamente responde: saquei!



quarta-feira, 14 de junho de 2023

Roberto Carlos Alves, um trabalhador



Trabalhar no serviço público não é bolinho. Além do preconceito expresso na máxima: servidor público é tudo vagabundo, ainda há todo peso da máquina que mais atrapalha do que ajuda o serviço a andar. Por isso, quando encontramos um trabalhador que sabe driblar as dificuldades e faz as coisas aconteceram há que iluminar. Porque, sim, é possível ser um bom trabalhador no serviço público. Roberto Carlos Alves é um exemplo vivo em ação na UFSC. Sua especialidade é resolver as coisas. Nada fica sem resposta e mesmo quando tudo parece impossível, ele encontra uma brecha e aparece com a solução. Ele definitivamente é um exemplo de trabalhador público.

Roberto entrou na UFSC quando tinha 19 anos. Fez concurso para o HU num tempo em que ser um trabalhador público era sinônimo de segurança e bom salário. Naqueles dias, em 1985, os reajustes eram iguais, tanto para professores quanto para trabalhadores. Sua primeira função foi de oficce boy e ele a cumpriu com bastante competência. Logo em seguida surgiu uma vaga para atendente de enfermagem. Como a irmã trabalhava em hospital ela ajudou no treinamento, e foi por conta da prova prática que ele se deu bem. “No dia do resultado, o hall da reitoria cheio de gente, eu fui olhar a lista e vi lá o meu nome em 24º lugar. Eram 30 vagas”. 

No HU Roberto trabalhou no setor de esterilização, na parte do expurgo de materiais sujos. Não gostava muito da coisa, mas, com seu bom humor característico sempre levou na maciota. Pouco tempo depois passou para o centro cirúrgico, lidando com as roupas limpas. Melhorou. Naquela época ele tratou de fazer um curso de datilografia, pois se surgisse alguma vaga de escriturário ele queria pegar. Mais uma vez buscou amparo na ascensão interna e em novo concurso passou para assistente de administração. Foi parar no balcão da clínica médica. Lá conheceu a Delvina, colega que mais tarde foi trabalhar no Gabinete do Reitor. 

E foi justamente a Delvina que o convidou para trabalhar no gabinete. Naquele tempo havia muito trabalho de datilografia e o Roberto era fera na coisa. Podia copiar um documento rapidamente, datilografando sem olhar para as teclas. Também era responsável pela digitação nas máquinas de telex. Era um fenômeno. E foi por conta dessa habilidade que acabou saindo do HU e indo para o gabinete. Mas, os dedos que corriam céleres pelas teclas da máquina também dedilhavam violão e a música era uma paixão na vida de Roberto. Daí que seu sonho era fazer o Curso de Música na Udesc. Dedicado como sempre, ele fez o vestibular e passou. Mas, tinha um problema, o curso era de manhã. A saída foi passar a fazer os plantões da noite. Ele ficava todas as noites e os colegas não precisavam mais fazer plantão. Foi um acordo feliz e assim conseguiu terminar o curso. 

Em 2003 foi convidado pela professora Elisabete Flausino para trabalhar no Departamento de Economia, no CSE. Os tempos já estavam mudando e sua habilidade como datilógrafo começava a migrar para o computador. Mas, ao longo do tempo no gabinete ele também havia secretariado a Estatuinte e aprendido as manhas sobre como administrar as coisas na UFSC. Por isso, em pouco tempo já estava envolvido com o trabalho de manutenção na relação com a Fepese. Foi quando começou uma grande reforma no Centro Socioeconômico e o professor Zapelline não teve dúvidas: chamou o Roberto. E lá foi ele coordenar a obra, resolvendo todos os problemas com a habitual alegria e bom humor. Nunca teve tempo ruim para o Roberto. 

Foi por conta disso que quando o professor Ricardo assumiu o CSE, logo chamou o Roberto para secretariar o Centro. Não haveria melhor pessoa. Para qualquer problema a frase mais ouvida era: fale com o Roberto. Fosse como fosse ele resolveria. E sempre foi assim. Ricardo saiu, entrou Eliseth e depois Irineu como diretor, a torcida de todo mundo era para que Roberto continuasse. E ele continuou, para alegria geral. Sua mesa era sempre um amontoado de papéis, com os mais variados pedidos, e sua sala um espaço de lamentações, as quais ele transformava em alegria, sistematicamente. Ninguém saía dali sem uma resposta. “Fica tranquilo, vamos resolver”, ele dizia, e resolvia.

Ele lembra que apesar de amar o trabalho na UFSC chegou a tentar uma chance na música. Montou um conjunto e estavam até indo bem, sempre com muitos bailes e apresentações. Chegaram a ser a banda base do CTG Figueira Velha. Mas, aí, ele teve um acidente de moto e precisou ficar seis meses em recuperação. A coisa esfriou. Nesse ínterim o tecladista morreu e o gaiteiro não quis mais tocar. Era o fim de “os Travessos”.  Mais tarde houve uma chance de ir para Portugal, mas Roberto se apaixonou e decidiu ficar. Quem ganhou foi a UFSC. 

Agora, aos 57 anos, ele foi nomeado pelo reitor Irineu como Diretor do Departamento de Manutenção Externa e ao andar pela UFSC já se pode notar concretamente a mão do Roberto na organização da vida da UFSC. O campus está bem cuidado, foram retomados os viveiros de flores, os problemas prosaicos vão sendo resolvidos silenciosamente, como é do seu feitio. Roberto é de uma geração de trabalhadores que tem muito claro o seu papel como trabalhador público. Sabe que para a missão da universidade se cumprir, a máquina precisa andar. E ele sabe muito bem como fazer isso acontecer. 

Roberto Carlos Alves é um exemplo de trabalhador público. Sabe fazer e sabe comandar. Sempre com muito riso, muitas histórias e muita competência. Eu o reverencio e o honro. 


terça-feira, 13 de junho de 2023

Mentindo para a Figueira


A generosa fala do companheiros de lutas e amigo Denilson Machado no lançamento do meu livro "Mentindo para a Figueira e outras histórias", lá na Desterrados. Ele conta sobre a caminhada deste texto específico da Figueira naqueles dias em que a Praça XV foi fechada e os artesão expulsos... Dias tristes... 


Transporte e Saúde Pública


Foto: terminal rio tavares - aqui mais uma etapa do inferno

Eu e minhas novelas no transporte público. Mas é que se a gente não fala, explode. Quero dizer que a linha Morro das Pedras/Eucalipto já virou caso de saúde pública. É inacreditável o que acontece. Depois que o ônibus entra na Rua dos Eucaliptos as possibilidades de a gente ter uma fratura na coluna são muitas. Os buracos se prolongam por toda a grande rua e são inúmeros, e são fundos. Os motorista em geral não estão muito preocupados com a gente que vai à parte de trás do ônibus. Em cada buraco a gente salta alto, caindo de chofre no banco, podendo danificar a sambiqueira. 

Hoje, particularmente eu já vinha com uma dor de cabeça infernal e quando começaram os saltos eu caí meio mal machucando algum nervo. Pronto, foi o que deu para as costas também começarem a doer. Faltando uns 500 pontos antes de chegar ao meu eu simplesmente tive de descer. Não havia qualquer possibilidade de seguir naquele solavanco absurdo. E o motorista pisando fundo, fazendo toda a turma gritar em cada salto. Um desses momentos tristes em que trabalhadores maltratam trabalhadores, enquanto os empresários do transporte vivem à larga. Deixo claro que não ia só eu de velha no ônibus, tinha outros tantos, todos com aquela cara de sofrimento típica de quem é obrigado a andar naquelas carroças dirigidas por seres insensíveis. 

Faço meu apelo ao Sintraturb, para que conversem com os motoristas sobre esses problemas. Sei que eles tem prazo para cumprir o trajeto, mas não é possível passar pela rua dos Eucaliptos daquela forma.  Quando ao prefeito, o Topázio, sugiro que ele pare de ficar contando mentirinhas no tiktok e trate de arrumar aquela bendita rua. Hoje, contra meus desejos terei de tomar um dorflex. Mas e se eu tivesse me machucado mais feio? E se outro velhinho se machucar, quem vai arcar com o dolo? Menos mentira e mais trabalho... porfa ... Ainda tive de andar uns três quilômetros até chegar em casa... É bom, porque o ódio cresce... 

****


quinta-feira, 8 de junho de 2023

Elisa, mulher de luta



Sempre que eu penso na cidade, essa pela qual tanto lutamos, penso na Elisa Jorge. Tenho a mais plena certeza de que o seu nome está marcado em cada barraco erguido nessa capital catarina desde há mais de 30 anos, quando começou por aqui a luta organizada pela terra urbana. Elisa era estudante de arquitetura, mas não estava na UFSC só para pensar as linhas e as formas das casas. Ela pensava as casas e as gentes dentro delas, principalmente as que não as tinham. Foi assim que ela se integrou ao trabalho do Caprom, que então organizava os migrantes. E minhas primeiras lembranças dela são as da guria de cabelos pretos, arranjados num rabo-de-cavalo, marcando com estacas os terrenos onde ficariam as casas que até então viviam só na ideia e no sonho das famílias que atravessavam a ponte em busca de vida melhor. Sistemática e diligente ela media os terrenos onde os barracos brotariam, e depois as casas.

Depois pude acompanhar o trabalho que a Elisa fez no gabinete do Vitor Schmidt, dando o caminho para o problema da moradia e mais tarde no gabinete do Lázaro, nosso vereador nascido também da luta nas comunidades. Ela foi seu pilar, mulher incansável, imparável, imprescindível. Cá pra mim digo que ela sabia o nome e sobrenome de cada pessoa na luta por moradia nas comunidades. Conhecia cada caminho daqueles espaços nascentes: Chico Mendes, Vila Aparecida, Nova Esperança e tantas outras. Dia e noite, organizando, mexendo, pensando, caminhando no chão vida, mesmo quando estava no emaranhado do gabinete. Ali ou nas comunidades seus olhos atentos estavam sempre desenhando formas boas de viver. 

Elisa depois trabalhou no mandato do Lino,  conhecedora que era tanto da vida lá fora quanto das entranhas da burocracia do município. Guria tinhosa, braba, dura feito um diamante, mas capaz da mais inocente ternura revelada no riso tímido. Com Lino foi o tempo de acompanhar uma nova onda de ocupações, outras comunidades, outras gentes, mas a mesma Elisa de sempre. Solidária, amorosa e diligente. No Plano Diretor, uma lutadora incansável, discutindo, propondo, desenhando a cidade sonhada.

Durante a pandemia, quando todos se fecharam em casa com medo do vírus, lá se foi a Elisa com outros compas a organizar cestas básicas para as famílias das comunidades. E dê-lhe a subir morro, a percorrer os caminhos de terra do interior da ilha, buscando quem precisava mais do que todos. Nas passeatas, nos atos de protesto, em Florianópolis, Palhoça, onde a luta pedisse. Lenço na cara, máscaras e gel, lá estava ela. Elisa e seu desejo de vida boa para todos os trabalhadores. Não consigo pensar em qualquer luta na qual ela não estivesse. Por isso insisto, não há canto desta cidade não tenha sua digital. 

Agora, nossa Elisa trava uma nova batalha. É a vez de defender a sua casa, casa-corpo. Com ela caminha Juliano, seu filho, guri experimentado também nessa luta incansável pela cidade e pela moradia. É nele que se ampara para percorrer os médicos e os hospitais. Juntos, e ladeados amorosamente por uma fileira imensa de amigos e companheiros, estão dando combate à doença. Não tenho dúvidas de que vai vencer. Porque Elisa é mulher que sempre vence. Passe o que passe ela se mantém firme e serena, seja com o dedo em riste na cara de algum prefeito, na crítica aos companheiros, na exigência da disciplina, da coragem. 

Nestes dias em que é necessário se recolher e cuidar de si ela também encontrou tempo para encorajar a todos nós. É uma gigante. Ela sabe que temos uma cidade para defender, aquela cidade sonhada nas noites de fogueira lá na ainda-não Chico Mendes. E nós a defenderemos, mas não sozinhos. Faremos isso com ela, porque ainda há muita estrada para cumprir. 

Elisa amada, recebe nossa força e nossa energia boa. A mesma que tu sempre nos deu. Tenho certeza de que será suficiente para completar o processo de cura. Estamos contigo e te abraçamos. Assim como estamos com Juliano e o abraçamos. Vocês não estão sozinhos. Tem um povo inteiro ao teu lado emanando amor. Esse povo em luta com o qual tu sempre caminhou. Te abraçamos e te esperamos.