sexta-feira, 17 de junho de 2016

O território indígena - 02

A semana foi de muita tristeza para os povos originários. Mais um irmão caiu sob a violência do latifúndio. Desta vez foi um Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. O genocídio interminável, iniciado em 1492, quando as caravelas espanholas chegaram em Dominica.

Em respeito a todas as comunidades que seguem na luta pela recuperação de suas terras, nós seguimos com nossa série sobre o sentido do território para os povos indígenas, porque entendemos que ao compreender a filosofia que comanda o modo de vida dos povos originários, os não-índios poderão também compreender a luta pela demarcação das terras.

Nesse vídeo a entrevista é com Gersem Baniwa, do povo Baniwa, professor da Universidade Federal do Amazonas.

O trabalho é fruto dos Projetos "Povos Originários de Nuestra América" e "Indígena Digital", ambos do IELA.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Alfredo Moffatt e a psicologia


Entrevista com o psicólogo Alfredo Moffatt, criador da Escola de Psicologia Argentina e da psicologia do oprimido. Trabalhou com o educador brasileiro Paulo Freire, com o qual manteve importante diálogo. Ele esteve na UFSC no mês de junho/2016, onde proferiu conferência. A entrevista foi feita pela psicóloga Catarina Gewehr, com imagem e edição de Rubens Lopes. Produção: Pobres e Nojentas.

Matam mais um índio - Nota da Coiab


A foto acima é uma representação, mas no interior do Brasil, em vários estados, e principalmente no Mato Grosso do Sul, os índios estão sendo mortos em nome da ganância do agronegócio. Não satisfeitos em deter já 62% das terras agricultáveis, os fazendeiros querem mais e mais, avançando para cima das terras indígenas, expulsando e provocando mortes. É tempo de a sociedade agir. 


Nota de Repudio da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira aos ataques sofridos pelos indígenas do povo Guarani-Kaiowá do Tekohá Tey Jusu, município de Caarapó, Mato Grosso do Sul.

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)_* REPUDIA VEEMENTE os ataques contra os indígenas do povo Guarani-Kaiowá do Tekohá Tey Jusu, município de Caarapó, Mato Grosso do Sul, sofrida hoje (14 de junho), resultando em morte de um indígena e vários feridos.
Denunciamos novamente que nos últimos anos, o extermínio das populações indígenas desse país, principalmente no sul do Brasil seguiu sem parar, com mecanismos mais sutis e eficazes, acobertada pela chancela do Estado Brasileiro. As invasões das terras indígenas promovidas por grupos e setores, é referendada por um modelo de desenvolvimento entendido como o único capaz de promover o crescimento. Tem-se, assim, o massacre, a agressão, a discriminação,criminalização e o racismo contra as populações indígenas que vivem em áreas visadas para a expansão de um modelo de desenvolvimento baseado no agronegócio.
Não há uma discussão de ações afirmativas e políticas concretas de defesa e proteção dos direitos indígenas, para garantir as condições de existência e, o mais importante, assegurar as demarcações de terras tradicionais destes povos, condição sem precedente para a VIDA.
A COIAB exige que as autoridade competentes averiguem com rigor e com agilidade, as ameaças e os crimes cometidos contra os indígenas do Tekohá Tey Jusu, que os autores desse crime sejam julgados e condenados. Os povos indígenas da Amazônia Brasileira reiteram que é inaceitável e inadmissível continuar os ataques e o genocídio dos povos indígenas. Não ficaremos calados e de braços cruzados diante dessa violência vivida por nós há 516 anos.
Manaus-AM, 14 de junho de 2016.

Coordenação Executiva da COIAB

terça-feira, 14 de junho de 2016

O nacionalismo


Entrevista com o jornalista José Augusto Ribeiro, autor da trilogia "Era Vargas", sobre Getúlio Vargas e "A noite do destino", sobre Tancredo Neves. Nessa entrevista ele fala sobre o nacionalismo, a conjuntura e o pré-sal.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Chapa 1 é a opção para a direção do Sintufsc






Greve das 30 horas - greve interna, inédita e corajosa. Fez história na UFSC. Esses guerreiros estavam lá, organizando e construindo...










As eleições para a direção do Sintufsc vêm aí – dia 10 de agosto - e é hora de os trabalhadores da UFSC apostarem em gente que luta. Estamos vivendo tempos duros e difíceis, que provavelmente piorarão. Para enfrentá-los há que contar com um sindicato que não fique mudo, que atue firmemente na defesa dos direitos, que seja capaz de propor saídas inventivas e criativas.

O grupo que forma a Chapa 1 – TAEs Livres é fortalecido por pessoas que já mostraram sua capacidade de luta e organização. Quem não se lembra da boniteza que foi a greve pelas 30 horas? Original, corajosa, frenética. Quem pode não se encantar com companheiras como a Brenda, a Marina, a Carla, Simone, Marilene, Dalânea, Cristina, a Camila, a Selma ou com os queridos Luciano, Bruno, Fernando, Renato, Jorge, Luis, o João Henrique, o Rodrigo e Hélio?  

É um pessoal que já se destacou nas greves passadas, que segue se destacando em todas as assembleias, discutindo a conjuntura, propondo coisas. É gente que representou os TAEs no Conselho Universitário, que defendeu propostas, que discutiu a universidade, que apontou problemas e soluções. Uma turma que não mede esforços para estudar, compreender, e enfrentar os desafios que estão postos para a universidade e os trabalhadores. Conhecem de todos os âmbitos da UFSC, desde as contas – com atuação no conselho de curadores – até a grande política.

A Chapa 1 é a possibilidade do voto consciente, do voto necessário, de confiança e de mudança. A Chapa 1 é como uma brisa no abafado e modorrento sindicato que hoje é incapaz de representar a necessária força para combater os tempos duros que virão.

Não tenho dúvidas em caminhar com essa gurizada cheia de vida, esperança e força. Com eles vou, atravessando o deserto da pequena política, construindo um amanhã desejado. Logo vamos passar por aí, na sua sala, para conversar.

Peço seu voto e seu apoio, colega da UFSC. Acredite na mudança e defina-se pelo 1.


Para compreender o mundo indígena


























O Brasil vive desde há anos o fortalecimento do movimento indígena autônomo e radical. A proposta de uma emenda constitucional (PEC 215) que retira da presidência a prerrogativa de definir as demarcações jogando a decisão para o Congresso Nacional levantou os povos numa luta renhida. Afinal, os indígenas sabem muito bem o que está em jogo: a cobiça do empresariado rural pela terra.

Diante do avanço do agronegócio para regiões como o cerrado e a Amazônia, e da construção das grandes obras hidrelétricas, dezenas de povos originários estão ameaçados de perder seus territórios.

Para o branco - fruto da civilização ocidental/cristã -  parece cada dia mais incompreensível o mundo indígena e os políticos e empresários jogam muito bem com isso na opinião pública. A frase “muita terra para pouco índio” é repetida à exaustão, como se fosse uma verdade inquestionável.  Que necessidade têm os índios de tanta terra? Perguntam os deputados, os mesmos que querem distribuir as terras indígenas aos seus amigos latifundiários.

Pois é necessário aclarar duas coisas básicas. Primeiro, quem tem muita terra são os fazendeiros, e poucos: 2,8% dos estabelecimentos rurais são grandes propriedades e ocupam 60% das terras produtivas. Já os indígenas brasileiros que totalizam 305 etnias ocupam apenas 12,5% do território nacional ( 106,7 milhões de hectares).

Segundo, a terra, para o índio, não tem a mesma significação que para o branco. Enquanto a cultura ocidental vê a terra como mercadoria, passível de ser comprada e vendida, impregnada de valor de troca, o indígena a concebe como um todo sagrado e visceralmente ligado à vida. Para um branco não há problema em comprar um terreno e depois vender, ir para outro terreno, fazer nova casa. Mas, para o indígena, o território é morada dos deuses, morada dos antepassados, está cheio da vida da comunidade. Sair de um lugar e ir para outro significa a morte.

Assim, para que as pessoas possam melhor compreender o significado do território para um povo indígena o projeto “Povos Originários de Nuestra América”, do IELA, que acompanha as lutas indígenas desde 2004, inicia agora uma série de vídeos, com entrevistas realizadas junto a lideranças indígenas, discutindo singularmente essa temática. A coordenação é de Elaine Tavares, com a participação de Rubens Lopes e Cris Mariotto, ambos participantes do grupo de extensão Indígena Digital, também do IELA, e coordenado pela professora Beatriz Paiva.

O trabalho, realizado nessa parceria, conta ainda com o apoio das entidades de organização indígena de cinco regiões do país:   Apib, Coiab, Apoinme, Aty Guassu e Arpinsul.


sábado, 11 de junho de 2016

Do amor II - Bolívar





































Carta de Simón Bolívar à Manuela Saenz

Manuela: 

Llegaste de improviso, como siempre. Sonriente. Notoria. Dulce. Eras tú. Te miré. Y la noche fue tuya. Toda. Mis palabras. Mis sonrisas. El viento que respiré y te enviaba en suspiros. El tiempo fue cómplice por el tiempo que alargué el discurso frente al Congreso para verte frente a mí, sin moverte, quieta, mía… 

Utilicé las palabras más suaves y contundentes; sugerí espacios terrenales con problemas qué resolver mientras mi imaginación te recorría; los generales que aplaudieron de pie no se imaginaron que describía la noche del martes que nuestros caballos galoparon al unísono; que la descripción de oportunidades para superar el problema de la guerra, era la descripción de tus besos. Que los recursos que llegarían para la compra de arados y cañones, era la miel de tus ojos que escondías para guardar mi figura cansada, como me repetías para esconder las lágrimas del placer que te inundaba. 

Y después, escuché tu voz. Era la misma. Te di la mano, y tu piel me recorrió entero. Igual… que los minutos eternos que detuvieron las mareas, el viento del norte, la rosa de los vientos, el tintineo de las estrellas colgadas en jardines secretos y el arco iris que se vio hasta la media noche. Fuiste todo eso, enfundada en tu uniforme de charreteras doradas, el mismo con el que agredes la torpeza de quienes desconocen cómo se construye la vida. 

Mañana habrá otra sesión del Congreso. ¿Estarás? 

Simón