terça-feira, 21 de junho de 2011
Esse meu Campeche é bom de festa!!!
Feliz solstício de inverno
Hoje começa nova estação. Tempo de recolher, de limpar quintais, de podar árvores, de chá com mel, de sopa quente, chocolate. Hoje é dia sagrado, momento de celebrar. Desde os tempos imemoriais que os homens marcam o tempo na virada das estações. Tempo de plantar, de colher, de aquietar.
O inverno é tempo gris, de vento sul, de mar grosso, de virada para dentro. É estação do recolhimento, de repensar a vida, as escolhas, os caminhos.
Hoje, 21, na espinha dorsal da nossa América baixa começam as comemorações do Inti Raymi, festa mágica do povo andino. Na nossa terra Guarani é hora de aparecer no céu a grande Ema, o ñhandu, bicho mítico que enche a terra e o céu, apontando um tempo de claridade.
É chegada a hora de retomar nossas memórias antigas, de oferecer um pago a terra, de render graças por estar vivo na entrada da nova estação. Porque, enfim, viver é um presente...
Feliz Solstício... Celebraremos com uma boa sopa de raízes, para lembrar da Pachamama, da Terra mãe, que dá vida e prato cheio.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Professores estaduais seguem em greve
Poucas coisas nos emocionam no dia-a-dia, tudo é tão corrido e há uma vida para vencer a cada 24h. Mas, às vezes, uma criança sorrindo, um pôr-do-sol, um velhinho arrastando os chinelos me trazem lágrimas aos olhos. Ontem me emocionei com os professores em greve. Fui à assembléia que decidiria se a greve seguia ou não, depois da ameaça de corte de ponto do governador Raimundo Colombo. Ali estavam, centenas destes seres que resistem na educação. Que conseguem tirar leite de pedra, que têm amor pela profissão e que enfrentam a loucura de uma vida com salários indignos.
Falei com dezenas de professores substitutos, os famosos ACTs, que precisam se virar nos trinta, nos quarenta, nos cinqüenta. Que correm de um lado para outro, dando aula em dois colégios, geralmente um em cada extremo da cidade, precisando comer dentro do ônibus que, por sua vez, demorar horas para fazer os trajetos que seriam feitos em minutos. Uma vida dura demais.
E o governador de Santa Catarina obriga os professores a irem para a greve para que se cumpra a lei. Que porcaria de estado de direito é esse que a burguesia tanto preza? Por que a justiça não obriga o governador a cumprir a lei e pagar o piso? Pois o espertinho quer incorporar velhos ganhos no piso, fazendo com que os professores sigam sem aumento real no salário. Já é bem ruim ganhar apenas 1.800 reais para viver a cotidianidade de um sistema educacional que não liberta, que oprime e forma pessoas conformadas.
Os professores querem ganhar bem para ter um emprego só, para preparar melhor suas aulas, para comprar livros, ir no cinema, no teatro, vivenciar realidades que possam ser incorporadas à educação. Os professores querem o direito de viver com dignidade para poder pensar e criar.
Mas, da forma como a educação é conduzida nesse estado e nesse país, professor só serve mesmo para reproduzir o estado das coisas. Mal remunerado precisa cuidar da sobrevivência, não tendo condições de promover práticas libertadoras.
Ontem, em Florianópolis, os professores decidiram dizer não à proposta de Colombo. Querem vida digna ou nada. As pessoas deveriam assistir a uma assembléia de professores, conhecer suas realidades, olhar nos olhos. Saberiam que não é fácil, mas que tem muita gente boa querendo um mundo melhor! Para todos e não só para alguns...
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Greve cresce nas Federais
A greve nas bases da Federação dos Sindicatos das Universidades Brasileiras (Fasubra) começou tímida, até porque a plenária que deliberou pelo movimento paredista teve uma votação bastante apertada. Mas, com o passar dos dias e os informes das bases novas universidades foram discutindo, debatendo e entrando em greve. Agora já são 43 IFES de um total de 49 filiadas. Os trabalhadores percebiam que o que estava apontado para o seu futuro era o congelamento do salário, a continuidade da enrolarão no que diz respeito aos problemas do Plano de Cargos, a imposição da lógica da previdência complementar privada e ameaças concretas ao conjunto dos serviços públicos e da sociedade como por exemplo, a privatização dos hospitais universitários. Não dava mais para contemporizar, até porque o governo seguia incapaz de dar uma resposta concreta a demandas que estavam sendo discutidas por anos.
Na UFSC os trabalhadores começaram o movimento grevista no dia seis de junho, acompanhando uma boa parte das universidades. Outras IFES ainda tiveram de se adequar ao seu ritmo e foram entrando aos poucos. Nesta semana grandes instituições como a Federal do Rio de Janeiro, depois de assembléias bastante concorridas, entraram na greve para valer.
O Rio Grande do Norte conseguiu uma negociação histórica. Mesmo com parte dos trabalhadores dos HUs ganhando um bom adicional por conta das APHs (Adicional por plantão hospitalar), o sindicato conseguiu com que os trabalhadores decidissem parar. A partir de agora 50% dos quatro hospitais estão com as atividades paradas, seguindo 50% ativo por conta dos serviços essenciais. Mas, mesmo com a metade funcionando, os trabalhadores estão conscientes de que é a luta que muda o destino de todos. O Sint-Med, de Uberaba que também tem na sua base 60% de trabalhadores de hospital também deliberou pela greve e já se organizar para garantir o atendimento emergencial. Ninguém mais duvida que neste governo a mão será pesada, mas também não dá para aceitar que se gastem bilhões com a construção de estádios para a Copa, em detrimento de investimentos na educação. E, nesse campo, salário digno e garanti do serviço público é fundamental.
Nesta semana um encontro dos dirigentes da Fasubra com o ministro Fernando Haddad, durante uma visita dele a Comissão de Educação da Câmara, buscou o diálogo, que foi interrompido de forma unilateral pelo governo, mas Haddad foi taxativo: só chama a Fasubra para conversar se a greve for suspensa. Alegou que havia uma mesa instalada e que a Fasubra rompeu o pacto. Não falou do fato de que o governo nunca apresentou qualquer proposta, apesar de a Fasubra ter suspendido o indicativo de greve por duas vezes seguidas, confiando de que viria um acordo.
Em Santa Catarina o movimento também começou tímido, com um percentual de 30% de paralisação. Mas, com o passar dos dias os trabalhadores foram parando. O Restaurante Universitário está fechado, sendo usado pelos trabalhadores em greve para garantir a alimentação durante o movimento. A Biblioteca, que começou funcionando precariamente também já fechou as portas. A gráfica da universidade está com 100% de adesão e muitas coordenadorias também já pararam. È certo que ainda há muita gente trabalhando, esperando para ver até onde vai o movimento, mas a esperança é que novas adesões aconteçam ao longo da semana.
Nesta quinta-feira, apesar de uma boa parte dos grevistas estar em Brasília para participar de um ato público, os demais trabalhadores se integram a um ato puxado pelos professores estaduais, também em greve, e que contará com a participação de estudantes e outras categorias do serviço público federal. A caminhada sai da frente da Assembléia Legislativa às 14h. Os trabalhadores públicos, de uma forma geral, ensaiam uma greve unificada porque o governo também se nega a negociar com as demais categorias. É bem possível que o movimento engrosse suas fileiras em bem pouco tempo.
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Acampados reabrem escola municipal que servia de depósito de adubo.
Na contramão da tendência de fechamento de escolas públicas no Brasil, principalmente no campo, os acampados do Terra Nova, acampamento conjunto do MAB e do MST no município de Serro Negro (SC) reabriram a escola municipal na comunidade rural do Umbu.Munidos de material de limpeza, enxadas, foices e facões, crianças e adultos acampados limparam e reabriram nesta última segunda-feira a escolinha que atualmente era usada pelo município como depósito de adubo orgânico.
domingo, 12 de junho de 2011
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Não dá mais para viver
A cidade de Florianópolis nem grande é. Tem uma parte ilha, outra continente e abriga aí umas 400 mil pessoas. Mas, apesar de não ser uma megalópole, a vida aqui é muito parecida a lugares assim. Como a cidade cresceu desordenada e sem planejamento, as ruas são estreitas e o número de carros excessivo. Prefeito atrás de prefeito, ninguém nunca se preocupou em desenvolver o transporte de massa. A cidade sempre foi pensada única e exclusivamente para os carros.
A coisa é tão incrível que, mesmo sendo uma cidade turística, Florianópolis deve ser a única cidade/capital do mundo a não ter uma linha de ônibus que passe em frente à rodoviária. Todos os dias chegam e saem da cidade centenas de pessoas. E não há um ônibus que passe ali. As pessoas que chegam à cidade pela via terrestre precisam arrastar suas malas até o terminal central, distante a uns 400 ou 500 metros. E quem vem dos bairros para a rodoviária passa pelo mesmo desconforto. Arrastando malas e se estressando nas ruas próximas ao terminal que são coalhadas de carro. Um desastre. Uma vergonha.
Nos dias de semana, uma pessoa que não tenha entrado no turbilhão das compras de carro em 60 meses, e usa o malfadado transporte coletivo, passa por um inferno digno da prosa de Dante. Poucos quilômetros são percorridos lentamente em engarrafamentos monstros. Demora-se de duas a duas horas e meia para fazer 20 quilômetros. Este ano a prefeitura inaugurou um elevado – que ficou em obras por dois anos com uma promessa de solucionar definitivamente as filas – e no primeiro dia foi um deus nos acuda. Hoje, os ônibus ficam sobre o elevado por 20 ou 30 minutos, completamente parados. São quatro vias rápidas desembocando numa via única. Coisa para enlouquecer qualquer cristão. Desastre de engenharia de trânsito.
Diante de todos esses horrores cotidianos a única possibilidade de não entrar numa de explodir em “um dia de fúria”, é a boa e velha alienação. Fico imaginando se o velho Marx vivesse neste tipo de capitalismo dependente da periferia do sistema, se ele não iria abençoar a alienação como, talvez, a única possibilidade de se manter são.
Eu sempre achei meio lance fraco as pessoas andarem com esses aparelhinhos de ouvir música, alienadas, no meio do turbilhão. Pois hoje eu decidi comprar um, depois de quase ter perdido a tramontana numa tarde destas. Chuva, ônibus fechado, sem ar, gente tossindo, 40 pessoas sentadas e 100 em pé, criança berrando, gente falando ao celular, outros com o celular tocando alto uma música evangélica. Pensei que fosse surtar. Bateu o terror. Está dureza demais viver nesta cidade, do jeito como as coisas vão. No meu bairro, que é pura beleza, os condomínios não param de surgir. Não há ruas, não há esgoto, não há formas de a gente se mexer com tranqüilidade. Tudo está em colapso. A cidade está em colapso. As pessoas também.
A certeza de tudo isso se deu numa sinaleira. Meu ônibus parou do lado de outro eu olhei para as pessoas que ali estavam com as caras emolduradas nas janelas. Seus olhares eram catatônicos, tristes, desolados, desesperadores. Minha mirada cruzou com a de outra mulher e eu reconheci nela o mesmo sentimento. Lá no outro ônibus, ela, com os olhos em fogo, via o mesmo que eu. Seres em escombros tentando sobreviver à insuportável travessia.
De novo pedi perdão a Marx e rezei aos deuses antigos: bendita alienação. Fechei os olhos e fiquei a escutar Cascatinha e Inhana a cantar velhas cantigas sertanejas. Única forma de sobreviver ao desastre do transporte coletivo. Mas alguma coisa em mim diz que há um tênue fio... um tênue fio, que pode se romper...