quinta-feira, 16 de junho de 2011

Greve cresce nas Federais



A greve nas bases da Federação dos Sindicatos das Universidades Brasileiras (Fasubra) começou tímida, até porque a plenária que deliberou pelo movimento paredista teve uma votação bastante apertada. Mas, com o passar dos dias e os informes das bases novas universidades foram discutindo, debatendo e entrando em greve. Agora já são 43 IFES de um total de 49 filiadas. Os trabalhadores percebiam que o que estava apontado para o seu futuro era o congelamento do salário, a continuidade da enrolarão no que diz respeito aos problemas do Plano de Cargos, a imposição da lógica da previdência complementar privada e ameaças concretas ao conjunto dos serviços públicos e da sociedade como por exemplo, a privatização dos hospitais universitários. Não dava mais para contemporizar, até porque o governo seguia incapaz de dar uma resposta concreta a demandas que estavam sendo discutidas por anos.

Na UFSC os trabalhadores começaram o movimento grevista no dia seis de junho, acompanhando uma boa parte das universidades. Outras IFES ainda tiveram de se adequar ao seu ritmo e foram entrando aos poucos. Nesta semana grandes instituições como a Federal do Rio de Janeiro, depois de assembléias bastante concorridas, entraram na greve para valer.

O Rio Grande do Norte conseguiu uma negociação histórica. Mesmo com parte dos trabalhadores dos HUs ganhando um bom adicional por conta das APHs (Adicional por plantão hospitalar), o sindicato conseguiu com que os trabalhadores decidissem parar. A partir de agora 50% dos quatro hospitais estão com as atividades paradas, seguindo 50% ativo por conta dos serviços essenciais. Mas, mesmo com a metade funcionando, os trabalhadores estão conscientes de que é a luta que muda o destino de todos. O Sint-Med, de Uberaba que também tem na sua base 60% de trabalhadores de hospital também deliberou pela greve e já se organizar para garantir o atendimento emergencial. Ninguém mais duvida que neste governo a mão será pesada, mas também não dá para aceitar que se gastem bilhões com a construção de estádios para a Copa, em detrimento de investimentos na educação. E, nesse campo, salário digno e garanti do serviço público é fundamental.

Nesta semana um encontro dos dirigentes da Fasubra com o ministro Fernando Haddad, durante uma visita dele a Comissão de Educação da Câmara, buscou o diálogo, que foi interrompido de forma unilateral pelo governo, mas Haddad foi taxativo: só chama a Fasubra para conversar se a greve for suspensa. Alegou que havia uma mesa instalada e que a Fasubra rompeu o pacto. Não falou do fato de que o governo nunca apresentou qualquer proposta, apesar de a Fasubra ter suspendido o indicativo de greve por duas vezes seguidas, confiando de que viria um acordo.

Em Santa Catarina o movimento também começou tímido, com um percentual de 30% de paralisação. Mas, com o passar dos dias os trabalhadores foram parando. O Restaurante Universitário está fechado, sendo usado pelos trabalhadores em greve para garantir a alimentação durante o movimento. A Biblioteca, que começou funcionando precariamente também já fechou as portas. A gráfica da universidade está com 100% de adesão e muitas coordenadorias também já pararam. È certo que ainda há muita gente trabalhando, esperando para ver até onde vai o movimento, mas a esperança é que novas adesões aconteçam ao longo da semana.

Nesta quinta-feira, apesar de uma boa parte dos grevistas estar em Brasília para participar de um ato público, os demais trabalhadores se integram a um ato puxado pelos professores estaduais, também em greve, e que contará com a participação de estudantes e outras categorias do serviço público federal. A caminhada sai da frente da Assembléia Legislativa às 14h. Os trabalhadores públicos, de uma forma geral, ensaiam uma greve unificada porque o governo também se nega a negociar com as demais categorias. É bem possível que o movimento engrosse suas fileiras em bem pouco tempo.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Acampados reabrem escola municipal que servia de depósito de adubo.

Por Pepe Pereira dos Santos - setor de comunicação MST/SC - Serro Negro Santa Catarina


Na contramão da tendência de fechamento de escolas públicas no Brasil, principalmente no campo, os acampados do Terra Nova, acampamento conjunto do MAB e do MST no município de Serro Negro (SC) reabriram a escola municipal na comunidade rural do Umbu.Munidos de material de limpeza, enxadas, foices e facões, crianças e adultos acampados limparam e reabriram nesta última segunda-feira a escolinha que atualmente era usada pelo município como depósito de adubo orgânico.



A prefeitura de Serro Negro, no Planalto Sul catarinense, se dispôs a fornecer as carteiras de aula e o transporte para as crianças. O setor de educação do MST de Santa Catarina ficou responsável pelos educadores e pelo material pedagógico. São mais de 200 as crianças do acampamento, que aumenta a cada dia, que terão acesso à educação. São filhos de sem-terras e atingidos por barragens que terão acesso a educação de qualidade, e mais os filhos de moradores da comunidade rural de Umbu que quiserem frequentar a escola do acampamento Terra Nova.



O adubo orgânico que era estocado na escola será usado em uma horta que produzirá alimentos para os acampados e seus filhos, e o excedente será comercializado nas comunidades da região como forma de geração de renda para os acampados, que lutam por terra para viver e por condições de educação para todos.

domingo, 12 de junho de 2011

O jornalismo em Cuba

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Não dá mais para viver



A cidade de Florianópolis nem grande é. Tem uma parte ilha, outra continente e abriga aí umas 400 mil pessoas. Mas, apesar de não ser uma megalópole, a vida aqui é muito parecida a lugares assim. Como a cidade cresceu desordenada e sem planejamento, as ruas são estreitas e o número de carros excessivo. Prefeito atrás de prefeito, ninguém nunca se preocupou em desenvolver o transporte de massa. A cidade sempre foi pensada única e exclusivamente para os carros.


A coisa é tão incrível que, mesmo sendo uma cidade turística, Florianópolis deve ser a única cidade/capital do mundo a não ter uma linha de ônibus que passe em frente à rodoviária. Todos os dias chegam e saem da cidade centenas de pessoas. E não há um ônibus que passe ali. As pessoas que chegam à cidade pela via terrestre precisam arrastar suas malas até o terminal central, distante a uns 400 ou 500 metros. E quem vem dos bairros para a rodoviária passa pelo mesmo desconforto. Arrastando malas e se estressando nas ruas próximas ao terminal que são coalhadas de carro. Um desastre. Uma vergonha.


Nos dias de semana, uma pessoa que não tenha entrado no turbilhão das compras de carro em 60 meses, e usa o malfadado transporte coletivo, passa por um inferno digno da prosa de Dante. Poucos quilômetros são percorridos lentamente em engarrafamentos monstros. Demora-se de duas a duas horas e meia para fazer 20 quilômetros. Este ano a prefeitura inaugurou um elevado – que ficou em obras por dois anos com uma promessa de solucionar definitivamente as filas – e no primeiro dia foi um deus nos acuda. Hoje, os ônibus ficam sobre o elevado por 20 ou 30 minutos, completamente parados. São quatro vias rápidas desembocando numa via única. Coisa para enlouquecer qualquer cristão. Desastre de engenharia de trânsito.


Diante de todos esses horrores cotidianos a única possibilidade de não entrar numa de explodir em “um dia de fúria”, é a boa e velha alienação. Fico imaginando se o velho Marx vivesse neste tipo de capitalismo dependente da periferia do sistema, se ele não iria abençoar a alienação como, talvez, a única possibilidade de se manter são.


Eu sempre achei meio lance fraco as pessoas andarem com esses aparelhinhos de ouvir música, alienadas, no meio do turbilhão. Pois hoje eu decidi comprar um, depois de quase ter perdido a tramontana numa tarde destas. Chuva, ônibus fechado, sem ar, gente tossindo, 40 pessoas sentadas e 100 em pé, criança berrando, gente falando ao celular, outros com o celular tocando alto uma música evangélica. Pensei que fosse surtar. Bateu o terror. Está dureza demais viver nesta cidade, do jeito como as coisas vão. No meu bairro, que é pura beleza, os condomínios não param de surgir. Não há ruas, não há esgoto, não há formas de a gente se mexer com tranqüilidade. Tudo está em colapso. A cidade está em colapso. As pessoas também.


A certeza de tudo isso se deu numa sinaleira. Meu ônibus parou do lado de outro eu olhei para as pessoas que ali estavam com as caras emolduradas nas janelas. Seus olhares eram catatônicos, tristes, desolados, desesperadores. Minha mirada cruzou com a de outra mulher e eu reconheci nela o mesmo sentimento. Lá no outro ônibus, ela, com os olhos em fogo, via o mesmo que eu. Seres em escombros tentando sobreviver à insuportável travessia.


De novo pedi perdão a Marx e rezei aos deuses antigos: bendita alienação. Fechei os olhos e fiquei a escutar Cascatinha e Inhana a cantar velhas cantigas sertanejas. Única forma de sobreviver ao desastre do transporte coletivo. Mas alguma coisa em mim diz que há um tênue fio... um tênue fio, que pode se romper...

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Campeche em luta

Aliança do Sul pela Natureza fez mobilização no Campeche





O lindo domingo de quase inverno levou a comunidade do sul da ilha para a rua. Mais de 600 pessoas se manifestaram, brincaram, dançaram e fizeram luta no antigo campo de aviação do Campeche, onde os moradores querem a construção de um Parque Cultural. Na celebração do Dia Mundial do Meio Ambiente, organizada pelo Núcleo Distrital do Campeche, que congrega mais de 20 entidades, vieram os que amam a natureza, os que amam o lugar onde vivem e os que querem uma cidade boa para se morar. Vieram os aliados do Ribeirão da Ilha, do Movimento Saneamento Alternativo, do Núcleo Distrital do Pântano do Sul e até sindicalistas como os do Sintrafesc. A união de tantos movimentos que consolidam a “Aliança do sul pela natureza” mostrou que as pessoas querem mesmo é a possibilidade de viver num lugar que respeita o ambiente, que preserva o que é bom e que busca uma relação harmônica com tudo o que vive. Mostrou também que, se for preciso lutar muito para que isso seja real, as gentes o farão.

No início da tarde, com um sol brilhando ao máximo, as pessoas foram chegando. Vinham com seus filhos, com pandorgas, cachorros, chimarrão, bicicletas, bolas, petecas, material de pintura. Em pouco tempo o espaço do campo de aviação já era pura cor, com a gurizada correndo e jogando futebol. No que durante a semana só se ouve o rumor do vento, ouvia-se o riso cristalino, os gritos de alegria e a animação. Também ouvia-se o grito de protesto contra o código florestal, que destrói gente e floresta. Contra Belo Monte, que arrasa ainda mais com a vida no Xingu.

Pelo espaço do campo foram montadas barracas com informações sobre o Plano Diretor, sobre como cuidar do lixo, como se desfazer com responsabilidade do lixo eletrônico, barraca com animais para doação, informes sobre a Rádio Campeche – a rádio da comunidade, sobre o saneamento alternativo, sobre os riscos do emissário. Enfim, os mais diversos movimentos expuseram suas lutas e informaram à comunidade que não parava de chegar.

No meio da tarde, uma grande caminhada pela Pequeno Príncipe anunciou um ato/carnaval/festa/manifesto. Das janelas assomaram as gentes que, aos poucos, decidiam por aderir ao movimento. Um grande tubo preto representava o emissário – mal amado e mal querido – que ninguém quer na praia do Campeche. Famílias inteiras iam somando-se ao grupo que dançava e se manifestava. Uma ala de pessoas vestidas com prédios de papelão anunciava os riscos da verticalização do bairro, coisa que ninguém quer. Outra ala chamava para o cuidado com o lixo, com a limpeza, com o saneamento. A ala da água propagava a necessidade de se cuidar do aqüífero que é herança da natureza para os bichos e as gentes. Depois, no final, vinha o boi de mamão, divulgando a cultura desta gente forte que não se cansa de lutar e resistir para que os bairros do sul da ilha sigam vivendo a sua vocação que é a de serem bairros-jardins, integrados harmonicamente com a exuberante natureza de restinga, dunas e praias. Era gente demais proclamando seu amor pelo ambiente onde constrói sua morada.

Depois da caminhada toda aquela gente se concentrou no Pacuca (Parque Cultural do Campeche), que se coloriu de povo e de bicho. Foram plantadas árvores por todo o lugar, fez-se fila para a pipoca, para o cachorro quente. O Campeche vivia um momento de pura alegria. Mesmo aqueles que não participam muito das atividades políticas, deparados com aquele movimento tão animado, parou e escutou. Reconheceram que só a luta do povo unido pode garantir coisas.

Depois, quando a tarde já findava, o boi de mamão do Campeche fez de todos, crianças, e não houve quem não dançasse e se emocionasse com a beleza desta cultura tradicional que também resiste entre tantas invasões culturais. E, na hora em que o céu avermelhou, num pôr-do-sol de tirar o fôlego, uma bateria de escola de samba deu o tom do que é a luta no Campeche: forte, cadenciada, unida. Foi um dia perfeito!

A festa do dia mundial do meio ambiente não se esgota neste cinco de junho. Ela é permanente no Campeche e no sul da ilha. No próximo domingo, às 10h, em frente ao campo de futebol do Pântano do Sul, a caminho dos Açores, sairá uma caminhada também buscando envolver a comunidade na luta pela criação de um Parque e na defesa da vocação do sul. Lá estarão todos os lutadores outra vez, porque esta é uma luta que não se acaba, pelo menos não enquanto pulularem os vilões destruidores da natureza e das gentes.

O povo unido vence, e isso não é palavra de ordem. É a mais pura realidade!

domingo, 5 de junho de 2011