quarta-feira, 4 de março de 2026

O tempo das atrocidades


Quando em 2017 Donald Trump foi eleito presidente dos EUA pela primeira vez aberto, com esse feito, um caldeirão de atrocidades. Uma espécie de corolário do irracionalismo que vem se consolidando desde a primeira grande guerra. Conhecido mundialmente por sua frieza e maldade expressas de maneira clara num desses abjetos shows de realidade chamados “O aprendiz”, estava mais do que lógico de que governaria o país com a mesma arrogância com a qual ofendia, humilhava e despedia os seus “aprendizes” de monstros. Sim, porque o tal programa era um show no qual os aprendizes tinham de tomar decisões administrativas que se caracterizavam por falta de empatia, desumanidade e vilania. O mais calhorda era o que ganhava e o prêmio era ser assessor de Trump. Logo, era absolutamente certo de que o que se veria na presidência do país aqui mais poderoso do mundo era exatamente isso: vilanias. Deixemos claro: o Trump foi eleito, o que significa que essa fatia da população, que o conhecia bem, sabia o que estava fazendo. 

O que se viu, então, neste mandato, foi o seu showzinho já conhecido. Grosserias, preconceito, humilhações, arrogância. E, junto com isso, o crescimento de um movimento de ultradireita chamado QAnon, baseado em mentiras e invenções alucinantes. Esse movimento se passou rapidamente pelos eternos repetidores de bobagens estadunidenses e logo chegou à América Latina. Usando as mesmas técnicas de Trump, Bolsonaro se elegeu no Brasil, trazendo para a política o mesmo modo de desempenho. E assim, quanto mais fora da casinha fosse o candidato, mais chance passaria a ter. Claro que as experiências ditas progressistas deram uma mãozinha ao não conseguirem apresentar às populações respostas aos seus dramas. 

Javier Milei, na Argentina, é outro que se elegeu usando a mesma técnica. Gritos, ofensas, atos espetaculosos. E o que é pior. Foi extremamente claro na sua campanha sobre o que iria fazer: acabar com os direitos trabalhistas, destruir os serviços públicos e ajudar a família, a sua é clara. Foi escolhido no voto pelos argentinos. 

Agora, nos últimos anos, já no segundo mandato de Trump, vimos a naturalização da barbárie. O genocídio do povo palestino, perpetrado por Israel, assistido ao vivo nas telas dos celulares, sem causar muita comoção. Pelo contrário. Nos comentários das imagens pudemos ler os horrores de uma gente completamente destituída de humanidade. Apesar das grandes manifestações pelo mundo, nada aconteceu. O genocídio aumentou, sem trégua e segue ainda... Ficou tão naturalizado que já não importa mais... Israel matou crianças, velhos, explodiu gente nos hospitais, nas barracas de refugiados, matou jornalistas, médicos, as coisas mais abjetas. Sem limites. 

Então, quando os soldados estadunidenses entraram na Venezuela e sequestraram Maduro e Cilia, presidente e vice do país, não houve surpresas. O que é um sequestro diante de mais de 100 mil palestinos destruídos? Tá de boa! A Venezuela foi tornada refém e segue tutelada por Trump que governa desde Washington. E, para o mundo, tudo está bem. “É bem feito para os venezuelanos que inventaram de afrontar os Estados Unidos”, são os comentários que proliferaram na internet. Aí também decidimos estrangular Cuba, matar o povo de fome, na escuridão. E está tudo bem. Há quem festeje... e são muitos.

Então, se não há mais limites para o terror, bora bombardear o Irã. Sim, porque os Estados Unidos odeiam o fato de que o Irã não é seu capacho. Logo, vamos “aquecer” as coisas lá no Oriente Médio. O primeiro ato foi fenomenal: uma escola de meninas. Mais de 180 meninas mortas, destroçadas pelas bombas de Israel. Ah, mas não importa. São projetos de terroristas. De novo, o metralhar de comentários maldosos e vis de gente ruim e da mídia comercial, capacho do poder. Então, quando o Irã reviveu e bombardeou Israel. MEUS DEUS!!!! Que pecado atroz. Que gente ruim... está bombardeando alvos civis. Hipócritas!

E assim vamos. Não há limites. Somos, todos, reféns da megalomania de dois ou três governantes que se arvoram xerifes do mundo. E que têm bombas atômicas, capazes de destruir a todos. Não há limites. Nada a esperar de títulos de governos. Tudo indica que esta escalada de terror será longa. Os amantes de Trump, Bolsonaro, Milei e outros quetais, babam, felizes. O que acontecerá quando a realidade os surpreender? 

Os tempos são duros, mas, resistimos! 


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