segunda-feira, 30 de setembro de 2024

No futebol, a moral não se cria


No cabaré da bola tudo o que é ilegal e imoral é motivo de festa e alegria. Quem rouba é tratado como rei. Ali vale tudo. É uma ilha de fantasia. Já vimos gente cheirando todas, mandando não tomar vacina e dizendo que a terra é plana. Os que estão de fora não entendem nada. Agora temos um novo patrocinador. A cachaça 51. E ainda tem as BETs. Uma festa.  Comentário de Nilso Ouriques, no programa Campo de Peixe, da Rádio Campeche. (28.09.2024). 




quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Da informação e da fé



Quando eu era adolescente e ouvia sobre o nazismo nas aulas de história eu sempre saia estupefata. E me perguntava, repetidas vezes: como as pessoas puderam permitir? Como os alemães puderam realmente acreditar nas bobagens ditas por Hitler sobre pureza de raça e sobre a necessidade de exterminar judeus, ciganos, comunistas?  A resposta que me parecia mais plausível era de que a maioria deles não sabia o que estava acontecendo, provavelmente eram enganados com mentiras e não havia meios que pudessem divulgar sobre aqueles crimes. Faltava informação. 

Hoje, vendo o que acontece na Palestina, com a informação saltando na palma da mão a cada segundo, consigo perceber que não era falta de informação. Era fé. De alguma maneira aquele tipo perverso que era Hitler conseguiu encantar o povo alemão e eles o seguiam baseados na fé. Ou seja, nenhuma informação ou argumento racional podia romper aquele casulo. Nos dias de hoje, quando me deparo com um cara usando uma bandeira de Israel na sua motocicleta, na minha cidade, milhares de quilômetros distante daquele malfadado e artificial país, dou-me conta que nenhuma informação pode penetrar naquele corpo fechado pela fé. O cara nem é judeu, mas acredita piamente que Israel é o país do povo eleito porque quem disse isso foi algum pastor ou então o boneco escroto que um dia foi presidente. Ele crê e basta. 

Nos dias que correm, Israel, além de destruir Gaza e dizimar o povo palestino, decidiu agora atacar o Líbano. E toca a mandar bombas para aquele país argumentando que o faz para se defender dos “terroristas” que vivem lá. Ora, é óbvio que isso é uma mentira. É óbvio que tudo o que Israel quer é enfraquecer qualquer possível aliado dos palestinos. Isso é guerra. E guerra se faz assim, com mentiras, incitando um povo contra o outro. Algo tão antigo quanto o mundo. Também é obvio que as lideranças do mundo ocidental sabem muito bem qual é a intenção de Israel, bem como sabem que ter Israel como aliado é bom para os negócios. Então, danem-se as pessoas. Danem-se as crianças morrendo como moscas, danem-se os árabes terroristas. Onde puder florescer os dólares, lá estarão no apoio. Nunca serão julgados como o que são: criminosos. Mas, as pessoas comuns, como esse cara em Florianópolis com a bandeira de Israel, realmente pensa que tudo isso é uma cruzada humanitária contra os “demônios”. Ele acredita e ponto final. Nenhum argumento contrário balançará sua fé. 

Dias há em que o desespero bate forte. Tanta impotência nos põe doentes. De útil tenho apenas as palavras e elas não são chave para abrir a caixa da ignorância reforçada pela fé. Mas, como bem diz o professor Nilso Araújo de Souza, temos de seguir denunciando e lutando para mudar as coisas. É o que nos cabe nesse mundo estranho, ainda que pareça ser a tarefa de Sísifo, empurrando uma pedra que, sabemos, voltará a cair... 


terça-feira, 24 de setembro de 2024

Coroné sabe: quem planta colhe


Hoje vamos falar dos jornalistas esportivos. A maioria, não todos, é paga pelos coronéis para escrever e falar. É o cartolão quem define como pautas. E o coronel sabe: quem planta, colhe. E o que é plantado? Só abrobrinhas. Nada crítico. Fofocas e sensações. Antigamente não era assim. Tínhamos gente boa falando de futebol. Comentário de Nilso Ouriques no Programa Campo de Peixe, da Rádio Comunitária Campeche. (20.09.2024).

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Euzinha


Remexendo as gavetas achei essa foto do aniversário de um ano do meu irmão, o que está nos braços de minha irmã mais velha, Nara. Encantei-me com essa guriazinha fazendo um muxoxo, de olhos tão graúdos. Imagino eu que estava louca para que acabasse o bochicho das fotos para comer os docinhos. Gostei tanto de vê-la que divido com vocês. Não. Não sinto saudade dela, porque continuamente a sinto viva em mim com esse mesmo olhar de “vai demorar muito, é?”. 



terça-feira, 17 de setembro de 2024

TV Bordel



Segue a festa no Cabaré da Bola. Esse lugar de pecado e  proibido. Mas, porque então ele é tão desejado pelos homens? Porque reúne a paixão e o encantamento pela bola e a liberdade. Só que ele tem uma ideologia  fantástica: um bordel de TV. E é aí que o futebol entra na sua sala, enquanto os homens se divertem no cabaré. Ali se soltaram os demônios e só sobreviveram os fortes. Comentário de Nilso Ouriques no Programa de Campo de Peixe da Rádio Campeche. (14.09.2024)


sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Vitrine da Carne



A selecinha ganhou do Equador e houve festa no Cabaré. Afinal, cada vez que a seleção vence um jogo abre-se a cortina de um leilão para a venda de jogadores. É o mercado que alimenta os barões da bola. É uma vitrine da carne humana. Comentário de Nilso Ouriques no programa Campo de Peixe, na Rádio Campeche. (07.09.2024).


quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Quem são os donos do cabaré


Sou vizinho do cabaré da bola e espio pelas frestas para ver o que acontece. Vejo a festa dos donos da maior empresa de jogadores do planeta, capatazes dos pé-de-obra. Observo como eles mandam e desmandam em todo o país. Mandam nos clubes e na seleção brasileira e embolsam imensos lucros. Conheça quem são. Comentário de Nilso Ouriques, no Programa Campo de Peixe da Rádio Comunitária Campeche. (24.08.2024)