quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O medo


É uma coisa assim, que chega no meio da madrugada, ou numa tarde de sol. A gente nunca sabe direito explicar. Vem e se instala. Paralisa, encaixota, prende. Alguns se deixam vencer, incapazes de sair da armadilha criada sabe-se lá como. Outros, debatem-se, agitam-se, e escapam. Não é coisa fácil porque, afinal, em cada esquina da vida ali está, a espreitar.

É a primeira espinha que deixa a carta torta, é o primeiro beijo que não se deu, é a nova escola, a cidade outra que não a mesma, outros amigos jamais feitos. É a timidez, é a insegurança, é o terror de abandonar as seguras margens onde sempre se esteve. O temor de dar o passo necessário, a ansiedade por não saber o que fazer.

O medo é essa coisa doida que desaloja, que desconforta, que dói. O medo é prisão da qual a alma se sente incapaz de sair. O medo vai sugando a alegria, o prazer, o sonho, a vida. O medo estanca todas as possibilidades. Ele é como um dragão, maior do que nós mesmos. Mas não é invencível. É só um balão inflado pelas nossas fantasias. Fruto da nossa incerteza. Tem remédio.

Dia desses, num encontro mágico, uma mulher quéchua me ensinou um encanto. Disse que quando ele viesse, voejando sobre mim, era para eu respeitar, porque o medo é só a outra face da coragem... “Há que rezar ao grande deus, Inti, e pedir que ele mande esta outra face. Depois, há que soprar, que o medo se transmuda em bravura. Mas tem que acreditar”. Desde então é assim! Quando o medo chega, eu sopro... E tudo fica como tem de ser.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Beleza!

Por Rubens Lopes

Esta noite "Tupã" fez ouvir sua voz de trovão. E o céu noturno, emocionado, derramou a "chuva das flores", como a gente chama lá em Minas. É a chuva que antecede a estação que recebe o mesmo nome dessa chuva, pré-anunciadora da beleza que tornar-se-á.

Como Guimarães Rosa notou, no caminho, as sementes encubadas pela poeira esperavam silenciosamente, até o momento em que a "chuva das flores" trouxesse a primavera que não tem fim... Assim acontece o milagre, e o que parecia sem vida apenas germinava.

Nesta manhã,extasiado,pude compreender o que o pai do Rubem Alves dizia ao contemplar a natureza depois da chuva: " Veja como estão agradecidas!". Com a natureza algo de nós tamém fica agradecido, e sentimos que melhoramos. Talvez seja esta a beleza das pequenas coisas que desfrutamos, alí onde se encontram as grandezas de Deus.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A pedagogia da beleza


solidariedade




Nunca é demais falar sobre 
o papel da classe média no Brasil. Equilibrando-se entre o sonho de virar elite e a realidade que a aproxima sempre mais dos empobrecidos, ela é cada dia mais vítima de uma coisa que é muito poderosa. Falo da pedagogia da beleza, empregada pelo sistema capitalista para ganhar as almas claudicantes. Pedagogia é uma palavra que tem sua origem na Grécia, paidós (criança) e agogé (condução), ou seja, aquilo que conduz a criança. E é esta condução de beleza que faz com que milhares de pessoas se deixem seduzir pelas promessas do capital. Como assim? Simples...

Basta a gente ligar a televisão, onde o sistema suga a mais-valia ideológica das pessoas. Ali, nos intervalos dos programas, se expressa, vitoriosa, essa pedagogia, essa condução das gentes pelos caminhos da beleza, coisa tão sedutora. Entre tantas, há uma propaganda da Monsanto - maior produtora de sementes transgênicas do mundo - que é um exemplo claro disso que estou falando. http://www.youtube.com/watch?v=7y4EnsSW814

O vídeo abre com a música “mundo maravilhoso” de Louis Armstrog. E as imagens vão mostrando a vida nos seus instantes mais belos. E uma voz absolutamente sedutora diz: ‘imagine um mundo que preserve a natureza, o ar, os rios. Onde se possa produzir mais, com menos agrotóxico, sem desmatar as florestas.. e os transgênicos podem ajudar a gente nisso...Você já pensou num mundo melhor? Você pensa como a Monsanto!” O comercial dura um minuto, é é uma das coisas mais lindas do mundo. A gente fica emocionado. Impossível alguém ser contra o que o comercial diz. Isso é a pedagogia da beleza! O sistema oferece um discurso tão belo, imagens tão fabulosas, que as pessoas vão acreditando que é assim mesmo. Como ser contra quem quer um mundo melhor?

No meio desta pedagogia da beleza, o que fazem os sindicatos, os movimentos, os lutadores sociais? Eles aparecem sempre como os arautos da desgraça. Estão sempre prevendo catástrofes, anunciando maldições. As pessoas odeiam isso. Outro dia um amigo me disse, num ato pela Palestina. “Ninguém quer ver gente morta!” É, a verdade desconforta, desaloja. E a verdade não é coisa bonita de se ver às vezes. Mas às vezes é! Então, para mostrar essa verdade a gente também tem de usar a pedagogia da beleza.

Por isso creio que temos de anunciar também a boa nova. Mostrar para as gentes que o mundo com o qual sonhamos pode ser belo. Desvelar a verdade escondida na farsa dos donos do mundo que querem fazer crer que aquilo que é bom para eles - um minoria – pode ser aceito como verdade universal. Colocar isso a nu, mas também anunciar a beleza que pode ser o mundo pelo qual ansiamos, com justiça, vida digna e riquezas repartidas.

E como se faz isso? Ah.. O mundo está cheio de exemplos. Cooperação, solidariedade, partilha. Nos acampamentos do MST, em comunidades organizadas, nos bairros palestinos, nas lutas de libertação. Existem lindas histórias para serem contadas. A verdade da beleza que o modo de viver socialista inspira naqueles que acreditam que o mundo pode ser diferente, e caminham para isso. O sistema capitalista só usa a beleza como engano. Mas, aqueles que são profetas, vivendo hoje o que sonham para todos amanhã, estes não tem como enganar, porque expõe ao outro o exemplo.

Historicamente a classe média, na hora de escolher, quase sempre escolhe o lado dos poderosos. São vítimas dessa pedagogia enganosa da beleza, que brota na TV, nos jornais, na escola, em todos os lugares. Acreditam nisso. Mas, se a gente mostrar a beleza do nosso mundo, pode acontecer como no poema de Quintana, quando o menino espicha o pescoço para ver se vê a calcinha da equilibrista dizendo: Quem sabe, titio? Quem sabe?... Assim, nós...


terça-feira, 1 de setembro de 2009

Eleições em Honduras


O governo golpista de Honduras está dizendo ao mundo que o país “volta à tranqüilidade” uma vez que já estão convocadas as eleições presidenciais para 29 de novembro e se inicia a campanha política. Mas, para as gentes que lutam pela volta do presidente Manuel Zelaya, este processo chamado pelo governo golpista não tem o menor respaldo e tampouco garante a volta da “paz” ao país. Um dos dirigentes da resistência, Rafael Alegría, confirma que o povo em rebelião não aceita a idéia de eleições sem a volta de Zelaya ao seu posto de presidente. “Não vamos aceitar nenhuma imposição dos golpistas. O povo não vai participar desta farsa”. Também alguns partidos de esquerda se recusam a participar do processo. Em Honduras, dizem, assim como aconteceu em muitos outros países da América Latina, é o próprio sistema político que está em questão. Essa democracia de votar a cada quatro anos em candidatos com velhas práticas está morta. Há que surgir novas práxis.

Por outro lado, há lutadores sociais que insistem não ser a abstenção às urnas a melhor solução para o conflito. Acreditam que a população poderia dar um sonoro não ao governo golpista e colocar no poder gente capaz de tirar o país da lama onde está. Mas, sem a participação de candidatos mais ligados às causas populares, como garantir isso?

Para os partidos políticos que legalmente disputarão as eleições de 29 de novembro se apresentam novos desafios. Já não bastarão as mesmas promessas de sempre, pois a população deu um salto de qualidade nestes dias de resistência e mesmo aqueles que decidirem participar do pleito estarão de alguma forma já impregnados do novo clima político que se inaugurou com o golpe.

Disputarão as eleições cinco partidos formalmente constituídos. A coalizão “Compromisso por Honduras”, traz, na disputa para deputados, nomes conhecidos que sempre estiveram na luta por uma Honduras melhor, tais como Matías Funes, Efraín Díaz Arrivillaga e Enrique Aguilar Paz e tem como candidato à presidência Bernard Martínez do Partido da Inovação e Unidade Social-Democracia.

A Democracia Cristã tem à cabeça a candidatura de um líder sindical também muito conhecido, Felicito Ávila, e este tem se proposto a caminhar pelo país, ouvindo os eleitores no cara-a-cara, marcando uma prática diferenciada.

O Partido Liberal apresentou a candidatura de Elvín Santos e o Partido Nacional a de Porfírio Lobo, mas como estes são os partidos tradicionais de Honduras, que representam visceralmente a situação golpista que hoje se instaura, é bem provável que tenham de trabalhar bem mais do que com suas velhas práticas assistenciais ou abuso de poder econômico. Há uma nova Honduras aí.

O favorito das eleições, e no qual parte da esquerda está colocando peso é o candidato independente Carlos Reyes, destacado líder popular e sindical que, inclusive, aparece palatável às elites locais. Ele é o primeiro candidato independente da história de Honduras nos últimos 28 anos e participou ativamente das manifestações pró volta de Zelaya coordenando uma Frente Nacional contra o golpe.

Sobre o movimento que luta pelo retorno de Zelaya os analistas falam da existência de três forças: uma que é a do setor liberal, outra de extremistas de esquerda e outra de um setor popular que não aceita a forma como Zelaya foi tirado do processo. Com três vertentes tão díspares ainda não se sabe como o movimento vai se comportar durante a campanha e as eleições, embora já tenha havido declarações de algumas lideranças pelo não comparecimento às urnas.

Entre os populares que não se filiam nem à esquerda radical, nem aos liberais, há o receio de que ao aceitar o jogo imposto pelos golpistas, a candidatura de Carlos Reyes acabe sendo a opção das elites moderadas que querem pôr um fim aos protestos e voltar a “normalidade”. Assim, se por um lado, não votar pode acabar dando a vitória aos velhos políticos de sempre – uma vez que o candidato liberal tem dito que qualquer cem votos elege o presidente - eleger alguém que aparece como “tragável” pela elite pode configurar a queda numa armadilha. A mesma na qual já caíram outros países, de colocar no poder uma esquerda que se direitiza. Optando pelo “menos pior”, o que pode esperar o povo em luta?
Esta é uma batalha que só o povo hondurenho pode travar.

*Com informações da Telesur

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Exigimos Patriotismo y Dignidad


Carta abierta de la sociedad civil latinoamericana y del Bloque Regional de Poder Popular (BRPP) a los Presidentes de la Cumbre Extraordinaria de UNASUR, Bariloche, Argentina, 28 de Agosto de 2009


“Exigimos Patriotismo y Dignidad a los Presidentes latinoamericanos ante Uribe-Obama”


Estimadas señoras y señores Presidentes de la Unión de Naciones Suramericanas:

Los firmantes, representantes de movimientos sociales, políticos, civiles, de DDHH e intelectuales de América Latina y Europa, les solicitamos a ustedes que, recogiendo el sentir de sus pueblos, en la Cumbre Extraordinaria de UNASUR adopten medidas eficaces y contundentes, sobre dos temas específicos que actualmente significan una amenaza a la Patria Grande, a la paz regional y a los intentos de los estados y los pueblos por avanzar en la unidad latinoamericana.


1. El golpe militar en Honduras;

2. La ocupación militar estadounidense de Colombia.


Hacemos nuestra, en el primer tema, la tesis del canciller argentino Jorge Taiana, en el sentido de que los gobiernos no hicieron lo que podían haber hecho, frente al golpe militar en Honduras; y coincidimos con el Presidente Lula del Brasil, en que el segundo tema debe ser tratado de manera directa entre la UNASUR y el Presidente de los EEUU, Sr. Barack Obama, por ser los interlocutores reales de la geopolítica en el continente ante temas tan delicados como las bases operativas del Comando Sur en todo el territorio colombiano y el golpe de estado en Honduras.

Por todo lo dicho, demandamos de los presidentes progresistas latinoamericanos corregir esa irresolución política en la Cumbre Extraordinaria de Bariloche mediante las siguientes medidas:

1) Solicitar públicamente al gobierno de Obama, la derogación de visas estadounidenses para todas las personas que se hallen participando actualmente en cargos importantes dentro de la dictadura hondureña y el bloqueo de sus cuentas bancarias en los Estados Unidos.

2) Solicitar al gobierno estadounidense que aclare públicamente la versión, del mismo Presidente Zelaya, de que el avión donde lo sacaron del país aterrizó primero en la base aérea militar de EEUU en Palmerola, desde donde se coordinó su destino y se ordenó a los militares hondureños llevarlo a Costa Rica.

3) Advertir al Presidente Uribe y a su gobierno, sobre la unilateral suspensión colectiva de las relaciones diplomáticas y económicas por parte de todos los países miembros de UNASUR, de no revocar en 15 días contados a partir de la finalización de la cumbre de UNASUR en Bariloche, los acuerdos militares entre Colombia y EEUU ratificados por Bogotá el 19 de agosto de 2009, al contrariar el espíritu del Tratado Constitutivo de UNASUR, los principios del Consejo de Defensa Suramericano, y por constituirse en una ofensa a la soberanía latinoamericana y en una amenaza a toda la región.

4) Suspender la participación del gobierno de Colombia en el Consejo de Defensa Suramericano mientras persista la permanencia de unidades militares privadas u oficiales de EEUU en su territorio.

5) Solicitar una reunión urgente al Presidente Barack Obama, para tratar directamente el tema de la presencia militar de su gobierno y de corporaciones militares privadas de los EEUU en Colombia, y analizar mecanismos conjuntos para lograr una solución pacífica y negociada del conflicto armado en Colombia.

Adicionalmente los países limítrofes de Colombia deben proceder a la integración de un Sistema de Defensa Integrado que prevenga cualquier ataque sorpresa y deben establecer claramente que un ataque contra uno de ellos, constituye un ataque contra todos ellos.

Invitamos a todas las organizaciones e instituciones sociales latinoamericanas a solicitar públicamente a los presidentes latinoamericanos, cumplir con su deber patriótico y continental en esta hora decisiva de la Patria Grande.

Señoras y Señores Presidentes: O la UNASUR crece en esta hora trascendental del continente, o se erosiona junto con el prestigio político de todos los Presidentes y Presidentas de Suramérica.

Un cordial saludo a ustedes en esta hora decisiva.

Firmas
Alberto Valiente Thoresen, Comité de Solidaridad con América Latina, Noruega
Aleida Centeno Rodriguez, Licenciada, Puerto Rico
Alfredo Tovar, Blog:
www.hablandoconderechoylibertadexpresion.blogspot.com
Alfredo Sumi Arapa, Movimiento por la Democracia Participativa, Perú
Andrés Eduardo Perez Serú, Sociólogo, Decano de la FACSO-UMSS (Facultad de Ciencias Sociales, Universidad Mayor de San Simón de Cochabamba), Bolivia
Álvaro Campana Ocampo, Activista, Perú
Anaité Vargas – Asamblea Permanente de Derechos Humanos/Apdh del Ecuador
Asamblea Regional de Ciudadanas y Ciudadanos del Cono Sur 2010
Bloque Regional de Poder Popular (BRPP), secciones: Argentina, Bolivia, Brasil, Cuba, Ecuador, El Salvador, Noruega, Perú, República Dominicana, República Federal de Alemania, Uruguay, Venezuela
Carlos Angulo Rivas, poeta y escritor peruano residente en Canadá
Carlos Morillo, Coordinador, Movimiento Nacional por la Democracia Participativa, Venezuela
Carlos Moya Ureta, Rector Instituto Latinoamericano de Altos Estudios Sociales (ILAES Posgrados).Chile
Casa Bolivar Anfictionica y
Red Informativa Virtin, Presidente y Director, Virgilio A. Contreras, Colombia
Claudia Videla Sotomayor, Historiadora, Chile
Cuauhtémoc Amezcua Dromundo, Abogado, México
Dante Ortiz, Profesor de Historia, Facultad de Humanidades, Universidad Autónoma de Santo Domingo
Edgar Ponce, Comité de Empresa de los Trabajadores de la Empresa Eléctrica Quito S.A.
Elaine Tavares, Periodista, Universidad Federal de Santa Catarina, Brasil
Elgry Aldana, educadora, BRPP, Venezuela
Emilio Cafassi, sociólogo, Universidad de Buenos Aires, Argentina
Enrique Mario Fukman, Asociación de ex-Detenidos Desaparecidos, Argentina
Enrique Gaucher, Movimiento por la Democracia Participativa, Uruguay
Equipo multidisciplinario Salud y Comunidad El Salvador
Equipo editorial Radio Suchitlán-El Salvador
Escuela Latinoamericana de Comunicación Alternativa Popular
Esteban Silva Cuadra, Coordinación Nacional, Socialistas Allendistas de Chile
Federico García Hurtado, DNI 10319073, Lima, Perú
Félix Tejeda, dirigente Foro Social Alternativo, República Dominicana
Fernando Arellano Ortiz, Colombia
Fernando Dorado, Colombia
Frank Schwitalla, Alemania
Freundschaftsgesellschaft BRD-Kuba, Alemania
Gilo Muirragui, economista, Estados Unidos
Gloria Cuartas, Colectivo Otra Colombia es Posible, Colombia
Heinz Dieterich, Coordinador, Scientists for a Socialist Political Economy (SSPE), Europa-Estados Unidos-América Latina
José Antonio Gutiérrez, Research and Development Coordinator Latin American Solidarity Centre, Irlanda
José Gerald Rodrigo Tórrez Jordán, Politólogo, Coordinador de la Red de Responsabilidades Humanas - Bolivia
Jesús López, Dirigente del CIMA y de la MINGA de Resistencia Social y Comunitaria, Colombia
Lourdes Contreras, dirigente feminista, República Dominicana
Luis J. Álvarez Lozano, economista-filósofo, México
Manuel Rozental, Profesor, Universidad de Algoma, Ontario Canadá
Marcelo Solórzano, Enlace: Red Nacional de Trabajadores de la Energía Eléctrica del Ecuador
Milton Castillo, Constitucionalista, Ecuador
Mujeres de la América Morena, América Latina
Netzwerk Cuba e.V., Alemania
Narciso Isa Conde, Coordinador Nueva Izquierda-Círculos Caamañistas, República Dominicana
Nildo Ouriques, Economista, Universidad Federal de Santa Catarina, Brasil
Omar Meneses, p. Secretariado Ejecutivo, Foro Centenario de Mariategui, Lima, Perú
Pablo Fernandez,
www.principioesperanza.com. Portal de noticias latinoamericano desde la Patagonia, Neuquen, Argentina
Paul Cockshott, Matemático, Universidad de Glasgow, Escocia
Pilar Roca, dni 10319074, Lima, Perú
Raiza Ester Solano, Defensora de Derechos Humanos, Centroamérica
Raúl Guerrero, dirigente de la Nueva Izquierda-Círculos Caamañistas, República Dominicana
Rebeca Llasag, Movimiento indígena, Ecuador
Red de Jóvenes del Cono Sur
Ricardo Martínez Martínez, periodista México-El Salvador
Salah Ahmine, Grupo electrónico Nicaragua Socialista, Nicaragua
Verein Perspektive unabhängige Kommunikation e.V., Alemania
Virgilio PONCE, Coordinadora de Cubanos Residentes en Francia
Waldir Rampinelli, Historiador, Universidad Federal de Santa Catarina, Brasil
Walter Formento, Licenciado, CIEPE Argentina
Alexis Ponce, Ecuador

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Os pobres e a gripe A


Pois outro dia eu estava mui fagueira assistindo televisão, quando vi uma matéria feita lá no Colégio Catarinense, com um professor cujo nome não lembro. Ele, muito sério, dava algumas dicas sobre como prevenir a mal fadada gripe A. primeiro fiquei um pouco estressada com essa de chamar a gripe suína de gripe A. Porque, afinal, é uma maneira de esterilizar um pouco as razões de mais esta pandemia. Tirando o “suína” do nome, as pessoas não mais precisam associar a doença ao modo de produção dos pobres bichos, confinados e torturados.

Depois, então, ouvi esta pérola: “as pessoas devem evitar usar o ônibus”. Fiquei pensando no meu buzão, o que pego todo dia para ir para casa, uma vez que moro a uns 30 quilômetros do lugar onde trabalho. Nele, seja a hora que for, a lotação sempre ultrapassa. As pessoas praticamente se matam para entrar no buzú, não importa que não haja mais lugares, e ali ficam espremidas umas contra as outras. Caso alguém esteja com a tal da gripe, babaus.

Então fiquei a pensar no conselho do professor. “não devemos usar o ônibus”. Bem, ele dá aula num dos mais tradicionais colégios da cidade. Seus alunos devem ser de classe alta ou média alta. Poucos devem usar o ônibus. Nada sabe ele da vida das gentes, cuja liberdade de ir e vir está condicionada ao trajeto do ônibus. E que precisam balançar feito sardinhas todos os dias nos latões.

Aos empobrecidos tudo está negado. Eles são obrigados a andar nos ônibus lotados, e se pegam a gripe tampouco tem um hospital de qualidade onde amparar a dor. A vida real é coisa dura. A das gentes e a dos porcos. E assim segue a humanidade...