Tenho essa prática: onde sou bem tratada, me demoro e me mantenho leal. Assim tem sido com esse homem incrível que corta meus cabelos. Logo que cheguei à Florianópolis, em 1997, trazia o cabelo bem curtinho, usei por muito tempo assim. Era um cabelo difícil, pois exigia cortá-lo a cada mês. Mas, como amarguei mais de um ano de desemprego por aqui, a saída foi deixar crescer as melenas. Finalmente quando pude ir a um cabeleireiro minha amiga Roseméri Laurindo indicou um salão bem famoso que tinha na ilha: o Studio 7, na Felipe Schmidt, afinal, depois de mais de ano sem cortar era preciso um profissional de qualidade. Naquele dia fomos as duas. Rose cortou com o mais famoso, de nome Dico, se não me engano. A mim coube outro profissional, bem jovenzinho, o Edson. Gostei dele na hora. Alegre, simpático e cheio de novas ideias para o cabelo. Desde aí, sempre que precisava tosar o pelo lá ia eu para o Studio 7, marcando hora com o Edson. Um belo dia ele não estava mais. Opa, onde foi? E lá fui eu atrás dele no novo salão. Até que finalmente ele montou o seu próprio negócio. Pois assim tem sido desde o final dos anos 1980. São 33 anos de parceria, sem eu nunca ter mudado. No geral vou cortar o cabelo sempre quando estou muito triste, ou estressada demais, ou com algum problema grande. É bom quando a gente está assim receber um carinho, porque é exatamente isso que significa visitar o Edson. Carinho, cuidado, ternura. Conversamos, rimos, ele lava meu cabelo, conta histórias, faz perguntas, corta, orienta, oferece cremes. E toda vez insiste para a gente pintar, colocar uma cor, uma hena. E eu sempre digo não. É quase um ritual. Assim, posso estar vivendo a dor mais profunda, mas invariavelmente saio de lá com a alma leve, sorrindo. Ele é um bálsamo, um respiro. Hoje, olhando para trás, vendo passar esses mais de 30 anos de encontros capilares, me emociona pensar o quanto conseguimos estabelecer laços tão profundos com pessoas com as quais não convivemos diariamente. O Edson é assim, como alguém da família, essa família extendida que a gente vai formando na existência real. A família que não se forja no sangue nem na obrigação, mas na genuína empatia. Obrigada, meu amigo, por essas três décadas de encontros, de alegria, de carinho e de cuidado. Melhor cabeleireiro do mundo, o mais querido. Te amo grande, grande...
Elaine Tavares. Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pachakuti. Contato: eteia@gmx.net / tel: (48) 99078877
Redes Sociais
Rádio Comunitária Campeche
Artigas
o general dos povos livres
Sempre na Memória
Marco Temporal Não
Vida plena para os povos originários
Programa Campo de Peixe
sábados - 11h - Rádio Campeche
Jornalismo de Libertação
Este é o pressuposto teórico básico do jornalismo praticado pela autora deste blog. Seguindo a senda da Filosofia de Libertação, que busca olhar o mundo a partir do olhar da comunidade das vítimas do sistema capitalista, o jornalismo de libertação se compromete em narrar a vida que vive nas estradas secundárias, nas vias marginais. O jornalismo de libertação não é neutro nem imparcial. Ele se compromete com o outro oprimido e trata de, na singularidade do fato, chegar ao universal, oferecendo ao leitor toda a atmosfera que envolve o assunto tratado. (Jornalismo nas Margens. Elaine Tavares. 2004)
Moda Inviolada: uma história da música caipira
-
O livro que publiquei em 2006 com minha pesquisa sobre como a música
caipira se transformou na música "sertaneja" ainda está disponível e pode
ser adquiri...
-
*EMANUEL MEDEIROS VIEIRA*
*Salvação - Alameda dos Amigos Mortos*
*SALVAÇÃO*
Por *Emanuel Medeiros Vieira*
“*O tempo é a espera de Deus que mendiga no...
Nenhum comentário:
Postar um comentário