Hoje se falou muito sobre a “Ursal”, uma suposta conspiração socialista para tornar toda a América Latina um só bloco de poder, acabando com todos os países, aos moldes do que aconteceu na União Soviética. O candidato chamado Cabo Dalciolo usou essa sigla para se referir a ideia generosa e integracionista de Simón Bolívar: a Pátria Grande. Em primeiro lugar é preciso entender o que é a proposta de Pátria Grande. Durante as guerras de independência, quando as províncias, todas submetidas ao governo das metrópoles de Espanha e Portugal, estavam se libertando do jugo colonial, apresentaram-se dois caminhos. Ou cada pedacinho formava um estado isolado, com governo próprio, ou formava-se uma pátria grande, com o que hoje são países sendo províncias. A ideia era a formação de uma grande nação, capaz de unificada e livre dar novo rumo para toda a gente que aqui vivia. Não se pode dizer que naquele então seria uma pátria socialista porque Bolívar não tinha o socialismo em mente. Era um liberal, ainda aprendendo sobre seu próprio povo. Seu sonho era ver toda a gente unificada numa pátria soberana e capaz de conduzir seu destino sem a interferência de nenhum outro país. Aquilo que hoje conhecemos como países seriam as “pátrias chicas”. Pode até ser que chegasse a pensar no socialismo, mas não teve tempo. Bolívar foi traído pelos seus generais, os quais só queriam saber de criar cada um deles seu próprio país. Assim, destruíram Bolívar, levaram-no a morte e balcanizaram a América do Sul, recortando-a em países, alimentando velhas rixas e inimizades. O resultado é o que vemos. Países isolados, cada qual com seu projeto de poder, alguns ajoelhados diante do império estadunidense, outros tentando caminhar com as próprias pernas, outros ainda buscando tornar real o sonho de Bolívar. Assim que o sonho da Pátria Grande não é uma conspiração, nem um delírio e muito menos uma alucinação. Está, inclusive, consolidado na Constituição brasileira, no parágrafo único, do artigo 4: “A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações”. Então, por caminhos tortos, o Cabo candidato acertou em parte. Pelo menos na ideia de uma Pátria Grande. Errou ao tentar imputar a Ciro Gomes uma liderança nessa empreitada. Nada menos provável. A grande nação bolivariana é obra para revolucionários. E será socialista, é claro. Com esse povo, vamos!
Elaine Tavares. Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pachakuti. Contato: eteia@gmx.net / tel: (48) 99078877
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Este é o pressuposto teórico básico do jornalismo praticado pela autora deste blog. Seguindo a senda da Filosofia de Libertação, que busca olhar o mundo a partir do olhar da comunidade das vítimas do sistema capitalista, o jornalismo de libertação se compromete em narrar a vida que vive nas estradas secundárias, nas vias marginais. O jornalismo de libertação não é neutro nem imparcial. Ele se compromete com o outro oprimido e trata de, na singularidade do fato, chegar ao universal, oferecendo ao leitor toda a atmosfera que envolve o assunto tratado. (Jornalismo nas Margens. Elaine Tavares. 2004)
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