Para desqualificar os indígenas criou-se a ideia de que são "indolentes". Não são, e nunca foram. Apenas o conceito de trabalho para as populações originárias é totalmente outro, diferente do que foi instituído pelo capitalismo. Nos impérios que aqui existiam (inca, asteca e maia) o trabalho era comunitário e seguia o ritmo das estações, da natureza. Não havia a proposta de gerar excedentes para vender. Era outra forma de viver e organizar a vida. As comunidades que viviam nos trópicos tinham tanta abundância que o trabalho - aos moldes do capital - era totalmente dispensável.
Para desqualificar os negros e sua resistência à escravidão, criou-se a ideia de que são "malandros". Não são, e nunca foram. Mas, os senhores de escravos precisavam desse mito, porque nos tempos da escravidão os negros eles usavam da capoeira para se manterem forte e ágeis, porque criavam formas de resistência para enfrentar a dura realidade de não ser livre. Assim, era preciso esterilizar suas lutas, tornando-os "marginais.
Esses preconceitos perduram até hoje, porque os indígenas estão aí a reivindicar terra. porque os negros estão aí a reivindicar reparação e vida digna. Então, é preciso seguir desqualificando essa gente, a tal ponto de seus próprios descendentes reproduzirem esse preconceito.
Na verdade, se tu pensares bem, verás que indolentes e malandros são aqueles que vivem do trabalho alheio. O que equivale a 1% da população mundial, os que exploram os trabalhadores e vivem das riquezas que não produzem. E isso não é criação nossa. É a realidade material.
Elaine Tavares. Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pachakuti. Contato: eteia@gmx.net / tel: (48) 99078877
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Jornalismo de Libertação
Este é o pressuposto teórico básico do jornalismo praticado pela autora deste blog. Seguindo a senda da Filosofia de Libertação, que busca olhar o mundo a partir do olhar da comunidade das vítimas do sistema capitalista, o jornalismo de libertação se compromete em narrar a vida que vive nas estradas secundárias, nas vias marginais. O jornalismo de libertação não é neutro nem imparcial. Ele se compromete com o outro oprimido e trata de, na singularidade do fato, chegar ao universal, oferecendo ao leitor toda a atmosfera que envolve o assunto tratado. (Jornalismo nas Margens. Elaine Tavares. 2004)
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