Diante da providencial crise “do coronavírus” aparece, no dia 24 de março, a proposta de Emenda Constitucional apresentada por um empresário, dublê de deputado federal, Ricardo Izar, do Partido Progressista (PP), que prevê redução de salários dos trabalhadores públicos em até 20% “enquanto durar o estado de calamidade pública. Diz ele, na sua justificativa, que os recursos serão todos usados em ação de combate a evolução do Covid-19. Para o empresário, é óbvio que o “sacrifício” precise vir dos trabalhadores. Afinal, sua categoria precisa seguir garantindo lucros. Já a elite brasileira, que segundo os últimos números chega a pouco mais de 200 famílias e amealha mais de um trilhão de reais, é intocável. Nada de taxar a riqueza. Os trabalhadores que paguem a conta. Mas, a proposta de Izar ainda era insuficiente, e o governo decidiu dar uma “melhorada”, partindo do que aventara o Ministro da Economia Paulo Guedes, que já vinha ameaçando os trabalhadores com medidas dessa natureza bem antes do coronavírus. As informações sobre a nova PEC dão conta de que a redução dos salários deverá ser de 25% e não 20, como propunha o deputado do PP. E mais, em vez de durar só enquanto houver a “crise do coronavírus”, deve se estender até o fim de 2024. E os jornalistas boca-alugada festejam que a medida vai pegar “apenas” os que ganharem mais de três salários mínimos. Rodrigo Maia, presidente da Câmara já apelidou a PEC de “orçamento de Guerra”. Uma guerra na qual a bucha dos canhões serão os trabalhadores. Mas não é só isso. A PEC que deverá ser discutida na próxima semana no Congresso ainda prevê congelamento dos salários - já reduzidos - até dezembro de 2022, alteração nos planos de salários que impliquem em aumento, e o congelamento das contratações. A canalha é insaciável. Se isso passar, vai se somar a outras medidas que já atingem os trabalhadores da iniciativa privada os quais também poderão ter seus salários reduzidos. O governo diz que vai pagar até 80% deles e mais uma vez os jornalista boca-alugadas festejam como se fosse uma grande coisa. Assim que a tal “crise do coronavírus” servirá para, mais uma vez os representantes da classe dominante, que comandam o Congresso, tirarem o couro dos trabalhadores. Resta saber como será a organização dos trabalhadores nesse momento. As sessões poderão ser virtuais e muita gente está em casa. Não se vêem lideranças de esquerda ou sindicais tomando à frente nesse debate. Cada um está sozinho. O que é certo é que tirar o pão da boca dos trabalhadores provavelmente renderá bem menos do que taxar em apenas 1% os mais ricos do país. A escolha do governo é absolutamente esperada. Salvar os ricos e escalpelar os trabalhadores. Não há novidades. Esperamos que a novidade venha da luta. Porque se algo essa pandemia deixou bem á mostra foi a verdade que muitos ainda não conseguiam ver: só os trabalhadores geram riqueza. Sem eles, não há economia e não há vida.
Elaine Tavares. Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pachakuti. Contato: eteia@gmx.net / tel: (48) 99078877
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