Em todo mundo vicejam as pessoas de bem. Bons cristãos que ajudam pessoas quando tem desastre tipo enchente, terremoto. Que doam alimentos e brinquedos nas campanhas de natal. Que ajudam os “pobres”. Mas, desde que esses “pobres” permaneçam no seu lugar. O lugar da vítima, do caído, do desgraçado, daquele que precisa da esmola que estão dispostos a oferecer. Que não venham para seus jardins, ou para a porta de suas casas, que não inventem de namorar suas filhas ou entrar nos salões. É o que temos visto todos os dias no nosso triste país. E é o que vemos em todo o canto do planeta. Sábado, na Itália, foi presa a jovem capitã alemã, Carola Rackete, que comanda o barco de uma ONG holandesa cuja missão é salvar pessoas que estão à deriva no mar, fugindo de seus países. Foi presa porque não atendeu a ordem da guarda marítima italiana e atracou no porto de Lampedusa para deixar 40 pessoas que estavam em sério risco de saúde. As pessoas, no caso, eram migrantes. E não migrantes quaisquer. Migrantes negros. Ela tinha escolha. Podia seguir com o barco no mar, e deixar as pessoas morrerem. Ou, desobedecia aos soldados italianos e atracava, dando uma chance para a vida daqueles seres. Optou por seguir rumo ao porto. Uma mulher jovem, branca, provavelmente em boa situação financeira. E por isso mesmo, por saber que faz parte de um grupo privilegiado, ela decidiu se arriscar no mar, por pessoas que nem conhece. Sabe que essas pessoas têm milhares de vezes menos chance que ela. Agora, sobre ela pesa a acusação de “resistência e violência contra um navio de guerra”. Porque, sozinha, arremeteu seu barco carregado com 42 almas contra um buque cheio de armas. Sim, porque os italianos não querem ver chegar às suas costas os imigrantes. Muitos, inclusive, aplaudiram veementemente a ação da polícia. Consideram que ajudar pessoas a não morrer no mar é incentivar a imigração ilegal. Sim, esse é o argumento. “Que se fodam os pretos, os pobres, os ninguém. Que não venham nos roubar emprego”, é o que dizem os mais raivosos. Carola seguiu serena para a prisão. Pode pegar até 10 anos de cárcere, mas sabe que terá muita gente lutando por ela. Coisa que é difícil de dizer em relação aos milhares de corpos que se lançam ao mar na desesperada fuga da guerra, da fome e da miséria. Carola salva vidas de gente pobre, africana, árabe. Por isso é considerada uma criminosa. Esse é o nosso mundo.
Elaine Tavares. Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pachakuti. Contato: eteia@gmx.net / tel: (48) 99078877
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Este é o pressuposto teórico básico do jornalismo praticado pela autora deste blog. Seguindo a senda da Filosofia de Libertação, que busca olhar o mundo a partir do olhar da comunidade das vítimas do sistema capitalista, o jornalismo de libertação se compromete em narrar a vida que vive nas estradas secundárias, nas vias marginais. O jornalismo de libertação não é neutro nem imparcial. Ele se compromete com o outro oprimido e trata de, na singularidade do fato, chegar ao universal, oferecendo ao leitor toda a atmosfera que envolve o assunto tratado. (Jornalismo nas Margens. Elaine Tavares. 2004)
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