Há uma cena que sempre me comove quando eu penso sobre ser cristão. Digo isso porque sou cristã, nascida em família cristã, com uma mãe que frequentava a igreja e ensinava sobre Jesus. A cena foi protagonizada por um homem que sempre amei profundamente: Dom José Gomes, bispo de Chapecó. Era uma romaria da terra que acontecia em Florianópolis, juntando gente sem terra e gente sem casa. A caminhada saiu de São José, atravessou a ponte e terminou no aterro da Bahia Sul, com uma grande missa e um almoço comunitário. Durante a missa, estavam todos os padres e bispos da região, Dom José junto. Eu era repórter na época, e estava em cima do palanque com os padres, para melhor fotografar o povo lá embaixo. Então, ao final da celebração o arcebispo metropolitano, acho que era o Dom Eusébio, convidou todos os bispos que estavam no palanque para um almoço na arquidiocese. Dom José saiu de fininho, recusando o convite para ir ao palácio episcopal e se foi, misturando-se à multidão. Quando no aterro o almoço comunitário já corria solto, e eu andava pelo meio das gentes, ouvindo as histórias, deparei-me com a cena, que até hoje enche meus olhos de lágrimas. Lágrimas boas, de profundo amor. Dom José, já sem batina, com seu terno e sapatos surrados, comia um cachorro-quente, encostado a uma banquinha. Comeu devagar, conversando com o moço que vendia. Depois, saiu, caminhando pelo meio das pessoas, sentando com uns, sentando com outros, e cada uma delas oferecia um frango, um pão. E ele mordiscava um naquinho aqui, outro ali, vivendo aquela coisa boa que é a comunhão. Um companheiro. E as pessoas o envolviam com uma atmosfera de amor. Eu o mirava de longe, mas minha vontade era de abraçá-lo longamente. Coisa que fiz, mais tarde, na despedida, primeira e última vez que eu o estreitei em meus braços, em profunda gratidão. Dom José era um homem jesuânico. Como Jesus, ele gostava mesmo era de andar com as pessoas, com os seus, os camponeses, os trabalhadores. Nada de palácios e pompas. Essa igreja de Dom José é a que eu tenho dentro do coração. Esse sentimento de partilha, de amor, de solidariedade, de comunhão real. É o que me alimenta nas horas noas. É o que me embala, enquanto escuto o sussurro do homem de Nazaré a dizer: não tema, estarei sempre com vocês.
Elaine Tavares. Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pachakuti. Contato: eteia@gmx.net / tel: (48) 99078877
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Este é o pressuposto teórico básico do jornalismo praticado pela autora deste blog. Seguindo a senda da Filosofia de Libertação, que busca olhar o mundo a partir do olhar da comunidade das vítimas do sistema capitalista, o jornalismo de libertação se compromete em narrar a vida que vive nas estradas secundárias, nas vias marginais. O jornalismo de libertação não é neutro nem imparcial. Ele se compromete com o outro oprimido e trata de, na singularidade do fato, chegar ao universal, oferecendo ao leitor toda a atmosfera que envolve o assunto tratado. (Jornalismo nas Margens. Elaine Tavares. 2004)
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