Mosteiro da trindade - centro da religiosidade russa
Serguiev Possad, a 70 quilômetros de Moscou, é o centro da religiosidade russa. Ali fica o belíssimo Mosteiro da Trindade, sede central da Igreja Ortodoxa, cujas bases foram assentadas pelo mais venerado dos santos russos, Sérgio de Radonej, que é também patrono do país. Ele nasceu em Rostov, em 1314, filho de família nobre e poderosa. Tinha tudo para viver tranquilo na riqueza mas, preferiu pregar pelo país. Em 1345, em Possad, ergueu a primeira igreja em honra da santíssima trindade, toda em madeira. Mais tarde outros mosteiros se somaram e hoje formam uma maravilha arquitetônica da fé ortodoxa. Sérgio morreu em 25 de setembro de 1392 e suas relíquias estão na Catedral da Santíssima Trindade. Em 1408 todo o mosteiro foi devastado durante uma invasão tártara, mas em 1422, quando São Sérgio foi declarado padroeiro da Rússia, começou a ser levantada a primeira catedral de pedra. Os mais importantes pintores de ícones da Rússia, Andrei Rublev e Daniil Chyorny, foram chamados para decorar a nave central. Em 1476, Ivan III chamou vários mestres de Pskov para construir a Igreja do Espírito Santo, famosa até hoje por seus sinos. A Catedral da Assunção levou 26 anos para ser construída, e foi encomendada por Ivan IV, em 1559. Ela é bem maior que a Catedral da Dormição, que fica no Kremlin em Moscou. No final do século XVII, quando Pedro I se refugiu dos inimigos no mosteiro, várias construções já tinham sido adicionadas ao local. A Igreja da Natividade de João Batista, com cinco cúpulas, foi encomendada pelos Stroganovs. Durante mais de quatro séculos aquele foi o mosteiro mais rico de toda a Rússia, atraindo milhares de pessoas para rezar e ver seus manuscritos medievais. Mas, em 1917, com a revolução russa, os monges forma presos, os mosteiros e igrejas foram fechados, sendo os de Possad transformados em prédios públicos e museu. Em 1930 vários dos famosos sinos foram destruídos, embora os seguidores da fé tenham conseguido salvar alguns, que hoje já estão de volta no local. Em 1945, durante a grande guerra, Stalin permitiu que os mosteiros voltassem para as mãos da igreja, tornando-se então sede do Patriarcado (moradia do Patriarca, grau maior dos monges da igreja ortodoxa). E, finalmente, em 1993, o complexo tornou-se patrimônio mundial da humanidade. Hoje, é intenso o fluxo de fiéis e turistas. Vivem ali 300 monges e 700 estudantes. Todos os prédios foram restaurados e o conjunto fulgura na paisagem como uma joia. Para boa parte dos russos, se há algo que se configura imperdoável ao regime soviético, é justamente o fato de terem destruído, desprezado ou subutilizado as igrejas e mosteiros. A religiosidade é um dos elementos mais presentes na vida do povo russo. Mesmo antes da chegada da igreja ortodoxa, em 988, os russos adoravam vários deuses. Muitos deles ainda permanecem no imaginário cultural e a população os cultua mesmo sem saber. Um exemplo disso é o costume de ornamentar as janelas da frente das casas para impedir a entrada de maus espíritos. É que no passado, os ídolos e símbolos da velha religião eram colocados nos batentes, justamente para afastar as coisas ruins. Também o galo que se vê em quase toda casa russa tem origem nas antigas tradições espirituais. Ele desperta o sol e dissipa a escuridão. Com a entrada da fé cristã, pela via ortodoxa, a partir de missionários vindo da Estônia, os velhos deuses foram sumindo e com a ajuda das famílias reais a igreja foi abrindo espaço e poder. A tal ponto de nos kremilins ( cidadelas fortificadas onde fica o centro do poder russo) ficarem, juntas, a residência do príncipe e do patriarca. Hoje, na Rússia pós-soviética, há uma retomada do poder da igreja e da fé. O Mosteiro da Trindade, em Possad, é um exemplo vivo de tudo isso. Tão movimentado quanto o Vaticano, ele é atualmente destino prioritário para os peregrinos russos. E ninguém sai de lá sem alguma relíquia de São Sérgio.
Elaine Tavares. Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos,inaugurando o esperado pachakuti. Contato: eteia@gmx.net / tel: (48) 99078877
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