terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O campeche, o esgoto e a luta comunitária

















Fotos de Rubens Lopes




Sol a pino de um lindo fevereiro. Saímos pelas ruas de areia do Campeche, do Castanheira em direção ao mar. Pelas veredas ainda há aquele cheiro de mato verde, tão típico do bairro, e as pessoas se cumprimentam mesmo sem se conhecer. Passamos pela casa do Guga, que fica em cima da duna, e fomos até o Morro das Pedras. De lá, voltamos pela praia para ver os pontos de esgoto que deságuam no mar. Caminhando pela "bera" já é possível ver as casas - algumas bem chiques, outras nem tanto - erguidas nas dunas, impedindo que a restinga faça seu trabalho de criadouro de vida. Chegando perto da Lomba do Sabão um cano, que deve ser o das águas pluviais, jorra uma água esverdeada direto na areia. Aquilo não é nada bom. É visível que a água está contaminada. Os banhistas, deslumbrados com o azulejo do mar, estão de costas. 

Toca a andar até a entrada da Pequeno Príncipe. Entre o rancho de canoa do seu Getúlio e o bar da ponta da praia corre o que antes era um rio, chamado de Rio do Rafael. Sua vazão já não é a mesma, mas ele aflora quando é tempo de chuva e corre para o mar. No seu leito hoje escorre um fio escuro de esgoto que vai cortando a areia bem pela entrada da praia, deixando parte dela com a cor esverdeada causada pelos efluentes contaminantes. Muitas crianças brincam ali, pois a água fica empoçada entre as camadas de areia, formando uma espécie de lago. É essa a primeira imagem que se tem ao chegar pela avenida principal. 

Seguimos andando e nos deparamos com mais um ponto de deságue de esgoto. Alguém colocou ali alguns sacos de areia para impedir que o fio de água verde chegue até o Rio do Noca ou até à praia, mas a coisa está ali, limosa e fedorenta. 

Mais alguns metros e, por entre as dunas, vem correndo o Rio do Noca, chamado pela indústria do turismo de "riozinho" e que virou uma espécie de point dos sarados. Ele era vivo e piscoso até uns cinquenta anos atrás e foi nesse rio que muitos pescadores da velha guarda do bairro aprenderam a remar nas canoas, a gurizada aprendeu a nadar, os bichos bebiam sua água, as plantações eram irrigadas e as mulheres lavavam suas roupas. Ele definia a área de ação das redes do seu Chico e do seu Deca. É um rio cheio de histórias e memórias afetivas. Mas, hoje, está impróprio para banho, como alerta a placa, e também virou escoadouro de esgoto. Ele igualmente salta das dunas e corre para o mar misturando-se à areia e aos banhistas. Também ali as crianças fazem sua praia particular, apesar de ser visível a coloração verde e a espuma. É de dar dó.

Na faixa de areia próxima ao mar estão os turistas. Alegres, tostados e de costas para o cenário que provoca lágrimas nos olhos dos que amam esse lugar e enxergam ali bem mais do que um lugar de veraneio. A praia do Campeche, para quem vive ali, é lugar do encontro, espaço de convivialidade. O bairro não tem uma praça, não tem espaços coletivos. A praia é o lugar onde os moradores são comunidade. Ela é dormitório dos barcos de pesca que ainda vivem, caminho do arrastão de tainha que se repete ano após ano, vereda dos vigias de peixes, dos surfistas, dos pescadores, dos meninos e meninas do projeto de música do rancho do Getúlio. A praia é casa.

Hoje, por conta do esgoto, fruto do descaso público e da ação predadora dos que não sabem amar o bairro, a casa está suja e feia. É hora de a comunidade sacudir a poeira das derrotas e rodar a baiana.      

Alguns anos de dor...

Quando naquela fria manhã de julho de 2010 o Bar do Chico foi ao chão pela força das máquinas da prefeitura - numa ação brutal e vingativa da pequena política - os moradores mais antigos sabiam: era o fim de uma era. Com a derrubada do tradicional espaço de reunião coletiva dos campechianos também começava a ruir um tipo de comunidade que até então se mantinha unida pelos laços da tradição, da cultura e dos lugares afetivos. O bar do Chico era expressão viva de um jeito de ser, de uma maneira de se organizar e de fazer política. Não foi à toa a sua destruição. Era preciso quebrar a espinha de uma gente incomodativa que ousara, desde os anos 1980, a meter o dedo nas feridas, não só do bairro, mas de toda a cidade.

Naqueles dias, as máquinas arrastavam as tábuas velhas do bar, abrindo passo para o cimento dos condomínios que viria dar outra cara ao bairro, trazendo outras gentes, no geral bem pouco preocupadas com o cuidar da comunidade. Acossados pela oferta tentadora das empreiteiras, muitos moradores foram vendendo suas terras e os prédios passaram a dar o tom, não sem prejuízo, alterando a paisagem e corrompendo o lençol freático. A planície se encheu, a paisagem passou a ser área especulada, anúncio de turismo e vida boa de frente para o mar.

E, enquanto cresciam os condomínios o poder público vendia a promessa de um bairro saudável, saneado e belo. As obras do esgoto começaram a todo vapor e os canos invadiram as ruas. Boa parte do bairro recebeu a tubulação. Mas, nada da estação de tratamento.

Ainda que feridos por conta das derrotas concretizadas na derrubada do bar e nas construção desordenada de prédios nas dunas, os moradores que formam as forças vivas da comunidade, protagonistas da grandes lutas pelo plano diretor, não se abateram. Na coragem típica dos valentes seguiram "incomodando" com participação garantida nas reuniões do plano participativo, organizando oficinas, assembleia, encontros e audiências. Perdiam batalhas, não a guerra, e a luta recrudescia.  

E nesse longo processo enfrentaram o desafio de barrar mais uma ideia absurda dos governantes que era a de jogar o esgoto de vários bairros - incluindo o Campeche - no mar, através de um emissário. 

Durante as diversas oficinas realizadas para discutir o tratamento do esgoto, que deve ser uma responsabilidade coletiva, a comunidade compreendeu, com a ajuda de estudiosos e pesquisadores de renome, que havia muitas maneiras diferentes, baratas e eficazes de tratar os resíduos das casas. Estações descentralizadas dos efluentes se configuraram como alternativas que além de sustentáveis poderiam ser fiscalizadas pela própria comunidade. Mas, como sempre acontece, os governantes ficam surdos a qualquer coisa que não venha deles mesmos, muitas vezes ligadas a interesses outros que não o bem comum. Assim, a comunidade barrou, na luta, o emissário, mas não conseguiu garantir as estações de tratamento.

Enquanto tudo isso acontecia, o bairro crescia e muito mais esgoto passou a ser produzido. A praia, que era limpa e impecável, começou a sofrer visíveis alterações. Com a rede pluvial toda feita, os canos na frente das casas passaram a ser tentações. Muito mais fácil do que fazer um sumidouro no fundo de casa, dentro das regras estabelecidas, era ligar o esgoto na rede da água da chuva. E assim muita gente boa começou a proceder. A Associação de Moradores do Campeche, através da ação quase heroica de seus diretores, tentou fiscalizar. Mas, era casa demais, prédio demais, gente demais. Ataíde Silva, atual vice-presidente da Amocam, já perdeu a conta dos canos que pessoalmente lacrou com cimento, na tentativa de barrar a ilegalidade. Tarefa antipática, mas necessária. Ainda assim, tem sido difícil conscientizar as pessoas de que isso não só é uma ilegalidade como um ato contra elas mesmas, uma vez que a praia é o único espaço coletivo do bairro. 

Agora, na temporada, os pontos de estrangulamento, frutos do crescimento desordenado, apareceram com todo o seu fulgor. Contabilizamos pelo menos quatro deságues de água pútrida direto na praia. É hora de acordar e retomar uma ação coletiva mais agressiva. Organizar a comunidade, pressionar o poder público.

A luta no bairro pelo Plano Diretor, que vem desde os anos de 1980, teve muitas baixas. Mas, muitos dos velhos guerreiros e guerreiras ainda estão aí, na batalha das infindáveis reuniões, tentando enxergar a cidade. Mas, é preciso que mais gente se mobilize. Os novos moradores, entre os quais deve haver aqueles que buscaram o Campeche para viver e não só para morar. Esse é povo que precisa se levantar. As respostas aos problemas a comunidade já tem. O que precisa é força para se fazer ouvir pelo poder público.

Ainda há tempo de salvar a praia, a casa pública, espaço do amoroso encontro comunitário. Mas isso não vai acontecer sem luta. Chorar e reclamar não adianta. O que precisa é ação. E essa batalha, nos bate a certeza, a velha e aguerrida Amocam não vai deixar de travar. 

Cala a boca, jornalista!


Anabel - sequestrada, torturada e assassinada


Ser jornalista é padecer. A profissão é, sem qualquer dúvida, filha do capitalismo. Nasce para “embelezar” o anúncio das mercadorias e com o andar da carruagem acaba fazendo do jornalismo também mercadoria. Mas, como bem diz Adelmo Genro Filho, que pensou uma teoria marxista do jornalismo, pode ser bem mais do que isso. Na sua forma/mercadoria está contida a contradição e, por isso mesmo, vez em quando, seja por ação do jornalista ou da realidade mesma, ele assume a forma conhecimento. E é aí que pode gerar o pensamento crítico, instrumento único da transformação. 

No Brasil, a profissão passa por uma fase agônica. Nos grandes meios de comunicação pouco se salva. A regra é escrever ao estilo de manual de geladeira. O que escapa é a sempre existente exceção, nada mais que isso. No geral, os jornalistas fazem um jornalismo chapa-branca, oficialista, estilo porta-voz. Priorizam as fontes ritualísticas, que vão dizer aquilo que o veículo quer que digam. Ao mesmo tempo, esses meios comerciais silenciam as vozes dissonantes, e quando a realidade se impõe, não sendo possível calar os que fazem a crítica, os ridicularizam ou criminalizam. Basta pensarmos nas coberturas das ocupações de terras rurais, espaços urbanos, escolas em vias de desaparição ou os movimentos pela mobilidade urbana e o movimento indígena. Os que lutam são os bandidos e os que criam o caos, são os mocinhos. Esse é o jogo.

Quem quer fazer jornalismo de verdade, narrando a vida na sua imanência, com descrição, contexto histórico e impressão, tem de saltar fora do barco da mídia produzida nos grandes meios. Hoje, com as novas tecnologias, isso ficou mais fácil, através dos blogs pessoais, ou das páginas de sindicatos e movimentos sociais. Mas, apesar das melhorias das condições objetivas pra produzir jornalismo sem censura, os jornalistas esbarram em outras variantes que os amarram. 

Uma elas é a força do poder econômico e político dos alvos da crítica. Paulo Henrique Amorim, por exemplo, que é um jornalista conhecido nacionalmente e que mantém um blog pessoal independente, já foi condenado à prisão por conta de matérias publicadas ali. Falar de políticos, políticas e denunciar falcatruas dos poderosos gera processos e outras punições, o que constitui um bom motivo para calar a boca de qualquer um. Sem a cobertura de uma empresa, com departamento jurídico bom, o jornalista solitário está completamente exposto e desprotegido. Qual blogueiro – que não tenha fama nem dinheiro – pode arcar com pesados custos judiciais? 

Outra forma de calar o jornalista é arruinar sua reputação, como tentam fazer com o Leonardo Sakamoto, vítima mais recente de manipulação e calúnia. Suas palavras são distorcidas e ele sofre frequentes e sistemáticas agressões através das redes sociais,  Ele também foi processado por ter simplesmente divulgado uma lista de pessoas e empresas que mantinham trabalhadores escravizados. Ou seja, informação da mais importante relevância social. Só não se deu mal porque pegou um bom juiz pelo caminho. 

E assim poderíamos seguir falando de outras dezenas de casos, como o do Lúcio Flávio Pinto, jornalista amazonense que há décadas denuncia os desmandos praticados na Amazônia. Ele tem tantos processos nas costas que quase não pode sair do estado, sempre tendo de estar em alguma audiência referente a um ou outro. Um exemplo raro de jornalista de verdade, quase solitariamente enfrentando as forças gigantes do agronegócio e da política da destruição. 

Exemplos como esses, se por um lado inspiram a uma prática do bom jornalismo, por outro lado também amedrontam aqueles que já saem da faculdade com a boca fechada pela autocensura, aprendida nos bancos escolares. Navegar contra as correntes não é coisa fácil. Exige coragem demais. E quem pode tê-la nesse universo duro de necessidades de manutenção da vida? 

América Latina

Mas, se no Brasil as batalhas no geral estão no campo da intimidação e dos processos judiciais, em outros espaços geográficos exercer a profissão de jornalista e buscar narrar a realidade do que os poderosos querem esconder pode significar a perda da vida. Um dos casos mais escabrosos é o México, país que tem por sina estar colado aos Estados Unidos, e por isso mesmo enfrentar desde séculos a dominação cultural, econômica e política mais pesada. Ali, ser jornalista é literalmente arriscar a vida.

Na última semana, o bárbaro assassinato da jornalista Anabel Flores Salazar, colocou o país em destaque mundial. A trabalhadora do jornal El Sol de Orizaba, de 27 anos e mãe de dois filhos, foi sequestrada dentro de casa, sofreu torturas e seu corpo foi abandonado numa autoestrada. Ela foi a morte número 16 – desde o ano 2000 - na estatística dos jornalistas assassinados no estado de Vera Cruz, o mais violento do México para o exercício do jornalismo.  Em todo o país, na última década, mais de 90 profissionais de imprensa foram assassinados e 23 estão desaparecidos. Todos estavam envolvidos em denúncias de temas quentes como os cartéis de drogas, prostituição, tráfico de pessoas, danos ao meio ambiente. Cinicamente, os governantes ainda tentam atribuir aos jornalistas ligações com o crime organizado, visando “justificar” as mortes como acertos de contas ou coisas do tipo. 

Outro assassinato que gerou comoção no México, no mesmo estado de Vera Cruz, foi o do jovem repórter-fotográfico Rubén Espinosa. Ele chegou a sair do estado por conta das ameaças e perseguições, mas foi alcançado na capital, Cidade do México, onde tombou com dois tiros no peito e um na cabeça. Seu “crime”? Cobrir os protestos sociais e estudantis, dando foco aos trabalhadores e estudantes em luta. Ousou caminhar com os que lutavam contra o governo e o sistema. Pagou caro. E, assim como Rubén ou Anabel, qualquer um que pratique o jornalismo no México, está sujeito à morte e à violência.  Dura decisão precisam tomar os jovens jornalistas.

Honduras, na América Central, também é outro foco de ataque sistemático ao jornalismo de verdade. Se o profissional está integrado nos grandes meios, cobrindo as pautas ritualísticas de propaganda do sistema e do governo, tudo bem. Mas, se resolve mostrar a vida que se expressa nas ruas, aí o bicho pega.

Depois do golpe de 2009, que arrancou da presidência Manuel Zelaya e instalou um governo ilegítimo, a virulência contra os jornalistas foi às alturas. Desde então já foram contabilizados mais de 30 assassinatos de profissionais da imprensa e se voltarmos a 2003, quando da morte do jornalista German Rivas, o número sobe para 41. Não bastasse toda a violência que se abate sobre aqueles que insistem em mostrar a verdade sobre os fatos, os hondurenhos ainda convivem com a impunidade. De todos os casos de assassinato de jornalistas 91% não foram resolvidos. Ou seja, os assassinos e os mandantes seguem soltos. Apenas dois deles receberam sentença. 

E assim segue a vida do jornalista, não só na América Latina, mas no mundo. Tirando os casos de morte em conflitos armados, a maioria dos que são assassinados o são em função daquilo que divulgam e que alguém do poder queria que ficasse escondido. Esse é drama de quem procura desvelar a realidade e dura é decisão de quem opta por seguir o caminho da margem. Em países como o México é a morte mesmo, o fim violento da vida. E em países como o Brasil, a morte pode ser mais lenta e mais vil, uma vez que vai se minando a resistência da pessoa até o limite.

De qualquer sorte, é a violência explícita contra o jornalista, aquele que decidiu fazer do seu fazer um espaço de conhecimento e formação. Esses estão na berlinda e, no geral, abandonados pela maioria dos colegas que servem ao poder, pelos sindicatos, que seguem não sabendo lidar com os trabalhadores que estão fora das redações, desempregados ou atuando em solidão, pelas federações nacionais, que se limitam a divulgar a violência e fazer notas, e pelas confederações internacionais que igualmente são ineficazes no combate ao grande capital.

O caminho para a proteção dos jornalistas que percorrem as estradas vicinais, fora do núcleo de poder, precisa ainda ser aberto à facão. Primeiro, com a compreensão de que os jornalistas são também trabalhadores, vendem sua força de trabalho, não têm os meios de produção. E mesmo aqueles que hoje estão pejotizados (transformados em Pessoa Jurídica) tampouco são donos dos meios, uma vez que estão visceralmente ligados às empresas que os contratam. E, segundo, assumindo essa condição de trabalhadores, partir para a luta coletiva. O sindicato ainda é o instrumento que consegue organizar a batalha dos trabalhadores contra o capital e ele tem de ser reconhecido como tal. A partir daí, com a luta organizada e os trabalhadores unificados, será possível não apenas enfrentar os patrões, os assassinos e os predadores da verdade, mas também garantir que mais jornalistas caminhem pelas veredas do jornalismo como conhecimento. 

Batalha dura, mas necessária, que deve ser travada também em honra de pessoas como Anabel, Rubén, Lúcio Flávio e tantos outros que deram e dão sua vida para tornar esse mundo melhor.  



sábado, 13 de fevereiro de 2016

14 de fevereiro - Dia de São Valentin


























Nas culturas anglo-saxônicas o dia 14 de fevereiro é um dia especial: celebra-se São Valentin, o padroeiro dos enamorados. Muitos países de fala inglesa e também alguns países da América Latina, como o Paraguai, Argentina, Costa Rica, Cuba, Equador, México, Venezuela, Panamá e Chile, comemoram o dia dos namorados nesse dia. No Brasil, o dia dos namorados é em 12 de junho e não tem relação com São Valentim.

A celebração do dia de São Valentin passou a se transformar numa tradição nos Estados Unidos em 1842 quando uma mulher chamada Esther Howland começou a vender alguns cartões postais com corações e cupidos desenhados. Esses cartões ficaram conhecidos como "valentines". Já nos países nórdicos, que também celebram os namorados nesse dia, a origem é bem mais antiga e tem a ver com a natureza, pois naquela região essa é a época em que os pássaros se acasalam e são vistos como um símbolo da criação. 

Ainda que nos EUA o dia de São Valentin, depois dos coraçõezinhos de Esther, tenha virado um dia de consumo, adorado pelo comércio, a história de São Valentin como patrono dos enamorados remonta ao Império Romano. Ele era um padre que vivia em Roma e que enfrentou o imperador Cláudio II, quando esse tentou impedir o casamentos dos jovens, alegando que os solteiros eram melhor soldados. Indo contra a lei e contra o imperador, o padre celebrava casamentos às escondidas. 

Denunciado por inimigos padre Valentin foi preso e martirizado em 14 de fevereiro do ano de 270. É para reverenciar o homem que protegeu o amor dos jovens que se celebra o dia dos namorados na data de sua morte. 


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Em busca do jornalismo perdido






O grande livro de Ray Bradbury, Fahrenheit 451, ficção científica escrita em 1953, apontou uma sociedade futura na qual as pessoas teriam uma tela multidimensional na sala de casa e que ali ficaria passando informação sem parar,  o dia todo, e a pessoa, viciada naquela algaravia, não conseguiria mais compreender o mundo criticamente. Tudo se resumiria naquele caleidoscópio de palavras desconexas que perpetuavam o poder de quem mandava. Aquela passagem do livro sempre me causou calafrios. Era o mundo perdido no qual vivia a esposa do personagem principal, o que descobre a beleza dos livros num mundo no qual eles não mais existiam.

Apesar da mensagem de esperança que o perturbador livro de Bradbury traz, aquela imagem da sociedade futura fica a corroer os miolos, principalmente quando aquilo que era só uma invenção ficcional nos anos 50 do século passado parece ser a realidade dos tempos atuais. Esse é o nosso mundo. As televisões espertas, de 50 polegadas, já conectam a internet e, nela, o facebook, esse espaço multicomunicacional que parece ter abduzido todas as mídias numa só. Ali, no seu mural, as informações passam em velocidade da luz, formando a mesma algaravia enfeitiçante da sala do mundo Fahrenheit. A vida está ali, prisioneira e saltitante.
Essa constatação aterrorizante é o que me leva a pensar sobre a minha profissão: o jornalismo. Onde ele está? Quem consegue vê-lo em meio a selva de informações fortuitas, rápidas, e mentirosas? Sobreviverá ao buraco negro do facebook, cada vez mais empoderado?

Antes de mais nada é preciso entender sobre o que estou falando, visto que há muitos entendimentos sobre o que seja o jornalismo. Falo da análise do dia, a descrição da realidade com impressão de repórter, contexto histórico, narrativa. Falo da produção de textos e vídeos que apresentem criticamente aspectos da realidade, levando o leitor/espectador a pensar sobre os fatos e estabelecer nexos com a vida.

É fato que não é o facebook o assassino do jornalismo. Ele agoniza desde há tempos na medida em que foi hegemonizado como mera propaganda, a apontar as belezas do sistema capitalista, da agricultura predadora, do consumo desenfreado e outras facetas mais desse modo de organizar a vida. As notícias que pipocam nas telas de TV, nos jornais, não dizem da realidade. Elas servem para aprisionar e alienar numa verdade inventada, que esconde o discurso da maioria da população. A voz do jornalismo existente é a voz oficial, do presidente, do deputado, do economista, do especialista. Nele não aparecem os trabalhadores, os que lutam, os que realmente criam o mundo. Esses estão fora, sem lugar onde expressar sua voz.

Por conta disso que ao longo dos tempos sempre foi necessário constituir um jornalismo de verdade, que se faz em outras instâncias, alternativas e populares. Um jornalismo que abre espaço para a voz do oprimido, da comunidade das vítimas e que contextualiza a realidade. E desde há tempos, esse jornalismo vem se equilibrando no emaranhado de um mundo midiático, criado para o engano. É a luta de classes se  expressando no campo da palavra, da informação. De um lado, os poderosos, buscando impor seu modelo de mundo como o modelo universal, e de outro lado - ainda que com menos poder de abrangência, mas valente  - as gentes em luta, procurando abrir espaço para a informação crítica que leve as pessoas a pensar sobre a realidade e, desde aí, transformá-la.

Com a ascensão da revolução tecnológica, o jornalismo precisou se reinventar. A Rede Mundial de Computadores trouxe uma novidade até então impossível de ser pensada: a possibilidade de a palavra do oprimido também ultrapassar os limites geográficos. Isso aprecia bom. Com a popularização da internet, os sindicatos, movimentos sociais, movimentos indígenas, movimentos populares, pessoas individuais, cada um que quisesse externalizar seu pensamento, tinha a sua chance. E não apenas para a sua aldeia, mas para o mundo inteiro. As incognoscíveis páginas, criadas em linguagem html foram se popularizando, com a criação de modelos facilmente manipuláveis. Vieram então os blogs que se tornaram muito mais acessíveis. A internet não apenas democratizava o espaço para que os movimentos coletivos se expressassem mundialmente, mas também viabilizava que qualquer um, com acesso à rede, pudesse ser um produtor de conteúdo.

Aí mais uma vez foi a hora de pensar o jornalismo. Se qualquer um pode divulgar informações, como peneirar o que é apenas informação e o que é jornalismo? Como reconhecer o que é uma opinião? Como estabelecer os nexos entre as informações soltas divulgadas aos borbotões? Como encontrar espaços de informação crítica e contextualizada? O que se viu num primeiro momento foi que as pessoas continuavam a acessar a informação formal, produzida pelos mesmos grupos que já dominavam a informação televisiva ou do papel. Ou seja, a informação/propaganda produzida pelo jornalismo das grandes empresas de comunicação ainda era a referência. E, de novo, os movimentos e entidades da luta popular tiveram de disputar o espaço internético como "ilhas alternativas", sempre perdendo a batalha para os velhos grupos de poder que controlam a mídia no mundo.

Foi então que chegou o facebook, um espaço na rede que começou a abocanhar todas as possibilidades comunicacionais, aglutinando-as numa só. O correio eletrônico foi sendo abandonado e a comunicação agora vai se fazendo - em tempo real  - pelo esquema de mensagens do face. A ideia é de que a pessoa esteja o tempo todo conectada, aproximando-nos daquela assombrosa ficção de Bradbury. E assim, no mundo atual, ou a pessoa está conectada, ou não é. É a versão eletrônica do consuma ou te devoro, outro mantra do capitalismo.

Agora, a novidade que se aproxima me foi sussurrada por um texto do irianiano Hassein Derakhshan, chamado de o pai dos blogs do Irã, que informa o novo plano de Zuckerman: acabar com a possibilidade da publicação de links no facebook. E o que isso significa? Que se hoje os blogs e os movimentos sociais utilizam o facebook para potencializar suas informações, divulgando os links para serem consultados, amanhã isso já não será possível. A tendência será a morte das páginas individualizadas. Segundo Hassein, o facebook acabará sendo a única fonte de informação, totalmente homogeneizada. Não é sem razão que o criador dessa tecnologia tem andado pelo mundo fazendo convênio com os governos para permitir que "todos" tenham acesso ao facebook.

Atualmente um bilhão e meio de pessoas usam a internet diariamente e mais da metade tem o facebook como fonte principal de informação. Se considerarmos que somos sete bilhões no planeta, ainda há gente demais fora dessa mídia, coisa que Zuckerman está batalhando muito para mudar. Mas, esse mudar é apenas seguir sendo o mesmo, já que a tal da internet dos pobres apenas possibilitará o acesso ao facebook, tornando a pessoa prisioneira dessa plataforma.

A questão é que o futuro nos reserva uma espécie de oligopólio mundial, uma plataforma única de comunicação, na qual será muito difícil discernir o que é verdade, o que é mentira, o que é propaganda, o que é crítico. Estaremos jogados na sala multidimensional de Bradbury, com as vozes falando, falando, falando e não dizendo nada, fortalecendo a dominação.

Voltamos então a questão do jornalismo. Como ele sobreviverá nessa sala caleidoscópica? Haverá saída? Encontraremos um espaço para a informação crítica? Estará perdido para sempre o jornalismo que desaloja, que perturba, que faz pensar? Perguntas incômodas, mas necessárias.  

No mundo ficcional de Bradbury as pessoas acabaram encontrando uma maneira de fazer seguir o pensamento crítico. E nós, encontraremos? Essa é a questão que tem me corroído as entranhas.


domingo, 7 de fevereiro de 2016

O meio-ambiente é um bem comum


Entrevista realizada no Programa Campo de Peixe, com o professor da UFSC, Daniel José da Silva, sobre a necessidade de a população se apropriar da luta pelo equilíbrio ambiental.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

O ano que vem



A abertura dos trabalhos legislativos no Brasil mostrou que o ano de 2016 não vai ser fácil para os trabalhadores. Com a presença da presidenta Dilma, que falou para os deputados e senadores, buscando apoio para suas pautas, o que ficou nítido e claro é que muita luta será necessária para garantir que direitos não sejam tirados e outros possam vir. Tendo como mote a retomada do crescimento, Dilma pediu apoio para a aprovação de um novo tributo, a CPMF, que incidirá sobre movimentações financeiras e também para as novas medidas que aprofundarão o chamado ajuste fiscal.

Não precisa ser muito esperto para saber que o tal ajuste será pago pela maioria dos trabalhadores, uma vez que o carro chefe da sua proposta é a desvinculação das receitas. E o que isso significa: que com ela, o governo poderá manejas os recursos do orçamento jogando verbas para onde julgar mais necessário. Com isso, o orçamento da seguridade social, que envolve saúde, moradia, educação, assistência social e previdência, poderá ser movido para outros objetivos, coisa que atualmente não pode ser feita. A Constituição define que arrecadação das contribuições sociais só podem ser gastas com o social. Desvinculando as receitas, o governo pode puxar recursos das contribuições sociais e garantir o superávit fiscal sem precisar criar outros tributos.

Com essa proposta de desvinculação o governo já acena com redução de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida, para quem tem menos renda, e cortes no Pronatec (formação técnica e para o trabalho) e o programa Ciência sem Fronteiras (formação no exterior). O argumento da presidenta para que aconteça a desvinculação é de que a carga tributária - que é a parte do orçamento que pode ser movida - diminuiu de 16% do PIB para 13,5%, enquanto que as contribuições previdenciárias aumentaram. A proposta é criar a CPMF e colocar parte dos recursos desse imposto na previdência. É deveras, uma matemática estranha, já que põe e tira recursos ao mesmo tempo e ainda continua com o velho discurso de que a previdência é deficitária.

Não bastasse querer mexer nos valores orçamentários das contribuições sociais, a presidenta ainda quer fazer nova reforma na Previdência que vai aumentar a idade mínima, mudar o fator previdenciário e ajustar a previdência dos trabalhadores públicos. Com isso, as novas gerações  - as mudanças não valerão para quem já está no sistema - terão de trabalhar muito mais tempo para garantir aposentadoria, além de terem de recorrer, obrigatoriamente à previdência privada, caso seus salários ultrapassem o valor definido como máximo que é, na verdade, muito baixo: 2.400 reais. 

Nesse pequeno mas significativo pacote de propostas se esconde um mundo de mudanças que mexe diretamente com o bolso e vida da maioria dos trabalhadores, visto que os mais ricos seguirão acumulando sem maiores problemas. Dilma acenou com medidas que beneficiam os empresários médios e prometeu abrir novos mercados para os grandes exportadores, bem como a privatização de estratégicos espaços, como é o caso dos terminais dos portos públicos e estradas. 

As pautas legislativas

Mas se as metas do governo federal não parecem muito atrativas para os trabalhadores, as outras pautas que estarão em debate nesse ano novo legislativo também representam péssimas mudanças, quando não um retrocesso abismal.

Pelo menos 10 grandes projetos deveriam preocupar sobremaneira os brasileiros e mobilizá-los no debate e na resistência pois, ainda que sejam temas periféricos às questões estruturais influem demasiado na vida cotidiana e reforçam preconceitos e ódios que já se expressam em grande número no país. Um deles é a proposta de um Estatuto da Família, da bancada evangélica, que considera família apenas a união entre um homem e uma mulher. Nada poderia ser mais atrasado que isso, mas já foi aprovado nas comissões. Outro é o da redução da maioridade penal para 16 anos, que pretende encher as cadeias para melhor alimentar a roda do capital. Também estará em pauta a chamada lei antiterrorismo que nada mais é do que legalizar a criminalização das lutas sociais  visto que, hoje, o conceito de terrorismo ficou mais largo, abrangendo nele qualquer pessoa que se coloque em luta contra os governos. Nessa linha de leis esdrúxulas está também a que criminaliza os agentes de saúde que informarem às mulheres sobre soluções abortivas como por exemplo a pílula do dia seguinte, mesmo que em caso de estupro.   

A pauta do ano igualmente se ocupará de temas como a permissão da terceirização sem limites, a retirada da Petrobras como exploradora exclusiva do pré-sal, a revogação do estatuto do desarmamento, a privatização dos Correios e da Caixa Federal, a flexibilização do conceito do trabalho escravo e a redução da idade para o trabalho que deverá ficar em 14 anos. 

Assim que os dramas serão intensos e a vida nacional colocada num profundo turbilhão. Nesse cenário temos um movimento social ainda muito dócil, sindicatos adormecidos e centrais de trabalhadores mais ocupadas em defender o governo, o que torna tudo muito incerto. Permitirão os trabalhadores brasileiros a retirada de mais direitos? Suportarão uma nova reforma da previdência? Estarão dispostos a aceitar retrocessos bárbaros e a consolidação de preconceitos? 

Recentes pesquisas mostraram que 1% da população mundial detém a riqueza equivalente aos 99% restantes, o que mostra que o abismo entre os mais ricos e os mais pobres só aumenta. Os dados ainda comprovam que 62 pessoas no mundo detém uma riqueza equivalente a riqueza da metade da população - ou seja, do que 3 bilhões e meio de pessoas. Isso não é bolinho. São dados aterradores. Esse abismo se expressa igualmente nos países capitalistas, nos quais os índices de riqueza também aumentam e se separam drasticamente dos mais pobres. Isso significa que motivos para luta existem e sobram. 

Ocorre que o capitalismo moderno e sua pedagogia da sedução ainda tem muito poder sobre as pessoas que, ingenuamente, acreditam que "com muito esforço" podem vencer na vida, "chegar lá". Esse tipo de crença é o que permite que os pobres permaneçam pobres e os ricos cada vez mais ricos. Romper essa mentira é tarefa difícil, ainda mais se considerarmos a crise pela qual passa o sindicalismo, que deveria ser o espaço da rebeldia e da organização para a luta. Sem trabalho de base e sem credibilidade essas entidades estão aí, em vida vegetativa. Caberá aos trabalhadores e aos que vivem sob a opressão do capital encontrar os caminhos da luta para mudar tudo isso.  


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

O veneno de todo dia



Acompanhei a polêmica dos feirantes que vendiam produtos ditos “normais” como se fossem orgânicos. Um crime contra a economia, contra as pessoas. Uma fraude. Bom que tenham denunciado, evitando assim que pessoas comprem – e paguem caro – por um produto que, apresentado como saudável, não o é. Mas, o ponto de fundo, que definitivamente toca meu coração e meu corpo, é que poucos falam dos produtos cheios de agrotóxicos que são empurrados para nós em todos os mercados e feiras. O fato inexorável é: comemos veneno, e comemos muito veneno.

As feiras de orgânicos que começaram timidamente e agora já são encontradas com mais facilidade na cidade são uma alternativa boa, mas ainda para poucos. Como a produção é pequena e todo o processo de distribuição é difícil, os preços cobrados pelos produtos saudáveis são altos e a maioria das gentes não tem como pagar. Também é bom que se diga que mesmo comendo alguns produtos orgânicos, ainda sobra muito produto contaminado na nossa alimentação.

O agrotóxico, e isso já foi cientificamente provado, provoca uma série de doenças nas pessoas, sendo o câncer a que tem tido maior incidência. No Brasil, ingerimos, no mínimo, nove litros de veneno por ano. Que corpo pode resistir a isso?  Todos nós estamos morrendo envenenados, e da pior maneira possível, com doenças malucas que nos exigem o uso de uma infinidade de remédios.

A lógica perversa é a lógica da produção de mercadorias, para que se alimente a roda da indústria e do comércio. Cria-se a ideia da agricultura ultra-produtiva, que precisa de muito agrotóxico, e esse agrotóxico produz centenas de doenças, que movimentam os laboratórios farmacêuticos. E assim, vamos, presos à roda de um consumo induzido e criminoso. E não há escapatória. Quem pode manter uma alimentação orgânica? Quem pode fugir dos transgênicos?

A maioria da população, que passa o dia na dura faina de garantir o pão daquele dia, como pode se proteger? Não pode! Esse é o ponto. Apesar de todas as pesquisas e alertas sobre os males dos transgênicos e dos venenos na agricultura esses produtos seguem sendo produzidos e vendidos. Até bem pouco tempo ainda havia a rotulagem, que pelo menos nos informava o que estávamos comendo. Agora, por conta dos lobistas do “agrotóxinegócio” – Kátia Abreu, atual ministra da agricultura à frente - até isso nos é negado. Não há o que fazer.

O leite que chega na caixinha, tem de tudo, menos leite, e abundam as pessoas com reação à lactose, coisa que nem acredito, pois lactose deve ser o que menos tem na caixa. Certamente deve ser algum veneno. O trigo que comemos em profusão, nos pães, bolos e biscoitos típicos da nossa cultura, estão modificados e refinados e “quimicalizados” de tal forma que passam a nos fazer mal. Polenta é coisa que nunca mais podemos pensar em comer, uma vez que a farinha de milho que nos vendem é sabe-se lá que monstruosidade genética. Carnes e comidas enlatadas, embutidas, ensacadas. Mas, ainda assim, lá vai a procissão ao supermercado pagar por veneno. E é porque não tem jeito. Vamos fazer o quê? Nossa única chance é estarmos também nós tão profundamente modificados geneticamente que possamos resistir a essas drogas e venenos que nos empurram diuturnamente. Mas, mesmo assim, ainda estaremos alimentando a indústria dos remédios, tomando pílulas para dor de estômago, náuseas, dor de cabeça, mal estar. O festival dos horrores.

A ministra da Agricultura do Brasil, Kátia Abreu, que é representante dos grandes fazendeiros nacionais, declarou há pouco tempo que essa gritaria sobre os males do agrotóxico é puro preconceito e que o Brasil não usa produtos que causam câncer. O que explica então, o fato de latifundiários estarem jogando agrotóxico nas fontes de água dos indígenas – para exterminá-los - em algumas regiões do país? O que explica o índice elevado de doenças nas áreas rurais? Se é preconceito, o que explica instituições idôneas como a Fiocruz e o Instituto Nacional do Câncer insistirem para que se elimine o agrotóxico das plantações? Ou seja, o cinismo é moeda corrente entre aqueles que nos empurram veneno goela abaixo.


Bueno, mas se tudo é assim, então não há mesmo saída? Sim, saída há. Mas ela não é individual. Precisa ser coletiva e massiva. Uma nova organização da vida, as gentes mobilizadas contra o massacre cotidiano que envolve não apenas a comida que comemos, mas todo o resto. A saída não pode ser encontrada isolada na questão alimentar. Ela diz respeito a grande política, aos desafios estruturais. Vamos caminhando e, enquanto não alcançamos o grande meio-dia, bradamos e lutamos!