sexta-feira, 22 de maio de 2015

Porto Alegre por meus olhos

























Como Marco Polo, no século XIII e Ítalo Calvino, no século XX, eu também tenho esse encantamento pelas cidades invisíveis, aquelas que a maioria não vê, mas que se apresentam, tão intensas diante dos nossos olhos. Gosto de andar pelas ruas, observando os cantos escondidos, os ângulos inauditos, as frestas da vida dos lugares, me assombrando com a beleza. Boca aberta, olhos perplexos, coração aos saltos.

Assim foi em Porto Alegre, capital dos gaúchos, dia desses. Cheguei cedinho, no raiar da manhã. As janelas ainda se guardavam, fechadas, escondendo as pessoas que possivelmente se arrumavam para o turbilhão. Nas calçadas, os corpos retorcidos dos sem-teto, buscando aquecimento nos papelões, ou em algum cobertor velho. Um ou outro cachorro passeava, feliz, nas ruas ainda sem tráfego. Uma cerração pesada tornava tudo branco, dando um ar de sonho. 

O mercado público reinava, imenso, inaugurando a algaravia do dia. A praça ia se enchendo, com o vai e vem apressado das gentes até o terminal de ônibus. Era uma visão de sonho. O mercado, a prefeitura, o bulevar. Quase uma Porto Alegre de outros tempos. 

Mais alguns passos e chegamos à Rua da Praia, estranho nome para um espaço que está razoavelmente longe do rio Guaíba. Mas, é que andando até o final indefectivelmente chegamos ao rio, que se descortina em profunda beleza. É uma rua que remonta minha primeira infância. Tinha 12 anos quando ali pisei pela primeira vez e, assim, na manhã despertando, parecia tão igual. As mesmas pedras do calçamento, o prédio da antiga CEEE, a empresa de Força e Luz, as galerias com suas lojinhas fulgurantes e estranhas. Logo à frente, a Praça da Alfândega, lugar das maravilhas, no qual os velhos hippies ainda sobrevivem, expondo e vendendo sua arte. Hoje dividem a calçada com bolivianos, peruanos, haitianos, gente que busca sobreviver, e tudo parece ser uma grande família. O chimarrão corre de mão e mão e um vai ajudando o outro a montar a barraca. Os que já se instalaram tocam algum instrumentos ou leem um livro. Há um cheiro bom de incenso no ar.

Na praça, Mario Quintana conversa com Drummond, poemices talvez, bem em frente ao imponente prédio do Clube do Comércio. Mais a frente, Osório, o general dos farrapos, montado em seu cavalo, crava os olhos no horizonte, no qual também assomam os velhos e magníficos prédios onde hoje estão um museu e um centro cultural. Assim, na bruma da manhã, tudo parece tão mágico e tão antigo. Quase posso ver Getúlio Vargas, passando devagar, com seu terno de linho branco e bengala. 

Dando a volta, indo outra vez para o mercado, paro para uma conversa com um velho amigo. Meu amado general Artigas, Dom José, o homem que caminhou com os livres da banda oriental. Ali está, com sua cara marcante, nariz adunco e olhos de eternidade. Toco sua fronte de bronze, e fico ali, sorrindo, enquanto os passantes me olham como se louca fosse.

A cerração se dissipa, a cidade vai ganhando seu ritmo de metrópole. Perde a aura. Somem os fantasmas do passado e assomam as gentes comuns, apressadas, teclando alucinadamente seus celulares. Não chegam a perceber as maravilhas que se apresentam todos os dias em diferentes facetas. 

Uma Porto Alegre vai sumindo, vem a cidade real, com as obras da Copa do Mundo ainda inacabadas causando transtornos e mau humor. Buzinas, olhares fulminantes, ou a indiferença de quem não tem poder. Nada mais há fazer. Sigo para um café. Sento em frente ao mercado e espero o garçom. Faço o pedido e sorrio, pois é só nessa incrível cidade que a gente pode comer um "farroupilha" com café com leite. Comer mesmo, pois farroupilha é o nome do sanduiche comum, com mortadela. Leva o nome da maior revolução desse estado, que o fez uma república em 1835, e também do guerreiro farrapo que é quem dá dignidade a essa briga de fazendeiros. Mastigo o farroupilha e fecho os olhos, ouvindo o tropel. 

Essa cidade me emociona.  

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Educar é um ato de amor

Entrevista com o professor Marcelo Francisco Basso, grevista, acampado na Assembleia Legislativa, em luta por direitos, salário e uma educação de qualidade. Ele fala sobre a educação como um ato de amor, e justamente por isso, da necessidade de lutar por ela.


domingo, 17 de maio de 2015

Desculpe pelo transtorno








Thank you, Todd
Obrigada, Ivan








Comunidade não é só um lugar. É um sentido de pertencimento, um compromisso. Viver em comunidade é respirar o mesmo ar, sonhar os mesmos sonhos, travar as mesmas lutas. No Campeche, um pequeno bairro de Florianópolis, somos assim. Famílias/pessoas que se juntam na defesa do lugar, contra a especulação, contra a destruição e pela preservação da cultura.

No último sábado (16.05) essa comunidade se reuniu no salão da capela para ver um filme, feito por um "gringo" (nascido no Canadá), Todd Southgate, que, chegando ali, amou o lugar e dele fez seu lar.  Documentarista de profissão, decidiu filmar o Bar do Chico, espaço de cultura e resistência que havia perto da praia, onde a comunidade se fazia feliz e em luta. Foi quando o bar acabou sendo pivô de uma grande batalha da comunidade contra o governo. Estava dado o argumento.

Como era no Bar do Chico que o povo se juntava, era ele o nascedouro das centenas de lutas travadas em defesa do bairro. Lutas por um Plano Diretor comunitário,  que não esmoreceram, feitas anos e anos à fio. Por isso, a prefeitura quis derrubar o bar, atingindo de morte também o velho pescador - Seu Chico - que comandava o pequeno empreendimento. Defendido pela comunidade durante anos, o bar foi finalmente demolido numa madrugada chuvosa, de surpresa, para que não houvesse resistência. 

Toda essa história o Todd conta no filme, que expressa, muito mais do que a dor da queda do bar e da morte do seu Chico, a fortaleza de uma comunidade. Na sala repleta - exibido apenas para a família de Chico e os envolvidos com a luta - o filme de Todd e de Ivan provocou comoção. O riso do seu Chico, a praia, as manifestações, a cena dramática do bar sendo destruído pelas máquinas. Tanta luta, tanta dor. E depois, as cenas dos edifícios que vão se erguendo na beira da praia, com suas passarelas até o mar. Só tristeza.

O filme "Desculpe pelo transtorno", de Todd Southgate , é o retrato em movimento da luta e da esperança de toda uma comunidade, que começou nos anos 80,  com as reuniões pelo Plano Diretor. Depois, as batalhas com a prefeitura, a vingança do poder, a morte do seu Chico, a queda do bar. Na tela, os rostos dos velhos lutadores, ainda dando batalha. E os de uma juventude que chega e se faz comunidade também. 

A noite de visualização do "Desculpe pelo transtorno" nos fez chorar, a todos, mas, ao final, quando as luzes se acenderam e a gente pode se abraçar, percebemos que aquela era a nossa história, a digna história de uma comunidade que segue viva. Que sofre derrotas sim, mas não se apequena. Tanto que ali estávamos, todos, na mesma comunhão que nos une na hora do protesto, do enfrentamento com a polícia e com os homens do poder. 

Por isso, em meio às lágrimas, começou o riso. Porque estamos juntos, porque somos comunidade, porque temos uma história, feita por nossas mãos. Porque temos a lembrança e a força. Esse povo do Campeche, essa gente que luta sempre vai seguir em frente, defendendo seu lugar dos vilões do amor.  E ainda que venham as máquinas, que derrubem os prédios, que violentem a praia, nós estaremos braço no braço, mão na mão, porque fomos plasmados com os mesmos sonhos. Somos comunidade. Aconteça o que acontecer.

E quando saímos, alma lavada, na noite úmida, pudemos ouvir no marulho do mar, aquele que deu sentido ao filme, seu Chico, dizendo, baixinho: "aqui eu sou feliz". E bem ali, onde agora só tem areia, e um dia foi seu/nosso bar, perdura a sua energia e a de toda gente. Porque comunidade não é só um espaço geográfico. Ela é um lugar em nós. Viva o seu Chico, viva o Campeche e viva esse irmão do norte, Todd, que soube vestir a nossa história com tamanha ternura. Aqui seguiremos sendo felizes!

Vejam tudo sobre o filme no endereço: http://www.desculpepelotranstorno.com/index_port.html


O filme pode ser lançado oficialmente no Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM), de 19 a 26 de junho. Ainda não sabemos. Mas, até lá, só o aperitivo.



TRAILER: Desculpe Pelo Transtorno. Versão Brasileira from Todd Southgate on Vimeo.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Greve dos professores estaduais continua




A assembleia marcada para quinta-feira tinha tudo para ser tensa, e foi. Muito tempo de greve, o desgaste, a desolação pelas reuniões improdutivas com o governo. Os professores precisariam avaliar a última resposta do governo sobre a pauta da greve. O documento apresentado pela equipe de Raimundo Colombo não pode ser chamado de uma proposta de negociação. Da pauta mesmo, nenhum item. A indicação era de anistia pelos dias parados e a revisão da redação do tópico que fala das progressões. Nada sobre o pagamento de 13,01% do Piso na carreira, retroativo a janeiro, nada sobre a não incorporação da regência de classe, nada sobre a não contratação de ACTs como horistas, nada sobre quase tudo. 

Negociação é um processo de conversa na qual os dois lados, geralmente, tem de ceder em alguma coisa. Mas, no caso do processo de greve dos professores catarinenses, apenas os trabalhadores estão sendo chamados “à razão”. Ora, o governo não cede? 

A tensão na assembleia ocorre justamente por isso. Como o tempo está passando e todo mundo fica angustiado, a tendência é cair na conversa do “vamos pegar o der”, como se a greve tivesse sido deflagrada para não ter os dias descontados.  Na mídia comercial já começam a vociferar os arautos do poder, falando em intransigência dos professores, dizendo que “não dá para ganhar tudo”, que é preciso pensar nas criancinhas.

Seria bom ver a mesma atitude desses jornalistas quanto à atitude governamental. Quem não está pensando nas “criancinhas” é o Raimundo Colombo e sua equipe. Eles estão arrastando a greve, criando uma atmosfera na qual a vítima vira vilão. Ou seja, dizem que são os professores os responsáveis pelo fato de os estudantes não terem aula. Quando, na verdade, é o contrário. E não venha o governo dizer que não tem dinheiro. Santa Catarina é, de fato, um dos estados mais endividados da união. Segundo relatório da Secretaria da Fazenda Estadual o passivo acumulado soma R$ 25.094.043.790,26. Ou seja, vinte e cinco bilhões de reais. 

Mas, o que a sociedade precisa saber é que se a dívida é essa, não é por conta dos salários dos trabalhadores, muito menos por investimentos na saúde ou educação. A dívida cresce de forma exponencial por conta do pagamento de juros sobre juros de empréstimos que, muitas vezes, não serviram para melhorar a vida dos catarinenses. Ao contrário, foram sendo contratados para pagar dívidas velhas. Se olharmos o gráfico da dívida veremos que o que se utiliza de recursos para obrigações trabalhistas é ínfimo. Assim que pagar melhor aos professores é uma decisão política. 



Falam ainda em queda de braço de tendências partidárias ou de grupos divergentes no mundo sindical. Ora, isso é coisa muito natural de acontecer num movimento de greve. Uma categoria reunida em um sindicato não é um bloco homogêneo. Ainda que lutem por uma pauta corporativa, também debatem pautas da política educacional que se conflitam. Grupos organizados dentro do movimento sindical têm opiniões divergentes sobre educação, sobre método de luta, sobre o lá-na-frente que se quer chegar. E é natural que isso se explicite num momento como a greve, quando todas essas temáticas vêm à tona. Então, as disputas políticas e partidárias são saudáveis e fazem parte da grande política. É certo que elas não podem passar por cima das decisões da categoria sobre a luta, mas elas têm todo o direito de se colocarem à discussão. Então, esse também é um argumento redutor, que busca dividir e desmobilizar. Não deve ser levado em conta.

A greve continua e não é por intransigência dos trabalhadores. É bom analisar a realidade com um olhar abrangente e generoso, identificando com clareza as forças em disputa e tomando partido. Estar com os professores é se posicionar a favor de uma educação de qualidade. Porque o ensino está absolutamente ligado com as condições nas quais ele é oferecido. Sem professor bem pago, sem estruturas seguras e bonitas, o ensino será falho. E, quem perde com isso, somos todos nós.  Porque como diz o professor de Imbituba, Marcelo Francisco Basso, a educação precisa de amor, mas também de gente que sabe que sem luta não se avança. 


O mestre da capoeira


Entrevista com mestre Jimmy, que recebeu a medalha Cruz e Sousa na Câmara de Vereadores de Florianópolis, no dia 13 de maio. Uma indicação do vereador Lino Peres (PT).


Trabalhadores da prefeitura de Florianópolis entram em greve

Trabalhadores da prefeitura definem greve e vão até a Câmara de Vereadores. Lá, são recebidos com gás de pimenta.Veja como foi a movimentação e os motivos que levam os trabalhadores a greve.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Você tem medo de quê?





















Cheguei à Câmara de Vereadores por volta das três e meia. Ia para a uma sessão especial de entrega da Medalha Cruz e Sousa. Estranhei a porta fechada. Lá dentro, funcionários indicavam: “entrada lá por baixo”. Na porta, alguns guardas municipais, inquietos. Entrei. Alguma coisa estava fora da ordem. Foi subir a escada e já comecei a ouvir um barulho de gritos, distante ainda. Entendi. Dentro da Câmara, o clima era de medo. Certamente se aproximava o povo.

E foi fato. Os trabalhadores da prefeitura municipal de Florianópolis tinham realizado uma assembleia geral para discutir o andamento das negociações com o prefeito César Souza. Eles estavam numa mesa exigindo reajuste de salário, melhores condições de trabalho e principalmente, que o dinheiro público seja investido no serviço à população. Nos materiais de informação aos florianopolitanos, indagavam: “O prefeito Cesar Souza Junior diz que não tem dinheiro para atender a pauta dos trabalhadores. No entanto, queremos saber: onde foram parar os 35 milhões de reais desviados na operação “Ave de Rapina” – processo de corrupção que envolveu compra de votos de vereadores - em novembro do ano passado? E o dinheiro gasto para a criação de novas secretarias e para manter o reajuste de até 30% das 498 funções gratificadas e 543 cargos comissionados da Reforma Administrativa aprovada em abril? E para onde foi o dinheiro arrecado com o IPTU que sofreu um aumento de quase 50%?”.

A resposta do prefeito aos trabalhadores, depois de duas reuniões de negociação, foi pífia: sem acordo na maioria das reivindicações. Assim, sem saída, a única alternativa encontrada pelos trabalhadores foi a deflagração da greve. Acertada a paralisação a partir de então  - quarta-feira, dia 13 – os servidores municipais saíram em passeata pela cidade e caminharam em direção à Câmara de Vereadores, onde seria votado o pedido de arquivamento da denúncia de quebra do decoro pelo vereador César Faria, um dos envolvidos na operação Ave de Rapina.  

Com cartazes e dezenas de caixas de pizza, os trabalhadores queriam se manifestar no sentido de exigir da Câmara de Vereadores o não arquivamento e a apuração – até o fim  - do envolvimento de todos os vereadores  citados. Era essa multidão que se aproximava da “casa do povo” quando, eu, tranquila, esperava as medalhas. 

Os trabalhadores chegaram e vieram para a porta central, que já estava fechada desde as 15h. Ninguém entraria no plenário. Lá dentro já estavam os homenageados, as famílias, os amigos e os vereadores. Entre os trabalhadores da casa começa a correria. A Guarda Municipal é chamada e vários deles correm para a porta, já com os cassetetes a mão. Carregam ainda armas de choque e gás de pimenta. São trabalhadores municipais, colegas dos que estão lá fora. 

Os trabalhadores de fora gritam e batem na porta. Os trabalhadores de dentro aprumam o corpo e se preparam para reprimir. As funcionárias da Câmara fecham as portas internas, correm para dentro. Há medo. Difícil definir a sensação. Os vereadores – na maioria  - temem o povo, isso é necessário mesmo. Mas, os trabalhadores temerem seus colegas? Por quê? Acompanho em perplexidade. 

Desisto de ficar do lado de dentro vendo a multidão agigantar. A porta de vidro treme. Desço pelo outro lado e saio para acompanhar a mobilização. Os trabalhadores querem acompanhar a sessão. Querem presenciar a votação. Mas, são impedidos. Não podem entrar. A porta lá em cima segue tremendo. Então, a guarda municipal abre a porta. Mas não é para que entrem. Gás pimenta é espargido na cara de quem está mais à frente. Alguns denunciam que também levaram choque. Sufocados, os trabalhadores recuam. Sobra a profunda tristeza. Os colegas, que deveriam estar ali, com eles, lutando, são os que reprimem. A velha estória de sempre. 

As coisas se acalmam, os trabalhadores insistem e ficam ali. A luta começa e já enfrenta a fúria do poder dominante. Lá dentro, os vereadores rejeitam o arquivamento da denúncia contra César Faria e encerram a sessão. Nada de povo dentro da Câmara. Por outro lado fica a lição de que o poder teme o povo, teme demais. E, muitas vezes, as gentes não se apercebem do seu poder. 

Lá fora, as gentes. Os que nos atendem nos balcões, nos postos de saúde, nas escolas, nas repartições. Os que realmente fazem a “maquina” andar. Lutam por salário, por vida digna. Alguém pode dizer: “bando de vagabundo que não trabalha”. E estará mentindo. Não fossem os trabalhadores, que muitas vezes precisam tirar leite de pedra, a tal da máquina nem se arrastaria. A batalha pelo serviço público é diária. Alguns há que não dignificam essa coisa bonita que é “servir o público”, mas são poucos, muito poucos. A maioria é como essa gente que está na rua, lutando pelos seus direitos. Lutando pelos nossos direitos. 

A greve dos trabalhadores da prefeitura municipal começou ontem. Abriu forte, abriu guerreira. Com eles, estamos. Que o dinheiro público seja para o público. Que se abram as “caixas-pretas” do financeiro, que se deem condições de trabalho a quem tem de ficar à frente de um serviço que, no mais das vezes, é ruim. Não por culpa dos trabalhadores, mas por responsabilidade dos que dirigem e não dão prioridade a ele.