terça-feira, 15 de junho de 2010

O final de Lost


Eu gosto das coisas do mistério. Desde pequena. Enquanto minha mãe se enredava com os enigmas da fé cristã eu adentrava pelo fascinante mundo da ficção. Aprendi a ler muito cedo e com seis anos já devorava os livros que meu pai comprava por sentir pena dos vendedores que batiam à porta, naquele cantão perdido de mundo. Mal sabia ele que fazia bem a dois, ao vendedor e a mim, pois, com isso, descobri o mundo das letras. Os primeiros mistérios que minhas retinas abarcaram me pareciam incognoscíveis. Eram os mitos gregos. Não conseguia apreender a totalidade de toda aquela trama de homens e deuses, mas gostava. E, nas tardes quentes do verão gaucho, eu me escondia por trás dos móveis, nas viagens imaginárias aos portões de Hades (guardião do inferno grego).

Por conta disso, ficção e mistério sempre me atraíram. Discos voadores, mitos, seres de outro planeta, gênios, magos, feiticeiros, duendes, enfim, essa fileira de coisas encantadas e mágicas. Assim, não foi à toa que segui, capítulo a capítulo, a série Lost (perdidos), independentemente de reconhecer que era só mais um produto da indústria cultural. É que amo televisão, e tudo neste veículo me encanta, seja o que for. Quanto mais os mistérios...

Dia desses, depois de seis anos inteiros, a série chegou ao final. E eu, como todos os fãs, lá estava esperando a revelação de todos os mistérios da ilha maluca. Um final estranho, incrivelmente teológico. Os autores, querendo ou não, acabaram por oferecer ao público fiel, uma visão do paraíso. E eu, no dia seguinte, andava feito louca, querendo encontrar alguém com quem compartilhar aquela beleza toda que havia fruído na terça-feira final. Não encontrei. Ninguém do meu convívio havia acompanhado a trama. Restou ler os comentários na internet. Fiquei surpresa, poucos gostaram do final.

Eu, por meu lado, amei. A proposta dos autores foi reunir os personagens mais significativos num momento de pós-morte. Depois de viverem todas as aventuras mais doidas numa ilha que se movia loucamente no mar, depois de verem alguns deles morrer e outros se entregar a coisas igualmente malucas como vigiar uma fonte de luz, eles se reencontram todos numa espécie de festa. Aí descobrem que estão mortos. E que, por isso mesmo, estão juntos e felizes.

A cena final, que me levou às lágrimas, mostra um deles, Benjamin, o que havia sido o personagem mais complexo na sua paixão pela ilha, chegando ao ponto de matar até aos que amava, sentado num banco, sozinho, do lado de fora da festa. Os demais personagens vão chegando, de vários pontos da cidade, e vão entrando. Cada um deles, na sala festiva, encontra seu par, seu amor, seus amigos. É a revelação teológica de que, na morte, num determinado lugar – o céu? - nos reunimos com aqueles que amamos. Não importa o que aconteça, o tempo que passe, ao cruzar o umbral da vida, lá estarão os seres que só nos fazem bem.

Mas, o sofrido e complexo Benjamin, não quis entrar. Ele seguiu sozinho, observando a grande festa que principiava dentro da casa. Com os olhos fixos num ponto distante, ele se deixou ficar, representando, talvez, a opção pelo inferno. Nada de fogo, diabos ou gritos. Apenas a escolha deliberada pelo vazio das presenças amadas. Coisa triste demais.

O final de Lost deixou muitas dúvidas, não explicou dezenas de mistérios, mas, para mim, foi o suficiente. O maior dos enigmas se expressou... Morrer nunca é o fim, só se a gente quer!...

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Povos originários

Quem quiser dar uma espiada no material que venho produzindo sobre os povos originários é só dar uma visitada no blog do projeto: www.povosoriginarios.blogspot.com
Dá uma passada lá e veja a beleza destas lutas que caminham por Abya Yala.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Congresso da Classe Trabalhadora: derrotas e desafios

O Congresso da Classe Trabalhadora terminou de maneira melancólica, o que de certa forma espelha a conjuntura pela qual passa o sindicalismo brasileiro e a esquerda de modo geral. Foi frustrante, triste, mas não significa que não possa ser superado. Depois de uma abertura emocionante, com a presença de mais de 800 delegados internacionais, representando 25 países e 3.200 delegados, as horas finais foram de perplexidade e abatimento, afinal, a tão esperada “unificação” entre Conlutas e Intersindical não aconteceu na prática.

O sábado começou frio em Santos, mas dentro do Centro de Convenções onde teria lugar o Conclat havia uma quenturinha boa, dessas que só a esperança traz. Apesar das grandes polêmicas que teriam curso, havia uma certa expectativa de que a conjuntura desfavorável ao ascenso das lutas fosse unir os trabalhadores, afinal, em algum lugar as propostas da esquerda teriam de se expressar e perdurar. É certo que algumas divergências pareciam inconciliáveis, mas se o que estava em jogo era manter vivo o sonho do socialismo e construir um espaço de luta unificada contra o processo social-democrata que hegemoniza o sindicalismo brasileiro, parecia óbvio que era hora de buscar uma pauta mínima unificadora.

A abertura do Conclat foi recheada de emoções. Trabalhadores japoneses, gregos, chilenos, bolivianos, venezuelanos, argentinos, enfim, de tantos lugares, estudantes, povo do movimento popular, gente da luta contra as opressões. Os discursos inflamados, os chamados à unidade e, por fim, a Internacional, cantada de pé, a plenos pulmões e com lágrimas nos olhos. “Bem unidos façamos, esta luta final, uma terra sem amos, a internacional”... Tudo parecia caminhar para o sucesso da unificação. Mas, apesar do otimismo e da festa, três grandes polêmicas se anunciavam: a discussão das eleições presidenciais, o caráter da nova central e o nome.
Como sempre acontece nestes encontros, os grupos foram se juntando por afinidade de propostas e assim, à direita do plenário ficaram os grupos ligados à Intersindical, MAS (Movimento Avançando Sindical) e o Unidos para Lutar, sobrando a esquerda para os militantes da Conlutas. Espalhados aqui e ali ficavam os independentes. Por isso, na hora das votações, o contraste dos crachás ficava bem visível.

As votações
O primeiro ponto polêmico a ser votado na plenária final foi o das eleições presidenciais. Havia três propostas. Uma encaminhava para uma Frente de Esquerda, com um único candidato expressando o programa que seria tirado ali. Outra defendia que a central deveria indicar a votação nos três candidatos da esquerda, PSTU, PCB e PSOL. E a terceira que defendia não ser ali na central o espaço para discutir candidaturas, e que só se deveria informar sobre as diferenças entre as candidaturas de direita e de esquerda. Crachá na mão, o povo foi para a primeira votação. A vitória da tese da Conlutas foi majoritária, sinalizando que ali já estava conformada uma maioria bastante expressiva.

O segundo ponto foi o caráter da central. Três eram as propostas. Uma defendia que a nova central fosse unicamente sindical. A segunda acolhia o movimento sindical e o popular. A terceira estendia a filiação para os estudantes e para os movimentos de luta contra a opressão. Neste ponto, a principal divergência era a inclusão dos estudantes e do movimento de luta contra a opressão que, no entender de alguns grupos, não garantia o caráter de classe, uma vez que tanto os estudantes como os que lutam contra a opressão (negros, mulheres, homossexuais etc...) são policlassistas. Na defesa destas duas frentes estava a idéia de que incluir estudantes e movimentos contra a opressão inauguraria uma novidade no processo da luta do povo brasileiro, extrapolando a forma clássica de fazer política, reconhecendo que tantos os estudantes quanto os que lutam contra a opressão, se tivessem oportunidade de militar numa central como essa, certamente seriam aliados importantes dos trabalhadores na construção do socialismo. Já os contrários defendiam que os estudantes eram passageiros e não poderiam dirigir a luta dos trabalhadores. Esqueciam estes que passageiras seriam as pessoas e não a condição de ser estudante, historicamente um agrupamento fundamental nas lutas populares. Feito o debate, nova votação. Outra vez a tese da Conlutas foi vencedora. A nova central incorporaria movimentos populares, estudantes e movimentos contra a opressão.

As coisas começavam a esquentar no plenário. Guerras de palavras de ordem, algumas provocações. Foi apresentada a proposta de conformação da direção. Seguiria o modelo da Conlutas na qual o dirigente não é uma pessoa e sim a entidade. A composição seria de 27 entidades e oito suplentes. Esse não foi um ponto polêmico e a votação foi tranqüila.

Chegou então a vez de votar o nome da nova central. Desde a apresentação das teses, passando pelos grupos, essa era uma questão que aparecia de forma muito contundente. Estava em jogo a própria concepção do novo que se expressava nas teses e que deveria também aparecer na concretude do cotidiano da central, inclusive no nome. Uma questão preliminar se impunha: a central uniria de maneira automática e formal as duas grandes entidades Conlutas/Intersindical ou definitivamente daria um passo adiante, dialeticamente, apresentando uma síntese deste belo movimento de resistência que teve seu início na luta contra a Reforma da Previdência?

O rompimento
Não foram poucas as defesas para que a Conlutas desistisse de sua proposta de superposição formal. Apelos e mais apelos foram feitos para que os dirigentes reconsiderassem, pois se não aparecesse uma nomeclatura nova, o novo estaria nascendo morto. Era preciso dar um passo dialético, sair da lógica formal, absolutamente atrasada e imobilizante. Estava claro para todos naquele plenário que a maioria estava dada pelos militantes da Conlutas, então haveria de ter sensibilidade para fazer aquilo que já ensinara Lenin no seu clássico “Um passo a frente, dois atrás”, ou seja, em nome da unidade, e já tendo garantido três das propostas mais polêmicas, a Conlutas poderia aceitar a tese de um nome novo. Até porque as próprias entidades que compunham a Intersindical não queriam a inclusão do seu nome. Entendiam que havia cumprido o seu papel numa determinada conjuntura e que agora estavam abertos verdadeiramente para o novo.

Foi nesse momento que Zé Maria, da Conlutas, pegou o microfone. Naquela hora, muitos dos que ali estavam, tiveram a certeza de que o dirigente haveria de agir de forma magnânima, abrindo mão da proposta de nome que uma expressiva parte do plenário não queria, em nome da unidade. Seria uma saída política que mostraria a maturidade da força política que ele representava, pois é claro que a questão do nome não era o nome em si. Era toda uma concepção da nova entidade que se expressava no nome. Aceitar o nome proposto pela ala minoritária daria lugar para a expressão da grande política. A Conlutas estava em maioria e dar um passo atrás nas suas propostas significaria dois passos a frente na construção da Central Unificada. Mas, Zé Maria não é Lenin. E seu discurso se perdeu nos argumentos redutores que insistiam em manter o nome de um projeto que se acabava ali. Juntar Conlutas e Intersindical era não considerar o novo que principiava a nascer. Segundo ele era preciso manter a história que havia sido construída pelas duas entidades, Conlutas e Intersindical. Não compreendia o dirigente que, o passado, ao ser superado, não morre, apenas se transforma em outra coisa, nova. A irracionalidade da proposta, exigindo manter o nome das duas entidades quando uma delas não queria foi a gota de água que faltava para inviabilizar a unificação. Assim, as propostas foram ao voto e, como estava em maioria, a Conlutas venceu. Nesta hora, os militantes da Intersindical, Unidos para Lutar e MAS saíram do plenário para discutir a situação. Não voltaram mais. Ao final, declararam que não estariam na nova Central.

A razão eleitoreira
O dia seguinte ao congresso ainda foi de perplexidade. Todo o trabalho de centenas de pessoas que saíram de várias partes do país rumo a Santos estava no chão. A nova central nascia, mas não tinha conseguido unificar. Pouco a pouco foram aparecendo os textos de análise do congresso, com acusações de todos os lados. Era hora de encontrar culpados pela frustrada tentativa de criar uma central realmente nova, que unisse as forças de esquerda do país que estão, cada dia, mais frágeis e esfaceladas.

Ainda no congresso, as declarações dos grupos que se retiraram do processo já apontavam para onde iria a culpa: ao PSTU. Os que estavam em minoria reclamavam de que não tinha havido a democracia operária, que a Conlutas havia patrolado as votações. Mas este é um bordão que não se justifica. A Conlutas pode ser acusada de muitas coisas, mas é preciso considerar que seus militantes fizeram um longo trabalho de construção deste congresso, conseguindo assim a maioria dos delegados. E também é preciso reconhecer que, independentemente dos problemas que se possa encontrar nesse agrupamento, este debate não foi oportunista, visto que vem sendo feito desde a criação da Conlutas.

O grupo do MAS (Movimento Avançando Sindical), na sua declaração de retirada, ainda reforçou sua inconformidade com o resultados das demais votações, insistindo que os estudantes agora iriam dirigir a classe trabalhadora, e que isso era inadmissível. Este tampouco é um argumento que se sustenta, pois na conformação da direção da Central os estudantes terão um percentual de 5%, logo, jamais alcançarão condições de dirigir a classe trabalhadora. Para este grupo, tanto estudantes como movimentos de opressão deveriam se articular fora da central, em fóruns nacionais autônomos.

O Unidos para Lutar, que reunia em seu interior boa parte dos militantes do PSOL, tampouco aceitou a democracia operária, porque, naturalmente ela não estava a seu favor. No movimento sindical isso é muito comum. Quando a democracia está a favor, é democracia, quando a maioria é do grupo adversário é patrola, manipulação e falta de democracia. Coisa bastante difícil de se continuar aceitando. Durante as votações ficava muito claro que o pano de fundo de tudo eram as eleições presidenciais, visto que tanto o PSTU quanto o PSOL e PCB tem candidaturas próprias. E, como o movimento sindical é uma espécie de correia de transmissão das propostas partidárias, elas passaram a ser mais importantes que o motivo real pelo qual estavam todos ali: a unificação da esquerda brasileira num tempo de completa desarticulação das lutas.

Assim, na compreensão de quem estava no congresso de forma independente, sem ligações partidárias, a inviabilidade da unificação não teve um único culpado. É certo que houve uma grande inabilidade política por parte da direção da Conlutas, que poderia ter passado por cima da questão do nome. Mas, também é certo que os grupos ligados ao PSOL, PCB e à corrente Luis Carlos Prestes tampouco pareciam dispostas a abrir mão de seus propósitos. Assim, a tão falada “classe trabalhadora” ficou desbotada, perdida entre tantas vontades particularistas, quase como um pano de fundo.

De qualquer sorte, no campo da política brasileira, e de uma esquerda que se pauta pelo pragmatismo e pela falta de qualificação teórica, o resultado não poderia ser outro. As chances de que os agrupamentos, que historicamente travam embates cotidianos entre si, chegassem a um acordo, em nome da unidade da luta, era praticamente remota, mas, sempre há esperança. Não se cumpriu. O que imperou foi o “mais do mesmo”. Divergências partidárias, incapacidade de ceder um passo, intransigência e algum fundamentalismo. Grupos ainda mais reduzidos que defendiam uma central apenas sindical faziam festa, às gargalhadas, diante da destruição da proposta de unidade, o que mostra também a imaturidade política de algumas correntes. Festar diante da desgraça da classe trabalhadora é tão absurdo quanto não ceder num nome.

Enquanto isso, no Pacaembu
Dias antes do Congresso da Classe Trabalhadora, um encontro nominado de Conferência Nacional dos Trabalhadores/Assembléia Nacional juntou a CUT, a CTB, a Força Sindical e a Nova Central em um encontro gigante no Pacaembu, São Paulo, que reuniu mais de 28 mil pessoas. Mas, as resoluções não chegaram ao mesmo nível de gigantismo, ficando mais no campo do apoio ao projeto de desenvolvimento proposto pelo atual governo, conforme se pode notar no documento divulgado ao final do encontro.

A proposta contém um manifesto político e uma agenda na qual estão explicitadas as idéias que estas centrais querem ver implementadas pelo governo federal no que diz respeito à vida do país. No manifesto está bem clara a adesão da maior central de trabalhadores da América Latina e suas congêneres à idéia do desenvolvimento sustentável, coisa absolutamente questionável no sistema capitalista. Como em nenhuma parte do documento está escrita a palavra “socialismo”, a conclusão a que se chega é a de que as centrais reunidas no Pacaembu acreditam no mito de que é possível um país periférico se desenvolver aos moldes dos países centrais e ainda respeitar a natureza. Conspiram ainda da certeza de que com muito “sacrifício” da classe trabalhadora o Brasil poderá chegar ao primeiro mundo.

O apoio ao governo de Luis Inácio se manifesta na afirmação de que “os avanços registrados nos indicadores sociais e econômicos dos últimos anos revelam que é possível combinar crescimento econômico com desenvolvimento social”. Afirmam ainda que o neoliberalismo vem sendo derrotado e se colocam como desafio a construção de um projeto nacional baseado na democracia, na soberania e na valorização do trabalho. Este, em especial, ganha um novo conceito, o de “trabalho decente”, que a depreender do documento parece significar um trabalho no qual o trabalhador não é “muito” explorado. Em particular, esse conceito de trabalho decente, soa como uma coisa muito estranha se considerarmos que em todo o documento não há qualquer alusão ao socialismo. Mas, nas propostas apresentadas a partir de seis eixos, o que fica claro é que a CUT e as demais centrais alinhadas ao governo estão enfeitiçadas pela proposta de humanizar o capitalismo. Isso mostra o completo despreparo teórico desta fração da classe trabalhadora que parece insistir na lógica de conciliação de classe.

Apesar de nos variados pontos elencados estarem algumas bandeiras históricas dos trabalhadores, muitas das propostas de transformação se perdem em idéias como a do desenvolvimento sustentável (colada no liberalismo), a aposta na qualificação do trabalhador para melhor ser explorado pelo capital, no pedido de ampliação de crédito para que aumente a exploração dos bancos sobre os trabalhadores, na idéia de revisão e controle social das Parcerias Público-Privadas e não a sua revogação, e no fortalecimento de idéias como os fundos de pensão, entre outras.

A mudança vem do povo
Assim, diante da aposta na social-democracia que fazem as grandes centrais, e a fragmentação da esquerda mais radical, o que resta aos trabalhadores comprometidos com a mudança social é, neste momento, fazer o que fez Marx diante da conjuntura do seu tempo: estudar, estudar e estudar. Buscar na vida real os elementos para a construção de uma teoria que dê conta da explicação do nosso tempo e que nos permita avançar na luta de classe.

É certo que no Brasil atual, com uma economia em expansão, crescendo 9% por trimestre - a maior marca registrada pelo IBGE desde 1995, podendo alcançar o incrível dígito de 12% ao ano, mais que a China, portanto – torna bastante difícil o trabalho de conscientização de classe. Os trabalhadores, com uma boa parte tendo ganhos consideráveis nos salários, preferem acreditar nesse “capitalismo humanizado”, que é todos os dias incensado pela imprensa. A classe média, com a vida renovada, não está disposta a apostar na construção do socialismo que, segundo o senso comum, pode lhes tirar mais do que dar. Prefere erguer muros e cercas elétricas para se proteger da “ralé”. Resta então às gentes oprimidas essa bandeira. São os desempregados, os que estão à margem do sistema, os que não conseguem nem vender sua força de trabalho, os que estão entregues às drogas, à violência, à barbárie. Mas, paradoxalmente, estes são os que menos estão em condições de refletir sobre sua realidade, porque precisam garantir o pão do dia.
Nesse sentido, uma central, aos moldes da que estava proposta no Conclat poderia ser um rico instrumento de luta e de organização da classe trabalhadora oprimida e marginalizada do processo do capital.

Mas, a razão eleitoreira foi preponderante, assim como a intransigência de muitas correntes de pensamento e agrupamentos políticos. Ninguém parecia estar disposto a abrir mão do “seu programa”, da “sua verdade”. O resultado foi a derrota de todos. A central está criada, é certo, mas seu sentido de unidade se perdeu. Deverá ser outra central dominada por um partido como a CUT é pelo PT e a CTB pelo PC do B.

O que ainda sobra de esperança é a certeza de que a classe trabalhadora saberá fazer o que precisa ser feito quando as condições de opressão ficarem insustentáveis, como acontece, neste momento, na Grécia. As gentes se levantam e obrigam, no chão da luta, estas organizações divididas em suas verdades particulares, a se integrarem na grande e universalizante onda revolucionária que só o povo sabe provocar. Há que estudar, cuidar e permanecer na luta.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A última dos EUA

A secretária super-poderosa dos EUA, Hilary Clinton declarou ontem mais um dos absurdos perpetrados pelo seu país: disse que quem vai comandar a investigação sobre o que aconteceu nos barcos de ajuda humanitária à Palestina será, pasmem, o Estado de Israel. Ou seja, o governo que ordenou o ataque vai investigar. Mas investigar o quê? Que barbaridade é essa? Até quando vamos aturar esse crime?

terça-feira, 1 de junho de 2010

O terror de Israel extrapola suas fronteiras


Quando na segunda guerra mundial apareceram os rumores do que acontecia na Alemanha, o mundo calou. Levou tempo demais até que os governos de outros cantos se levantassem contra o que se passava de horror sob o domínio nazista. E, mesmo, assim, a intervenção só aconteceu quando o que estava em jogo era o domínio de outros países da Europa. Não foi, verdadeiramente, o massacre dos judeus e dos ciganos que levou ao repúdio do governo de Hitler. Foi sua audácia de dominação sobre os demais países da Europa. Penso eu, cá com meus botões, que se Hitler tivesse se mantido nas fronteiras da Alemanha, não haveria tanto repúdio às suas práticas de terror.

Hoje, assistimos ao estado de Israel repetir o circo dos horrores contra o povo palestino. Já se vão mais de 60 anos de violência, de opressão, de ataques assassinos. Desde 1948 o processo de dizimação do povo palestino acontece sob os olhos das câmeras, aparece sistematicamente na hora do jantar, nos jornais noturnos. E, no mais das vezes, a maioria das gentes olha, boceja, e o máximo que tem de reação é dizer: “essa guerra não termina!” E ponto final. Lá, naquele cantão esquecido do mundo, a porta de entrada do rico médio-oriente, seguem os palestinos resistindo com pedras e gritos de dor.

Hoje, segregados em campos de concentração, tal e qual ocorria com os judeus e ciganos nos campos nazistas, eles são humilhados, subjugados, tratados como não-seres. Chamados de terroristas quando se levantam em rebelião. E tudo o que querem é o direito de viverem em paz no seu próprio território. O mundo sabe muito bem que quando os Estados Unidos criou o estado de Israel, aquela não era uma terra sem povo. Milhares de famílias foram desalojadas, expulsas de suas casas, para dar lugar às colônias israelenses. E, depois, ao longo dos anos, sob o fogo dos canhões, Israel foi comendo o território até confinar as gentes palestinas em campos fechados por muros gigantes, que deveriam ser repudiados como uma vergonha mundial, tal qual foi o muro de Berlim durante tanto tempo. A pergunta que fica é: por que o chamado “mundo livre” não brada contra o muro da vergonha de Israel?

Pois, não satisfeitos em dizimar o povo palestino, Israel chegou ontem ao auge da violência e da perfídia. Foi capaz de atacar militarmente navios que seguiam para Gaza, levando ajuda humanitária. Soldados armados atacaram civis que poucos minutos antes haviam levantado uma bandeira branca. Mesmo nas guerras mais cruéis, todos os generais sabem o que isso significa. Mas, ao que parece, não Israel. Morreram pessoas comuns, tombadas pelas balas assassinas dos soldados israelense. Gente que se importava com o que se passa por detrás dos muros de Israel, que apenas se preocupava em levar comida, remédio e conforto a um povo acossado pela violência e pelo terror. Pois foram atacados de forma absurda, em águas internacionais, violando toda a sorte de tratados e acordos internacionais.

E aí? Cadê as sanções à Israel? O seu parceiro de atrocidades, os Estados Unidos, lamentou o ocorrido, mas não condenou. Vários países estão declarando condenação, mas o que isso de fato significa? Palavras ao vento! Quais as medidas reais a serem tomadas contra esse estado assassino que extrapola suas fronteiras, atacando civis?

Os argumentos que as redes de televisão oferecem são os mais absurdos possíveis. Um general israelense dizendo que só revidaram um ataque dos que estavam no navio. Mas, como isso? As pessoas, em alto mar, cercadas de água, fizeram o quê? Tinham mísseis? Arcabuzes? Facas voadoras? Que ataque poderiam fazer essas pessoas dentro de um navio a aviões de guerra? Vejam que é o mesmo argumento que usam para matar palestinos. Meninos de 12 anos, com pedras na mão, são “violentos terroristas” e ameaçam a vida dos soldados israelenses dentro dos tanques de ferro. É o paroxismo do terror.

Por todo o planeta gritam as gentes, como gritaram contra a invasão do Iraque, contra a invasão do Panamá, do Afeganistão. Gritam os que não tem poder. E lançam declarações os que tem poder. Cuba vive sob um bloqueio criminosos por parte dos Estados Unidos, porque decidiu ser livre e auto-determinada. Isso é crime?

O que aconteceu no mar alto nesta segunda-feira não pode ficar só no plano da condenação pela palavra. É preciso parar Israel. Este é um dos países mais fortemente armados do globo terrestre. Seu poder militar é fabuloso. Tem ainda o serviço secreto mais sanguinário do mundo. É um cântaro de destruição. A fonte de sua violência segue vertendo, como já dizia o grande Mahmud Darwish.

Há 60 anos Israel mata palestinos como se fossem moscas. Ontem matou nove cidadãos da paz. O mundo, enfim, se levanta. Agora, há que parar Israel. Ou isso, ou a barbárie vai se espalhar, saindo das fronteiras do terror. A história é boa mestra. Assim começaram as grandes guerras. Quando um governo, arvorado de dono do mundo, começa a sair de seus limites, abocanhando a vidas dos demais. Se o mundo, na sua maioria, pouco ligou para os palestinos que padecem desde há décadas, que, agora, com estes noves civis, gente da paz, de bandeira branca hasteada, possa se levantar e estancar a fonte do crime.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O monopólio midiático é uma invasão

Entrevista com Jilson Carlos Souza, da Agência Contestado de Notícias Populares, de Fraiburgo.


terça-feira, 25 de maio de 2010

Nasce a Rede Popular Catarinense de Comunicação


Chove no meio-oeste catarinense, no mês de maio emburrado. O frio é de lascar. A cidade, que praticamente contorna as fábricas de papel, amanhece envolta na fumaça que nunca pára de sair das chaminés. O município, conhecido pela qualidade de suas maçãs, pode ser chamado também da cidade do pinus, pois, para cada lado que se olhe, lá estão eles, implacáveis, prontos a alimentar a boca gigante das fábricas, responsáveis pelo cheiro característico que toma o espaço todo. A região, que conta com outras cidades de médio porte como Caçador, Curitibanos, Três Barras e Joaçaba, é um campo de lutas importantes no âmbito fundiário. Coabitam grandes propriedades, assentamentos do MST, ricos fazendeiros e trabalhadores explorados.

Nos campos ainda reverbera a mais importante luta agrária deste chão catarina, que foi a batalha do Contestado, quando milhares de famílias decidiram construir outra forma de viver no mundo, em luta contra a invasão de suas terras pelos “donos do trem”. E, neste caldeirão de conflitos que ainda se explicitam, os movimentos populares precisam demandar muito esforço para se fazerem ouvir. Assim, é justamente no campo da comunicação que eles hoje travam uma feroz batalha. Por conta disso, aconteceu o Segundo Seminário de Comunicação e Cultura Popular do Contestado, organizado pela Agecon (Agência Contestado de Notícias Populares).

A história desta agência peculiar, que divulga notícias de toda a região, mas sempre com a mirada popular, é tão bonita quanto a luta deste povo guerreiro. Cansados de não terem lugar algum para se expressar, uma vez que as rádios e jornais locais são expressão da classe dominante, os movimentos populares locais começaram a pensar numa estratégia de unidade que permitisse dizer a palavra omitida pelos poderosos. Não foram poucos os debates e as reuniões pela região afora, nos invernos rigorosos e nas tardes escaldantes. Mas, finalmente, em 2007, no mês de agosto, nasceu o instrumento que viria balançar a estrutura de poder midiático na região: a Agência Contestado de Notícias Populares. Esta agência vinha robusta, alavancada por 18 organizações sociais, e apontava como propósito, ser um instrumento de luta para anunciar uma sociedade nova e um projeto popular para o Brasil.

Num dia de muito frio, no galpão de igreja, naquele 2007, as gentes se juntaram para um seminário. Havia desejos, sonhos, esperanças, mas eles não sabiam bem como tornar real a proposta. Foi preciso um dia inteiro de conversas com jornalistas amigos para que a coisa começasse a se esboçar. O desafio estava lançado e poucos meses depois a página da internet estava no ar. A pretensão era atingir umas 300 pessoas por mês, mas, passados 25 meses, já foram contabilizados mais de 40 mil acessos. Hoje, a agência é um pólo de difusão de tudo o que acontece na região, fazendo a ligação com as demais regiões do estado, do país e do mundo. Por enquanto, as notícias vem de agentes de comunicação popular, que se esforçam por repassar informações de toda ordem. Não há qualquer jornalista formado no projeto. Mas, a agência está aberta a todo tipo de colaboração. Ela segue o preceito da soberania comunicacional, na qual o povo, impedido de ocupar os espaços de expressão, cria o seu próprio lugar. “Os meios de comunicação não comunicam o que nos interessa, então nós mesmos fazemos nossa comunicação”, argumenta Jilson Carlos Souza, da Associação Paulo Freire de Educação Popular e um dos coordenadores da Agecon.

Os parceiros e a formação de uma rede popular

Os valentes herdeiros do povo do Contestado agora querem dar mais um passo na busca da soberania comunicacional e apostam na criação de uma rede popular de notícias, que permita as gentes de todo o estado se inteirarem sobre o que acontece em cada canto de Santa Catarina. A idéia é de que as experiências populares, tais qual a Agecon, possam se interligar e trocar informações, entrevistas, histórias etc..
E assim, aproveitando o lançamento de mais uma novidade na Agecon, que foi a entrada no ar da Rádio Web Cidadania, a Agência Contestado de Notícias Populares reuniu em Fraiburgo várias propostas de comunicação popular para concretizar a formação desta rede tão sonhada. Foi por conta deste chamado, que neste maio emburrado, em outro salão de igreja, numa manhã de frio cortante, o povo que produz a palavra livre se encontrou.

O primeiro a falar foi Anderson Engels, da Rádio Comunitária Fortaleza de Blumenau. Ele contou um pouco da história da criação da rádio, em 2002, ainda sob o comando do saudoso Adenilson Telles (jovem jornalista morto num acidente de carro, em 2006), da perseguição efetuada pela Polícia Federal que chegou a levar presos os locutores da rádio, em 2003, quando invadiram o espaço sob a alegação de que era uma “rádio pirata”. Falou do processo de recuperação dos equipamentos, da luta da comunidade do Bairro Fortaleza e dos sindicatos para reerguer a rádio e colocá-la no ar outra vez. Hoje, a rádio é uma referência em Blumenau e sua história de luta inspira outras tantas pelo estado afora. Anderson é ativista do movimento cultural da cidade e estuda jornalismo, mas sua ação na rádio se dá pela compreensão de que é o povo quem tem de assumir o comando da sua comunicação. A Fortaleza é mantida por um grupo de sindicatos de Blumenau e tem a completa confiança da comunidade que faz romaria para conhecer a rádio, hoje também transformada em espaço artístico-cultural, com suas paredes cobertas pela arte e seu microfone aberto à vida real.

Depois foi a vez de Edson de Lourenzo, da Rádio Livre Cidade Santa do Taquaruçu, uma experiência bonita de rádio no meio rural. Na pequena comunidade de Taquaruçu de Cima, berço da luta do Contestado, 52 famílias fizeram nascer esta rádio, com sua antena presa a um Taquaruçu, pendurado a uma araucária, para simbolizar a resistência cultural, histórica e ambiental. A manutenção da rádio é feita pela própria comunidade que se reveza no pagamento da luz. Ali, durante a programação que é tocada por nove pessoas, se registra a história do povo local, os costumes, a música. A rádio existe desde 2007, quando o povo decidiu que se as rádios vizinhas não lhes davam espaço, eles iriam fazer acontecer. Hoje, além da rádio, eles mantêm o Jornal Taquaruçu que é distribuído em papel e por correio eletrônico. “Nossa rádio fica ali, no meio de um matinho, mas é gigante na capacidade de falar da nossa realidade. Não temos propaganda, tudo é bancado pela gente de Taquaruçu”, diz Edson.

Franciele Trautman contou a história da Rádio Comunitária Maria Rosa, uma das primeiras da região de Curitibanos. Ali, o povo também foi buscar na história a inspiração para a luta comunicacional. Maria Rosa é uma das heroínas do Contestado. Fundada em 2003, a Maria Rosa é uma das comunitárias mais bem organizadas do estado, tem oito comunicadores e diversos programas que expressam os mais diferentes movimentos sociais. A rádio entra na vida das pessoas através da proposta “brincando de radialista”, na qual a comunidade aprende a falar, escrever notícias e tudo mais. Além disso, é hoje espaço cultural da cidade e uma importante fonte de informação e comunicação, pois as pessoas podem mandar recados, avisos, sem pagar nada.

A experiência da Revista Pobres e Nojentas foi relatada por mim, como uma proposta de comunicação impressa que ainda precisa de muito esforço do grupo que a viabiliza para ir ao prelo. Poucos são os apoiadores. A revista sobrevive com assinaturas e a venda de mão-em-mão feita pelos próprios jornalistas. Apenas o Sindprevs, sindicato dos trabalhadores da Previdência, aporta sistematicamente um recurso que permite a distribuição gratuita de parte da edição. A revista é bimestral e se propõe a narrar a vida que vive e se expressa na periferia do sistema capitalista. A experiência da Rádio Comunitária Campeche também foi relatada, como um espaço de informação, formação e cultural que já está encravado na vida da comunidade. Nascida do desejo dos movimentos sociais do bairro Campeche, em Florianópolis, a rádio tem vários programas ao vivo, programadores voluntários e fica no ar 24 horas. Sobrevive das anuidades dos associados e trabalha com apoios culturais que são arrebanhados no bairro mesmo. Ninguém compra espaço ou faz propaganda. Os pequenos comércios locais fazem uma pequena contribuição mensal e tem seu nome divulgado. A participação comunitária é um dos pilares do projeto.

Roberto Bohnenberger, da Rádio Comunitária Tangarense e do Jornal Vitória, ambos de Tangará, narrou as peripécias do grupo da rádio e as escaramuças com a Polícia Federal, que por várias vezes veio fechar a rádio, nascida em 1997. Por conta destes embates ela acabou ficando fora do ar, só retornando em fevereiro deste ano. “Neste meio tempo, como a gente já tinha acumulado experiência com comunicação popular, decidimos criar um jornal em 2004, que nasceu pequeno, mas, depois, foi melhorando e hoje já circula pelos vários municípios da região”. Segundo Roberto, tanto a rádio quanto o jornal são veículos que fazem circular a vida real das gentes locais, aprofundando a auto-estima, promovendo a organização e sendo fermento para as lutas.

Raul Fitipaldi, do portal Desacato, sítio de informação sobre as lutas na América Latina, também mandou sua contribuição em forma de texto, lido em voz alta para todos os presentes, uma vez que no mesmo dia acompanhava o lançamento do filme “De um golpe, Honduras”, com roteiro de sua autoria e uma das primeiras produções cinematográficas da Associação Rádio Comunitária Campeche (ARCA), de Florianópolis. Ressaltando a importância da Soberania Comunicacional como espaço de apropriação do povo de sua própria comunicação, ele apontou a necessidade da criação de uma rede que articulasse todas estas experiências.

Ao final, para fechar a proposta de comunicação e cultura popular, a Associação de Capoeira e Cultura Afro de Fraiburgo trouxe seus meninos e meninas pra uma apresentação desta dança/luta que é o símbolo da resistência do povo negro. E, embalados pela música dolente do berimbau, as gentes se irmanaram na mesma proposta de luta por um país digno, com riquezas repartidas.

A luta se entrelaça e avança

O Segundo Seminário de Comunicação e Cultura Popular do Contestado terminou com este compromisso. Todos os participantes passarão a trocar matérias, textos, áudios, imagens, fotos, enfim, tudo o que for produzido e que pode ter interesse em outros espaços. A vida e a luta da gente do campo será divulgada na praia do Campeche, assim como os pescadores poderão ser escutados no oeste catarinense. A rádio que se faz ouvir desde um taquaruçu vai transmitir a luta das gentes de Blumenau e a cidade da Oktoberfest vai escutar o grito do povo de Tangará. Uma teia gigante de batalhas sociais, de histórias de vida, de cultura, de arte, tudo circulando desde uma proposta solidária e soberana. O povo informando a si mesmo, dentro da lógica da soberania comunicacional que pressupõe o controle dos meios e o controle da produção.

Entre os jovens, sindicalistas e lutadores sociais que acompanharam os debates durante toda manhã ficou bem clara a certeza de que é a partir do trabalho comunitário popular que esta soberania pode ser constituída. E mais, não é necessário apenas resistir ao monopólio despótico dos meios de comunicação, mas fazer a luta renhida para mudar este sistema opressor que impede a livre circulação da palavra popular. Podemos dar o nome que quisermos a isso, socialismo, sumak kausai (o bem viver andino) ou o reino do céu na terra. O nome é o de menos. O que importa é que caminhemos para a mudança radical disso que aí está. Esse é o nosso compromisso. Tal qual dizia Jesus: eu vim pôr fogo ao mundo, e hei de atiçá-lo, até que arda! Cabe a nós atearmos fogo a este sistema capitalista que tanto nos rouba vida.