segunda-feira, 10 de maio de 2010

Aniversário


Nesta semana chego a um momento mágico. Completarei 600 luas de existência, 50 giros pelo sol. Um número cabalístico, cheio de feitiços. É uma coisa assim como a abertura de um portal. Desde a noite tempestuosa na qual abri meus olhos para o mundo, passaram uma ditadura, a bossa nova, Che, a revolução sexual, Tonico e Tinoco, o tropicalismo, a pílula, a anistia, as diretas, as eleições “livres”, Chávez, os movimentos originários. Tanta coisa, tanta história, se revolvendo em cada mudança de lua.

Eu fui criança, mocinha, guerreira, militante. Amei, fui amada, chorei, sofri, dei gargalhadas, brinquei de roda, pintei, toquei violão, tomei banho de mar, corri nos descampados, lavrei terra, enfrentei as tempestades, cai, levantei, estudei, escrevi.

Nas luas novas, criei. Nas luas cheias, arrebanhei, Nas crescentes, vinguei e agora, é hora de minguar. Ir desaparecendo até que volte outra vez a nova, com seu fio de luz. E assim é mesmo esta coisa doida de viver. Como a lua. Como as estações.

No verão, vicejei. Na primavera, gerei, No inverno, guardei. Agora começo a outonar. Essa é a grande verdade das gentes originárias. Não há passado ou futuro. O tempo é curvo. A gente vai e volta, na incansável “samsara”, no rodízio das estações. Em cada uma, um celebrar. Em cada uma, uma beleza a germinar.

Seiscentas luas passaram pelas minhas retinas, 600 luas... E neste pedaço de universo a terra segue seu contínuo girar. Outras luas passarão neste meu lento outonar... e a linha curva da história, do tempo e do espaço seguirá com suas surpreendentes visões. Cá no meu Campeche eu honro aos deuses pagãos, estes que embalaram a humanidade desde os tempos imemoriais.
Neste 14 de maio, debaixo de uma lua cheia, vou dançar com Kuaray. Agradecer, celebrar, silente. Sem barulho de festas ou tilintar de copos. Só o grito dos grilos, a luminosidade mágica dos vaga-lumes, o miado dos meus gatos, o carinho do cachorro e amor dos meus. Sob o céu do Campeche, esperando outras luas... Na solidão (não no vazio), grávida ainda, de tantos novos sonhos...!

Semana de protestos contra o aumento das tarifas do transporte público em Florianópolis


A Frente de Luta pelo Transporte Público convoca toda população de Florianópolis a se manifestar contra esse aumento abusivo nas passagens de ônibus decretado pela prefeitura. Atendendo mais uma vez aos interesses dos donos das empresas de transporte, em detrimento dos interesses da população, que sofre todos os dias com um serviço caro e de péssima qualidade, a prefeitura nos mostra mais uma vez que somente através da organização e dos protestos de rua poderemos vencer e conquistar melhorias significativas no transporte.

Após duas grandes reuniões e um vitorioso ato realizado na sexta-feira, antecipando ao aumento, chegou a hora de mais uma vez ocuparmos as ruas da cidade com grandes manifestações e muita criatividade.

Durante a semana, dois grandes atos centrais irão marcar a luta: na segunda, com encenação da abertura da “caixa preta” do transporte; e na quinta, com o enterro do atual sistema de transporte coletivo. Ambos os atos se concentrarão a partir das 17h em frente ao Ticen.

Além dessas duas grandes manifestações, atos descentralizados em diversas regiões da cidade ocorrerão ao longo da semana, em especial na segunda e na terça. Na quarta, a partir das 11h30 em frente ao Ticen um ato de chamada para a grande manifestação de quinta-feira irá ser realizado, com assembléia de rua e intervenções artísticas.

Chamamos toda população a participar das manifestações e integrar ativamente esta luta, organizando atividades e protestos nos bairros, escolas e locais de trabalho. Seguiremos firmes nas ruas de Florianópolis, até a tarifa baixar!

Contra o aumento das tarifas do transporte!

Por um transporte público, gratuito e de qualidade para o conjunto da população!

Resistir até a tarifa cair!

Florianópolis, 07 de maio de 2010.

Frente de Luta pelo Transporte Público


http://twitter. com/lataofloripa / amanhavaisermaior@ gmail.com

COMITÊ DE LUTA PELO TRANSPORTE PÚBLICO



sexta-feira, 7 de maio de 2010

Protestos no Ticen

Estudantes puxam a luta contra o aumento da tarifa. Novo preço vigora a partir de domingo.

Prefeitura anuncia aumento de tarifas do transporte coletivo


Quem vive em Florianópolis, sabe. Andar de transporte coletivo é uma odisséia. Inúmeros horários foram cortados e as pessoas se aglomeram em ônibus lotados até a boca. Os períodos de espera no terminal central para tomar o rumo do sul ou norte, lugares mais distantes do centro, nos horários de pico, chegam a mais de 30 minutos, porque a fila é gigante e os ônibus são poucos. Depois de um dia de trabalho, as gentes ainda tem de amargar todo esse atropelo que estressa e desespero. Quem circula pelo terminal logo depois das seis horas pode observar o desânimo que toma conta das pessoas.

Não bastasse tudo isso, a prefeitura agora está anunciando para este domingo mais um aumento na passagem, que aos R$ 2,80, é uma das mais caras do Brasil. Pois a partir deste dia nove de maio, mês do trabalhador, a prefeitura oferece este “presente”: a passagem vai custar R$ 3,12, ou algo aproximado, arrochando ainda mais o bolso dos trabalhadores, que não tem outras opções para se locomover na cidade. O transporte urbano é uma bem montada rede de “parceiros” que não abrem espaço para mais nenhuma concorrência, paradoxalmente, muito distante daquilo que os empresários mesmo pregam que é o sistema capitalista competitivo.

Foi por conta de um aumento assim, desproporcionado, que em 2004 a cidade viveu a famosa Revolta da Catraca, quando a população se levantou em rebelião durante uma semana inteira de protestos. Pois agora as gentes já começam a preparar manifestações. Hoje, dia 07 de maio, ao meio dia, já está marcada uma atividade em frente ao Ticen. A cidade vai ferver.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sou pequena!

Eu tenho grandes sonhos: o socialismo, o sumak kawsai, a terra sem males. Eu caminho para estas grandezas, cheia de entusiasmo. Mas eu sou pequena, esse é meu saber-ser. Gosto das pequenas coisas, dos pequenos perfumes, dos pequenos quintais, dos pequenos frutos. Eu sou pequena. Perco-me na multidão, nos espaços vastos, nas aglomerações. Biruteio, doidamente.

Eu sou pequena. Gosto das pequenas casas, dos pequenos doces, das pequenas flores, dos pequenos detalhes que compõem um amor. Gosto dos pequenos livros, das pequenas histórias, dos pequenos risos, das pequenas letras. Perco-me nos descampados, nas salas gigantes, nos centros de compras.
Eu tenho grandes sentimentos. Transbordo deles. Mas eu sou pequena. Gosto das pequenas palavras, dos pequenos gestos, dos pequenos animais, dos pequenos regalos, dos pequenos rios, dos pequenos montes. Perco-me nos grandes projetos que suscitam invejas, arrogância e provocam dores. Eu sou pequena, não tenho espaço para a imensidão. Nela, escorrego pelas frestas, vôo pelas janelas abertas, escapo da névoa da vaidade que as grandes coisas provocam.

Por isso. Porque sou pequena, quando as coisas muito amadas vão ficando grandes demais, eu desapego. Porque as coisas grandes tem uma estranha mania de nos absorver, nos consumir, nos esgotar. Medo? Covardia? Que seja! Mas eu fujo das coisas grandes, porque não quero virar um monstro a defender o que saiu do leito. Gosto de ser como sou, assim, pequena. Permitindo-me a pequenos tragos de canha, pequenas baforadas de Santa Maria, pequenos desvarios.

Eu sou pequena, confesso-me culpada! Mas conservo grandes aqueles sonhos: o socialismo, o sumak kawsai, a terra sem males. Quero chegar neles bem assim como sou: pequena. Sem nunca ter concedido um milésimo, sem ter desviado do caminho por conta das coisas grandes.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O sistema nos tira tudo


Acompanhei estupefata a cobertura dos jornais de televisão sobre o dia primeiro de maio. Raríssimos jornalistas usaram a expressão “dia do trabalhador”. Para todo mundo, o histórico primeiro de maio, data que celebra a luta dos trabalhadores, decidida na Internacional Socialista em 20 de junho de 1889, em Paris, virou “Dia do Trabalho”.

Você aí que está lendo esse texto pode perguntar. Mas e daí? O que muda? E eu digo, muda tudo! O dia do trabalhador é uma invenção dos trabalhadores, coisa criada em meio às lembranças recentes dos conflitos em Chicago, em 1886, quando milhares de trabalhadores saíram às ruas lutando por 8 horas de jornada. Foi por desejo dos trabalhadores que esta data passou a ser um dia de referência de lutas, de combates, de batalhas por vida digna e contra o capitalismo predador, que destrói o homem e a natureza.

Pois o sistema capitalista, de um jeito ladino, foi realizando a transformação. De dia do trabalhador passou a ser dia do trabalho. E o que é o trabalho? O que suscita? Nada de lutas, nada de combates contra o capital, nada de conflitos de classe. Nada. É só um ato criador. O dia do trabalhador transformado em dia do trabalho esteriliza a gênese desta idéia que era de luta contra a opressão dos patrões. Dia do Trabalho é uma composição de classe, onde patrão e trabalhador se irmanam, afinal, os dois “trabalham”.

Mas, na verdade, na relação capital x trabalho, é o trabalhador o explorado, o que garante mais-valia ao patrão, o que garante o lucro, no mais das vezes exacerbado. E esta relação não é pacífica, é conflituosa, agônica.

Por isso causa profunda revolta ver os jornalistas, que deveriam ser os que informam com clareza os fatos, reproduzindo estas mentiras, estas armadilhas forjadas pelo sistema que oprime e destrói. Esse povo deveria estudar mais.

Reivindico a volta do dia do trabalhador, dia de luta, de combate. Dia de lembrar os tantos homens e mulheres que tombaram na batalha por uma vida plena. Dia de celebrar a capacidade de luta de todos aqueles que ainda estão amarrados a roda da mó do capital. Dia primeiro de maio é dia do trabalhador, esse ser que, prisioneiro de um sistema em que para que um viva o outro tenha de morrer, resiste e insiste na transformação. Ainda há trabalhadores em luta por aqui, sim senhor!