terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Haiti: laboratório dos EUA

Professor Nildo Ouriques, presidente do IELA, fala sobre a denúncia da existência de uma máquina de produzir terremotos, que estaria sendo testada pelos Estados Unidos.

http://www.iela.ufsc.br/?page=noticia&id=1251

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Polícia catarinense prende líderes do MST em “ação preventiva”

Um dos coordenadores estaduais do MST em Santa Catarina, Altair Lavratti, foi preso na noite desta quinta-feira em Imbituba numa ação que lembra os piores momentos de um estado de exceção. Com uma força de mais de 30 policiais militares, a prisão foi efetuada no momento em que ele realizava uma reunião pública, num galpão de reciclagem de lixo da cidade. A acusação é de que Lavratti, junto com outros sindicalistas e militantes sociais preparava uma ocupação de terras na região. Foi levado sob a alegação de “formação de quadrilha”.

Segundo informações divulgadas no jornal Diário Catarinense, que estava “magicamente” no ato da prisão ao lado da polícia, os integrantes do MST estavam sendo monitorados desde novembro depois que um integrante do Conselho de Segurança Comunitária de Imbituba passou informações sobre a organização de uma suposta ocupação em terras do estado. Outras duas pessoas também foram presas, sendo que uma delas, Marlene Borges, presidente da Associação Comunitária Rural, está grávida. Ela teve a casa cercada na madrugada de sexta-feira e foi levada para Criciúma. Outro militante, Rui Fernando da Silva Junior, foi levado para a cidade de Laguna.

Integrantes do MST, advogados e um deputado estadual estiveram procurando por Lavratti durante a noite toda, mas não haviam conseguido contato até a manhã de sexta-feira, quando souberam que de Imbituba ele havia sido levado para Tubarão.

Ainda segundo informações da polícia, o juiz Fernando Seara Hinckel autorizou gravações telefônicas e determinou a intervenção do Ministério Público. Também teria havido a participação de P-2 (policiais a paisana, disfarçados) infiltrados nas reuniões dos militantes sociais da região de Imbituba.

Usando de um artifício já usado contra o Movimento dos Atingidos das Barragens, que foi o de prender “preventivamente” integrantes do movimento alegando “suspeita de invasão”, o poder repressivo de Santa Catarina repete a dose agora contra o MST. Para a polícia e para o poder público, reuniões que envolvam sindicalistas e lutadores sociais passam a ser “suspeitas” e sendo assim, passíveis de serem interrompidas com prisão. Só para lembrar, este é um tipo de ação agora muito usado nos Estados Unidos, depois de 11 de setembro, quando o presidente George Bush acabou com todas as garantias individuais dos cidadãos. Lá, e agora também aqui, o estado pode considerar suspeita qualquer tipo de reunião que envolva movimentos sociais. Conversar e organizar a luta por uma vida melhor passa a ser coisa de “bandido”.

A acusação de formação de quadrilha não encontra respaldo uma vez que é pública e notória a preocupação do MST com a situação das famílias daquela região, que vem sistematicamente tendo que abandonar a zona rural em função da falta de apoio à agricultura familiar, enquanto o agronegócio recebe generosa ajuda governamental. A reunião na qual estava Lavratti justamente discutia esta situação e levava a solidariedade do movimento às famílias que seguem sendo despejadas de suas terras, ações que fazem parte do cotidiano do MST. A ação do governo se deve ao fato de em Imbituba ter sido criada uma Zona de Processamento e Exportações que tem engolido fatias consideráveis de dinheiro público sendo, portanto, considerada estratégica para os empresários da região.

Para o MST, as prisões foram descabidas, e só reflete a forma autoritária como o governo de Santa Catarina tem conduzido a relação com os movimentos sociais, criminalizando as tentativas dos catarinenses de realizar a luta por uma vida digna. Já para dar respostas aos atingidos pelo desastre em Blumenau, ou aos desabrigados pelas chuvas que tem caído torrencialmente este ano em Santa Catarina, não há a mesma agilidade estatal. Como bem já analisava o sociólogo Manoel Bomfim, no início do século vinte, ao refletir sobre a formação do estado brasileiro: “desde o princípio o Estado foi um aparelho de espoliação e tirania, feroz na opressão, implacável na extorsão. É um parasita”. Sempre aliado aos donos do poder e da riqueza, o Estado abandona as gentes e só existe para o mal do povo. É por conta disso, que, conforme Bomfim, “a revolta contra as autoridades públicas é o processo normal de reclamar justiça” já que as populações são sistematicamente abandonadas pelo Estado e pela Justiça enquanto a minoria predadora dos ricos e poderosos tem seus interesses defendidos, inclusive com o uso do dinheiro e do patrimônio que é de todos.

Como exemplo disso, basta trazer à memória o escândalo da Moeda Verde, quando ricos empresários locais fraudaram laudos ambientais para a construção de grandes empreendimentos na cidade de Florianópolis. Presos sob a luz dos holofotes, não ficaram um dia sequer na cadeia e o governador do Estado segue frequentando suas festas e dizendo ao país inteiro, através da televisão, que os empreendimentos construídos a partir da fraude são os mais bonitos da cidade e necessitam ser conhecidos e consumidos. Outro caso emblemático e atual, que não recebe a mão pesada do poder público, é o que envolve o vice-governador Leonel Pavan, enredado em escândalo de corrupção, e que também muito pouco interesse provoca na mídia. Não precisa ir muito longe para observar que Manoel Bomfim está coberto de razão: “os estadistas devem inquirir das condições sociais, indagar se as populações se sentem mais felizes e as causas dos males que ainda as atormentam, para combatê-las eficazmente”. Mas, em vez disso, lutadores do povo são presos e os direitos coletivos se perdem diante do interesse privado de uma minoria.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

RCTV segue sem cumprir a lei


As emissoras de televisão brasileiras noticiaram à exaustão o fato de o governo venezuelano ter suprimido o sinal da RCTVI, que é mesma televisão que perdeu a concessão para canal aberto em junho de 2007 por não cumprir com a lei do país. Pois esta emissora seguiu transmitindo normalmente via cabo e, igualmente, seguiu o caminho sem cumprir a lei de comunicação que existe na Venezuela.

Pela lei, as emissoras são obrigadas a transmitir 70% de programação local, o que é um tremendo estímulo à produção nacional e aos produtores independentes e comunitários. Antes desta lei, o que imperava na televisão eram os enlatados estadunidenses e mexicanos, tal qual acontece no Brasil, como bem cabia a um país de mentes colonizadas.

Mas, o que tem sido noticiado na mídia brasileira é pura ideologia. Disse William Bonner, no Jornal Nacional: “a televisão foi fechada porque se recusava a transmitir os discursos de Chávez”. Na verdade, o subterfúgio encontrado pela emissora de televisão foi colocar um “I” no seu nome, transformando-se assim em Radio Caracas Televisión Internacional. Com este “internacional” seus diretores insistem em dizer que não precisam se enquadrar às leis da Venezuela, o que é uma bobagem. A lei diz respeito a todos os veículos que emitem desde a Venezuela, logo, a emissora precisa cumprir o que ela determina.

Por outro lado, como em qualquer outro país no mundo, inclusive os Estados Unidos, quando o presidente fala em cadeia nacional todos os canais o retransmitem. Porque motivo não haveria a RVTI de fazer o mesmo? Em que esta emissora pode ser diferente das demais? Assim, para que a opinião pública não seja manipulada como acontece pela mídia comercial, é importante que se divulgue a verdade sobre o que acontece na Venezuela. A suspensão da RCTVI não tem nada a ver com censura ou falta de liberdade de expressão, mas sim com o respeito que ela deve ter – e não tem – com as leis do país.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Outro fim para Avatar


Filmes de aventuras míticas me encantam demais. Gosto destas coisas arquetípicas da raça. O bem, o mal, tudo muito claro, sem as nuances da vida real, na qual tudo fica meio misturado e a gente parece não conseguir mais saber quem é o quê. Por isso fui ver Avatar. Vibro com histórias que tecem os temas imemoriais do humano: a cobiça, a coragem, o medo, a inveja, o altruísmo, a covardia, o amor que tudo salva.

E ali, no filme de James Cameron tudo se apresenta, sem claro/escuro, tudo na luz. Um homem perdido, um mundo perfeito, uma cientista boa, um empresário ganancioso, um militar sanguinário. Temas como o meio ambiente, a guerra e a ambição desenfreada permeiam a trama hollywoodiana. Tudo no filme é bonito. A moral da história é absolutamente contemporânea. No mundo dos navy a harmonia é coisa natural entre os seres que vivem. Há a luta pela sobrevivência, mas não há acumulação. Os bichos são caçados, mas não vão para o freezer e a grande mãe é uma árvore, responsável pela ligação simbiótica de tudo o que ali vive. Então, vem o ser humano e sua sede de riqueza. Empresas terráqueas exploram um mineral e vão destruindo o planeta. A vida dos navy está ameaçada. Para completar, há um militar que não vê a hora de empreender a jornada da destruição, desalojando as famílias autóctones. Uma história que bem conhecemos, nós, os latino-americanos.

Então, o homem perdido entra na história. É o herói estadunidense típico. Arrojado, engraçadinho, valente. Ele se transforma num navy a partir de um projeto de criação de avatar. O nome avatar vem do sânscrito e significa, na cultura indiana, a encarnação de uma divindade. É quando um deus ocupa um corpo material. Mas, nos nossos tempos internéticos são esses bonequinhos que as pessoas fazem de si mesmas e que podem viver uma segunda vida num mundo virtual. Pois o soldado mutilado estadunidense passa a viver uma segunda vida como um navy e, é claro, como bem cabe a um filme de aventura, tão logo chega ao mundo deles, se apaixona pela filha daquele que comanda o povo local. Mas o garoto vai mais fundo ainda, ele se enamora também do modo de vida dos navy, passa a compreender o que significa esse equilíbrio da vida e das coisas que vivem. Sua segunda vida passa a ser a primeira.

Então, quando o exército mercenário dos humanos vem destruir o mundo navy, ele, a cientista que o criou e outros amigos assumem um lado na história: o lado dos navy. E aí vem o pecado original do filme: sua mensagem subliminar. Para além do cuidado com a natureza, explícito, para além do ódio que podemos sentir contra o empresário ganancioso ou o general fanático, está a mais verdadeira das verdades: o mundo só pode ser salvo pelo herói que chega de fora, o “soldier”, o “mariner”, o salvador da pátria. Eu, que curti o filme, fico cá pensando com meus botões. Avatar teria sido perfeito se em vez de ser o garoto estadunidense aquele que consegue montar o animal mítico dos navy e salvar o mundo, tivesse sido o herdeiro natural do comando da raça, aquele que era o prometido da princesa navy e que fica apenas como o subalterno. Ele perde a mulher e ainda tem de ver o “que veio de longe” ser aquele que domina a força da natureza do seu povo. O autóctone parece nunca ser capaz de tomar o destino de seu povo nas mãos. Terrível metáfora de todos nós. Pecado de Cameron, explicável até. Ele é estadunidense e deve ter isso marcado na pele.

Eu teria feito diferente. Aceitando o terráqueo que chegou e compreendeu o mundo navy, mas fazendo com que fosse o príncipe navy a ser o que monta a ave mítica. Ele comandaria a ação de defesa do seu mundo. O estadunidense seria apenas um a mais no grande exército navy, o que bem mais sabe das artimanhas terráqueas, o grande trunfo. Mas, certamente o guerreiro navy seria capaz de comandar seu povo, soberano e feliz, ainda que tivesse perdido a amada. Ah, o cinema estadunidense e sua moral redentora! Que pena ser sempre tão igual.

Fico ainda a pensar e me vem à cabeça a grande saga cubana. Havia el Che, o grande trunfo, mas foi Fidel, amparado em Martí (ambos cubanos da gema), quem comandou as gentes rumo a vitória final. Cuba é meu final de Avatar. Nele, não há redenção vinda de fora, há consciência popular e líderes autóctones. Por isso não me importo muito de ir ao cinema e ficar de boa... Porque, ao fim, a vida é real!!! E pelas terras de “nuestra América” caminham os avatares... Cuba, Haiti, Bolívia, Equador, Venezuela...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

O nacional-popular

Excelente resumo sobre o que seja o projeto nacional-popular na América latina, feito pela socióloga argentina Alcira Argumedo. Vale a pena conferir!



sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Os algozes humanitários


A gente do Haiti é gente de muito valor. Foi o único país, no mundo, em que os escravos fizeram uma revolução contra seus senhores e venceram. Foi em 1791, logo depois da revolução francesa. A ilha caribenha ferveu em desejos de liberdade e o povo armado - mais de 500 mil negros num espaço onde viviam apenas 32 mil brancos - botou os colonizadores franceses para correr. Toussaint de Loverture, Dessalines, Alexandre Pétion. Gigantes da luta de libertação que, com suas idas e vindas, erros e acertos, fizeram do Haiti, com a força das gentes, uma nação livre, digna, soberana. Primeiro país abaixo do Rio Bravo a se fazer independente em 1801. Petión acolheu Bolívar e foi o responsável pela virada na cabeça do libertador. Deu a ele guarida, ajuda e só pediu em troca que ele libertasse os escravos da América do Sul. Bolívar mudou.

Mais tarde, as lutas intestinas revolveram o país e várias lideranças passaram pelo poder, até que no início do século XX o mal fadado vizinho do norte, os Estados Unidos, decidiu intervir no país para cobrar dívidas, uma história muito conhecida pelos países latino-americanos. Desde aí, o povo do Haiti sofreu fortes reveses, culminando com a dinastia Duvalier, sanguinária ditadura de pai e filho, que perdurou de 1957 até 1986. Regime de terror, tortura e perseguições, enfrentado com valentia pela população, que pagou caro por isso. A esperança veio em 1990 quando o povo elegeu Jean Aristide, um padre ligado a teologia de libertação. Mas, de novo, os Estados Unidos meteu o bedelho na vida do país, evitando que por ali tremulasse alguma bandeira vermelha. A eles, no Caribe, já bastava Cuba. Sem grandes riquezas para serem cobiçadas, a gente do Haiti sofreu “preventivamente”. Em 2004, depois de idas e vindas, com o apoio dos EUA, Jean Aristide se elege novamente, mas é deposto em seguida por um golpe, igualmente apoiado pelos EUA, mergulhando novamente o país num caos político.

É quando entram as “forças de paz” da ONU, ocupando o Haiti a pedido dos Estados Unidos. Vários países, tendo Brasil à frente, enviaram suas tropas, alegando que estavam ajudando a manter a ordem, De novo, o povo do Haiti ficava sob a tutela das armas alheias, como se não fosse capaz de definir por si mesmo o seu destino. Desde aí o país está ocupado militarmente, com denúncias diárias de mortes, torturas, estupros, violências de toda ordem. Morte diária, cotidiana, naturalizada. Estas não saem nos jornais. Contra elas não gritam os Casoys, os Bonners e outras bocas alugadas.

Agora, não bastasse toda esta história de dominação, o Haiti sofre uma tragédia natural, uma a mais, nem tão natural, já que é resultado da destruição que vem sendo imposta ao planeta pela ganância dos donos do capital. Milhares de pessoas estão mortas, ceifadas num único dia. Tragédia massiva. Então os jornais se inundam de matérias sobre a ajuda humanitária. Países de todas as cores enviam remédios, alimentos. A Globo e CNN destacam a ajuda estadunidense, “governo tão bom”, o mesmo que deixou a míngua os atingidos do Katrina. As pessoas choram diante da TV, organizam ajuda solidária nos seus bairros, observam aliviadas a humana bondade da França, da Alemanha e até do FMI (pasmem) que decidem doar alguns punhados de dólares. Falam ainda da providencial presença dos “cascos azuis”, soldados da ONU, que estão ajudando no resgate das vítimas, no auxílio aos feridos, etc...

Sim, me compadeço com a tragédia haitiana deste triste 13 de janeiro. Mas, com Venezuela, com Cuba e com outros tantos lutadores sociais tenho feito isso desde que as forças da ONU entraram no país a pedido dos EUA. Contra Lula gritando pela retirada das tropas, e com Fidel e Chávez, entendendo que se alguma ajuda precisava o povo da ilha caribenha era a de médicos, engenheiros, professores, dentistas, enfim, gente que amparasse e fortalecesse as gentes. Não soldados armados para reprimir, matar, mutilar, torturar, estuprar. Doem em mim, sim, as mortes massivas deste dia 13, mas me doem também, com igual força, as mortes cotidianas, recorrentes e naturalizadas no Haiti, no Afeganistão, no Rio de Janeiro, em São Paulo, na periferia de Florianópolis. A ajuda humanitária nestes dias de inferno pós-terremoto não pode ser uma mera musculação de consciência daqueles que doam um quilo de arroz e dormem tranqüilos. Há que se comprometer com a proposta de mudança e libertação. A tragédia haitiana é muito maior do que este terremoto de 13 de janeiro. O terremoto da dependência, da subordinação, da superexploração do trabalho, da ocupação armada é cotidiano, e já dura tempo demais. O país está em escombros e não é de hoje. Ajudar as vítimas da catástrofe do tremor é urgente e necessário, mas não dá para saudar os algozes. Estes que posam de bons moços, enviando alguns dólares, são os responsáveis pelo terremoto cotidiano. Isso não podemos esquecer!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Guernica em três dimensões

Guernica é uma obra impressionante, tela pintada a óleo, com 782 x351 cm, que Pablo Picasso apresentou em 1937, na Exposição Internacional de Paris. A tela, em branco e preto, representa o bombardeio sofrido pela cidade espanhola de Guernica em 26 de abril de 1937 por aviões alemães e que atualmente está exposta no Centro Nacional de Arte Rainha Sofía, em Madri. O pintor, que vivia em Paris naqueles dias, soube do massacre pelos jornais e pintou as pessoas, os animais e edifícios destruídos pela força aérea nazista, tal como via em sua imaginação. Aqui, com uma técnica impressionante, a obra é mostrada em três dimensões, fruto do trabalho de uma artista de Nova Iorque, Lena Gieseke, que domina as técnicas mais modernas de infografia digital.

*Musica: Nana de Manuel de Falla*