sexta-feira, 11 de julho de 2008

P&N número 13 chega na sexta!

Estará à venda na sexta-feira, dia 11, na banca da UFSC e na da Catedral, em Florianópolis, a edição número 13 de Pobres & Nojentas, que abre o terceiro ano de vida da revista. Na sexta também serão enviados os exemplares dos assinantes. Confira abaixo o Editorial da edição!

Pixurum que faz andar

A expressão “trabalho de equipe” é típica do mundo empresarial. Vamos falar de “pixurum da Pobres” para dar a idéia do espírito que nos anima a entrar no terceiro ano da revista, consolidado nesta 13° edição. É certo que a Pobres & Nojentas continua sua caminhada por um motivo precioso: quando uma de nós está desanimada, outra aparece plena de vontades e desejos, e assim se dá o pixurum, essa palavra de origem tupi que tem a ver com mutirão.
Uma anima a outra e esse fazer coletivo das e dos jornalistas envolvidos na produção da revista é que a faz andar.- Já saiu outra Pobres? – perguntam amigos e conhecidos que nos encontram nas ruas de Florianópolis. – Vai sair, vai sair! – respondemos, apostando que o jornalismo feito nas margens possa ser perene, caudaloso e insaciável no desejo de apontar um mundo outro, onde haja lugar para todos.
O pixurum para construir a Pobres alicerça-se igualmente no apoio cultural do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Previdência do Serviço Público Federal no Estado de Santa Catarina. Apesar de o discurso em defesa da democratização dos meios de comunicação ser comum nos sindicatos, o Sindprevs é um dos poucos que faz disso uma prática que frutifica. Basta ler o texto que inicia na página 14, assinado por Marcela Cornelli.É graças ao fazer coletivo que está edição também chega exibida, com projeto gráfico renovado.
Pelas mãos e idéias das jornalistas Rosangela Bion de Assis e Sandra Werle a revista tem novas artes, letras, tons, tudo a serviço da vontade que temos de cristalizar em palavras os feitos e ditos de quem só se percebe pleno na inteireza do outro.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

O guri

Ali estava no chão, estatelado, o menino. Nunca mais o riso, a pandorga, ou a correria na bicicleta. Foi embora cedo, 16 anos, a vida esvaída numa destas insanas guerras do tráfico. Quem o viu criança lembra bem. Correndo pelas ruas de terra do bairro, os cabelos grudados na testa por conta do suor, e aquele riso de cristal.
- O que tu queres ser quando crescer Chiquinho?
- Quero ser bonito! - E foi perseguindo esse sonho que seguiu o rumo da morte.

Ele não entendia porque os guris que ele via no centro da cidade tinham tênis bonito, roupas de grife, minúsculos e potentes MP3, celulares, e ele não. Não havia sentido naquilo. Ele era igual a todo mundo. Pedia pra mãe comprar o tênis que via na TV e ela respondia mal-humorada: “Tu não vê que não dinheiro nem pra comer?” E ele matutava, sem compreender.

Por isso não hesitou quando o Cabeça ofereceu trabalho. Tinha 11 anos e já sabia o que era bom. Queria aquela mesma vida que via na novela das oito, com direito a carro e mulheres bonitas. Ele ia chegar lá. Levar e trazer droga era o de menos se tivesse grana para viver como um rei. A escola, abandonou, não o levaria a lugar nenhum. Estudar coisas inúteis e ser discriminado por ser preto e pobre era o que lhe esperava no futuro.

Foi ficando rebelde, construindo dentro dele uma raiva surda, contra tudo o que não compreendia. Um dia, por um desses acasos da vida, conheceu alguém. Uma mulher. Ela olhou pra ele como ninguém nunca antes olhara. E lhe contava coisas que ninguém dissera. E lhe dava livros. As palavras, antes incompreensíveis, passaram a fazer sentido e ele começou a entender. Aquele seu mundo não era coisa natural, e a pobreza não era o estigma de uma raça indolente. Havia saídas coletivas. Havia esperança.

Foi quando ele quis mudar. Mas não deu tempo. Naquela noite de outono, tombou na rua, baleado por outro guri, como ele. Antes de expirar lembrou do livro que levava na bolsa e que tinha lido no final de semana. “Voltarei e serei milhões”. Assim falara Tupac Catari, ao morrer na luta por libertação. Ele talvez voltasse também. Mas não seria mais como foi. Sorriu. No dia seguinte, na TV, foi mostrado. “Mais um bandido morto”. Era o Chiquinho, só um guri que queria ser bonito.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Só as crianças são puras!

Foto enviada por Evandro Euriques, professor da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO)

Neste tempo sombrios
de violências e dores
Só as crianças
de alma sã
mostram a grandeza
de reverenciar a vida!!!

Eu também quero!!!!!

Eu quero um!...

Eu quero um computador como o de Raul Reyes, dirigente guerrilheiro das FARC, assassinado pelo exército colombiano em março, na selva equatoriana. Sim, imaginem, ele se conecta a Internet em um acampamento guerrilheiro clandestino, no meio da selva, sem cabo, modem, sem WIFI, sem telefone, sem nada!

Para mim, ao contrário, no centro de San José (Capital de Costa Rica), com cabo, modem, e WIFI, a conexão falha. O de Raúl Reyes, pelo jeito, se conectava nas árvores ou tinha uma super bateria, construída clandestinamente pela IBM para ele. Em todo o caso eu necessito uma dessas, para poder conectar-me em Punta Uva, onde sequer a televisão nacional entra.
Além disso, o computador da FARC agüentou durante mais de seis anos a chuva torrencial que costuma cair nestes lugares, o lodo, a umidade, o calor e os macacos da selva equatoriana. Também nunca foram problemas as insuportáveis formigas tropicais, que a mim, em Escazú já me estragaram dois.

Não, é sério. Seria este o computador mais incrível do mundo? E foi feito antes de 2002. Que te parece isso? Claro, agora como tudo é chinês, nada dura. Mas este aí foi feito quem sabe onde. Porque os militares colombianos quando atacam não deixam pedra sobre pedra. Então, se o exército atacou pelo ar, este computador agüentou a destruição total produzida por bombas (que não foram duas) num raio de 40 metros, e a desintegração que provoca sua onda expansiva. E se os colombianos atacaram também por terra, foi com metralhadoras de uma precisão filha da puta! Porque pegaram tudo, inclusive Don Raulito Reyes, menos o computador. UAU!

Esse troço deve ter sido feito com material da NASA. Rogo aos fabricantes que coloquem estas máquinas no mercado já. O meu computador, que é muito mais novo, se dá um golpezinho contra a mesa já fica fodido por um bom tempo. Uma vez, quando caiu sobre ele não árvores, nem bombas ou balas, mas um mísero respingo de café com leite, tive de deixa-lo na oficina por duas semanas.

Também preciso mencionar a capacidade do disco rígido deste super computador. Certamente ele tem um milhão de giga bites para guardar todos os correios eletrônicos desde 2002. Eu não sabia que antes desta data já se fabricavam laptops com esta potência. E que potência. Guardava correios desde há seis anos ou mais e nunca passou pela cabeça de Raulito a idéia de apagar de vez em quando alguns dos que já tivesse lido, como toda a gente faz. Definitivamente este computadore é da "NASA", da tecnologia portátil mais poderosa do mundo. Eu quero uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuum!!!!

A única coisa que me parece inacreditável é o fato de terem aparecido nomes de pessoas muito conhecidas. Isso porque eu sempre achei que os guerrilheiros não chamam seus colaboradores pelos nomes verdadeiros e sim através de codinomes. A menos que Raulito de clandestinidade e de guerrilla não soubesse nada.

Texto escrito por um salvadorenho e distribuído nas listas da Internet.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Viva Inti


Quem já se embriagou da beleza dos povos andinos sabe bem. Hoje é dia de festa em toda a cordilheira. É chegado o solstício de inverno. Dia do dia mais curto do ano, quando o sol está mais longe em latitude, da linha do equador. Neste dia, os povos originários fazem saudação ao grande Inti, o deus sol. Dançam, cantam e trazem oferendas para que ele venha, firme, bonito, a brilhar sobre suas colheitas e lhamas.

A chegada do inverno marca o início de um novo ano, que se espera seja de alegria e fartura. No Equador, Bolívia, Peru, no Chile, Colômbia, Venezuela, em todos os cantos de Abya Yala é hora de render “gracias” aquele que, com sua luz, torna possível a vida.

Aqui, no sul do sul, o dia está perfeito para a cerimônia. Há um sol brilhante e um ar de inverno que prenuncia belezas. Não importa qual é o deus que cada um professa, mas sim o desejo que vive nas gentes de vida digna, de riquezas repartidas, de amor e plenitude. Vamos, portanto, celebrar, dançar, cantar e pedir aos deuses que esta nossa Abya Yala seja livre, que os povos sejam soberanos e que a vida floresça, a despeito de todos os invernos. Viva o Inti Raymi. Viva Inti! Viva a vida que vive!

Caros Amigos fecha um ciclo

Eu não o conheci pessoalmente, mas sempre soube quem ele era. Um homem doce, sensível, companheiro, amigo, um mestre. Um desses seres que não temem ensinar o que sabem, porque tem consciência de que a única coisa a deixar de herança é o exemplo de vida bonita e digna. E assim foi Sergio de Souza, o cara que comandou a revista Caros Amigos desde o início do seu projeto. Sérgio era a Cara da Caros. Dele emanava uma delicadeza, um cuidado com o texto dos outros, um respeito, que eram coisas raras no mundo vaidoso e superficial do jornalismo.

Como colaboradora da revista meu contato com Serjão sempre foi através de Thiago Domenici, o secretário de redação. Outro ser adorável, igualmente raro no mundo da imprensa. Guri que teve Sérgio como professor. Aprendeu com ele, em quatro anos de trabalho conjunto, como é que se faz jornalismo, como se trata as pessoas e o cuidado que se deve ter com quem escreve, porque nós, os “escrevinhadores”, somos seres borbulhantes, inconstantes, sensíveis. E o Thiago sugeria, palpitava, discutia pautas. E o Thiago elogiava, comentava, ajudava. Uma figura especial. Um exemplo de cuidado e respeito.

Pois dia desses o Serjão resolveu fazer uma coisa muito má, destas que nunca ousara fazer. Foi embora. Encantou. E deixou um buraco na vida do jornalismo. E deixou uma cratera na vida daqueles que caminhavam com ele nesta vereda de ternura e paixão pela palavra. Quem, como eu, participava de longe deste projeto da Caros Amigos, sofreu, mas não desesperou. Sabíamos que aquela gente que tinha construído com Sérgio a proposta de uma revista crítica, bonita e inteligente, não negaria fogo. Era um povo que aprendera a lição do velho companheiro. Então seguimos, sabendo que Sérgio viveria para sempre.

Pois ontem me chegou a carta do Thiago, secretário de redação da Caros, que tantas vezes mediou, com carinho e respeito, a publicação de vários dos meus textos. Despedia-se de todos os que tinham caminhado por estes anos com ele, o Sérgio e a turma da Caros. Fora demitido por telefone e sem direito a aviso prévio. Seu pecado: ser um “seguidor” do Serjão. O menino que entrou na revista como estagiário, que não perseguia grana nem fama. Que só queria fazer jornalismo bom, deste que serve a maioria das gentes. O guri de riso largo que aprendeu com Sérgio que as pessoas precisam de amor, atenção, cuidado, palavras de incentivo, respeito. O guri que não o renega. O guri que sabe com quem aprendeu. O guri que o reverencia. Diz ele: “Escrevo para me despedir e dizer que o modo como saí foi injusto. Impensável em outras épocas. O tratamento dispensado aos ´jovens seguidores do secretário` como foi divulgado é lamentável. Vale registrar, não foram só "os jovens seguidores do secretário" que deixaram o projeto decepcionados. O projeto só existe porque as pessoas - que devem ser respeitadas antes de tudo - o conduzem de coração, alma, sem nenhum tipo de "ismo" como diz o editorial número 1. A revista não é patrimônio de um só, é de todos os colaboradores, leitores e envolvidos no seu dia-a-dia. Espero, sinceramente, que isso permaneça de algum modo e que respeitem a minha história interrompida e de todos os que deixam o projeto. Sim, decepcionados com argumentos e tratamentos! Ao contrário do que possam dizer em notas divulgadas e invencionices, é sempre bom ouvir a versão dos dois lados”.

Por conta desta arbitrariedade, vários outros companheiros saíram da Caros Amigos. Não reconhecem mais nela o projeto que suleou a revista nos tempos do Serjão. Sabiam eles que as mudanças seriam naturais, mas não esperavam coisas desse tipo, como a demissão sumária e desrespeitosa do Thiago, os argumentos usados e a descaracterização da revista. Numa outra carta, divulgada pelos trabalhadores que se demitiram em solidariedade ao Thiago, chega-se a conclusão de que o bom ambiente de camaradagem e alegria que havia antes, acabou. Assinam o manifesto: Cylene Dworzak Dalbon (repórter), Jackson Viapiana (estagiário), Léo Arcoverde (repórter), Mariana Nóbrega (assistente de arte), Mariana Santos (estagiária), Natália Mendes (estagiária), Rodrigo Aranha (repórter), Rodrigo Mendes (texto), Vinícius Souto (assistente de redação).

Renato Pompeu (editor especial) também pediu demissão e assina o manifesto, mas sua posição é diferenciada, pois reconhece a autoridade da direção da revista, porém julga que a única coisa que o atraía na redação, o bom ambiente de camaradagem no trabalho, deixou de existir. Em solidariedade a Thiago Domenici, também saem da revista: Mariana Camarotti (correspondente na Argentina), Fernando Evangelista (repórter) e Lilian do Amaral (texto).

E é assim que se esvai um lindo projeto de jornalismo, de pensamento próprio e de crítica. Melancolicamente a Caros Amigos põe um ponto final a um jeito de ser e fazer jornalismo, como o que era levado por Sérgio e sua trupe. Os seguidores, como dizem. Fico pensando em Jesus, em Che, em Gandhi e outros tantos seres que iluminaram caminhos e abriram veredas por onde até hoje andam aqueles que se atrevem a segui-los. Ser seguidor de uma prática bonita, respeitosa, amorosa, delicada, crítica, bonita e tudo o mais que ensinava Sérgio não deve ser defeito. É qualidade. Por isso, Thiago e toda a gente que saiu da Caros em solidariedade a ele, só devem se orgulhar.

O mundo humano é assim mesmo. As coisas nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Mas coisas há que não morrem. E certamente não há de morrer no Thiago as lições que aprendeu do grande companheiro que hoje parece ser a causa de sua demissão. Às vezes, Thiago, quando a gente perde, é quando a gente ganha. Pode ser que, na imensidão do cosmos, onde agora está vivendo aquele que te fez um jornalista tal qual tu és, estejam sendo tramados os planos para novas propostas.

Coisa novas podem nascer deste grupo que hoje é chamado de “seguidores do Serjão”. Coisas novas, belas, dignas. Porque ninguém caminha com um mestre em vão. A melhor resposta é ultrapassá-lo. Lá em cima, na beira da nuvem, ele está olhando, orgulhosos e seguro. Sabe que essa galera vai parir o novo. Um novo que terá a cara de vocês e não a dele. Aí sim ele terá sido grande.

Não é hora de chorar o que se perdeu, mas sim, abrir as trilhas para o que virá. Aqui, da periferia da periferia, Santa Catarina, eu me solidarizo e aposto minhas fichas nesta galera de seguidores... Contem comigo para o que vai nascer!...



quarta-feira, 18 de junho de 2008

O homem que é um caminho


Imagine aquele homem, de riso largo e olhos penetrantes, sentado em sua cadeira de balanço, charuto entre os dedos e um mate quentinho a lhe aquecer as juntas gastas. Do alto dos seus 80 anos ele ainda olharia de esguelha para alguma mulher bonita e sairia às ruas nas passeatas, serelepe como um menino. Mas, El Che não chegou lá. Não soube o que é perder a força, os hormônios, sentir o corpo fraquejar. Não perdeu a beleza heróica, não envelheceu. Caiu, executado numa escola pobre, de um longínquo lugar da Bolívia. Seus olhos de lâmpada, que iluminaram a luta mais bonita do século XX, ficaram abertos, mirando os assassinos, numa expressão quase de pena.

Ernesto nasceu na Argentina e viveu sempre no limite. Asmático, venceu cada crise, recusando-se a cenas de auto-piedade. Quando o ar lhe faltava, ele arfava, barulhento, e se escondia para que ninguém o visse lutar contra a doença que tentava impedi-lo de viver à larga. Foi assim que se embrenhou pela América Latina e descobriu que muito mais do que argentino, ele era um revolucionário, prisioneiro das causas do povo. E assim foi até o fim.

El Che é homem sem igual. Não é à toa que vive para sempre. Enfrentou a doença, enfrentou o império, se embrenhou nas selvas e defendeu com seu próprio corpo os sonhos coletivos de uma multidão. E é tão especial que, mesmo morto, consegue levar adiante milhões de almas em rebelião. Seu rosto anguloso de olhar firme é presença segura em qualquer lugar onde haja gente em luta. Sua força revolucionária é tão grande que nem apropriado pela Fórum conseguiu se transformar num pastiche. A cara do Che nas camisetas da famosa marca não podiam mesmo encantar a classe que compra roupas caras. Essa gente não o conhece, não sabe do seu valor. Assim, não vingou.

O Che vive mesmo é nas camisetas de malha ruim, produzidas nos fundos de quintal, em fabriquetas de serigrafia, que se vendem nos encontros populares. Porque essa gente é a sua gente. Os empobrecidos, os desvalidos, os oprimidos, os marginais, os que dizem não, os que sonham, os que transformam, os que anunciam boas novas, os que fazem rebeliões, os profetas.

O Che vive porque não é mais um homem, é um caminho, vereda de liberdade, de vida digna, de riquezas repartidas. O Che e seu olhar de infinito está sempre ali, a dizer: sim, é possível. Vamos em frente, em luta. Esse homem de junho, esse homem outonal, essa chama. É sua voz de trovão que nos convida a acreditar que as lutas coletivas sempre serão as armas mais seguras para chegar a uma nova organização da vida. O Che de Rosário, de Alta Gracia, de Córdoba, da Bolívia, da Venezuela, do Peru, do Equador, da Guatemala, de Cuba... O Che do mundo... Ele nos acena, invencível, e nós o seguimos... Porque assim como ele, vive, eterna, a esperança deste ainda-não almejado. Nós o faremos... Eu sei!

18/06/2008