quarta-feira, 28 de novembro de 2007
29 de Novembro: Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino
A noite... minha visão.
A chuva... minhas nuvens.
O inverno... meu coração.
Sem casa...pátria...ou terra.
Sem coração...vida...ou horizonte.
Olhei o céu... e estrelas me guiavam.
O oásis estava perto.
(poema de Zeka Chaves)
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Caso de Polícia
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Democracia ameaçada
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
A Universidade em segundo lugar!
Os trabalhadores que gostam de choramingar e denunciar assédio moral, os professores que reclamam não ser valorizados, os estudantes que preferem protagonizar factóides, estes decidiram ou votar na proposta de “bussines” ou se omitir. Basta ver que 59% da comunidade não votaram. As pessoas preferiram ficar nas mesas dos bares a dizer que não gostam de política, que não dá para mudar nada, que a vida é mesmo assim, que os centros ligados às humanidades são preteridos, etc... Triste academia essa. Incapaz de avançar para a mudança. Imobilizada e medíocre.
O Hospital Universitário, lugar que de alguma maneira é decisivo numa eleição, também optou por seguir apostando nos mesmos de sempre. Os que privatizam, os que terceirizam, os que praticam violência no trabalho. Os trabalhadores, cativos da servidão voluntária, não acreditam na sua própria força. Preferem se ancorar nos “salvadores” que, no mais das vezes, são os seus carrascos. Escondem-se no subterrâneo dos pequenos privilégios que aparecem como benesses de um pai amoroso, como por exemplo, as seis horas, que administração alguma se atreve a legalizar, embora faça vistas grossas. Claro, servem como moedas de troca na hora da eleição.
Entre os professores nenhuma novidade. Já faz muito tempo que uma boa parte deles desistiu da idéia de universidade. O projeto desta maioria é a busca desenfreada de dinheiro através de convênios mediados pelas fundações. Não querem saber de pensamento crítico, criação do novo, casa do saber. Querem, no melhor estilo do personagem Justo Veríssimo, “se arrumar”, produzindo para o mercado. Fora os que negociam migalhas como computadores, um prédio ou bolsas para projetos. Vendem-se por trinta moedinhas e nada querem saber de universidade com compromisso social.
Já os estudantes dividiram-se entre os que defenderam com unhas e dentes seus interesses, como os do CTC e os do CCS, os que valentemente (poucos) acreditaram no novo e os que (imensa maioria) preferiram se omitir entregando a universidade para os abutres. Os alienados de sempre não surpreenderam. A nota triste ficou por conta de um pequeno grupo de “lutadores” que fazem belos discursos contra o Reuni ou contra a reforma universitária, mas que, quietos no seu canto, deixaram passar a possibilidade de mudar a UFSC, ainda que um pouquinho só.
E assim, a UFSC segue seu caminho. Conservadora, alienada, praticamente vazia de saber. O que movimenta a vida no campus é o negócio, agora firmemente respaldado por 59% das pouco mais de 13 mil almas que participaram do processo. Já a maioria, cordeiros, bale nas veredas da universidade. Está mais interessada no diploma ao final de quatro anos. Os estudantes entrarão e sairão das salas de aula como autômatos, esperando a hora da formatura para entrar no mercado. Os trabalhadores seguirão sendo achincalhados, humilhados, pisoteados, mas sempre sorrindo e amando a mão que bate. Os professores farão projetos e ganharão dinheiro. A sociedade? Que se exploda! Ou melhor, que pague, e caro, pelo saber que financiou.
Já os poucos, os de sempre, os que acreditam que a universidade pode ser um espaço de conhecimento comprometido com o social, de saber, de sabor, de transformação, estes seguirão, firmes na luta. Uma luta que se faz não apenas na retórica ou no ato heróico, pontual, mas no dia-a-dia, no cotidiano da universidade. Afinal, mudança é coisa que demora gerações. E o bom é que pessoas há que não desistem! Permanecem, com olhos críticos, a mostrar que o rei está nu... Um dia, é certo, as gentes também verão essa escancarada nudez!
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
terça-feira, 13 de novembro de 2007
No caminho de El Tatio
Eu não esqueço da cena. Era madrugada e um pequeno grupo saía em direção a El Tatio, um dos pontos mais altos da região da quebrada de San Pedro de Atacama, no deserto chileno, onde ficam os famosos gêiseres. Havia chovido bastante na noite anterior e as estradas estavam muito ruins. O guia que levava o grupo era um legítimo representante dos Likan Antay, o povo atacamenho, originário do lugar. Seu nome: Getúlio. Homem de poucas palavras, com aquele silêncio pesado que precede tempestades, típico das gentes do Atacama que vêem a cada dia seus espaços sendo tomados por empresários europeus.
Na Van seguia um animado grupo composto por brasileiros, chilenos, e um espanhol. Basicamente colocávamos nossa vida nas mãos daquele homem, pois o caminho era absolutamente invisível, tamanha a espessura da neblina. Nada se via e só o que a gente sabia era que de um dos lados da estreita estrada se abria um precipício imenso. Getúlio seguia impávido, conhecedor que era daquelas milenares veredas.
Então, houve um estrondo e o carro caiu num buraco, pendendo para o lado do penhasco. Foi um momento de pânico geral. Logo estávamos todos na rua e Getúlio tentava retirar o carro da fenda onde tinha caído. Foi nessa hora que o espanhol surtou. Dizia ao indígena que ele era um irresponsável, que não havia condições do carro subir a montanha, que estava colocando em risco sua vida e tantas outras barbaridades que não vou reproduzir. Getúlio ouvia com sua impassível paciência enquanto, sozinho, lutava para tirar o carro da vala. Ficava explícito ali naquele monólogo do espanhol todo desprezo que ele tinha pelo saber e pela cultura de Getúlio, do povo originário.
E foi tanta a loucura do espanhol que ele praticamente obrigou todo mundo a voltar para a vila, fazendo ameaças e impedindo que o carro seguisse o caminho. Como se a estrada ruim e o acidente fossem responsabilidade de uma natural “burrice” de Getúlio. A histeria do cara foi tanta que todos decidiram voltar e retornar a El Tatio só na madrugada seguinte, sem a presença do espanhol. Foi o que fizemos.
No dia seguinte partimos pela mesma estrada e com o mesmo motorista, vivendo a mesma aventura da neblina fechada. Lá em cima, maravilhada com a beleza dos gêiseres, tive tempo de conversar com Getúlio enquanto devorávamos sanduíches no almoço. “Esse povo é assim, acha que ainda manda por aqui”, disse ele. “Pensam que somos sua colônia. Não somos!”. Pois não é que no dia seguinte fomos todos chamados à chefatura dos “carabinieri” para dar declarações. O espanhol havia feito uma denúncia contra Getúlio, dizendo que ele havia colocado em risco a nossa vida. Claro que todos defendemos Getúlio, pois ele não só tinha cuidado muito bem da situação como sabia andar naquelas estradas de olhos fechados. Nunca houve risco para nossa vida. Foi o maior mico do espanhol!
Eles ainda pensam que somos colônia
Pois atitude semelhante teve o rei da Espanha, Juan Carlos, na última semana quando mandou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, calar a boca. Vivendo a irrealidade do conto de fadas, num anacronismo sem limites, de uma aristocracia carcomida, o rei incorporou a dita “superioridade colonial”, acreditando que aquele mestiço falastrão nada mais poderia fazer senão calar a boca ao seu mando.
Faz parte do jogo de simulacro essa coisa grotesca de vir para a América Latina, segurar indiozinhos no colo, fazer visitas aos pobres, percorrer favelas. Coisa de realeza, acima do bem e do mal, olhando pelos antigos súditos. Agora, ouvir críticas da boca de um mandatário de uma nação soberana, que não se submete, aí já é demais para o rei. Então ele esquece todo esse “bom mocismo” de beijinhos falsos e perde a tramontana. É que, na verdade, a Espanha ainda domina grande parte das terras de cá. Hoje de um jeito novo, via empresas transnacionais. Controla minas, telefonia, bancos, comunicação e tantas coisas mais, serviços estratégicos no mais das vezes. Um novo jeito de colonizar, de manter sob o cabresto. Governos latino-americanos há que ainda se submetem e baixam suas cabeças para esses interesses, espanhóis ou não. Outros não têm medo, como Chávez, e denunciam. Então assoma a arrogância européia: Cala a boca! Tal qual o espanhol dirigindo-se a Getúlio nas entranhas do deserto.
O que Juan Carlos não sabia é que, de Chávez, não se pode esperar o silêncio imemorial. Ele é príncipe das palavras, que lhes brotam aos borbotões, principalmente quando é para defender a soberania da gente de “nuestra América”. E ele não cala a boca assim fácil não. Ao contrário. Ele grita, um grito aprisionado desde há 500 anos. Que não se cala mais. Se alguém tem de calar, aqui, agora, na nossa terra, é “el rei”. Já basta! Não por acaso esta é a frase que ouvi de uma das bocas quentes de El Tatio naquela manhã de fevereiro. Já basta! As gentes de Abya Yala já não se calam mais!...

