terça-feira, 30 de outubro de 2007

Um valoroso combatente


Adenilson teles, em Caracas, buscando construir um tempo novo.

Pra você, menino!

Homenagem a Adenilson Teles

Eu partilhei de toda luz
Vi crescer, devagar e segura
Na sala de aula.
Menino fazendo-se homem,
Homem se fazendo jornalista.
Tinha o texto afinado
E o compromisso com as vítimas,
Sempre...
Nunca ficou alheio à luta.
Deu o seu melhor,
Na política, na vida.
Escolheu a margem menos segura
A dos oprimidos
Dos desvalidos, os seus.
Com eles caminhou
Na rádio, na rua, no compromisso.
Tinha a voz potente, de locutor
Arauto de sonhos e esperanças.
Os olhos clarinhos
Derramavam a ternura mais profunda.
Lembro do seu riso a beira do Rio Branco
Nos confins do Brasil
Quando esperávamos a hora de ver
A Venezuela revolucionária.
Cúmplices!...
Ainda ouço os seus desejos,
Na fulgurante Caracas,
De um jornalismo bonito, libertador
De vida digna, de lutas limpas.
Agora ele se junta ao grande mistério
Não mais corpo, não mais riso.
Mas, certamente, presença
Porque a morte é só um portal
Para o esperado ainda-não.
Para a plenitude, a saciedade.
Fica a saudade, grande...
E a certeza de que vives
Em cada passeata,
Em cada emissão da radio comunitária
Em cada vitória dos trabalhadores!
Em nós.
Voa livre, menino...
Até o grande encontro...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A universidade em luta


Conselho Universitário da UFSC quis colocar de goela abaixo o Reuni, programa do Lula que desmonta e torna ainda mais frágil a universidade, preparando-a para a privatização. A luta de estudantes e trabalhadores impediu que tudo fosse aprovado na última terça-feira, mas a turma da pesada vai voltar à carga nesta sexta. Veja o que nos diz sobre isso o nosso ídolo Che Catatau - "el perro" mais nojento da UFSC.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Argentina escolhe novo presidente


Bem antes da chegada dos espanhóis à região que hoje forma a Argentina, aquela era um espaço de liberdade. Parte dela era ocupada por povos originários (querandís, charruas e guaranis) que tinham vida nômade; e a outra parte, mais próxima ao Chile (dos mapuches e quéchuas), estava integrada ao império Inca. A vida se fazia farta às margens do Paraná-Guazú (rio grande como o mar) como os originários chamavam o rio que mais tarde foi batizado de Rio da Prata. Este nome foi dado por Sebastião Caboto, em 1526, quando o navegador, vendo muita prata na mão dos indígenas, acreditou que ali abundasse o material. Ledo engano. A prata havia sido botim de uma escaramuça dos índios com uma esquadra portuguesa. E, apesar de logo os espanhóis descobrirem que ali não havia prata alguma, o engano acabou dando nome à região. Do nome latim “argentun” (prata) passou à Argentina, e desde então assim foi.

Segundo maior país da América do Sul, a Argentina tem uma história rica de lutas e desafios que vêm desde as primeiras batalhas dos povos autóctones por seu território até o grande levante popular do início do século XXI, quando o povo derrubou dois presidentes num movimento cascata, exigindo vida digna e repudiando as políticas neoliberais. Apesar de diferenças geográfica abissais, que vão desde as geladas terras da Patagônia, passando pelos Andes, pela Pampa, até o sufocante Chaco, o país tem um povo unido, culto e guerreiro, cuja tradição de luta ultrapassa as fronteiras de Abya Yala.

Pois é esse povo que vai às urnas no próximo domingo, dia 28, para escolher o novo presidente da nação. Depois de viver experiências dramáticas como dois grandes períodos de ditadura, ambos pós-Perón, um dos maiores nomes nacionais, a Argentina ainda busca encontrar seu caminho seguro para uma vida de fartura, na qual caibam todas as gentes.

Desde as lutas por independência sob o comando de San Martin, o povo argentino, amalgamado por criollos e originários, tem sido incansável no desejo de construir uma nação independente e soberana. Mas não tem sido fácil. Nos últimos anos, passada a feroz ditadura militar que ceifou a vida de milhares de pessoas, com mais de 30 mil desaparecidos, os tropeços também têm sido grandes. O governo Menen, pós-ditadura, que apareceu como uma vereda segura para a volta do peronismo e do poder popular se mostrou serviçal do neoliberalismo e carregou a nação para um processo de desmonte e pobreza extrema. Tudo isso acabou na revolta que derrubou cinco presidentes e conduziu Nestor Kirchner à presidência.

Os últimos quatro anos foram de relativa calmaria. Kirchner, que era um desconhecido e muito mais afinado com a direita, se mostrou um dirigente capaz de restaurar uma relativa ordem na economia, proclamou moratória, fechou acordos com Hugo Chávez e deu tintas de esquerda para seu governo, muito mais do que o governo de Lula, por exemplo. De qualquer forma, Kirchner não escapa das críticas de uma parte da esquerda que o considera um farsante, alguém que fez algumas reformas, mas que não tem compromisso com as transformações estruturais que a Argentina precisa.

Ainda assim, é a senadora Cristina Fernández de Kirchner, esposa do presidente, ligada ao Partido Justicialista, quem lidera a corrida presidencial. Advogada, ela ganhou notoriedade no país no movimento de luta pelos direitos humanos e pela participação da mulher na vida política. Apesar de não ter o carisma de Eva Perón (eterna madrecita dos argentinos), Cristina evoca a nova mulher, bonita, inteligente, independente e lutadora. Daí a sua força junto ao eleitorado. As pesquisas indicam que ela pode até ganhar no primeiro turno, tamanha sua popularidade.

De maneira inédita, é também uma mulher a segunda colocada na corrida pela Casa Rosada, Elisa Carrió, candidata da Coalizão Cívica e incluída no rótulo de centro-esquerda. Também advogada, Elisa é ex-deputada nacional por Buenos Aires e coordenadora do Instituto de Formação Cultural e Política Hannah Arendt. Já concorreu ao cargo em 2003 e baseia sua campanha na luta por ética e distribuição de riqueza. Tem avançado nas pesquisas.

Mais à direita está Roberto Lavagna, que foi ex-ministro da Economia dos governos de Eduardo Duhalde (2002-2003) e de Néstor Kirchner (entre 2003 e 2005). Foi o seu ministério que o assumiu a recuperação do país no auge da crise de 2002, mas ao ser afastado do cargo por Kirchner, passou para a oposição. O outro candidato de direita é Ricardo López Murphy, que foi ministro da Defesa e da Economia durante o governo de Fernando de la Rua (1999-2001) e derrotado por Kirchner nas eleições presidenciais de 2003.

Além destes que são os mais citados nas pesquisas, disputam a vaga outros dez candidatos divididos entre direita e esquerda. A que encontra mais eco entre os movimentos sociais mais críticos ao governo de Kirchner é, sem dúvida, a do cineasta Fernado Solanas, conhecido por sua filmografia engajada e apaixonante, sempre dizendo da luta do povo argentino e de suas potencialidades. Junto com ele caminha o sindicalista Angel Cadelli, figura importantíssima na luta contra a privatização do estaleiro Río-Santiago, um dos maiores da América Latina.

E, assim, com toda essa variedade de pensamento e propostas, as gentes da Argentina devem decidir, nas urnas, no dia 28, o seu destino. Seja ele qual for, quem conhece a história sabe: se a coisa não andar direito, o povo se levanta e muda tudo. Tem sido assim, desde os memoráveis charruas. Não será diferente.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A UFSC vai mudar


Está a pleno vapor a campanha para a reitoria da UFSC. Disputam duas chapas. Uma, oficial, representa o continuísmo. Mais do mesmo. A outra é a promessa da mudança! Nildo Ouriques e Maurício Pereima são os que propõe uma nova UFSC: bonita, transparente, libertária, popular. É com essa que eu vou!!!

Contra o monopólio, pela liberdade

A luta pela comunicação livre também aconteceu em Florianópolis. No dia 5 de outubro, movimentos sociais foram para a rua e disseram a sua palavra. Performances, panfletagens e muita conversa. Quem sabe um dia, a casa cai! Veja a produção do Sarcástico no Youtube.
http://youtube.com/watch?v=Lis_gIPjqzQ

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A incrível vitória do sim

Poderia ser o roteiro de uma novela, um folhetim, destes bem dramáticos que inundam as telas das televisões em toda a América Latina. Senhores feudais usando toda a sua força de coerção, o grande patrão geral fazendo chantagem, o uso da poderosa arma do medo e toda a sorte de intrigas e armações. Assim foi o referendo acontecido na Costa Rica, no último domingo, dia 9, que daria a resposta popular sobre se o país deveria ou não implementar o Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, eterno vampiro a sugar as riquezas nacionais.

Por longos meses, o movimento social da Costa Rica conseguiu organizar uma imensa rede de defensores do “não”. Comitês patrióticos foram criados em cada cantinho recôndito do país. É, porque as gentes costarriquenses sabiam muito bem, tal qual já anunciara José Martí que: “união econômico é união política. O povo que compra, manda e o povo que vende, serve”. Por isso e por saber que os Estados Unidos nunca foi um parceiro, e sim um carrasco, é que o povo se organizou e construiu a possibilidade do referendo. Um ato inédito nesta “nuestra América”. Um momento histórico. Todas as pesquisas davam como certa a vitória do “não”, tendo chegado, nos últimos dias, a encantar quase 60% do eleitorado.

Pois, feita a votação e iniciado o escrutínio dos votos, veio a surpresa. O “sim” era vencedor. Já na manhã de segunda-feira, o jornal estadunidense Washigton Post estampava na sua primeira página: Chávez é derrotado na Costa Rica. A alusão ao governante venezuelano se dava por conta de que ele vem tentando implantar uma outra integração, a Alternativa Bolivariana para as Américas. Que é generosa, que não é predadora, que respeita a autonomia dos povos. Pois este era verdadeiramente o embate que estava sendo travado na Costa Rica, ALBA contra ALCA, esta última, a proposta de uma nova colonização a ser feita pelos Estados Unidos.

Na semana da votação, o poder do império já se fez sentir. Os meios de comunicação anunciavam à exaustão que se não fosse referendado o TLC, os Estados Unidos iriam retirar todos os investimentos do país, o desemprego aumentaria assustadoramente, a violência cresceria. Foi instalado o clima de terror. O presidente da república, Oscar Arias falava à nação, o embaixador dos Estados Unidos também e até o Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, que deveria apenas fiscalizar o processo, deu declarações a favor do sim. Ou seja, todas as figuras nefastas, os cães de guarda do império, foram para as ruas praticar a velha e suja coerção.

O resultado (51% para o sim e 48% para o não) dividiu o país e criou uma fissura que só tende a se ampliar. Ninguém sabe ainda se houve fraude ou se o parte do povo se amedrontou, afinal, o poder do terror não pode nem deve ser subestimado. O certo é que no dia seguinte, os serviçais do governo estadunidense já estavam negociando a pátria. Estes três por cento que derrotaram o povo organizado vai cobrar a fraude que, se não foi nas urnas, efetivamente, foi política, como denunciam os movimento sociais. Ou afinal, como poderia ser chamado o uso indiscriminado da máquina pública, a danosa parceria dos meios de comunicação e a bem orquestrada campanha estadunidense, com toda sorte de embustes e jogos?

Assim, com a boca arreganhada, o TLC já começou a andar na Costa Rica. Muito em breve as gentes vão ver acontecer tudo aquilo que seus governantes disseram que aconteceria se ganhasse o não. Aumento da pobreza, desemprego, violência e todas as mazelas que o sistema predador estadunidense traz para os países onde finca as garras. O que a elite entreguista da Costa Rica não sabe é que aqueles 48% (coisa que não é pouca) não ficarão parados. As gentes lutarão! Há de chegar o dia em que a roda da vida vai girar. Foi só uma batalha, uma das tantas que ainda necessitarão ser travadas contra o capital. Fica a lição. O poder da água ainda é grande.

Por outro lado, na mesma semana, nasce finalmente o Banco do Sul, proposta integradora da Alternativa Bolivariana para as Américas. Tremem os criadores do FMI, Banco Mundial e toda a rede de predadores da América Latina. Um banco de desenvolvimento, de fomento, que deve trabalhar numa outra lógica, não de dominação, mas de efetiva parceria. Não é à toa que Washington joga todas as suas fichas contra a figura de Hugo Chávez. Então, em meio a tristeza da derrota na Costa Rica, me vêm de novo as palavras de Martí: “Os homens estão sempre caindo, é verdade, mas quando vêem um que anda firme, por conta da vergonha, todos saem andando!”... Andemos, pois.